Universidade Federal do Rio Grande (FURG): Portal de Periódicos Científicos
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Conhecimentos e práticas de professores de ciências e biologia sobre racismo ambiental
Environmental racism is the term used to describe situations in which socio-environmental vulnerabilities manifest in the lives of specific groups such as indigenous peoples, quilombolas, riparian communities, fishermen, and small farmers, who historically are expelled from their lands and pushed into sacrifice zones like slums and communities. The present study aimed to investigate the perceptions, knowledge, and doubts of science and biology teachers in basic education regarding environmental racism. The research employed a qualitative approach, developed from interviews conducted with five teachers from the state public school system in the municipality of Seropédica. Thematic Content Analysis was used to analyze the data, and the results indicate a lack of awareness about environmental racism and a potential absence of the topic in higher education and postgraduate curricula.El racismo ambiental es el término utilizado para describir situaciones en las que las vulnerabilidades socioambientales afectan a grupos como indígenas, quilombolas, ribereños, pescadores y pequeños agricultores, que históricamente son expulsados de sus tierras y empujados hacia zonas de sacrificio, como favelas y comunidades. Este estudio buscó comprender las percepciones, conocimientos y dudas de los profesores de ciencias y biología de la educación básica sobre el racismo ambiental. La investigación utilizó un enfoque cualitativo, con entrevistas a cinco profesores de la red pública en el municipio de Seropédica. Los datos fueron analizados mediante Análisis de Contenido Temático, y los resultados indican un escaso conocimiento sobre el racismo ambiental y una posible ausencia del tema en los planes de estudio de la educación superior y posgrados.Racismo ambiental é o termo utilizado para denominar situações em que as vulnerabilidades socioambientais se expressam nas vidas de determinados grupos como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e pequenos agricultores, que, historicamente, são expulsos de suas terras e impelidos para zonas de sacrifício, como favelas e comunidades. O presente trabalho tem como objetivo averiguar as percepções, os saberes e as dúvidas de professores de ciências e de biologia da Educação Básica sobre o racismo ambiental. A pesquisa é de abordagem qualitativa, desenvolvida a partir de entrevistas realizadas com cinco professores da rede pública estadual do município de Seropédica. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo Temática e os resultados apontam que existe pouco conhecimento sobre racismo ambiental e uma possível ausência do tema nos currículos do Ensino Superior – graduação e pós-graduação
Manguezal vivo: um projeto de educação ambiental na escola
Este projeto de intervenção buscou aproximar a comunidade escolar da realidade dos manguezais, promovendo conhecimento social e ecológico. Os resultados demonstraram que a proposta contribuiu para o desenvolvimento do senso crítico e da consciência ambiental. Dentre as dificuldades encontradas, destacaram-se a limitação de tempo para aprofundar as ações e a complexidade de envolver outros membros da comunidade escolar, como pais e funcionários. Entre os impactos positivos, evidenciou-se o engajamento das crianças e a sensibilização coletiva quanto à importância dos manguezais, por meio de uma troca significativa de saberes entre os participantes. Os manguezais constituem um ecossistema costeiro essencial, atuando como sumidouros de carbono e capturando grandes quantidades de gases da atmosfera. No entanto, a ação humana tem gerado impactos negativos nesse bioma. O projeto teve como objetivo ampliar o conhecimento da comunidade escolar sobre os manguezais, destacando sua relevância para o equilíbrio ambiental e para a subsistência de famílias que dependem da pesca e da coleta de mariscos. A pesquisa qualitativa analisou a relação de pescadores e marisqueiras com os manguezais do Mojó, por meio de entrevistas, observações e registros fotográficos. As ações despertaram nos alunos maior consciência ecológica, com forte engajamento em atividades práticas e reflexões sobre a importância desse ecossistema para a comunidade local
“DIZEM QUE LÁ É MELHOR”: LUTO E RESISTÊNCIA NO FILME “MULHER DO PAI” DE CRISTIANE OLIVEIRA
Este artigo apresenta uma análise do processo de luto e emancipação vivenciado por uma mulher, a partir da abordagem de três personagens no filme “Mulher do Pai” (2017), dirigido por Cristiane Oliveira. O objetivo é examinar como o luto desencadeia práticas disruptivas entre mulheres em contextos historicamente associados à colonialidade do cuidado. Desse modo, busca-se identificar discursos patriarcais em um ambiente rural de fronteira, especialmente no que se refere aos papéis de gênero. A metodologia adotada prioriza a Análise Foucaultiana do Discurso, explorando as representações estéticas presentes nesta obra cinematográfica, bem como no seu roteiro. Os resultados destacam a contribuição da produção literária de autoras mulheres, ressaltando a necessidade de uma abordagem decolonial, especialmente no cinema, para essas temáticas, contrapondo-se à prevalência das masculinidades hegemônicas na própria obra de arte
PERSPECTIVAS DOCENTES SOBRE EDUCAÇÃO SEXUAL NAS SALAS DE REFERÊNCIA: RELATOS E REFLEXÕES NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O referido estudo buscou analisar e discutir como as docentes da Educação infantil compreendem a Educação Sexual em suas salas de referência em seu cotidiano, compartilhando de alguns fatos relatados por elas em suas práticas pedagógicas, partindo de um recorte parcial das análises de uma dissertação de mestrado em Educação concluída em 2023. O estudo em tela utilizou questionários semiestruturados on-line, tendo coletado respostas de 29 docentes atuantes de 12 Núcleos de Educação Infantil Municipal da Grande Florianópolis. É possível considerar que a Educação Sexual Emancipatória já está presente nas salas de referência, mesmo que de forma intencional ou não e por meio do currículo oculto. Por outro lado, a lacuna se estende quando as docentes apontam a necessidade de formações continuadas que possam prepará-las para enfrentar as resistências e tabus que estão presentes quando há referência ao tema da Educação Sexual
SABERES QUE LIBERTAM: O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE E AUTONOMIA DAS MULHERES NEGRAS
A universidade, enquanto espaço de produção de conhecimento, também reflete desigualdades sociais. Para as mulheres negras, representa desafios e possibilidades. Este artigo tem como proposta analisar, com base em revisão bibliográfica, de que forma o acesso ao ensino superior contribui para a construção da identidade e autonomia dessas mulheres, evidenciando possibilidades de superação das barreiras relacionadas ao racismo e ao sexismo estruturais. A pesquisa, qualitativa e baseada em revisão bibliográfica, destaca a educação como ferramenta de emancipação. A partir da análise do material estudado, os resultados apontam que, apesar dos desafios, a universidade pode configurar-se como um espaço de resistência e valorização das vozes femininas negras, reforçando a necessidade de políticas educacionais inclusivas e redes de apoio que promovam a equidade racial e de gênero no meio acadêmico.
“EU TINHA MEDO DE FALAR SOBRE ISSO”: GÊNERO, SEXUALIDADE E DOCENTES LGBTQIA+ NA ESCOLA
O gênero e a sexualidade dissidentes são alguns dos motivos que provocam julgamentos e hierarquização dos/as sujeitos/as pela norma. Com o avanço dos movimentos anti gênero e da Escola sem Partido as instituições escolares se tornaram alvos preferenciais de ataques a essas identidades demonstrando os não lugares ocupados por essas pessoas. Este artigo, é recorte de tese doutoral, desenvolvida entre 2019 e 2022 e procura discutir como as temáticas de gênero e sexualidade atravessam as identidades pessoais e profissionais de docentes LGBTQIA+. De natureza qualitativa, envolve narrativas de cinco colaboradores/as que contaram as suas histórias de vida-formação-profissão por meio da Entrevista Narrativa. As análises, realizadas por meio da Teoria de Interpretação (Ricoeur, 2019) apontam que esses/as professores/as são atravessados/as pelo medo e pelo silenciamento no que tange aos temas do gênero e da sexualidade na escola, criando (re)existências para suas/essas identidades
INCLUSÃO EM DISPUTA: CAMINHOS DA EDUCAÇÃO LGBTQIAPN+ NO BRASIL E NA ESCÓCIA
Este trabalho investiga o papel da educação inclusiva para a população LGBTQIAPN+, considerando a necessidade de contemplar grupos historicamente marginalizados nos ambientes escolares. A pesquisa trata de duas realidades educacionais, Brasil e Escócia, destacando contextos sociais distintos. Para tal, realiza-se uma abordagem de investigação de intervenção. Ou seja, aquela em que, envolvidas no objeto de estudo, nos tornamos observadoras participantes, produtoras ativas de conhecimentos. Além disso, a pesquisa contou com levantamento bibliográfico e estudo de dados oficiais. No Brasil, os altos índices de violência e a evasão escolar refletem a exclusão vivida por pessoas LGBTQIAPN+. Em contraste, a Escócia implementou, em 2021, o ensino dos direitos LGBTQIAPN+ no currículo, promovendo inclusão desde a educação básica. A análise dos dados evidencia que políticas educacionais inclusivas contribuem para ambientes escolares mais seguros. Conclui-se que a integração de temáticas LGBTQIAPN+ no currículo escolar é essencial para a construção de sociedades mais igualitárias e democráticas
ORÁCULOS NA SALA DE AULA: RESISTÊNCIAS CRIATIVAS EM EDUCAÇÃO
Na intenção de contribuir com a criação de ferramentas e intervenções feministas decoloniais na educação, este artigo propõe a criação de práticas a partir do oráculo Mulheres e Seus Poderes de Transformação - conjunto de 40 cartas com imagens de mulheres protagonistas de diversas épocas e campos do saber - que pode ser utilizado em diversos espaços educativos. Tomando o oráculo como ferramenta que reativa a magia da força subversiva das mulheres por meio de suas imagens e histórias de luta e transformação, percorremos práticas que vêm produzindo encontros e afetamentos na direção do resgate das forças das mulheres ao longo da história. Problematizamos a superioridade do pensamento racionalista e cientificista patriarcal e propomos a bruxaria e o pensamento mágico como dispositivos de resistência e reencantamento. A proposta inscreve-se como forma de resistência criativa à desqualificação dos saberes da intuição, associados às mulheres ao longo dos séculos
BICHASPRETASPERIFÉRICAS EM DIÁLOGO: CARTAS PEDAGÓGICAS COMO DOCUMENTAÇÃO NARRATIVA DE EXPERIÊNCIAS NA PÓS-GRADUAÇÃO
O presente trabalho anuncia-se como uma produção intelectual de dois sujeitos que assumem as identidades interseccionais bichapretaperiférica como posicionamento epistemopolítico. Para tanto, nosso artigo está alicerçado teórico-metodologicamente à abordagem narrativa (auto)biográfica e teve como objetivo possibilitar reflexões, por meio de diálogos tecidos a partir da análise compreensiva-interpretativa de fragmentos de Cartas Pedagógicas cambiadas por seus autores, os quais narraram suas histórias de vida e de (trans)formação balizadas por três temáticas, tendo estas os mesmos títulos das epístolas em questão: Identitária; Insurgente e Emancipatória. As histórias entrecruzadas socializadas por seus autores enaltecem a relevância de enxergar diferentes modos de existir, de reconhecer os caminhos para resistir à opressão e ao silenciamento e de constatação da educação como prática da liberdade. Consideramos que a (trans)formação permanente transborda as salas de aula, sendo indispensável à escuta sensível das vozes daqueles que antes eram silenciados e/ou excluídos, aqui nomeados como bichaspretasperiféricas
APRESENTAÇÃO : DOSSIÊ TEMÁTICO RESISTÊNCIAS CRIATIVAS: PRÁTICAS DE EDUCAÇÃO EM GÊNERO, SEXUALIDADE E RAÇA EM TEMPOS REACIONÁRIOS.
Apresentação do Dossiê Temático Resistências Criativas: práticas de educação em gênero, sexualidade e raça em tempos reacionários