Universidade Federal do Rio Grande (FURG): Portal de Periódicos Científicos
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Do Grupo de Consumo Responsável - GCR armazém de economia popular solidária ao Projeto E-coo: uma experiência libertadora e transformadora
From the Responsible Consumption Group Armazém de Economia Popular Solidária to the eCOO Project: Challenges and potential in the construction of a social technology guided by the Solidarity Economy
A alienação constitui uma dimensão estrutural do modo de produção capitalista, submetendo os sujeitos a formas de consumo, produção e sociabilidade que reforçam a lógica da exploração e da mercantilização da vida. Em contraposição, experiências coletivas pautadas em práticas emancipatórias buscam reconfigurar essas relações, promovendo processos de conscientização e transformação social. Entre tais experiências, destacam-se os Grupos de Consumo Responsável (GCRs), que operam segundo os princípios da Economia Solidária, fundamentando-se em valores como justiça social, sustentabilidade ambiental e centralidade do ser humano e da natureza. Este trabalho tem por objetivo analisar a práxis desenvolvida no GCR Armazém de Economia Popular Solidária do município de Rio Grande (RS), enquanto iniciativa voltada à construção de circuitos alternativos de produção, comercialização e consumo, bem como refletir sobre sua continuidade e adaptação com a introdução da tecnologia social da plataforma Projeto eCOO, alinhada aos fundamentos do cooperativismo de plataforma. A metodologia adotada articula revisão bibliográfica com relato de experiência, ancorado em processos de pesquisa-ação participativa junto ao GCR. Os resultados indicam que a atuação do Armazém EPS reafirma o papel político-pedagógico dos GCRs, contribuindo para o desenvolvimento da consciência crítica dos sujeitos envolvidos e para a construção de práticas de consumo e produção que rompem com a lógica mercantil e promovem a justiça econômica e ambiental. A introdução da nova plataforma tecnológica preserva esses princípios, ampliando as possibilidades de articulação em rede e de fortalecimento das práticas solidárias
A dimensão socioambiental no Ensino de Ecologia: a percepção do meio ambiente como ferramenta de práticas educativas
This essay aimed to discuss the importance of adopting a socio-environmental perspective in ecology teaching based on the environmental perception of the subjects involved, as a way of inserting them into local realities and real situations. The socio-environmental dimension carries the intention of changing the way of approaching the complex relationships between human lives and nature. Ecology teaching plays an important role in helping subjects understand socio-environmental problems and make decisions to solve them, based on the ecosystem complexity perception. Environmental perception refers to the subjective processes of apprehension, construction and interpretation of reality. Knowing this perception of people allows us to analyze their integration with nature and social behaviors. The perceptive process culminates in the evaluation and particular position in the face of a problem situation. Based on the diagnosis of perceptions and realities, educational practices should encourage subjects to critically analyze the socio-environmental conditions around them to build new ways of thinking and acting on them.Este ensayo buscó discutir la importancia de adoptar una perspectiva socioambiental en la Educación Ecológica, basada en la percepción ambiental de los sujetos involucrados, como una forma de integrarlos en las realidades locales y situaciones reales. La dimensión socioambiental conlleva la intención de cambiar la manera de abordar las complejas relaciones entre la vida humana y la naturaleza. La Educación Ecológica desempeña un papel importante al ayudar a los sujetos a comprender los problemas socioambientales y a tomar decisiones para resolverlos, basándose en la percepción de la complejidad de los ecosistemas. La percepción ambiental se refiere a los procesos subjetivos de aprehensión, construcción e interpretación de la realidad. Conocer esta percepción de las personas nos permite analizar su integración con la naturaleza y sus comportamientos sociales. El proceso perceptivo culmina en la evaluación y la posición particular ante una situación problemática. Con base en el diagnóstico de percepciones y realidades, las prácticas educativas deben incentivar a los sujetos a analizar críticamente las condiciones socioambientales que los rodean para construir nuevas formas de pensar y actuar al respecto.The socio-environmental dimension in ecology teaching: the role of environmental perception in educational practices
Este ensaio buscou discutir a importância da dimensão socioambiental no Ensino de Ecologia baseado na percepção ambiental dos sujeitos envolvidos, como forma de inserção em realidades locais e situações reais. A dimensão socioambiental carrega a intencionalidade da mudança na forma de abordar as complexas relações entre as vidas humanas e a natureza. O Ensino de Ecologia tem papel importante para que os sujeitos compreendam os problemas socioambientais e tomem decisões para solucioná-los, a partir da percepção da complexidade dos ecossistemas. A percepção do meio ambiente se refere aos processos subjetivos de apreensão, construção e interpretação da realidade. Conhecer esta percepção das pessoas permite analisar sua integração com a natureza e seus comportamentos sociais. Baseadas no diagnóstico das percepções e realidades, as práticas educativas devem estimular a análise crítica dos sujeitos sobre as condições socioambientais ao seu redor para a construção de novas formas de pensar e agir sobre elas.
Quando o mundo se escuta pelo corpo : percursos de uma ecologia do sensível na universidade
When the world is heard through the body: paths of an ecology of the sensitive at the university
Em tempos de colapso ecológico e esvaziamento exjistencial, este artigo apresenta uma experiência pedagógica realizada em uma disciplina universitária optativa inspirada na Ecologia Profunda. A proposta tensiona o modelo cartesiano presente no ensino superior ao integrar corpo, sensibilidade, espiritualidade e pensamento crítico, dialogando com Arne Naess, Joanna Macy e Ailton Krenak. As práticas envolveram banho de floresta, escutas sensíveis, exercícios de sensopercepção e a criação de mapas ecosóficos, concebidos como cartografias subjetivas de reconexão com o eu, a comunidade e o planeta. As narrativas dos/das estudantes revelaram deslocamentos éticos, ontológicos e perceptivos, expressando pertencimento, dor compartilhada, responsabilidade ecológica e desejo de transformação. Os resultados indicam que práticas que entrelaçam razão, afeto e poética fortalecem uma educação ambiental que forma sujeitos inteiros e comprometidos com a vida
Do saber pensar ao saber sentir: experiências formativas em Educação Ambiental e lazer no escopo do CEPELS
From Knowing How to Think to Knowing How to Feel: Formative Experiences in Environmental Education and Leisure within the Scope of CEPELS
A crise socioambiental contemporânea exige que a educação supere modelos tradicionais e incorpore dimensões afetivas, estéticas e éticas. O artigo propõe articular o “saber sentir” à Educação Ambiental crítica, reconhecendo o Lazer como espaço capaz de integrar sensibilidade, corpo e reflexão. Com base em abordagem qualitativa e em experiências desenvolvidas no CEPELS/UFT, discutem-se práticas como caminhadas ecológicas, trilhas interpretativas, oficinas sensoriais e vivências comunitárias, que fortalecem vínculos com o território e despertam empatia ecológica. Ao valorizar o Lazer como linguagem de fruição e reconexão, amplia-se o alcance da Educação Ambiental além do caráter informativo. Conclui-se que integrar o Lazer à formação docente é uma estratégia potente para cultivar afetos, percepções e responsabilidades socioambientais, contribuindo para uma cultura pedagógica mais crítica, sensível e democrática
A experiência estética do habitar ou quando as coisas do mundo nos olham de volta
This article proposes a reflection on the notions of aesthetic experience and environmental perception from a poetic-pedagogical approach situated at the interface between Art Education and Aesthetic-Environmental Education. The thinking developed here was constructed from the perspective of ecological epistemologies and elaborated on the developments of the educational proposal. Several theoretical frameworks were fundamental to the construction of this work, including those of John Dewey, Georges Didi-Huberman, Jun Okamoto, Yi-Fu Tuan, João-Francisco Duarte Jr., Tim Ingold, and Isabel Carvalho. In light of the contributions of these authors, as well as the lived and shared experiences, the article points to the possibility of the emergence of new perspectives and meanings, in dialogue with the environment and its other forms of life and existence.Este artículo propone una reflexión sobre las nociones de experiencia estética y percepción ambiental desde un enfoque poético-pedagógico situado en la intersección entre la Educación Artística y la Educación Estético-Ambiental. El pensamiento desarrollado aquí se construyó desde la perspectiva de las epistemologías ecológicas y se profundizó en los desarrollos de la propuesta educativa. Diversos marcos teóricos fueron fundamentales para la construcción de este trabajo, incluyendo los de John Dewey, Georges Didi-Huberman, Jun Okamoto, Yi-Fu Tuan, João-Francisco Duarte Jr., Tim Ingold e Isabel Carvalho. A la luz de las contribuciones de estos autores, así como de las experiencias vividas y compartidas, el artículo señala la posibilidad del surgimiento de nuevas perspectivas y significados, en diálogo con el medio ambiente y sus otras formas de vida y existencia.The aesthetic experience of living or when the things of the world looks back at us
O presente artigo propõe uma reflexão sobre as noções de experiência estética e percepção ambiental a partir de uma abordagem poético-pedagógica situada na interface entre a Arte-Educação e a Educação Estético-Ambiental. O pensamento aqui desenvolvido foi construído sob a perspectiva das epistemologias ecológicas e elaborado com base nos desdobramentos da proposta educativa. Alguns referenciais teóricos foram fundamentais para a construção deste escrito, dentre eles: John Dewey, Georges Didi-Huberman, Jun Okamoto, Yi-Fu Tuan, João-Francisco Duarte Jr., Tim Ingold e Isabel Carvalho. À luz das contribuições desses autores, bem como das experiências vividas e partilhadas, o artigo aponta para a possibilidade de emergência de novos olhares e sentidos, em diálogo com o ambiente e suas outras formas de vida e existência
Governança ambiental e apagamentos sensoriais: crítica à racionalidade tecnocrática e à negação do saber-sentir nos territórios
Environmental governance and sensory erasures: a critique of technocratic rationality and the denial of knowing-feeling in territories
Este artigo analisa criticamente a literatura acadêmica recente sobre governança ambiental, com base em uma revisão integrativa de 56 artigos publicados entre 2004 e 2023 na plataforma Redalyc. Identificou-se predominância de abordagens tecnocráticas, normativas e funcionalistas, com invisibilização das dimensões sensoriais, afetivas e territoriais das experiências humanas. Observa-se também a marginalização de saberes locais e epistemologias críticas, além da ausência de categorias como justiça ambiental, racismo ambiental e ecossocialismo. A partir do diálogo entre epistemologias críticas e ecológicas, propõe-se uma reinterpretação da governança como campo de disputa ontológica e afetiva. Defende-se, por fim, uma Educação Ambiental ampliada, que valorize os saberes, a corporeidade e o enraizamento nos territórios para abarcar dimensões sensoriais, relacionais e corporificadas da existência e do cuidado com o mais-que-humano
La Educación Ambiental en tiempos de crisis debe ser incómoda y amorosa
This article proposes that Environmental Education (EE), in times of socio-environmental crisis, must be both uncomfortable and loving. Based on the understanding that education is an inherently political act, EE must be conceived as a central tool for politicizing educational spaces (formal and informal), using environmental issues as a cross-cutting theme. EE is presented here as a philosophy of education that deepens its foundations, exploring paths forged through mobilization, action, and significant and strategic changes in patterns of thought. Therefore, from our perspective, we approach EE from the micropolitics of affects in everyday life and from a vision of socio-environmental justice, with a firm anti-capitalist, anti-racist, and anti-fascist commitment, without forgetting that diversity is also plural.En este artículo, se propone que la Educación Ambiental (EA), en tiempos de crisis socioambiental, debe ser incómoda y amorosa. Partiendo del entendimiento de que la educación es un acto inherentemente político, la EA debe concebirse como una herramienta central para politizar los espacios educativos (tanto formales como no formales), utilizando las temáticas ambientales como un eje transversal. La EA se presenta aquí como una filosofía de la educación que profundiza sus fundamentos, explorando caminos forjados a través de la movilización, la acción y cambios significativos y estratégicos en los patrones de pensamiento. Por ello, desde nuestra perspectiva, abordamos la EA desde la micropolítica de los afectos en la vida cotidiana y desde una visión de justicia socioambiental, con un firme compromiso anticapitalista, antirracista y antifascista, sin olvidarnos de que la diversidad es también plural.A Educação Ambiental em tempos de crise deve ser desconfortável e amorosa
En este artículo, se propone que la Educación Ambiental (EA), en tiempos de crisis socioambiental, debe ser incómoda y amorosa. Partiendo del entendimiento de que la educación es un acto inherentemente político, la EA debe concebirse como una herramienta central para politizar los espacios educativos (tanto formales como no formales), utilizando las temáticas ambientales como un eje transversal. La EA se presenta aquí como una filosofía de la educación que profundiza sus fundamentos, explorando caminos forjados a través de la movilización, la acción y cambios significativos y estratégicos en los patrones de pensamiento. Por ello, desde nuestra perspectiva, abordamos la EA desde la micropolítica de los afectos en la vida cotidiana y desde una visión de justicia socioambiental, con un firme compromiso anticapitalista, antirracista y antifascista, sin olvidarnos de que la diversidad es también plural
A educação ambiental num curso superior de tecnologia em Agroecologia à luz da teoria contracolonial: -
This article addresses environmental education and how the theme is inserted into the Pedagogical Project of the undergraduate course in Agroecology at the Campo Largo campus of IFPR. The general objective was to question environmental education that disregards the knowledge of indigenous peoples in light of the counter-colonial theory. The theme is important because Agroecology is credited with the ability to generate reflections on environmental education, transcending Eurocentric concepts and reaching confluence and biointeraction. The methodology included a literature review and documentary research. The main result was to verify the need to strengthen Agroecology in professional and technological education, starting from the counter-colonial theory and its critique of Eurocentrism and productivism, and it is concluded that there is a need to think of critical environmental education as part of the integral formation process.Este artículo trata sobre la educación ambiental y cómo la temática se inserta en el Proyecto Pedagógico de la carrera de tecnología en Agroecología del campus de Campo Largo del IFPR. El objetivo general fue cuestionar la educación ambiental que desconoce los saberes de los pueblos originarios a la luz de la teoría contracolonial. El tema es importante porque se deposita en la Agroecología la capacidad de generar reflexiones sobre educación ambiental trascendiendo conceptos eurocéntricos y alcanzando la confluencia y biointeracción. La metodología incluyó una revisión de la literatura y una investigación documental. El principal resultado fue constatar la necesidad de fortalecer en la educación profesional y tecnológica la Agroecología partiendo de la teoría contracolonial y su crítica al eurocentrismo y productivismo, y se concluye que es necesario pensar en la educación ambiental crítica como parte del proceso de formación integral.Este artigo trata da educação ambiental e como a temática é inserida no Projeto Pedagógico do curso superior de tecnologia em Agroecologia oferecido em um dos campi de uma instituição pública federal. O objetivo geral foi questionar a educação ambiental que desconsidera os saberes dos povos originários à luz da teoria contracolonial. O tema é importante porque se deposita à Agroecologia a capacidade de gerar reflexões sobre educação ambiental transcendendo conceitos eurocêntricos chegando à confluência e biointeração. A metodologia incluiu revisão de literatura e pesquisa documental do Projeto Pedagógico do referido curso. O principal resultado foi constatar a necessidade de se fortalecer na educação profissional e tecnológica a Agroecologia partindo da teoria contracolonial e sua crítica ao eurocentrismo e produtivismo e conclui-se que há necessidade de se pensar a educação ambiental crítica como parte do processo de formação integral
RAÇA, CLASSE E MASCULINIDADE NA REPRESENTAÇÃO DO PERSONAGEM JULIUS, NO SERIADO TODO MUNDO ODEIA O CHRIS
Everybody Hates Chris é uma black sitcom norte-americana que retrata os dramas vividos por uma família negra no Brooklyn na década de 1980. Tomando a produção como objeto de análise, este artigo pretende investigar a representação social que o seriado constrói sobre o pai da Família Rock, Julius – um homem negro, pobre, trabalhador, chefe de família e pai três filhos. A pesquisa acompanhou o seriado da primeira à última temporada, mas focou em dois episódios selecionados, transcritos e analisados pela metodologia qualitativa de análise do discurso. Os resultados mostram que Julius é atravessado por questões relacionadas à raça, classe, escolaridade, papéis de gênero e uma masculinidade negra marginalizada. Essas questões são interpretadas à luz do arcabouço teórico de autoras como Butler (2024), Connell (2005), Scott (1995) e Bourdieu (2012), evidenciando como o personagem reflete disparidades sociais e culturais, contribuindo para a compreensão da representação interseccional de raça e masculinidade
MASCULINIDADES NOS ESPAÇOS EDUCACIONAIS E INTERVENÇÕES TRANSFORMADORAS PARA PREVENIR A VIOLÊNCIA DE GÊNERO: REVISÃO DE ESCOPO
A violência baseada em gênero (VBG) afeta uma em cada três jovens no mundo, e normas de masculinidade hegemônica são vetor central desse fenômeno. Este estudo objetivou analisar características e desfechos de intervenções educacionais que problematizam masculinidades hegemônicas para prevenir VBG entre adolescentes.Trata-se de uma revisão de escopo internacional conforme PRISMA-ScR; buscas nas bases PubMed, Scopus e Cochrane Library (2018-2023) identificaram 607 registros, dos quais oito cumpriram os critérios de inclusão. Os resultados evidenciaram que a maioria das intervenções relatou melhora nas atitudes de gênero e redução autodeclarada de comportamentos violentos. Programas escolares apontaram maior uso de contracepção segura e aumento da intenção de intervir como observador; iniciativas comunitárias mostraram diminuição da tolerância à violência e fortalecimento de habilidades de comunicação não violenta. Portanto, intervenções que associam reflexão crítica, participação de pares e adequação sociocultural demonstram potencial preventivo e merecem ampliação em contextos educacionais