Universidade Federal do Rio Grande (FURG): Portal de Periódicos Científicos
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Caminhar como uma prática de conhecimento sensível: A relevância ecológica do flâneur e a deriva na Educação Ambiental
This article proposes a methodological approach to environmental education based on ecological epistemologies, which combines an educational experience of pedagogical walking, sensory recording and affective cartography as strategies for reappropriating territory. In dialogue with phenomenology, sensory studies and the anthropology of walking, it recovers the figure of the flâneur and the dérive to explore the body in motion as a way of feeling-thinking the more-than-human environment. These bodily and multisensory practices favour an embodied and relational perception of the environment, promoting an ethic of attention, care and reciprocity with living beings. It is evident that such methodologies generate situated and counter-hegemonic knowledge that destabilises anthropocentrism, contributing to a critical environmental education open to wonder, with the potential to inspire new forms of collective learning and transformative pedagogical practices oriented towards ecological justice.Este artículo propone una propuesta metodológica en Educación Ambiental, desde epistemologías ecológicas, que articula una experiencia educativa de caminata pedagógica, registro sensorial y cartografías afectivas como estrategias para reapropiar el territorio. En diálogo con la fenomenología, los estudios sensoriales y la antropología del caminar, recupera la figura del flâneur y la deriva para explorar el cuerpo en movimiento como vía de sentir‑pensar el ambiente más‑que‑humano. Estas prácticas corporales y multisensoriales favorecen una percepción encarnada y relacional del entorno, promoviendo una ética de atención, cuidado y reciprocidad con lo viviente. Se evidencia que tales metodologías generan saberes situados y contrahegemónicos que desestabilizan el antropocentrismo, contribuyendo a una educación ambiental crítica y abierta al asombro, con potencial para inspirar nuevas formas de aprendizaje colectivo y prácticas pedagógicas transformadoras orientadas a la justicia ecológica.Walking as a practice of feeling-thinking knowledges: ecological reinterpretations of the flâneur and psychogeographic drift in environmental education
Este artigo propõe uma abordagem metodológica de educação ambiental, baseada em epistemologias ecológicas, que articula uma experiência educativa de caminhada pedagógica, registro sensorial e mapeamento afetivo como estratégias de reapropriação do território. Em diálogo com a fenomenologia, os estudos sensoriais e a antropologia da caminhada, ele recupera a figura do flâneur e a deriva para explorar o corpo em movimento como uma forma de sentir-pensar o ambiente mais do que humano. Essas práticas corporais e multissensoriais favorecem uma percepção incorporada e relacional do ambiente, promovendo uma ética de atenção, cuidado e reciprocidade com os seres vivos. É evidente que tais metodologias geram conhecimento situado e contra-hegemônico que desestabiliza o antropocentrismo, contribuindo para uma educação ambiental crítica e aberta ao medo, com o potencial de inspirar novas formas de aprendizagem coletiva e práticas pedagógicas transformadoras orientadas para a justiça ecológica
Paisagens para ver, ouvir e sentir
We understand that the concept of landscape is complex and encompasses both objective and subjective aspects. In this article, we seek to analyze the perceptions of pedagogy students regarding the experience of observing the landscape from a multisensory perspective. That is, we aim, to some extent, to provide students with an understanding and experience of the concept. Forty-nine pedagogy students from a public university participated in this study in 2025. The results revealed that interpreting the landscape involves the subjectivity of those who view it. More than that, the activity brought to light reflections on the lifestyle in which we are immersed, which distances us from feeling, attentive observation, and the importance of more sensitive experiences in teacher training, which connect us with our living spaces.Entendemos que el concepto de paisaje es complejo y abarca aspectos tanto objetivos como subjetivos. En este artículo, buscamos analizar las percepciones de estudiantes de pedagogía respecto a la experiencia de observar el paisaje desde una perspectiva multisensorial. Es decir, buscamos, en cierta medida, brindarles comprensión y experiencia del concepto. Cuarenta y nueve estudiantes de pedagogía de una universidad pública participaron en este estudio en 2025. Los resultados revelaron que la interpretación del paisaje implica la subjetividad de quienes lo observan. Más aún, la actividad planteó reflexiones sobre el estilo de vida en el que estamos inmersos, que nos aleja de la sensibilidad, la observación atenta y la importancia de experiencias más sensibles en la formación docente, que nos conectan con nuestros espacios vitales.Landscapes to see, hear and feel
Partimos do entendimento de que o conceito de paisagem é algo complexo e envolve aspectos objetivos e subjetivos. Neste artigo, buscamos analisar as percepções de estudantes de pedagogia sobre uma vivência de observação da paisagem, numa perspectiva multissensorial. Isto é, almejamos, em alguma medida, proporcionar aos estudantes a compreensão e a vivência do conceito. Participaram desta pesquisa quarenta e nove estudantes do curso de pedagogia de uma universidade pública, no ano de 2025. Como resultados, os estudantes puderam constatar que a leitura da paisagem envolve a subjetividade de quem a vê. Mais do que isso, a atividade fez emergir reflexões sobre o estilo de vida em que estamos imersos, que nos distancia do sentir, da observação atenta, da importância de experiências mais sensíveis na formação docente e que nos conecta com os nossos espaços de vivência.
Políticas Públicas de Tecnologia Social: uma proposta de matriz para avaliação e qualificação de iniciativas
Social Technology Public Policies: a proposed matrix for evaluating and qualifying initiatives
Ao longo dos últimos vinte anos observa-se no Brasil um conjunto não desprezível de experiências de políticas públicas voltadas à promoção de Tecnologia Social (TS), com renovado interesse no período recente. Entretanto, este movimento é acompanhado de uma espécie de diluição conceitual do conceito, expresso no uso ambíguo do termo que, não raro, é associado a iniciativas tecnológicas que, embora sejam rotuladas como TS sem, não expressam seus princípios normativos fundamentais. Isso gera um problema adicional para os formuladores de políticas públicas, ao dificultar a identificação de experiências que, de fato, expressem racionalidades sociotécnicas alternativas ao modelo hegemônico. No intuito de contribuir com a resolução deste desafio, este artigo propõe uma matriz metodológica de avaliação de políticas públicas voltadas à TS, sobretudo ex-ante, com o objetivo de facilitar a identificação de experiências sociotécnicas realmente transformadoras. A matriz proposta é composta por oito dimensões analíticas e trinta e um indicadores que buscam subsidiar a avaliação de aderência de uma iniciativa aos princípios da TS. Diante dos riscos de captura conceitual e despolitização da TS, este instrumento metodológico busca reforçar a dimensão crítica e transformadora do campo, oferecendo uma ferramenta capaz de coibir usos oportunistas do termo e fortalecer experiências comprometidas, de fato, com os princípios da TS
Plataforma e-COO: Inovação Tecnológica e Educação Colaborativa no Fortalecimento da Agricultura Familiar
e-COO Platform: Technological Innovation and Collaborative Education in Strengthening Family Farming
Este artigo apresenta a plataforma digital e‑COO como uma tecnologia social (Duarte; Moraes, 2020) concebida para impulsionar processos de inovação social junto à comunidade de agricultores familiares do território de Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. A iniciativa promove circuitos curtos de comercialização de produtos da agricultura familiar por meio de ferramentas digitais acessíveis e adaptadas à realidade local. Desenvolvida em diálogo com os princípios do cooperativismo de plataforma (Scholz, 2017), a tecnologia social articula recursos educacionais, suporte técnico e processos formativos contínuos com um grupo de 18 agricultores. Essas dinâmicas são estruturadas a partir das premissas pedagógicas de Paulo Freire (1996) e Donald Schön (2000), priorizando a aprendizagem situada, dialógica e emancipatória. As ações formativas combinam encontros presenciais, acompanhamento pedagógico e a produção de conteúdos audiovisuais que visam à construção de competências digitais e à ampliação da autonomia no uso da tecnologia. Os resultados iniciais apontam para uma progressiva apropriação da plataforma pelos agricultores e para a consolidação de um ambiente colaborativo de aprendizagem
Saber Sentir: proposições em torno de epistemologias ecológicas, estudos móveis e sensoriais na Educação Ambiental
Knowing How to Feel: propositions around ecological epistemologies, mobile and sensory studies in Environmental Education
Este artículo presenta la temática propuesta en el dossier “Saber Sentir en Educación Ambiental”, fundamentado en las denominadas epistemologías ecológicas y orientado por las perspectivas de los estudios móviles y sensoriales. Inicialmente, se realiza una contextualización conceptual de la Educación Ambiental a partir de estos enfoques, seguida de reflexiones derivadas de experiencias de investigación vinculadas a esta propuesta. El texto plantea discusiones teórico-metodológicas que problematizan el antropocentrismo y la centralidad del conocimiento estrictamente intelectual en la producción académica, defendiendo una Educación Ambiental menos antropocéntrica y más atenta a las dimensiones sensoriales, corporales y afectivas del aprendizaje. Considerando que las relaciones entre humanos y más-que-humanos están mediadas por afectos, emociones y diferentes ontologías, el artículo dialoga con el giro ontológico en las ciencias humanas y con saberes contrahegemónicos, como las cosmologías indígenas y las reflexiones emergentes en el contexto del Antropoceno. Las epistemologías ecológicas se entienden como esfuerzos por superar dicotomías modernas como naturaleza y cultura, cuerpo y mente, sujeto y objeto. A partir de los aportes de la fenomenología y de los estudios sensoriales, se enfatiza la experiencia como proceso constitutivo del conocimiento, articulando dimensiones sociales, materiales y corporales.Knowing How to Feel: propositions around ecological epistemologies, mobile and sensory studies in Environmental Education
Este artigo apresenta a temática proposta no dossiê “Saber Sentir em Educação Ambiental”, fundamentado nas chamadas epistemologias ecológicas e orientado pelas perspectivas dos estudos móveis e sensoriais. Inicialmente, realiza-se uma contextualização conceitual da Educação Ambiental a partir desses referenciais, seguida da apresentação de experiências de pesquisa vinculadas a essa abordagem. O texto propõe reflexões teórico-metodológicas que problematizam o antropocentrismo e a centralidade do conhecimento estritamente intelectual nas produções acadêmicas, defendendo uma Educação Ambiental menos antropocêntrica e mais atenta às dimensões sensoriais, corporais e afetivas do aprender. Considerando que as relações entre humanos e mais que humanos são mediadas por afetos, sentimentos e diferentes ontologias, o artigo dialoga com a virada ontológica nas ciências humanas e com saberes contra-hegemônicos, como as cosmologias indígenas e as reflexões emergentes no contexto do antropoceno. As epistemologias ecológicas são compreendidas como esforços para superar dicotomias modernas, como natureza e cultura, corpo e mente, sujeito e objeto. A partir das contribuições da fenomenologia e dos estudos sensoriais, enfatiza-se a experiência como processo constitutivo do conhecimento, articulando dimensões sociais, materiais e corporais
“A BONECA DOS MENINOS”: : A RESISTÊNCIA DE MÃES DE CRIANÇAS DO SEXO MASCULINO AOS USOS DE UMA BONECA COMO FERRAMENTA DE ENSINO-APRENDIZAGEM
O artigo objetiva refletir sobre os preconceitos de gênero advindos de mães crianças do sexo masculino, aos usos de uma boneca negra utilizada como ferramenta pedagógica em aulas de inglês. O comportamento dos genitores foi acompanhado pela pesquisadora, por meio de mensagens em um grupo de whatsapp, comunicados, em uma reunião de pais, e por diálogos com a gestão de uma escola privada de educação infantil, localizada no município de Juazeiro do Norte, no estado do Ceará. Adotou-se como metodologia a observação participante, e os métodos de análise de conteúdo e documental. Diante das evidências encontradas constatou-se que, a resistência de mães de crianças do sexo masculino quanto aos usos das bonecas por seus filhos, originava-se no temor de que os meninos vivenciassem papéis que os aproximassem do feminino, bem como, do que uma minoria denominou de ideologia de gênero
MASCULINIDADES E EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: REFLEXÕES A PARTIR DO PROGRAMA DE RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA
Este artigo busca investigar as representações de masculinidades na Educação Física, a partir de incursões no Programa de Residência Pedagógica (PRP), buscando compreender como esses entendimentos podem contribuir para a subversão das normas de gênero vigentes na área. Trata-se de uma pesquisa exploratória, de natureza qualitativa, que lançou mão da aplicação de um questionário misto com estudantes do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) PRP, campus Pontal do Araguaia, que participavam do PRP. Os resultados do estudo evidenciam a presença de estereótipos de gênero, como a competitividade e a agressividade masculina, fatores que podem colaborar para a criação de um ambiente excludente. A partir disso, foram sugeridas estratégias para tornar as aulas mais acessíveis, de forma a desafiar as normas de gênero e construir uma Educação Física mais justa e acolhedora para as pessoas
ALÉM DA REDE: MASCULINIDADES HEGEMÔNICAS E DISSIDENTES NO VOLEIBOL
O presente trabalho tem como objetivo analisar, a partir da experiência pessoal no voleibol, como diferentes formas de masculinidade se manifestam, são reguladas ou desafiadas nessa modalidade, considerando suas dimensões pessoal, social e prático-pedagógica. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, fundamentada em relato de experiência. As análises demonstram que, embora o voleibol possa ser considerado um espaço potencialmente híbrido e acolhedor, ainda persistem práticas e discursos que reforçam a masculinidade hegemônica, marginalizando expressões dissidentes. Tais discursos são observados entre atletas, comissão técnica e torcedores. Por outro lado, justamente por ser um espaço plural, identifica-se a possibilidade de rupturas e avanços na construção de ambientes mais inclusivos e respeitosos. Nesse sentido, destaca-se a importância de discutir questões relacionadas às temáticas de gênero e sexualidade, em especial, as masculinidades no voleibol, como forma de contribuir para o respeito à diversidade e para o acolhimento no contexto esportivo
MASCULINIDADE TÓXICA EM CONCEPÇÕES DE ESTUDANTES HOMENS DO ENSINO MÉDIO: UMA PRÁTICA PEDAGÓGICA
A legitimação da masculinidade tóxica causa efeitos destrutivos na sociedade, pois atua como instrumento de repressão voltado ao poder atribuído aos homens que ocupam uma posição hegemônica na hierarquia social de gênero. Objetiva-se analisar interações de estudantes autodeclarados homens, durante uma prática pedagógica sobre masculinidade tóxica, aplicada com turmas de segunda série do Ensino Médio de uma escola pública localizada na região Sul de Santa Catarina. A metodologia é a da pesquisa-ação. Empregaram-se lentes teóricas decoloniais, pós-coloniais, críticas, feministas e do Sul global para analisar respostas a uma atividade sobre sentimentos provocados por frases que retratam características da masculinidade tóxica, além de posicionamentos sobre a temática. Os participantes se opuseram ao conteúdo das frases, evidenciando discordâncias com esse modelo de masculinidade. Isso foi percebido de forma mais proeminente entre os sujeitos que representam marcadores não hegemônicos de identidade de gênero, orientação sexual e raça/cor
MENINOS HOMENS PRETOS, EDUCAÇÃO E ESCOLA
O presente trabalho discute a presença de meninos homens pretos dentro da escola, pensando primeiramente o contexto histórico da inserção da população negra dentro das escolas brasileiras, a partir daí, utilizamos o conceito de masculinidades negras desenvolvida por Tommy Curry que utiliza o conceito de genre desenvolvido por Sylvya Winter para pensar os homens negros dentro de sociedades racializadas. Utilizamos como referencial teórico os Estudos sobre Homens Negros, e os estudos produzidos no Brasil sobre juventudes negras e escola, enfocando na presença de adolescentes negros, que conforme as pesquisas brasileiras são os que mais evadem a escola durante o ensino fundamental