Universidade Federal do Rio Grande (FURG): Portal de Periódicos Científicos
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CURRÍCULO, PRÁTICAS DOCENTES E MASCULINIDADES: DESAFIOS E POSSIBILIDADES PARA UMA EDUCAÇÃO EMANCIPADORA
Este artigo analisa criticamente a construção social da masculinidade e sua influência no currículo e nas práticas docentes da educação básica brasileira. A partir de uma revisão teórica fundamentada em autores como Judith Butler, Pierre Bourdieu, bell hooks, Michael Apple e Paulo Freire, discute-se de que maneira o currículo, tanto explícito quanto oculto, pode reproduzir ou desafiar masculinidades hegemônicas. Destacam-se estratégias pedagógicas e propostas para a formação docente voltadas à promoção da equidade de gênero e à valorização da diversidade. O texto conclui que a problematização da masculinidade no contexto escolar é fundamental para a construção de uma educação democrática, crítica e transformadora, comprometida com a justiça social e o respeito às diferenças
IDENTIDADE DOCENTE, GÊNERO E MASCULINIDADES: O QUE REVELAM AS PESQUISAS ACADÊMICAS?
Este artigo intenta apresentar os resultados de uma pesquisa bibliográfica do tipo estado do conhecimento que objetivou analisar as produções científicas relacionadas à identidade docente de professores homens na educação infantil. Para tanto, a seleção dos materiais iniciou-se a partir do “Dossiê Professores Homens na Educação Infantil: dilemas, tensões, disputas e confluências”, publicado no periódico Zero-a-seis (NUPEIN-CED-UFSC), que levou a novas pesquisas a partir da leitura dos artigos. Ao todo foram analisados 26 trabalhos entre artigos, teses e dissertações. A análise das produções selecionadas revelou que grande parte dos estudos se concentram em questões como a marginalização e os preconceitos enfrentados por esses professores, conjuntamente com a resistência institucional, as dificuldades de construção de identidade profissional e a falta de formação adequada que aborde as questões de gênero e sexualidade. Da mesma forma, observa-se uma lacuna significativa em estudos que tratem da valorização do trabalho docente masculino na educação infantil.
 
"O QUE ESTOU FAZENDO AQUI?”: MASCULINIDADES CREEP NO SERIADO SEX EDUCATION
Este artigo propõe uma cartografia das masculinidades dissidentes a partir da análise da narrativa midiática seriada Sex Education (2019), com foco nos personagens Eric e Adam, cujas trajetórias tensionam a masculinidade hegemônica no espaço escolar. Ancorada nos Estudos Culturais em uma perspectiva pós-crítica, adotamos uma metodologia cartográfica, de inspiração deleuzo-guattariana, considerando Sex Education como artefato cultural que, ao produzir sentidos e significados acerca da masculinidade, torna-se um currículo. Inspirados teoricamente por Judith Butler, Stuart Hall e Michel Foucault, compreendemos a performatividade de gênero como uma prática discursiva reiterativa, mostrando mecanismos de regulação da masculinidade e fissuras que possibilitam sua reconfiguração. A análise de cenas evidencia como a narrativa ficcional articula-se a realidades sociais, promovendo deslocamentos normativos e abrindo brechas para outras formas de existência. Concluímos que Sex Education potencializa a visibilidade de sujeitos dissidentes e desafia a escola a assumir um papel mais inclusivo e acolhedor
MASCULINIDADES EM FOCO: GRUPO OPERATIVO DE DISCUSSÃO EM UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO TÉCNICO COM JOVENS APRENDIZES
Este relato de experiência descreve um projeto que teve como objetivo fomentar a reflexão sobre as masculinidades em adolescentes e jovens aprendizes em uma fundação de ensino técnico em Minas Gerais. A metodologia consistiu em dois ciclos de encontros semanais, em formato de grupos operativos, baseado nos ideais de Pichon-Riviére, com o uso de materiais artísticos para disparar discussões. A análise dos dados, a partir dos encontros realizados e os diários de campo produzidos, revelou a prevalência de ideais da masculinidade hegemônica (como a força, responsabilidade, provedor, entre outros), mas também a emergência de discussões sobre masculinidades plurais e a intercorrência do trabalho, evidenciando a necessidade de desconstrução de padrões rígidos de gênero. Conclui-se que a abordagem grupal é potente para promover a consciência crítica e a ressignificação do "ser homem" na contemporaneidade, apesar dos desafios em lidar com resistências a identidades não-hegemônicas
CORPOS QUE DESOBEDECEM:: NEY MATOGROSSO, PERFORMANCE E MASCULINIDADES NOS ESPAÇOS EDUCATIVOS
Este artigo propõe uma reflexão sobre as performances de gênero do artista Ney Matogrosso, tomando como objeto analítico o filme Homem com H (2025) dirigido e roteirizado por Esmir Filho, que narra a trajetória artística e política do cantor. A partir dos aportes teóricos dos estudos de gênero e masculinidades, com enfoque em perspectivas pós-estruturalistas e decoloniais, investigamos como o corpo e a performance do artista atuam como dispositivos pedagógicos. O objetivo é analisar de que modo essas expressões artísticas tensionam as normas da masculinidade hegemônica e contribuem para repensar processos formativos, tanto escolares quanto não escolares, marcados por corpos dissidentes. A metodologia utilizada é qualitativa, baseada na análise cultural e documental. Os resultados indicam que a arte de Ney Matogrosso provoca uma desestabilização simbólica dos papéis de gênero, sendo potencialmente educativa para a formação das subjetividades contemporâneas
DOCÊNCIA E MASCULINIDADES: EXISTE ESPAÇO PARA O PROFESSOR HOMEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL?
O presente estudo aborda os desafios enfrentados por estudantes homens na licenciatura em Pedagogia, com foco na atuação a Educação Infantil, espaço historicamente associado ao feminino. O objetivo é compreender as percepções desses discentes, analisando os obstáculos acadêmicos e profissionais, os estereótipos de gênero e as possíveis contribuições da presença masculina na docência da Educação Infantil. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou revisão bibliográfica e entrevistas semiestruturadas com sete alunos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Os dados revelam que o preconceito, o isolamento, as restrições institucionais e os olhares de suspeitas impactam a permanência e a participação desses homens na Educação Infantil. Conclui-se que romper com a masculinidade hegemônica (Connell e Messerschmidt, 2013) e ampliar as discussões de gênero (Scott, 1995; Louro, 1997) são caminhos para uma educação mais inclusiva, sensível e equitativa
(RE)CONSTRUINDO O CAMPO DE ANÁLISE DAS PESQUISAS COM HOMENS AUTORES DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA EM GRUPOS EDUCATIVOS
Este artigo apresenta a construção teórica e política do campo de análise das pesquisas com homens autores de violência doméstica em grupos educativos. O objetivo é contextualizar historicamente o surgimento desses grupos no Brasil com fins a debater as construções das masculinidades, articulando os marcos legais, institucionais e acadêmicos que sustentam sua implementação. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com revisão bibliográfica e análise documental de legislações, políticas públicas e produções científicas. A análise preliminar evidencia que os grupos educativos emergem como resposta judicial à violência doméstica, mas são atravessados por disputas conceituais e práticas que tensionam sua função pedagógica e de responsabilização. Conclui-se que compreender esse campo exige uma abordagem crítica e interdisciplinar, capaz de problematizar os sentidos atribuídos à responsabilização masculina e à reeducação no contexto da justiça
MASCULINIDADES DISSIDENTES NO ENVELHECIMENTO: SEXUALIDADE, REDES E BEM-ESTAR ENTRE HOMENS GAYS 40+
Este artigo analisa como homens gays a partir de 40 anos articulam sexualidade, sociabilidade e qualidade de vida ao longo do curso de vida, diante da transição demográfica e invisibilidade nos censos demográficos. Objetivou-se compreender de que modo a sexualidade se conecta a percepção de bem-estar e sociabilidade. Trata-se de um estudo qualitativo com cinco participantes; utilizando-se entrevistas semiestruturadas, transcritas e submetidas à análise temática (MINAYO, 2009). Emergiram seis eixos: repressão identitária; sexualidade como resistência; espiritualidade e cuidado de si; invisibilidade e reconhecimento; redes e qualidade de vida; finitude. Os achados indicam coexistência de ageísmo e estigma sexual-de-gênero com reinvenção identitária, famílias escolhidas e erotismo centrada na intimidade, afeto e autonomia, menos focado na genitália, ampliando suporte e bem-estar. Conclui-se que essa reconfiguração da sexualidade opera como vetor protetivo em saúde e demanda de marcadores de orientação sexual e identidade de gênero nos censos produzindo informações para políticas intersetoriais equitativas.
PALAVRAS-CHAVE: Masculinidades. Envelhecimento. Sociabilidade. Qualidade de Vida
IDENTIDADES EM MOVIMENTO, MASCULINIDADES EM EXPERIMENTO: UM PANORAMA SOBRE A PRODUÇÃO BRASILEIRA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
As masculinidades, entendidas como construção cultural, histórica, contingente, têm sido cada vez mais problematizada na Educação Física, sobretudo diante de tensões políticas para padrões hegemônicos e vivências plurais. Compreender como a produção acadêmica nacional aborda o tema é fundamental para identificar avanços, desafios e possibilidades. Este artigo apresenta uma revisão integrativa da produção brasileira acerca das masculinidades na Educação Física nos últimos 10 anos. Os artigos analisados nas bases CAPES e SciELO foram representados em quatro eixos: masculinidade na Educação Física escolar; em espaços não escolares; na formação docente; e na estética e comunicação. Cada eixo discute como as masculinidades são construídas, mantidas ou tensionadas nesses contextos. Os resultados indicam que a área contribui para a reprodução de masculinidades hegemônicas, associadas à virilidade, disciplina e exclusão, ao mesmo tempo em que cria fissuras e alternativas para o enfrentamento das desigualdades de gênero promovidos por esses mesmos modelos
NÃO MONOGAMIA E ESTIGMA RACIAL: O ESTEREÓTIPO DE “PLAYER” (“PEGADOR”) SOBRE HOMENS NEGROS POLIAMOROSOS
Este artigo mostra como a amatonormatividade e as pressões sociais que a acompanham convergem nas interseções de raça, gênero, relacionamento romântico e sexualidade para gerar desafios peculiares aos homens afro-americanos poliamorosos na sociedade americana. Ao contrário da visão defendida pelo fenômeno “vadia versus garanhão”, afirmo que o rótulo “jogador”, quando aplicado a homens afro-americanos poliamorosos, funciona como um estereótipo pernicioso e tem efeitos depreciativos. Especificamente, argumento que estereotipar os homens afro-americanos poliamorosos como jogadores os afasta de si e restringe sua capacidade de ação ao excluir preventivamente o conjunto de possibilidades do que podem ser as identidades sexuais ou românticas de cada um