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Câmpus Florianópolis - publicação completa 2021
Câmpus Florianópolis - publicação completa 202
ANÁLISE DAS PERGUNTAS DOS ESTUDANTES VIVENCIADAS DURANTE O ESTÁGIO DE OBSERVAÇÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA
Este trabalho tem como objetivo problematizar o Estágio Supervisionado de observação, envolvendo a relação com o estágio, entendimentos sobre a observação, registros, anotações, relatório de estágio e, em especial, o exercício da escuta sensível e análise das perguntas e inquietações dos estudantes. A pesquisa qualitativa, faz parte do relatório de estágio, fundamentada em acompanhar durante dois meses as aulas de matemática de uma turma do 6º ano do Ensino Fundamental. Para tanto, deseja-se analisar perguntas realizadas pelos estudantes, sejam elas relacionadas diretamente às definições e conteúdos matemáticos, como “se o zero é múltiplo de todos, por que ele não é MMC?”, ou aquelas que emergem e não são diretamente ligadas à disciplina, como “a professora tem tempo de descanso?”. As análises apontam sobre a importância de compreender as inquietações dos estudantes para o desenvolvimento das relações e do processo de ensino e aprendizagem
A PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR E A QUÍMICA DO CAFÉ: UMA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA COM ESTUDANTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
Este trabalho é resultado de um projeto de Prática como Componente Curricular (PCC), realizado pelos acadêmicos da quarta fase do curso de Licenciatura em Química do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) - Câmpus Criciúma. A proposta didática teve como objetivo promover uma reflexão sobre os aspectos relacionados ao estudo químicos do café, articulando os saberes populares e científicos. A intervenção foi desenvolvida com os estudantes do Centro de Educação de Jovens e Adultos de Içara (CEJAI), seguindo a perspectiva de ensino interdisciplinar, a qual integrou os componentes curriculares de Cultura e Sociedade, Didática, Química Analítica e Tecnologia da Informação e Comunicação. Norteada pela Didática Crítica, a PCC partiu do entendimento da necessidade de valorizar os conhecimentos prévios dos estudantes, o diálogo e a formação cidadã, sobretudo por compreender a educação enquanto processo, que demanda tempo para a sua construção e que, por consequência, não se poderia esgotá-la em apenas um único encontro (Saviani, 2012)I . Diante disso, as atividades ocorreram em dois momentos: o primeiro momento ocorreu no CEJAI, voltado à identificação dos conhecimentos prévios, onde foi proposto uma dinâmica com os estudantes de verdadeiro ou falso, na qual trazia várias curiosidades sobre o café. Dentre as curiosidades do tema, abordou-se a origem histórica do café, clima e forma de cultivo, diferenciação dos modos de preparo e tipos de grãos, além dos efeitos da cafeína no corpo humano. As respostas e dúvidas dos estudantes serviram como base para a preparação para o segundo momento, realizado no IFSC, no qual incluiu: uma visita guiada, experimentações no laboratório e discussões conceituais envolvendo conceitos como pH, solubilidade, misturas e sustentabilidade. Ao final, ainda, tiveram a oportunidade de deixar uma marca no IFSC, a partir do plantio de mudas de café. Essa trajetória culminou ainda com a construção coletiva de um site, que hoje reúne todos os registros produzidos ao longo dessa vivência. Essa ação reafirmou o papel da PCC no processo de constituição identitária docente, assim como no incentivo à continuidade dos estudos por parte dos estudantes do CEJAI
TRANSMISSÃO DE ÁUDIO POR FEIXE DE LUZ: UMA FERRAMENTA DIDÁTICA PARA O ENSINO DE FÍSICA NO ENSINO MÉDIO
Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um dispositivo de baixo custo para transmissão sem fio de áudio e dados utilizando luz visível branca voltado ao ensino de Física no Ensino Médio. A proposta visa facilitar a compreensão de conceitos abstratos por meio de experimentação prática, integrando teoria e aplicações tecnológicas. O sistema é composto por um transmissor (LED ou laser modulado por sinal de áudio) e um receptor (fotodiodo ou LDR com amplificação), permitindo a demonstração de fenômenos como óptica geométrica, ondulatória, eletrônica básica e física moderna. Metodologicamente, a montagem emprega lentes para a colimação do feixe, alcançando distâncias de até 10 metros, e pode ser adaptada para explorar refração, modulação de luz e leis de propagação luminosa. Em sala de aula, o aparelho serve como ferramenta interativa para abordar tópicos como a natureza ondulatória da luz, circuitos moduladores e princípios do efeito fotoelétrico. Resultados preliminares indicam que a abordagem prática aumenta o engajamento dos alunos e melhora a assimilação de conceitos físicos, evidenciando a eficácia do método. A simplicidade e o baixo custo da montagem favorecem sua replicação em escolas com recursos limitados, alinhando-se às demandas por metodologias ativas no ensino de Ciências. O trabalho destaca, assim, o potencial de tecnologias acessíveis para transformar o aprendizado em Física, conectando fundamentos teóricos a aplicações cotidianas
PRÁTICAS DE ENSINO EM SALA DE AULA: UM RELATO COMPARATIVO ENTRE A EXPERIÊNCIA NO PIBID E O MODELO DE DOUG LEMOV
Este relato de experiência tem como objetivo refletir sobre as práticas pedagógicas observadas durante as ações do PIBID, relacionando-as com técnicas apresentadas por Doug Lemov em seu livro Aula Nota 10 (2011). As observações ocorreram em aulas ministradas pelo Professor-Orientador em uma turma do ensino médio integrado, no Instituto Federal de Santa Catarina. A metodologia consistiu na análise qualitativa de registros em diário de bordo, buscando identificar estratégias de ensino semelhantes às técnicas descritas por Lemov. Foram destacadas três técnicas que se mostraram mais recorrentes: Sem escapatória, Certo é certo e Puxe mais. A análise evidenciou que, mesmo sem utilizar explicitamente o referencial de Lemov, o professor observado adota práticas alinhadas às suas propostas. A experiência contribuiu para a formação docente dos pibidianos, ao promover a articulação entre teoria e prática, ampliando o repertório pedagógico e estimulando uma postura reflexiva diante do processo de ensino-aprendizagem
O MILAGRE DA MULTIPLICAÇÃO
Como parte das atividades de Extensão V do curso de Licenciatura em Matemática, desenvolvemos a oficina lúdica O Milagre da Multiplicação, inspirada na narrativa bíblica da multiplicação dos pães e peixes (João 6:1-14). A proposta teve como objetivo integrar conteúdos matemáticos (adição, subtração, divisão e raciocínio lógico) a valores cristãos, como solidariedade e partilha, proporcionando uma aprendizagem significativa e contextualizada. A oficina foi realizada na Igreja Visão Reino Church, respeitando o contexto sociocultural das crianças participantes, com idades entre 7 e 12 anos (total de 7 crianças). As atividades incluíram contação de história, quiz com perguntas sobre o texto bíblico (com premiação simbólica), entrega de figuras de pães e peixes para exercícios de comparação, contagem, divisão e identificação de quantidades (mais, menos, igual). Também foi realizada uma dinâmica de divisão de balas entre todos, seguida por um quiz matemático e uma roda de conversa sobre o uso da matemática no cotidiano. Os resultados foram, em sua maioria, satisfatórios. As crianças participaram com entusiasmo e conseguiram aplicar operações matemáticas básicas em contextos práticos. Algumas demonstraram maior agilidade nos cálculos, enquanto outras necessitaram de mais explicações e atenção. Houve momentos de dispersão, mas o uso variado de dinâmicas ajudou a manter o foco do grupo. Notou-se certa dificuldade na compreensão de frações, mas a solidariedade entre os participantes favoreceu o entendimento coletivo. A atividade mostrou-se eficaz não apenas no ensino de matemática, mas também na promoção de valores humanos e cristãos. A proposta contribuiu para aproximar o conteúdo escolar da realidade dos alunos, incentivando o raciocínio lógico, a empatia e a cooperação de forma lúdica e significativa
A COMUNA – COLABORAÇÕES CRIATIVAS – NA PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS COM TENOLOGIAS EDUCACIONAIS
Desde a Revolução Técnico-Científica, diversos setores passaram a integrar tecnologias digitais aos seus processos, inclusive na Educação. O grupo de pesquisa Comuna – Colaborações Criativas atua na criação de materiais didáticos utilizando impressoras 3D e máquina de corte a laser. Papert (2008) destaca a importância das ferramentas tecnológicas nas escolas, e atualmente, com um leque ainda maior de recursos, esse uso se mostra essencial. A Comuna não apenas desenvolve materiais, mas também promove capacitações para estudantes e docentes, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e de fora dele, sobre softwares como Tinkercad, Geogebra, Scratch e Inkscape, bem como sobre o manuseio das máquinas (Impressoras 3D Creality Ender e Corte a Laser DueFlow), obtidas por meio de projetos institucionais. No primeiro semestre de 2024, foram produzidos jogos da memória de Química, quebra-cabeças de Matemática, peças para montagem de moléculas, representações tridimensionais de relevo e outros jogos, como Trunfo. A Comuna também estabeleceu parcerias com outros Câmpus do IFSC e apoiou docentes de diversas unidades curriculares do Câmpus São José. Apesar da ampla atuação no tripé institucional – Ensino, Pesquisa e Extensão –, o grupo ainda enfrenta limitações quanto ao espaço físico. Mesmo assim, mantém o compromisso de fomentar práticas educativas inovadoras, fortalecendo a qualidade da educação pública e gratuita
RELATO DE EXPERIÊNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID ATRAVÉS DE ATENDIMENTOS EM SALA, MONITORIA E APOIO PEDAGÓGICO AO PROFESSOR E À ALUNOS DE FÍSICA DO ENSINO MÉDIO
Este trabalho apresenta um relato de experiência desenvolvido por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), no curso de Licenciatura em Física. Seu objetivo foi aproximar os licenciandos do cotidiano e da realidade da sala de aula, promovendo a integração da teoria e prática e contribuindo para o fortalecimento da formação dos futuros docentes, além de colaborar com a aprendizagem dos estudantes atendidos. As atividades ocorreram no próprio IFSC – Câmpus Araranguá, abrangendo diversas ações que possibilitam aos envolvidos adquirir experiência educacional, como a elaboração e correção de atividades, bem como o atendimento aos alunos, tanto em sala quanto extraclasse. 
Fabricação de Âncoras de Pequenas Embarcações para a Comunidade Pesqueira da Região de Itajaí
A cidade de Itajaí, em Santa Catarina, consolidou-se como um dos principais polos pesqueiros do Brasil, onde a pesca artesanal desempenha papel essencial para a subsistência de muitas famílias que utilizam embarcações de pequeno porte. Nesse contexto, a segurança dessas embarcações depende do uso de âncoras, cuja necessidade de manutenção ou substituição periódica representa um custo significativo para pescadores de baixa renda. Diante dessa problemática, o projeto de extensão “Fabricação de Âncoras de Pequenas Embarcações para a Comunidade Pesqueira da Região de Itajaí” foi desenvolvido com o objetivo de projetar, fabricar e distribuir gratuitamente âncoras a esses trabalhadores, ao mesmo tempo em que promove a integração entre ensino técnico e demandas sociais. Para tal, estudantes do curso técnico em mecânica do IFSC Itajaí utilizaram softwares de desenho, como o Solidworks, e aplicaram processos de fabricação mecânica disponíveis nos laboratórios do câmpus, incluindo corte plasma, oxicorte, soldagem e esmerilhamento. Após a confecção de protótipos, as peças foram testadas e ajustadas com base nas sugestões dos próprios pescadores, assegurando funcionalidade e adequação às condições locais de uso. Os resultados indicaram impactos positivos tanto para os beneficiários diretos quanto para os estudantes: de um lado, foram produzidas e entregues 27 âncoras ao longo das duas fases do projeto, representando economia de aproximadamente 500 reais por família atendida e fortalecendo a segurança da atividade pesqueira; de outro, os alunos ampliaram seus conhecimentos técnicos, vivenciaram experiências práticas alinhadas às disciplinas do curso e desenvolveram consciência social ao interagir com a comunidade. A conclusão aponta que o projeto cumpriu seu objetivo principal de contribuir para a segurança dos pescadores artesanais da região, além de evidenciar a relevância de ações de extensão como ferramenta de impacto social, formação cidadã e aplicação prática de conhecimentos técnicos
Arqueologia Sustentável: Educação, Ciência e Meio Ambiente
O projeto Arqueologia Sustentável, desenvolvido em 2025 na Escola de Educação Básica Municipal Professora Maria José Hülse Peixoto, em Itajaí (SC), constitui uma proposta pedagógica que integra História, Geografia e Ciências, com o objetivo de promover o letramento científico, a consciência socioambiental e a valorização do patrimônio cultural e ambiental. A iniciativa baseia-se na criação de um sítio arqueológico didático no espaço escolar, permitindo que estudantes do ensino fundamental assumam o papel de pesquisadores e vivenciem práticas inspiradas nos métodos científicos da arqueologia e das ciências naturais, desenvolvendo habilidades de observação, registro, análise e comunicação. O objetivo central é favorecer a compreensão das diferentes formas de ocupação humana, das interações ecológicas e dos processos históricos e ambientais, estimulando o senso de identidade, pertencimento e responsabilidade socioambiental. As atividades foram organizadas em etapas interdisciplinares articuladas. Em História, a proposta iniciou-se com a introdução às fontes e ao papel do arqueólogo, seguida da realização de uma exposição didática com materiais do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC, que proporcionou contato direto com representações de arte rupestre, cerâmica indígena e sambaquis. A etapa mais marcante foi a escavação simulada, em que os alunos atuaram como arqueólogos em área preparada com camadas estratigráficas artificiais, preenchendo fichas, elaborando croquis e assinando relatórios como “arqueólogos responsáveis”, vivenciando de forma lúdica e científica a prática investigativa. Em Geografia, a aprendizagem prosseguiu com a coleta de amostras de solo em campo, utilizando instrumentos de medição, seguida da análise sedimentológica em laboratório escolar, que envolveu o peneiramento de partículas e a comparação de granulometria, possibilitando compreender a dinâmica dos solos e sua relação com o ambiente. Posteriormente, cada grupo produziu um parecer técnico, exercitando o uso da linguagem científica e sistematizando suas conclusões. Em Ciências da Natureza, os estudantes participaram de práticas de osteoarqueologia, analisando ossos-modelo enterrados no sítio didático, registrando informações em fichas técnicas e refletindo sobre aspectos biológicos, culturais e éticos relacionados ao estudo de vestígios humanos. Esse percurso pedagógico, sustentado por metodologias ativas, situações-problema e aprendizagem baseada em projetos, evidenciou a ciência como prática de investigação e construção coletiva de conhecimento. Os resultados alcançados foram expressivos: cognitivamente, os alunos ampliaram sua capacidade de análise crítica e estabeleceram conexões entre ciência, sociedade e meio ambiente; no âmbito socioemocional, fortaleceram a cooperação, a autonomia e o protagonismo; os alunos, reconheceram-se como sujeitos históricos ligados a um território marcado por patrimônio cultural e ambiental. Entre os desafios estiveram a tradução de conceitos técnicos para a linguagem escolar e a articulação de tempos e espaços pedagógicos, superados pela cooperação docente e pela criatividade metodológica. O impacto do projeto ultrapassou os limites da sala de aula, envolvendo a comunidade, consolidando parcerias institucionais e resultando na criação de um site para divulgação e memória coletiva da experiência. Conclui-se que a iniciativa contribui para a formação de cidadãos críticos e conscientes, para a difusão da cultura científica e para a valorização do patrimônio cultural e ambiental, reafirmando a escola como espaço de produção de conhecimento, inovação pedagógica e responsabilidade social