Revista Estudos Anglo-Americanos (E-Journal - Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC)
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    Apresentação

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    MODALIDADES DE REPRESENTAÇÃO E DE PERCEPÇÃO DO REAL EM BANDEIRAS PÁLIDAS DE MICHAEL ONDAATJE

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    : Esta pesquisa analisa como a interdependência da representação e da percepção do real se encontra concretizada e problematizada em Bandeiras Pálidas (2000), de Michael Ondaatje. Ao adentrarmos nesta obra de literatura de resistência por meio da focalização onisciente, penetramos não apenas nos espaços geográficos e na história cultural do Sri Lanka. Participamos igualmente da luta diária dos personagens para sobreviver, tentar fazer justiça e identificar os inúmeros mortos deste conflito entre grupos étnicos e o governo. Esta fragmentação da estrutura narrativa – questionando as relações conflituosas estabelecidas entre o presente e passado dos personagens, entre os valores ocidentais e orientais em relação ao conceito de verdade, a procura por identidade e amor perdidos – destaca ainda mais a permutabilidade da representação e da percepção do real.

    TIME AND CONSCIOUSNESS REPRESENTATION IN VIRGINIA WOOLF\u27S TO THE LIGHTHOUSE

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    To the Lighthouse, Virginia Woolf’s fifth novel, is often regarded as one of her more complex and ambitious narratives. Erich Auerbach (2005) made one of the first attempts to shed some light on the narrative techniques employed in the novel in his essay “The Brown Stocking”, the last chapter of his seminal work Mimesis: The Representation of Reality in Western Literature. However, some recent criticism on this essay, notably from Michael Levenson (2015), has emphasized the limited scope of Auerbach’s terms of approach regarding the narrative of To the Lighthouse. Therefore, this article aims to update Auerbach’s ideas with the terminology provided by structuralist narratology, especially the categories regarding time and consciousness representation, according to the theoretical propositions of Bart Vervaeck and Luc Herman (2005). In this respect, Woolf’s use of multipersonal consciousness representation, differently from her contemporaries James Joyce and Marcel Proust, for instance, enables her to portray time in very peculiar ways in each of the sections of the novel. Consequently, by rendering the perception of the events not only from a single perspective, but from as many as possible, Virginia Woolf creates a mosaic of points of view that aims at a synthesis of reality.

    “WITH MY CRUST OF BREAD AND LIBERTY”: FREEDOM AND SOCIAL CONVENTIONS IN THOMAS HARDY\u27S LIFE’S LITTLE IRONIES

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    O objetivo deste artigo é analisar a associação entre liberdade e convenções sociais no livro de contos Life’s Little Ironies [Pequenas Ironias da Vida] (1894), de Thomas Hardy. Os contos apresentam diversos aspectos relacionados à liberdade de consciência e de conduta moral, à liberdade de expressão, à liberdade do corpo e à liberdade dos desejos. Tais aspectos estão intimamente relacionados ao poder das convenções sociais em restringir o âmbito de liberdade dentro do qual as personagens lidam com suas escolhas e percebem suas possibilidades de ação. As convenções sociais são aqui representadas pela mobilidade social, ambição e por idealizações convencionais do amor e do casamento, todos os quais possuem uma natureza e importância arbitrária que são problematizadas por Hardy. Em seu questionamento dos limites estritos impostos à liberdade individual na sociedade vitoriana, Hardy, podemos dizer, se vale do trabalho de John Stuart Mill, cujo livro On Liberty [Sobre a liberdade] (1859) desenvolve as idéias centrais que circulavam no debate intelectual da época. Por trás da representação de Hardy do conflito entre liberdade e convenções sociais em Life’s Little Ironies, podemos perceber a “tirania social”, nas palavras de Mill, agindo sobre as personagens que, ao fim, não conseguem superar as coerções da sociedade, o que acaba por levar-lhes a um fim trágico

    FOCO NARRATIVO E IDEOLOGIA LIBERAL EM BARTLEBY, THE SCRIVENER E BENITO CERENO, DE HERMAN MELVILLE

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    O ensaio aborda a estruturação narrativa de duas novelas de Herman Melville – Bartleby, or the Scrivener (1853) e Benito Cereno (1855) – à luz do esforço de seu autor de tematizar, em sua obra, o processo histórico e social norte-americano. Para tanto, colocaremos ambos os trabalhos sob a perspectiva mais ampla da prosa de Melville, no âmbito da qual avaliaremos o emprego de determinadas técnicas (o uso de primeira pessoa narrativa e o discurso indireto livre, respectivamente) e, desse modo, sua contribuição para a formação do romance norte-americano

    OS ESPIÕES (E OS) ESCRITORES NA PARÓDIA DAS NARRATIVAS DE ESPIONAGEM EM SWEET TOOTH, DE IAN MCEWAN

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    Neste artigo, objetivamos analisar a paródia das narrativas de espionagem realizada em Sweet Tooth, romance do escritor inglês Ian McEwan. Ao acionar e reconfigurar ironicamente códigos e convenções das narrativas de espionagem, McEwan criou um romance que problematiza vários elementos característicos do gênero que parodia, a exemplo do lugar comumente ocupado pelas mulheres nesta tradição literária, ao mesmo tempo em que desenvolve substanciais questões de ordem metaficcional, como a articulação entre as figuras do escritor de ficção e do espião

    SAMUEL BECKETT E A ESTÉTICA DE UMA EXISTÊNCIA PARA MORTE.

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    Buscamos no presente artigo, discutir a influência da filosofia existencialista na estrutura da narrativa beckettiana do pós-guerra. A partir da concepção de uma linguagem que fracassa diante da realidade absurda do mundo, Samuel Beckett fundamenta uma nova forma para o romance; e dessa relação de rompimento com a ordenação lógica da linguagem, estabelecemos um diálogo com a filosofia de Albert Camus e Martin Heidegger

    WORDS, IMAGES AND INVENTION: THE POWER OF METAFICTION IN AUSTEN, MCEWAN AND JOE WRIGHT

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    Atonement, romance publicado em 2001, do escritor inglês Ian McEwan, tem muito de seus efeitos atrelado aos usos e implicações da metalinguagem/metaficção. De modo interessante, o romance é introduzido com uma epígrafe retirada de Northanger Abbey (1818), de Jane Austen, um romance cuja significação também depende da consideração de aspectos metaficcionais. O romance de McEwan foi recentemente adaptado em filme (Desejo e reparação, 2007, dir. Joe Wright), e, nele, o conteúdo metaficcional – sobretudo no que concerne à problemática do ver, testemunhar e interpretar – é decisivo para uma compreensão da construção da narrativa fílmica. Tendo tais questões em mente, o propósito desta discussão é analisar alguns dos efeitos da metaficção em termos éticos e estéticos, principalmente quando consideramos o diálogo entre Austen e McEwan, bem como entre a literatura e o cinema

    VOCABULÁRIO EM INGLÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA: UM BREVE ESTADO DA ARTE NO BRASIL

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    Este artigo busca apresentar um levantamento acerca dos estudos realizados sobre ensino e aprendizagem de vocabulário em inglês como língua estrangeira, a fim de estabelecer um panorama das pesquisas realizadas no Brasil. Para atingir tal objetivo, pesquisamos em dois portais nacionais as seguintes palavras-chave: ensino de vocabulário inglês e aprendizagem de vocabulário, com a adoção alguns critérios: 1) os estudos deveriam ter sido realizados no Brasil por pesquisadores brasileiros; 2) os estudos poderiam ser dissertações, teses ou artigos publicados em revistas nacionais; e 3) os estudos deveriam estar publicados entre 2007 e 2017. Os resultados apontaram para 14 estudos, que foram divididos em 5 subáreas: os recursos tecnológicos e as hipermídias no ensino e aprendizagem de vocabulário em língua estrangeira; vocabulário e leitura; livros didáticos e o ensino de vocabulário; percepções sobre o ensino e aprendizagem de vocabulário; e por fim, memória de trabalho e aprendizado de vocabulário. Dentre essas subáreas, encontramos um maior número de estudos que investigaram os recursos tecnológicos e as hipermídias no ensino e aprendizagem de vocabulário. Como conclusão, é possível dizer que estudos têm sido desenvolvidos para compreender o que significa conhecer vocabulário, como também compreender como seu desenvolvimento pode ser assistido, e que o conhecimento de vocabulário de uma língua estrangeira passa a ser gradativamente reconhecido como importante

    INFLUÊNCIAS AMERICANAS E INGLESAS NO ENSINO DE INGLÊS NO BRASIL OITOCENTISTA: PROSÓDIA INGLEZA (1878)

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    As primeiras referências ao ensino de língua inglesa, em terras brasileiras, são datadas de 1710, quando do início das Aulas de Fortificações, planejadas desde 1699, com finalidades práticas, ligadas à necessidade de defesa da costa brasileira contra as constantes tentativas de invasão (OLIVEIRA, 2006). Desde então, foram poucas as oportunidades de ensino de inglês, tendo em vista a imponência do francês, que detinha a carga de ser a língua de acesso à cultura e ao conhecimento. No século XIX, o ensino da língua inglesa começou a ganhar mais espaço, passando a ser exigido como pré-requisito para entrada nos Estudos Maiores e obrigatório no Collegio de Pedro II. Diante desse contexto, este artigo tem como objetivo analisar as influências norte-americanas e inglesas no que se refere ao ensino de língua inglesa no Brasil oitocentista, fazendo um paralelo com as disputas verificadas com o francês para o estabelecimento de um campo de trabalho. Para tanto, foram analisados anúncios de jornais, a legislação do século XIX e o compêndio Prosodia Ingleza, publicado em 1878, por Jasper Harben

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