Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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O PENSAMENTO DECOLONIAL E A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: DIÁLOGOS POSSÍVEIS
O presente trabalho versa sobre os diálogos possíveis entre o Pensamento Decolonial e a Educação Escolar Indígena. Nele objetivamos analisar por meio do Pensamento Decolonial os processos de implementação do colonialismo/colonialidade no contexto da Abya-Yala, bem como os movimentos de resistência instaurados pelos povos, com foco para ressignificação da Educação Escolar Indígena. Essa lente analítica produz uma inteligibilidade outra, que vai de encontro às narrativas historicizadas pela ciência moderna. Assim, trataremos como os povos originários materializam em seus territórios, por meio da Educação Escolar Indígena, práticas que se propõem a nadar contra a corrente da colonialidade e que se colocam enquanto práticas decoloniais. O percurso metodológico foi conduzido por meio da pesquisa bibliográfica (Severino, 2007), a qual contou com o acesso a produções teórico-científicas circunscritas no campo do Pensamento Decolonial em diálogo com produções situadas no contexto da Educação Escolar Indígena. Como procedimento de análise, utilizamos a Análise de Conteúdo via Análise Temática (Bardin, 1977; Vala, 1990), seguindo as etapas que estruturam o estudo sério e comprometido. Concluímos, por meio do olhar suscitado através do Pensamento Decolonial, que embora o colonialismo tenha invadido violentamente os territórios indígenas e suas culturas, com a perspectiva de aniquilar as identidades diversas e suas relações com a ancestralidade, esses povos resistiram e ressignificaram, sobretudo, a educação escolar à serviço do fortalecimento dos seus projetos identitários e culturais
A PEDAGOGIA ANCESTRAL DE UMA ASSOCIAÇÃO DE INDÍGENAS EM CONTEXTO URBANO
Este estudo é um recorte de uma pesquisa de doutorado da Universidade do Estado do Pará, alinhada com o projeto “Bem viver: diversidade sociocultural, saúde e práticas educativas na Amazônia”, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED-UEPA) em parceria com o Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG- Amazônia Legal/CAPES). A tese traz provocações acerca da educação produzida pela Associação Multiétnica Wyka Kwara, uma associação/movimento de indígenas em contexto urbano que lutam pelo direito à autoafirmação e buscam o processo de retomada como caminho. Este artigo apresenta como objetivo nuclear enunciar o trabalho pedagógico da Associação Multiétnica Wyka Kwara. O texto tem inspirações a partir dos fundamentos da pesquisa participante ao problematizar que para além da importância da imersão na comunidade, assume o compromisso ético ao dispor o estudo a favor do projeto político deste grupo. Os diálogos teórico-metodológicos são representados por: Casé Angatu (2016, 2021); Sônia Guajajara (2017); Ailton Krenak (2022); Daniel Munduruku (2009, 2022); Gesen Baniwa (2023); Nego Bispo (2023) e Tatiane Costa (2018). A pesquisa revela o reconhecimento da ancestralidade como potencialidade formativa/pedagógica a partir das práticas desenvolvidas pelo coletivo Wyka Kwara, as quais colaboram para o exercício de uma educação outra a partir da Amazônia. A pedagogia ancestral da associação vem construindo um legado de orientação acerca do entendimento dos processos de invisibilização dos povos originários e investe na aprendizagem sobre a importância de corporificar a luta, unindo forças para avivar as memórias ancestrais
UMA REVISÃO DE LITERATURA SOBRE O SILENCIAMENTO DE VOZES ESTUDANTES PAEE NOS ITINERÁRIOS FORMATIVOS DO NOVO ENSINO MÉDIO EM RORAIMA, BRASIL
Este artigo objetiva identificar tendências, lacunas e desafios em produções acadêmicas e normativas relacionadas à inclusão e ao protagonismo de estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE) nos Itinerários Formativos do Novo Ensino Médio (NEM), em escolas-piloto de Boa Vista, Roraima, no triênio 2022–2024. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada em uma revisão crítica de literatura. O referencial teórico ancora-se na Filosofia da Libertação, no Giro Decolonial e na Pedagogia Decolonial Analógica. Os resultados evidenciam a persistente invisibilidade dos estudantes PAEE em documentos oficiais e acadêmicos relacionados ao NEM, revelando a permanência de uma racionalidade colonial nas políticas educacionais e indicando a urgência de rupturas epistêmicas e da formulação de políticas públicas que promovam uma educação efetivamente inclusiva
Revista Edição completa
A segunda edição da Revista Encanterias (vol. 2, n.º 1, dez 2025) apresenta trabalhos que investigam artes visuais, cultura e educação na América Latina sob óticas decoloniais. Os temas incluem memória negra (Santa Anastácia), erotismo queer (Alvin Baltrop), máscaras ritualísticas (Rotimi Fani‑Kayode), ecologia obscura, plantas tintóreas, iconografia amazônica, Candomblé, feitiço como arquivo sensível e performances corpo-natureza-cosmos. Destaca-se a arte como resistência, reparação simbólica e inovação metodológica
ESCREVIVÊNCIAS DO BEM VIVER QUILOMBOLA COMO FORMAS DE RESISTÊNCIA POLÍTICA AO EPISTEMICÍDIO OCIDENTAL: AS NARRATIVAS ORAIS COMO INSTRUMENTOS DE RESISTÊNCIA CULTURAL
Este artigo aborda as experiências coletivas do “bem-viver” nos territórios quilombolas do Pará, buscando na oralidade as narrativas que compõem o repertório identitário de seus sujeitos. Trata-se de um estudo das narrativas como processos de elaboração, construção identitária e resistência étnica a partir das realidades locais, enfocando: (1) as resistências políticas e culturais das mulheres quilombolas e negras frente aos desafios raciais e de gênero na produção do saber; (2) as formas diversas de manifestação da religiosidade e dos saberes ancestrais como estratégias de coesão e bem-viver; e (3) a luta pela legalização e proteção do território diante das ameaças do agronegócio e do extrativismo. O objetivo é compreender como as narrativas quilombolas contribuem para a autoafirmação e o reconhecimento de suas identidades, relacionando-se com as práticas socioculturais e políticas locais. A metodologia baseia-se nas “escrevivências” (Evaristo, 2020) e nas perspectivas do pensamento social negro (Gonzalez, 1988; Davis, 2016), agregando as experiências dos autores enquanto pesquisadores e ativistas que sofrem as marcas históricas do colonialismo e seus reflexos na produção acadêmica.
Palavras-chave: Escrevivências, bem viver, formação, comunidades quilombolas.
JORNALISMO PELO EQUÍVOCO E A REPRESENTATIVIDADE DOS POVOS INDÍGENAS DO AMAPÁ NA COBERTURA MIDIÁTICA DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO E GÁS NA FOZ DO AMAZONAS
Este artigo analisa a cobertura jornalística sobre a exploração de petróleo e gás na bacia da Foz do Amazonas, com foco na representação dos povos indígenas do Amapá. Fundamenta-se nos referenciais do Bem Viver (Acosta, 2016; Krenak, 2019) e do Jornalismo pelo Equívoco (Laia, 2016; 2020), compreendendo o jornalismo como espaço de disputa ontológica e epistemológica. O corpus é composto por quatro reportagens publicadas entre 2023 e 2024, sendo duas da Folha de S.Paulo e duas do portal Sumaúma – Jornalismo do Centro do Mundo. A análise evidencia que o termo “desenvolvimento” opera como eixo central de equivocação, assumindo sentidos inconmensuraveis conforme os enquadramentos editoriais. Enquanto a Folha de S.Paulo mobiliza uma racionalidade desenvolvimentista baseada na segurança energética e no crescimento econômico, silenciando as vozes indígenas, o Sumaúma articula uma perspectiva socioambiental que reconhece os riscos ecológicos e os modos de vida dos povos originários. Conclui-se que tais divergências expressam conflitos estruturais entre racionalidades coloniais e cosmopolíticas indígenas, evidenciando os limites do jornalismo hegemônico na mediação de conflitos socioambientais na Amazônia
SANTUÁRIO DAS ÁGUAS: VOVÓ E A PEDAGOGIA DA ORALIDADE
O trabalho buscou investigar a forma como as mulheres ribeirinhas da Amazônia tocantina cametaense tem resistido e insurgido a colonialidade do ser e do saber para apresentar as estratégias de resistências usadas frente a lógica moderno colonial de subalternização de seres e saberes. Como resultado, concluiu-se que a pedagogia da oralidade é o principal mecanismo de transmissão de saberes e práticas de mulheres ribeirinhas da Amazônia tocantina cametaense. A partir da memória da autora, que tem na História Oral a metodologia para a elaboração deste trabalho, aponta a oralidade como um elemento importante utilizado cotidianamente por sua avó, Anita, que se transformou em aprendizagens que se conectam à ancestralidade amazônica ribeirinha, desafiando o modelo cartesiano de produzir ciência quanto à neutralidade e imparcialidade do pesquisador. Denomina pedagogia da oralidade a estratégia usada por sua avó, que, por meio de contação de história e ditados populares, construiu em seus descendentes uma memória coletiva sobre práticas de cura, crenças amazônicas, higienização dos corpos, sustentabilidade, valores e modos de vida que permanecem e resistem ao tempo e à lógica moderno-colonial. Nesta perspectiva, baseado na decolonialidade, tem na enunciação e na decolonialidade do poder, do saber e do ser, a base para o diálogo com Walsh (2013, 2022), Dias (2023), Barros (2021) no sentido de se insurgir frente à epistemologia que hierarquiza e subalterniza saberes e seres.  
CUIDAR ANCESTRAL DA INFÂNCIA WAJÃPI: NARRATIVA DE HOMENS INDÍGENAS DA ALDEIA ARAMIRÃ
Este estudo aborda o cuidado ancestral na infância Wajãpi, com o objetivo de compreender o papel dos pais, especialmente dos homens, na proteção espiritual e corporal das crianças. A pesquisa baseia-se em análise documental, com destaque para o Relatório Diagnóstico Qualitativo da Comunidade Indígena Wajãpi-AP (2021) e o documento Caderno Paternar Wajãpi (2021). Os resultados revelam que o resguardo, os cantos, os grafismos e o brincar constituem uma pedagogia viva, que transmite saberes por meio da convivência e fortalece os vínculos familiares e comunitários
ATUALIZANDO MARX, DURKHEIM E WEBER: UMA REFLEXÃO FEMINISTA SOBRE DIVISÃO SEXUAL E RACIAL DO TRABALHO
Embora representem a maioria da população brasileira, as mulheres negras enfrentam exclusão social decorrente do racismo e do sexismo. Nestes termos, esta comunicação analisa a inserção da mulher negra no mercado de trabalho brasileiro a partir de uma perspectiva interseccional, destacando como a divisão social do trabalho – enquanto fato social – perpetua um ciclo de exclusão e invisibilidade. Dessa forma, o objetivo deste artigo é compreender a divisão sexual e racial do trabalho e seus impactos na vida das mulheres negras, apontando, ao final, possíveis avanços nesse cenário discriminatório. O percurso metodológico adotado inclui uma revisão bibliográfica fundamentada em obras de teóricos clássicos e contemporâneos, dentre eles Émile Durkheim, Karl Marx, Max Weber, Abdias do Nascimento, Kimberlé Crenshaw e Lélia Gonzalez, complementada por uma análise sucinta de dados secundários obtidos por meio de instituições de pesquisa. Essa abordagem permite uma reflexão sobre a marginalização e as injustiças sociais enfrentadas por essas mulheres e denuncia a urgente necessidade de elaboração políticas públicas, que garantam condições equitativas de crescimento profissional e remuneração as mulheres negras brasileiras
ESTUDO FUNDIÁRIO E AMBIENTAL DO PROJETO DO ASSENTAMENTO MUNGUBA NO ESTADO DO AMAPÁ
A análise fundiária e ambiental em projetos de assentamento da reforma agrária, andam atreladas e são essenciais tanto para a comunidade científica, quanto para a comunidade em geral, pois ambas contribuem de forma profunda nas questões relacionadas ao gerenciamento de normas ambientais e no uso da terra. Essa pesquisa surge a partir do levantamento das normas ambientais voltadas à preservação da vegetação nativa em propriedades rurais no Projeto de Assentamento Munguba e no questionamento sobre os principais desafios ecossistêmicos enfrentados na defesa da flora na região. O presente estudo tem como objetivo fazer o levantamento fundiário e ambiental do Projeto de Assentamento Munguba, bem como, identificar as legislações que protegem os ecossistemas em propriedades rurais, averiguando se os seus limites territoriais estão de acordo com as diretrizes ambientais, por meio de obtenção de dados espaciais, pesquisas bibliográficas, documentais e legislativas