Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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ATRACAR NUM PORTO SEGURO: EROTISMO E TRANSGRESSÃO NA OBRA DE ALVIN BALTROP
El artículo analiza las obras Pier Photographs, de Alvin Baltrop, y Píer, de Brendon Reis, con el propósito de investigar el erotismo como forma de resistencia y subversión frente a las estructuras normativas que históricamente han marginado las vivencias LGBTQIA+. Las imágenes captadas por Baltrop en los muelles abandonados de Nueva York revelan espacios de libertad sexual y de encuentro homoerótico, tensando los límites entre deseo, muerte y marginalidad. En la obra de Reis, ese espacio es resignificado como evocación simbólica y política de la memoria queer, reforzando el erotismo como elemento de afirmación e insurgencia. La discusión se fundamenta en la filosofía de Georges Bataille, especialmente en sus concepciones sobre erotismo, prohibición y transgresión. Al confrontar la escasa presencia del homoerotismo en obras como El Erotismo y Las Lágrimas de Eros, el artículo propone una relectura crítica de las formulaciones de Bataille, con el fin de ampliar la comprensión de las formas disidentes de expresión del deseo. En este recorrido, se destaca la necesidad de repensar las normas de poder que configuran el erotismo y sus límites.O artigo analisa as obras Pier Photographs, de Alvin Baltrop, e Píer, de Brendon Reis, com o objetivo de investigar o erotismo como forma de resistência e subversão diante das estruturas normativas que historicamente marginalizam as vivências LGBTQIA+. As imagens produzidas por Baltrop nos píeres abandonados de Nova York revelam espaços de liberdade sexual e encontro homoerótico, tensionando os limites entre desejo, morte e marginalidade. Na obra de Reis, essa espacialidade é retomada como evocação simbólica e política da memória queer, reforçando o erotismo como elemento de afirmação e insurgência. A discussão é fundamentada na filosofia de Georges Bataille, especialmente em suas concepções sobre erotismo, interdito e transgressão. Ao confrontar a escassa presença do homoerotismo em obras como O Erotismo e Lágrimas de Eros, o artigo propõe uma releitura crítica das formulações de Bataille, a fim de ampliar a compreensão dos modos dissidentes de expressão do desejo. Nesse percurso, evidencia-se a necessidade de repensar as normas de poder que moldam o erotismo e seus limites
A NOVA CONFIGURAÇÃO DA RELAÇÕA HOMEM-MÁQUINA NO MUNDO DO TRABALHO
Robótica, inteligência artificial preditiva e generativa estão transformando a configuração da coexistência homem e máquina em todas as dimensões da vida social, sobretudo no ambiente de trabalho. A capacidade cognitiva dada às máquinas, aliada a seus atributos físicos e mecânicos, permite a substituição do trabalhador humano em muitas funções de muitos setores. Como tornar equilibrada a coexistência homem e máquina no ambiente de trabalho? Responder a esta questão é o objetivo deste estudo.
O ESPAÇO CULTURAL E BIBLIOTECA COMUNITÁRIA CHIBÉ: LUGAR DE PERTENCIMENTO E BEM VIVER
Esta pesquisa tem como objetivo apresentar o Espaço Cultural e Biblioteca Comunitária Chibé, localizado no Distrito de Icoaraci (PA), o qual se debruça nas múltiplas linguagens como ferramenta de impacto social, cultural e climático. Através de ações voltadas à busca de salvaguardar a memória, as práticas tradicionais e o fazer comunitário. O Chibé configura-se como espaço extracurricular e interseccional, que promove acessos para jovens, crianças e adultos, fortalecendo o sentimento de pertencimento e vivência do Bem Viver
NOSSOS CORPOS, NOSSAS MEMÓRIAS:: ESCREVIVÊNCIA COMO ATO DE SUBVERSÃO DE MULHERES NEGRAS DO AMAPÁ E MARANHÃO
Neste artigo, exploramos nossas trajetórias, de Mayara, amapaense, e Polyana, maranhense, a partir do conceito de escrevivência. Enquanto autoras, mulheres negras e migrantes, narramos vivências de infância na roça e nas periferias, a violência do racismo e a centralidade do trabalho de cuidado não remunerado em nossas vidas e famílias. No texto, resgatamos memórias de nossas jornadas até a universidade, onde foi possível identificar desafios comuns e como a educação se tornou um espaço de resistência e transformação. Ao compartilhar nossas histórias, denunciamos as estruturas de opressão colonial e a invisibilidade de nossos corpos e saberes, reafirmando a escrita como um ato político de afirmação e luta
IMPACTOS DA DOENÇA VASSOURA DE BRUXA DA MANDIOCA: CONTRIBUIÇÕES DA ANCESTRALIDADE INDÍGENA ÀS PEDAGOGIAS DECOLONIAIS
Este artigo analisa os impactos ambientais, socioculturais e econômicos decorrentes da incidência da doença vassoura de bruxa da mandioca nas roças localizadas nos territórios indígenas da região do Baixo Oiapoque, estado do Amapá, na zona fronteiriça entre Brasil e a Guiana Francesa. O estudo discute como essa fitopatia afeta diretamente a agricultura familiar e compromete a soberania alimentar das comunidades indígenas Galibi Marworno. Com base na pesquisa documental e na etnografia como abordagens metodológicas, e orientado por uma perspectiva transdisciplinar e transcultural, o presente estudo identificou estratégias sustentáveis e cosmológicas desenvolvidas por comunidades tradicionais e agentes externos em resposta aos impactos da degradação agrícola. As práticas observadas revelam uma articulação complexa entre saberes tradicionais, conhecimentos científicos e tecnológicos, evidenciando processos de resistência cultural, mecanismos de preservação dos modos de vida e constribuições dos saberes ancestrais indígenas às Pedagogias Decoloniais. Conclui-se que a praga causou uma perda expressiva das variedades de mandioca na região, caracterizando-se como um desastre agrícola que afetou profundamente a produção local e a vida das populações tradicionais. Ademais, evidencia-se que as epistemologias plurais, a resistência e a afirmação identitária, a autonomia e a territorialidade, a interculturalidade e a integração de saberes, bem como a formação docente diferenciada, constituem contribuições fundamentais para a promoção de Pedagogias Decoloniais
ESCREVIVÊNCIA COMO JUSTIÇA EPISTÊMICA NO ENSINO SUPERIOR: REFLEXÕES A PARTIR DE EXPERIÊNCIAS DO PROJETO IQ-INDÍGENAS E QUILOMBOLAS-UFPA/AMAZÔNIA-BR
Este trabalho se vale de observações realizadas no Projeto “IQ: Conhecimento e Resistência”, destinado ao acompanhamento da aprendizagem de indígenas e quilombolas com ingresso pelas políticas afirmativas na Universidade Federal do Pará. Discute a hegemonia da ciência ocidental na transmissão e produção do conhecimento científico no ensino superior brasileiro, uma vez que seus constructos foram produzidos a partir de estigmas sobre povos e grupos populacionais historicamente subalternizados, como argumenta a intelectual indígena Linda Tuhiwai Smith. A naturalização do epistemicídio apagou suas autorias, reduzindo-os a coisas e a objetos de pesquisa, o modus operandi do colonialismo. A política afirmativa tem forçado as portas da universidade para a entrada dos povos indígenas, quilombolas e população autodeclarada negra. Estes grupos, em seus coletivos estudantis, reivindicam a descolonização das metodologias de ensino e pesquisa, para que a política faça jus às lutas dos seus povos. Este alcance exige a superação de uma escrita esquadrinhada pelas normas técnicas do ocidentocentrismo, regulamentadoras e controladoras do currículo monocultural e fatiado em disciplinas. Tais rupturas só serão possíveis se houver aberturas democráticas para que epistemes outras, e suas respectivas autorias, tenham autonomia na produção do conhecimento fomentada nas instituições de ensino superior, ou seja, autoridade para autodeterminar e demarcar seus territórios de saberes. É o que propõe a Escrevivência, formulada pela intelectual Conceição Evaristo, mulher negra feminista, como metodologia pautada na ressignificação do processo de produção do conhecimento com justiça epistêmica. Não se trata, portanto, de escrita autobiográfica, seu foco está em evocar uma experiência coletiva, principalmente da população afro-brasileira, da diáspora e dos povos subalternizados.
Escrevivência. Política Afirmativa. Ensino Superior. Indígenas. Quilombolas. Amazôni
APRESENTAÇÃO
Os artigos da coletânea Escrevivências sobre bem viveres e resistências contracoloniais falam de realidades pessoais em contextos diversos, por isso as palavras do título estão no plural. Em perspectivas subjetivas, as autoras e autores tocam em situações e experiências vividas que na maioria dos casos refletem buscas, desafios e dores. Coisas distantes da ideia individualista e burguesa de qualidade de vida que a expressão bem viver poderia dar a entender. De fato, não há uma definição única de bem viver, porque suas diferentes possibilidades reportam-se a contextos sociais, culturais e políticos particulares. Sempre, no entanto, referindo-se a vivências plenas, incluindo conteúdos materiais e afetivos, em coletividade. Diante de tantos desafios, buscamos refletir: O bem viver faz sentido na pós-graduação universitária?
A noção do bem viver viajou no espaço e no tempo, desde as tradições andinas Quechua (Sumak Kawsay) e Aymara (Suma Qamaña), para ganhar terreno aqui, nos contextos e territórios da Amazônia. Ao invés de significar um idílico e idealizado cenário de paz e acomodação, a expressão ‘bem viver’ traz com ela construção e luta por um presente e um futuro melhores do que, por exemplo, as circunstâncias vividas e descritas nas escrevivências desta coletânea. Mais do que um contraponto teórico ao individualismo neoliberal, as potencialidades do bem viver precisam ser postas em movimento, em sentido prático
ECOSSISTEMAS OBSCUROS: UMA PROPOSTA ESTÉTICA
This essay proposes a reflection on artistic creation guided by the concept of dark ecology formulated by philosopher Timothy Morton. The works arise from a concern with the interaction between humans and the environment, highlighting art\u27s ability to challenge conventional perceptions of nature. Using the technique of analog collage, these works seek to question the distinctions between subject and object, human and non-human, promoting a new aesthetic and ethical approach to nature. Drawing on Morton\u27s principles, such as hyperobjects and object-centered ontology, the paper argues that art can serve as a symbolic and expressive form to coexist with the challenges of the "hidden ecosystems" of the Anthropocene era.
Este ensayo propone una reflexión sobre la creación artística, guiada por el concepto de ecología oscura formulado por el filósofo Timothy Morton. Las obras surgen de la preocupación por la interacción entre los seres humanos y el medio ambiente, destacando la capacidad del arte para desafiar las percepciones convencionales de la naturaleza. Mediante la técnica del collage analógico, estas obras buscan cuestionar las distinciones entre sujeto y objeto, humano y no humano, promoviendo una nueva aproximación estética y ética a la naturaleza. Basándose en los principios de Morton, como los hiperobjetos y la ontología centrada en el objeto, el artículo argumenta que el arte puede servir como una forma simbólica y expresiva para coexistir con los desafíos de los "ecosistemas ocultos" del Antropoceno.
Cet essai propose une réflexion sur la création artistique, guidée par le concept d\u27écologie sombre formulé par le philosophe Timothy Morton. Les œuvres naissent d\u27une préoccupation pour l\u27interaction entre l\u27humain et l\u27environnement, soulignant la capacité de l\u27art à remettre en question les perceptions conventionnelles de la nature. Utilisant la technique du collage analogique, ces œuvres cherchent à questionner les distinctions entre sujet et objet, humain et non-humain, promouvant une nouvelle approche esthétique et éthique de la nature. S\u27appuyant sur les principes de Morton, tels que les hyperobjets et l\u27ontologie centrée sur l\u27objet, l\u27article soutient que l\u27art peut servir de forme symbolique et expressive pour coexister avec les défis des « écosystèmes cachés » de l\u27ère anthropocène.
Este ensaio propõe uma reflexão acerca da criação artística orientada pelo conceito de ecologia obscura formulado pelo filosofo Timothy Morton. As obras surgem da preocupação com a interação entre seres humanos e o meio ambiente, destacando a capacidade da arte de desafiar percepções convencionais da natureza. Por meio da técnica de colagem analógica, essas obras buscam questionar as distinções entre sujeito e objeto, humano e não-humano, promovendo uma nova abordagem estética e ética em relação à natureza. Com base nos princípios de Morton, como hiperobjetos e ontologia centrada nos objetos, defende-se que a arte pode servir como uma forma simbólica e expressiva para coexistir com os desafios dos "ecossistemas ocultos" da era do Antropoceno
Corpo-Devoção: o caráter performático, cultural e espiritual da máscara Dan em Rotimi Fani-Kayode
This article examines Rotimi Fani-Kayode\u27s work, Dan Mask (1989), to develop an investigative path into the political, cultural, and spiritual significance of the use of the Dan mask, as well as the performative character that defines the entire manifestation of the Ge spirit. The research deepens the understanding of the ritualistic intentionality behind the various purposes of the mask in Dan culture and the gender implications that permeate its functionality.Este artículo examina la obra de Rotimi Fani-Kayode, «Dan Mask» (1989), para desarrollar una línea de investigación sobre la importancia política, cultural y espiritual del uso de la máscara Dan, así como el carácter performativo que define toda la manifestación del espíritu Ge. La investigación profundiza en la comprensión de la intencionalidad ritualista que subyace a los diversos propósitos de la máscara en la cultura Dan y las implicaciones de género que permean su funcionalidad.Cet article examine l\u27œuvre de Rotimi Fani-Kayode, Dan Mask (1989), afin de développer une réflexion sur la signification politique, culturelle et spirituelle de l\u27utilisation du masque Dan, ainsi que sur le caractère performatif qui définit l\u27ensemble de la manifestation de l\u27esprit Ge. Cette recherche approfondit la compréhension de l\u27intentionnalité rituelle qui sous-tend les diverses fonctions du masque dans la culture Dan et des implications de genre qui imprègnent sa fonctionnalité.O presente artigo debruça-se sobre o registro de Rotimi Fani-Kayode, Dan Mask (1989), de modo a elaborar um caminho investigativo acerca das significações políticas, culturais e espirituais do uso da máscara Dan, bem como o caráter performático que delineia toda a manifestação do espírito Ge. A pesquisa aprofunda a compreensão a respeito da intencionalidade ritualística nas diversas finalidades da máscara para a cultura Dan e das implicações de gênero que atravessam a sua funcionalidade
VOZES DE MULHERES NEGRAS DA AMAZÔNIA MARAJOARA: ESCREVIVÊNCIAS DO NARQ CAMPINA VILA UNIÃO
Nesse texto apresentamos uma reflexão coletiva de mulheres negras que compõem o Núcleo de Ação e Resistência Quilombola Campina Vila União (Narq), no município de Salvaterra, Marajó/Pará. Inspiradas no conceito de escrevivência de Conceição Evaristo, trazemos nossas vozes como uma forma de ação decolonial, para refletir sobre nossas trajetórias e as razões que nos mantêm na luta. Compreendemos a escrita como um ato político, um instrumento de fortalecimento e denúncia às opressões que afetam nossas vidas individuais e coletivas