Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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O PERCURSO DA LITERATURA ESPECIALIZADA DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES PARA AS RELAÇÕES RACIAIS (2004 – 2018)
O artigo discute os resultados dos estudos sobre a formação continuada de professores para as relações raciais e se origina de uma pesquisa doutoral. O objetivo é circunstanciar a literatura especializada da temática em publicações de livros e artigos qualis levantados no decorrer de 15 anos de promulgação da Lei n. 10.639/03. O aporte metodológico perpassa por uma abordagem qualitativa, estruturando-se por meio de algumas técnicas da Análise de Conteúdo, de Laurence Bardin (2016), no que corresponde à organização, codificação e tratamento dos trabalhos levantados. A leitura do objeto é orientada por meio das formulações teóricas de campo, habitus e campo científico em Bourdieu (1983, 2004); representação, em Chartier (1991, 2011), formação continuada de professores em Gatti (2008, 2010) e André et al (1999, 2002); formação de professores e relações raciais em Silva (2003), Gomes (2012, 2017) e Coelho (2005, 2018). Os resultados revelam uma ampla dimensão de estudos sobre a temática no período, com enfoque na atenção à necessidade de ampliação das estratégias de enfrentamento pedagógicos no campo da temática e nas ações encaminhadas pelas instituições escolares
AFROCENTRICIDADE E DECOLONIALIDADE NAS PRODUÇÕES ACADÊMICAS DO GEPEIF E GEPJUV: PEDAGOGIAS INSURGENTES NAS AMAZÔNIAS
Este artigo tem como foco a discussão de teses e dissertações que foram defendidas e desenvolvidas por dois grupos de estudo vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Pará (UFPA): o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação, Infâncias e Filosofias nas Amazônias (GEPEIF) e o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Juventude (GEPJUV). A pesquisa busca evidenciar como as perspectivas decoloniais e afrocêntricas têm sido aplicadas na produção acadêmica, problematizando o pensamento colonial e eurocêntrico que predominam no Ensino Superior e nas práticas educativas. Utilizou-se a decolonialidade e afrocentricidade como perspectivas teórico-metodológicas. Os estudos discutem temas como educação ribeirinha, pedagogias decoloniais, educação popular, cotas; LGBTQIA+, feminismo negro e etc. – temas que se relacionam entre gênero, raça e classe e os desafios enfrentados por comunidades tradicionais no contexto educacional. As conclusões apontam para a importância de integrar essas epistemologias ao debate acadêmico assim como caminhos para a transformação social e educativa nas regiões estudadas, bem como contribuições significativas para pensar pedagogias insurgentes no contexto amazônida
EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS, ADULTAS E IDOSAS NAS AMAZÔNIAS: UMA CONCEPÇÃO DECOLONIAL
Neste artigo, tematizamos a educação de pessoas jovens, adultas e idosas, tendo por lugar de enunciação as amazônias, a partir de uma concepção decolonial. Explicitamos os fundamentos de uma concepção de sujeitos-educandos-vítimas-em processo de libertação e algumas bases de uma concepção de educação de pessoas jovens, adultas e idosas, que leva em consideração a realidade sociocultural diversa das amazônias. Este artigo resulta de uma pesquisa bibliográfica, que contou com o referencial teórico de Paulo Freire, Enrique Dussel, entre outros. Entre os resultados, destacamos a promoção de uma discussão com foco primeiramente na materialidade dos sujeitos a quem se destina um dado processo educativo, a desenvolver um currículo crítico-intercultural, que valorize e reconheça as alteridades negadas pelo sistema-mundo moderno-colonial, assim como a apresentação de alguns parâmetros metodológicos para o desenvolvimento de práticas educativas com pessoas jovens, adultas e idosas, inclusive no contexto escolar. Concluímos afirmando que a produção de bases teóricas decoloniais sobre processos educativos, não é apenas necessário, mas sim um imperativo ético-material em vista da promoção de um humanismo transmoderno
UMA PROPOSTA DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO ENFRENTAMENTO DA BRANQUITUDE: TENSIONANDO O DEBATE SOBRE A DINÂMICA DAS RELAÇÕES RACIAIS
A proposição de uma educação antirracista voltada ao enfrentamento da branquitude como estrutura de poder e lugar de privilégios, indica a complexificação do debate sobre a dinâmica das relações raciais. Reconhecermos a branquitude, historicamente naturalizada como padrão, é também entender sua função sustentadora de violências e reprodutora práticas de exclusão. Nesse sentido, uma educação efetivamente antirracistas, é condição sine qua non para a erradicação do racismo estrutural, uma vez que se dispõe à desconstrução de narrativas hegemônicas e, por seu turno, a construção de políticas públicas comprometidas com a equidade racial. Em diálogo com autoras e autores problematizam a dimensão da branquitude e defendem a urgência de um letramento racial crítico que desloque o olhar para os efeitos desse lugar social, provocando a (re)configuração de cosmopercepções, notadamente, nas formas de ser, estar, ensino-aprendizagem e convivência societária e ambiental. Ao tensionar a dinâmica das relações raciais, pretende-se não apenas denunciar os mecanismos de produção e operação do racismo estrutural, mas também fomentar práticas emancipatórias que possibilitem a (trans)formação das subjetividades e das instituições educativas, apontando para um política nacional de educação antirracista
TERRITÓRIOS BIOCULTURAIS: CULTURA E NATUREZA COMO MATRIZES PEDAGÓGICAS NA LUTA POR JUSTIÇA CLIMÁTICA NA AMAZÔNIA
Abordamos o termo Territórios Bioculturais como instrumento teórico-metodológico que reinterpreta os vínculos entre cultura e natureza e visa fortalecer as lutas pedagógicas e ambientais pela Justiça Climática. As reflexões emergem das ações feitas na Rede CLIMATE-U da UFPA junto às lideranças dos movimentos sociais e às escolas ribeirinhas e quilombolas da Amazônia Tocantina. O objetivo foi debater, no âmbito educacional, sobre a colonialidade da natureza e os territórios bioculturais como forma de subversão e desobediência política, social e epistêmica à colonialidade da natureza e das mudanças climáticas. A metodologia se baseia na Pesquisa-Ação Participativa, que fundamentou a realização da pesquisa e a formação de professores, estudantes e lideranças dos movimentos sociais. Os resultados traduzem o avanço da colonialidade da natureza a partir de sistemas de produção de monoculturas nos territórios, mas também as formas de enfrentamento promovidas pela litigância climática a partir de um conjunto de representações éticas, políticas, pedagógicas e epistemológicas sobre a natureza e seus agroecossistemas alimentares. Mostra ainda a necessidade da produção de conhecimento pedagógico sobre o clima, mudanças climáticas e natureza, indica, ainda, a reinversão do currículo escolar e relaciona a justiça climática à construção de formas de proteção, cuidado e defesa da natureza, escolas e territórios nas Amazônias
INVENTÁRIO DE PLANTAS TINTÓREAS: UMA EXPERIÊNCIA ARTÍSTICA-PEDAGÓGICA-CIENTÍFICA NO ENSINO SUPERIOR
The purpose of this work was to identify, document, and experiment with artisanal dyeing processes through an inventory of plants with dyeing properties from the region of Guanajuato, Mexico. To this end, we used two dyeing methods on small samples of raw cotton: boiling and cold immersion.The practical research was carried out between April and July 2025 and included fieldwork to document, through photographs, some botanical species found in domestic spaces and in the vegetation of vacant lots around the city. In this text, we aim to share the experience of conducting practical workshops on artisanal dyeing aimed at University students. We identified ten plants with dyeing potential, although only four of them are presented here. We consider it necessary to expand the inventory of identified plants so far, including the possibility of exploring other varieties considered parasitic on some endemic species in the studied region.
El objetivo del trabajo consistió en identificar, documentar y experimentar procesos de teñido artesanal a través de un inventario de plantas con propiedades tintóreas de la región de Guanajuato, México. Para ello, utilizamos dos métodos de teñido con pequeñas muestras de algodón crudo: por ebullición y por inmersión en frío. La investigación práctica se llevó a cabo entre los meses de abril y julio del 2025, y abarcó trabajo de campo para documentar, mediante fotografías, algunas especies botánicas presentes en espacios domésticos y de la vegetación de lugares baldíos de la ciudad. En este texto, nos interesa relatar la experiencia con talleres prácticos de teñido artesanal dirigidos a estudiantes universitarios. Identificamos diez plantas con potencial tintóreo, aunque aquí se presentan solo cuatro de ellas. Consideramos necesaria la ampliación del inventario de plantas identificadas hasta el momento, incluyendo la posibilidad de explorar otras variedades consideradas parásitas de algunas especies endémicas de la región estudiada.
O objetivo do trabalho consistiu em identificar, documentar e experimentar processos de tingimento artesanal através de um inventário de plantas com propriedades tintórias da região de Guanajuato/México. Para isso, utilizamos dois métodos de tingimento com pequenas amostras de algodão cru: por ebulição e por imersão a frio. A pesquisa prática foi realizada entre os meses de abril e julho de 2025, incluindo trabalho de campo para documentar, por meio de fotografias, algumas espécies botânicas presentes nos espaços domésticos e na vegetação de terrenos baldios da cidade. Neste texto, nos interessa relatar a experiência com oficinas práticas de tingimento artesanal voltadas para estudantes universitários. Identificamos dez plantas com potencial de tingimento, embora aqui sejam apresentadas quatro delas. Consideramos necessária a ampliação do inventário de plantas identificadas até o momento, inclusive com a possibilidade de explorar outras variedades consideradas parasitas de algumas espécies endêmicas da região de estudo
POLÍTICAS DO FEITIÇO: APARIÇÃO COMO ARQUIVO DO SENSÍVEL
This article proposes the concept of apparition as a symbolic and sensitive technology that functions as a counter-spell to colonial regimes of visibility. Understood not as representation, but as insurgent presence, the apparition emerges as a gesture of interruption — a fabulation of the sensible that escapes the grammar of normativity. The theoretical framework draws from Mignolo’s concept of the coloniality of seeing, Pollak’s subterranean memory, and Glissant’s ethics of opacity, while also incorporating bell hooks’s reflections on alterity and desire. The method follows a critical and essayistic approach, interweaving analysis of contemporary artistic practices — including those of Rona Neves, Pitô, Mariana Maia, Castiel Vitorino, and Aïda Muluneh — with a performative and poetic-political writing. The research is anchored in embodied practices, ritualistic visualities, and non-hegemonic forms of knowledge, understanding the body as both archive and language. As a conclusion, apparition is framed as a disruptive movement that unsettles colonial classificatory logic, reactivating forbidden memories and subaltern knowledges. It operates as a counter-hegemonic force that evokes alternate temporalities, affects, and ways of existing. The article asserts the body as a site of enunciation and world-making — where the invisible acts and re-enchants the sensible scene.Este artículo tiene como objetivo proponer el concepto de aparición como una tecnología simbólica y sensible que actúa como contraconjuro frente a los regímenes coloniales de visibilidad. Entendida no como representación, sino como presencia insurgente, la aparición se manifiesta como interrupción, como fabulación de lo sensible que escapa a la gramática de la norma. El trabajo se fundamenta en un marco teórico que articula la colonialidad del ver (Mignolo), la memoria subterránea (Pollak) y la opacidad como ética (Glissant), integrando también reflexiones de bell hooks sobre alteridad y deseo. El método consiste en un enfoque crítico y ensayístico, que entrelaza el análisis de prácticas artísticas contemporáneas —como las de Rona Neves, Pitô, Mariana Maia, Castiel Vitorino y Aïda Muluneh— con una escritura performativa de naturaleza poético-política. La investigación se ancla en prácticas corporales, visualidades rituales y formas de conocimiento no hegemónicas, entendiendo el cuerpo como archivo y lenguaje. Como conclusión, se propone la aparición como un movimiento que desorganiza la lógica clasificatoria colonial, activando memorias negadas y saberes silenciosos. Opera como fuerza contrahegemónica que convoca otras temporalidades, afectos y modos de existir. El artículo afirma el cuerpo como lugar de enunciación y reinvención del mundo, donde lo invisible actúa y vuelve a encantar la escena sensible.Este artigo tem como objetivo propor o conceito de aparição como uma tecnologia simbólica e sensível que atua como contrafeitiço aos regimes coloniais de visibilidade. Entendida não como representação, mas como presença insurgente, a aparição se manifesta como gesto de interrupção, como fabulação do sensível que escapa à gramática da norma. O trabalho parte de um referencial teórico que articula a colonialidade do ver (Mignolo), a memória subterrânea (Pollak) e a opacidade como ética (Glissant), integrando também reflexões de bell hooks sobre alteridade e desejo. O método consiste em uma abordagem crítica e ensaística, que entrelaça análise de práticas artísticas contemporâneas — como as de Rona Neves, Pitô, Mariana Maia, Castiel Vitorino e Aïda Muluneh — a uma escritura performativa de natureza poético-política. A pesquisa se ancora em práticas corporais, visualidades ritualísticas e modos de saber não hegemônicos, entendendo o corpo como arquivo e linguagem. Como conclusão, a aparição é apresentada como um gesto que rasura a lógica classificatória colonial, acionando memórias interditadas e saberes subterrâneos. Ela atua como força contra-hegemônica que convoca outras temporalidades, afetos e formas de existir. O artigo afirma o corpo como lugar de enunciação e reinvenção do mundo, onde o invisível atua e reencanta a cena sensível.
 
OS PARTIDOS E AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2024 EM MATO GROSSO DO SUL: CONTINUIDADES, MUDANÇAS E RECONFIGURAÇÕES DO SISTEMA PARTIDÁRIO LOCAL
Este artigo analisa o desempenho dos partidos políticos nas eleições municipais do Mato Grosso do Sul (2020 e 2024), discutindo como a polarização, a digitalização e as crises contribuíram para a reconfiguração do sistema partidário local. Para tanto, analisa os partidos e o sistema político e partidário brasileiro, debatendo suas reconfigurações e dinâmicas recentes. Em seguida, debate o contexto eleitoral das eleições municipais de 2020 e 2024, destacando os efeitos da pandemia e das novas mídias nos processos eleitorais. Finalmente, discute, de forma comparada e a partir da perspectiva de Mair (partidos procedimentais) e Harari (casulos digitais), o desempenho eleitoral dos partidos nestas eleições demonstrando a reconfiguração do sistema partidário no estado com a ascensão do centrão, o crescimento da direita (PP/PL) e a persistência de desigualdades na representação
APRESENTAÇÃO DO DOSSIÊ: AFROCENTRICIDADE, ANCESTRALIDADE, ALTERIDADE E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PROMOÇÃO DE PEDAGOGIAS DECOLONIAIS
O presente texto apresenta o dossiê homônimo ao seu título. Surge de uma demanda por pesquisas a interseccionar temas presentes no cotidiano de povos e comunidades – inclusive as tradicionais – mas que são comumente negadas e invisibilizadas pelo modelo hegemônico de ciência, próprio do sistema-mundo moderno-colonial. A partir de um diverso leque de referencial teórico, o dossiê contribui de maneira original e potente na produção de uma ciência “outra” e reforça o surgimento e manutenção de pedagogias decoloniais. Em linhas gerais, apresentam temas teóricos a tratar de alteridade, democracia, concepções de educação e de avaliação, mas também traz consigo temas de educação indígena, educação antirracista, educomunicação, educação intercultural em contexto universitário, além de estudos de levantamento de produções científicas sobre afrocentricidade, formação de professores para as relações raciais e inclusão
REFLEXÕES CULTURAIS: RADICALIZANDO OS SENTIDOS A PARTIR DAS AMAZÔNIAS AMAPAENSES
Com a premissa de romper com os sentidos generalizantes que invisibilizam a pluralidade de identidades e culturas amazônidas, este trabalho tem como objetivo apresentar a narrativa visual da releitura da obra A Liberdade Guiando o Povo (1830), a partir de novas formas visuais de significação em diálogo com os povos amazônidas. A metodologia se fundamenta na análise da produção da imagem criada, em articulação com os debates coletivos entre os autores deste trabalho sobre Culturas e Educação. Confeccionada como identidade visual do III Colóquio da Linha de Pesquisa Educação, Culturas e Diversidades, do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Amapá (PPGED/UNIFAP), a releitura é construída com base em cinco categorias analíticas: Cultura e Educação (Eagleton, 2011; Repetto, 2019), Amazônia (Malheiro, 2023), Arte e Colonização do Imaginário (Akolo, 2010; Quijano, 1992), Cultura e Infância na Amazônia (Cohn, 2005; Kramer, 2007; Gusmão, 2012; Zilberman, 2012) e Cultura Queer na Amazônia (Louro, 2018; Miskolci, 2017; Bento, 2011; Butler, 2015; Foucault, 2019). Como desfecho, a imagem proposta convida o olhar do público a reconhecer as diferentes personagens que ilustram uma Amazônia plural, harmônica e resistente — corpos que, juntos, enfrentam os processos de descaracterização impostos pela cultura hegemônica e reafirmam seus modos de ser, viver e aprender no mundo