Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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HISTÓRIA E MEMÓRIAS DA DEMARCAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA ESTRADA BRAGANÇA-AJURUTEUA
RESUMO: Sob a metáfora do “milagre” econômico, o Brasil é o enfoque do contexto histórico do desenvolvimento da construção da rodovia PA-458, entre a cidade de Bragança/PA e a praia de Ajuruteua, litoral Amazônico. Além do ecossistema, a vida de indivíduos que vivem dos seus recursos naturais sofreu mudanças extremamente radicais por ocasião dessa estrada. O presente trabalho tem como objetivo analisar as memórias narrativas dos sujeitos envolvidos com o manguezal e compreender o processo histórico que demarcou a construção da rodovia, o que ocasionou mudanças no território e na vida dos moradores, pescadores e catadores de caranguejos. Para subsidiar as questões até aqui citadas, será usado como referencial teórico o trabalho de autores como Le Goff (1990), Chiavenato (1994), entre outros. Constatamos que o projeto de desenvolvimento dessa região litorânea foi pensado apenas na perspectiva turística, desconsiderando a preservação ambiental e todas as consequências desse descuido com os moradores locais. Apesar disso, os habitantes da área se adequaram a essa realidade, passando a ver a rodovia como um empreendimento favorável à sua vida social e econômica, uma vez que a pista facilitou o acesso de turistas à praia, o deslocamento dos moradores da praia até o centro da cidade, e vice-versa, o transporte de cargas e a distribuição da produção local
MIGRAÇÃO EDUCACIONAL: IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS NA VIDA DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS EM UMA CIDADE DO CENTRO SUL PIAUIENSE
Este estudo investiga os efeitos econômicos e sociais da migração educacional no município de Picos-PI, enfatizando as mudanças experimentadas por universitários que se deslocam para a cidade em busca de melhores oportunidades acadêmicas e profissionais. O objetivo central do estudo é entender as repercussões dessa migração, concentrando-se nas condições financeiras, emocionais e sociais enfrentadas pelos estudantes. A pesquisa foi desenvolvida por meio de uma abordagem quantitativa, utilizando questionários estruturados aplicados a uma amostra de 284 alunos em uma instituição de ensino superior em Picos –PI. Fundamentado em autores como Dota e Queiroz (2019), Netto Junior et al. (2017), Venturini (2022), Teixeira et al. (2008) e Oliveira e Silva (2022), o estudo aborda os desafios econômicos, emocionais e sociais enfrentados pelos estudantes migrantes. Os resultados apontam que os principais desafios financeiros enfrentados pelos migrantes incluem custos com transporte e moradia, enquanto a separação familiar e a adaptação cultural configuram obstáculos emocionais relevantes. Apesar desses desafios, a experiência migratória também proporciona oportunidades para o crescimento pessoal e profissional. O estudo ressalta a importância de Picos como um polo educacional regional, capaz de atrair estudantes oriundos de cidades vizinhas devido à sua infraestrutura e oferta diversificada de ensino superior. No entanto, os dados obtidos revelam a urgência de políticas públicas que ofereçam suporte aos estudantes, como programas de assistência financeira e apoio psicológico, visando atenuar as dificuldades encontradas e potencializar os benefícios da migração educacional. Conclui-se que, embora apresente desafios significativos, a migração educacional pode resultar em uma experiência valiosa tanto para os alunos quanto para o município receptor, contribuindo assim para o fortalecimento do papel de Picos como centro educacional e para o desenvolvimento sustentável da região
PERCEPÇÕES DO BEM-VIVER ENTRE BAIXADAS AMAZÔNIDAS: ESCREVIVÊNCIAS URBANAS DO REAL E DA SOLIDARIEDADE NAS RUAS, BECOS, BAIXADAS, PALAFITAS DA CIDADE
RESUMO: Compondo as escrevivências, essa traz a luz como o conceito de Bem-viver, inspirado no Sumak Kawsay indígena Kichwa, podem ser utilizados como movimento de esperança nas periferias urbanas amazônidas, especialmente nas baixadas de Belém e Ananindeua. Inspirados pela escrevivência de Conceição Evaristo, nossa perspectiva é transformar memórias e vivências locais em reflexão crítica sobre desigualdades históricas, socioespaciais e socioambientais. Essa escrita contextualiza a formação urbana de Belém e Ananindeua, marcada pela segregação entre centro e baixadas, ausência de políticas públicas, invasões, criminalidade, violência e precariedade de infraestrutura. Exemplos como as cidades e bairros em que crescemos, circulamos, vivemos e fomos acolhidos como: Ananindeua, Belém e Marajó. Águas Brancas, Icuí, Curuçambá, Guajará, PAAR, Tenoné, dentre outras, evidenciam como as ocupações populares se estruturaram em meio à exclusão social, violência e vulnerabilidades ambientais. A narrativa traz escrevivências que revelam nossos cotidianos de violência, desigualdade e precariedade, mas também as formas de resistência, solidariedade e cuidado coletivo que sustentam as comunidades. Relações de vizinhança, redes de apoio, práticas culturais e religiosas aparecem como elementos que mantêm vivo o Bem-viver, entendido não como utopia distante, mas como prática concreta de sobrevivência e dignidade em meio a adversidades. Por fim, o artigo defende que o Bem-viver nas Baixadas é um ato político e coletivo, expresso em práticas de solidariedade, cuidado comunitário e resistência frente à lógica capitalista e individualista. Mais do que um ideal, ele se constrói diariamente nos territórios periféricos, como estratégia de vida, pertencimento e enfrentamento das desigualdades.
 
ESCREVIVÊNCIAS LIVRES DE MULHERES AMAZÔNIDAS GERADORAS
O objetivo do artigo é compartilhar escrevivências sobre os nossos desafios para conciliar maternidade e pós-graduação, em contextos marcados por vulnerabilidades sociais e redes de apoio limitadas. Apresentamos relatos de cinco mulheres da Amazônia Legal, nascidas entre as décadas de 1980 e 1990 nas regiões norte e nordeste do Brasil. Nossas vivências estão contextualizadas em uma sociedade capitalista e produtivista, onde o corpo feminino é objetificado e a maternidade é idealizada e/ou reduzida a uma função reprodutiva, desconsiderando dores e angústias reais. Sendo mães na pós-graduação, enfrentamos julgamentos constantes e desafios atravessados por interseccionalidades de gênero, classe e raça. A metodologia incluiu revisão bibliográfica, encontros e diálogos entre as autoras e outras três mães na pós-graduação, e a narrativa de suas histórias seguindo a metodologia da escrevivência. A escrita, aqui, representa um ato político, um modo de resistir, de “sangrar” e gerar ideias e vida, apesar dos obstáculos acadêmicos. As narrativas revelam temas como privações, discriminação, violência doméstica, resistência e luta por educação. Os resultados deste artigo reforçam dados de pesquisas anteriores que apontam a hostilidade do ambiente acadêmico às alunas que são mães, causando solidão, incompreensão e danos à saúde mental. Concluímos defendendo a urgência de políticas públicas e mudanças institucionais, como a instalação de creches e brinquedotecas nas universidades, e auxílios financeiros, para permitir que mães estudem sem comprometer sua saúde ou os cuidados com seus filhos. Ao compartilharmos nossas experiências, buscamos inspirar outras mulheres e fortalecer a luta por uma universidade mais inclusiva e acolhedora às mães
MESTRA ARTESÃ DO QUILOMBO CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS ENSINA A TECER CAMINHOS DE RESISTÊNCIA: ENTREVISTA COM MARIA DE LOURDES DA SILVA, A LOURDINHA
Localizado em Salgueiro, no sertão de Pernambuco, o Quilombo de Conceição das Crioulas é uma comunidade fundada no início do século XIX por seis mulheres negras, as crioulas. O Quilombo tornou-se referência nacional, reconhecido por sua forte resistência e protagonismo feminino na luta por território, educação e preservação cultural. As crioulas teriam conquistado a posse de suas terras por meio do plantio e tecelagem do algodão. Maria de Lourdes da Silva, a Lourdinha, liderança local, professora e mestra artesã, coordena projetos como o “Mulheres Criadoras de Abelhas” e o “Pomares da Caatinga”, que integram saberes em prol da sustentabilidade ambiental. Em entrevista realizada durante o décimo Encontro de Desenvolvimento e Meio Ambiente (EDMA), promovida pelo PRODEMA-UFPE, Lourdinha destacou a importância da educação, da preservação do bioma caatinga, do replantio do algodão — símbolo cultural do quilombo — e da valorização dos saberes ancestrais. Ela reforçou a necessidade de respeito mútuo entre universidade e comunidades tradicionais, cobrando o retorno das pesquisas feitas nos territórios e reconhecimento das conquistas obtidas por meio da luta coletiva
DIFICULTADES DE LA COMPETENCIA COMUNICATIVA ORAL EN EL APRENDIZAJE DE ITALIANO COMO LENGUA EXTRANJERA
Una de las principales preocupaciones en el estudio de las lenguas extranjeras es la falta de habilidad oral para expresarse en la lengua meta, esto en el mejor de los casos, pero en el peor panorama, la inhabilidad o dificultades para poder gestionar una competencia comunicativa eficaz en una lengua extranjera. Para el profesor de lenguas, eso representa un reto a investigar y tratar, pues debe buscar en los procesos del habla y del lenguaje que subyacen en el aprendizaje, que puedan responder a las interrogantes del desarrollo de la expresión oral con un enfoque didáctico y terapéutico (Romero, 2006). La reeducación de las dificultades del lenguaje (logopedia) y los procesos de aprendizaje lingüístico, tienen como propósito central el modificar el comportamiento lingüístico de los individuos en estas áreas del habla, la actuación (performance) y la dimensión comunicativa del lenguaje. La convergencia entre la reeducación del proceso del lenguaje y el aprendizaje lingüístico ponen de manifiesto la necesidad de un trabajo colaborativo y de intervención desde perspectivas distintas que desemboquen en la reeducación y mejora de la habilidad de la competencia comunicativa oral, en un marco de interacción que puede ser beneficiosa para la práctica de todos los involucrados
AS POLÍTICAS CURRICULARES PARA A EJA: O CENÁRIO DAS DIRETRIZES CURRICULARES ESTADUAIS DA EJA/ENSINO MÉDIO NO AMAPÁ
Este artigo resulta de pesquisa desenvolvida no curso de mestrado em Educação na linha de Políticas Educacionais. O estudo teve como tema central a análise das Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação de Jovens e Adultos (DCN/EJA) e buscou investigar suas tendências e implicações na organização curricular da EJA/Ensino Médio no Estado do Amapá de 2000 a 2025, discutindo a operacionalidade das diretrizes, em articulação com as políticas para a educação dos jovens e adultos trabalhadores. O objetivo foi responder à questão central: Quais tendências e orientações estiveram presentes nas DCN/EJA e suas implicações na organização curricular da EJA/Ensino Médio no Estado do Amapá a partir de 2000? Os resultados indicam que no Estado do Amapá, apesar do acesso à EJA/Ensino Médio tenha sido mantido como direito do estudante trabalhador amapaense, em 25 anos a modalidade segue sendo marginalizada pelas políticas Estaduais, configurada pela ausência de diretrizes curriculares próprias pautadas nas especificidades da EJA amapaense
BRASIL E CHINA: INTERAÇÕES ENTRE O LOCAL E GLOBAL : O FLUXO DE COMMODITIES DO PORTO DE ITAQUI-MA
Neste artigo, analisa-se a dinâmica do fluxo comercial de commodities entre Brasil e China via Complexo Portuário do Itaqui, no Maranhão e, a relação entre o global e o local face reorganização mundial dos espaços produtivos influenciada pela presença da China no comércio internacional contemporaneamente. Concluímos que essa interação reforça a posição do Brasil como país exportador, sem, no entanto, significar desenvolvimento social para o estado
EDUCOMUNICAÇÃO NA AMAZÔNIA AMAPAENSE: ESCOLA, TERRITÓRIO E CULTURA DIGITAL
Este artigo tem como objetivo compreender como o uso de Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no ensino, tendo a educomunicação como eixo estruturante, pode favorecer a valorização da identidade cultural e territorial da Amazônia amapaense e desenvolver competências comunicativas, críticas e socioambientais. A investigação foi realizada na Escola Estadual Barão do Rio Branco, localizada em Macapá (AP), na Amazônia oriental, e adotou a pesquisa colaborativa em abordagem qualitativa. O estudo concentrou-se em uma prática de ensino de produção textual, conduzida pelo professor em parceria com acadêmicos de um projeto de extensão universitária, na qual especialmente o Google Maps e o Canva atuaram como impulsionadores da elaboração do gênero crônica por 35 estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental. As principais técnicas utilizadas foram a observação direta e a entrevista semiestruturada com o docente. Os resultados indicam que a prática gerou maior engajamento dos estudantes, ampliou seus conhecimentos sobre o território e a cultura amapaense, e estimulou o protagonismo e o trabalho colaborativo, confirmando que as TDICs podem fortalecer o vínculo entre escola, cultura digital e realidade local
O CORPO EM PERFORMANCE: A NATUREZA PARA A CONEXÃO COM O COSMOS
O presente artigo analisa duas performances realizadas pela autora - A Cura da Terra (2022) e A Jardineira (2022) - que exploram a relação entre os seres humanos e o cosmos em sua dimensão espiritual. Em ambas, a interação com a natureza constitui o eixo central, possibilitando o encontro com instâncias simbólicas e metafísicas e atuando como mediação fundamental para o estabelecimento dessa conexão espiritual. A natureza, nesse contexto, configura-se como elemento de reconexão, escuta e transformação. A reflexão fundamenta-se na discussão do conceito de “natureza” à luz dos pensamentos de Ailton Krenak, Walter Mignolo, Eduardo Viveiros de Castro e Eduardo Gudynas, com ênfase na crítica ao paradigma moderno que separa seres humanos da natureza, reduzindo-a a “recurso natural” ou “capital natural”. Busca-se, assim, propor uma compreensão mais integrada e interdependente entre corpo, território e espiritualidade. As performances, concebidas como práticas artísticas processuais, operam como experiências de reconexão, nas quais corpo e natureza se apresentam como elementos indissociáveis. Dessa maneira, a investigação articula arte e pensamento decolonial, aproximando-se às cosmologias não ocidentais, a partir da ação do corpo da artista em performance