Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
Not a member yet
810 research outputs found
Sort by
POR QUE EPISTEMOLOGIAS FEMINISTAS?
A conversa das editoras sobre a necessidade de fomentar a pesquisa em epistemologia feminista no Brasil foi iniciada no curso de curta duração “A formação de uma filosofia feminista” ministrado pela professora Dra. Ilze Zirbel na Universidade Federal do Paraná (UFPR), nos dias 05 e 06 de outubro de 2019, a convite do Núcleo de Estudos da Cultura Técnica e Científica – NECTEC/UFPR. No mesmo período, Dr. Pablo Rubén Mariconda ministrou o curso “Modelo da interação entre as atividades científicas e os valores”, nos dias 13 e 14 de novembro de 2019. Estes professores representaram a epistemologia, respectivamente, a partir do feminismo e da ciência e da tecnologia. Assim, uma justificativa para este dossiê de epistemologias feministas pode ser identificada na busca por alternativas, nos âmbitos teórico e prático, daquilo que poderíamos denominar “epistemologias plurais”. Esta expressão, no entanto, não é a única que representa alternativas no contexto brasileiro. Há que se recordar da exitosa coleção “Feminismos Plurais”, coordenado por Djamila Ribeiro, que contribui de modo decisivo para o fomento de um novo vocabulário, que nos permite comunicar a experiência das mulheres, dos homens e de todos que, direta e indiretamente, são afetados pelo patriarcado, que marca nossos modos de pensar, de sentir e de agir. Porém, se esta justificativa para o dossiê sobre epistemologias feministas parecer demasiadamente abstrata por manter-se no nível da linguagem, outra justificativa pode emergir a partir de uma breve pesquisa na Plataforma Sucupira em que, nas áreas de conhecimento das ciências humanas, a Filosofia apresenta: História da Filosofia, Metafísica, Lógica, Ética, Epistemologia e Filosofia Brasileira. Há que se questionar, assim, o motivo de associarmos epistemologia ao feminismo, e, ademais, utilizando tais termos no plural. Embora a epistemologia esteja profundamente engajada na investigação da produção do conhecimento por intermédio dos métodos diversos, visando à produção de conhecimento objetivo, o estudo filosófico demonstra que os campos de conhecimento envolvem também relações de poder, algo investigado pela Filosofia, pela Sociologia, entre outras áreas das ciências humanas e sociais
AS “MIGALHAS” DO CRÉDITO RURAL: UMA ANÁLISE DO ACESSO E A DISTRIBUIÇÃO DO PRONAF JOVEM
O objetivo do estudo se constitui em analisar a distribuição da linha definanciamento do PRONAF Jovem entre 2013 e 2020 no país. O PRONAF Jovem é umapolítica pública inovadora ao se propor incluir agricultores(as) de até 29 anos aofinanciamento rural. Em termos metodológicos, incialmente realizou-se a revisão daliteratura quanto ao estabelecimento do programa até a criação do PRONAF Jovem em2003. Os dados relacionados ao crédito rural foram consultados junto ao Banco Centraldo Brasil e deflacionados os valores financeiros para ano base de 2020. Os resultadosdemonstram desempenho insatisfatório no período analisado, no que se refere àcobertura geográfica, número de contratos e volume de recursos acessados. As principais conclusões são a falta de conhecimento por parte dos jovens agricultores e as barreiras estruturais do sistema bancário que opera com o PRONAF no Brasil
IDENTIDADE E REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA QUILOMBOLA
Esse artigo versa sobre a construção da identidade quilombola na história doBrasil, partindo dos estudos desenvolvidos acerca de raça e etnia. Ainda, discute oalcance da identidade quilombola, enquanto forma de garantia de direitos, citando como exemplo um estudo de caso realizado no Estado do Tocantins. Importante mencionar que a renovação historiográfica, na antropologia, contribuiu para a ressignificação do termo quilombo e refletiu na construção dos direitos dos “remanescentes” que hoje se fazem presentes na Constituição Federal de 1988. No campo dos estudos étnicos, a reformulação se iniciou nas décadas de 1960 e 1970, já quanto aos estudos raciais, os contornos se deram antes da década de 1930. Para a realização deste artigo foram utilizadas: pesquisas bibliográficas; análises documentais (referentes aos processos jurídicos e administrativos); e a história oral do estudo de caso apresentado através de entrevistas semiestruturadas. O objetivo central é demonstrar a construção da identidade quilombola, que, vai além da identidade racial e étnica, podendo até ser considerada uma junção das duas. E, assim, evidenciar os efeitos advindos da ressignificação e apropriação do termo quilombo, pelo próprio quilombo, na esfera jurídica
O ESTADO DA ARTE DA PESQUISA EM EDUCAÇÃO PARA AS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
O presente artigo tem como objetivo analisar os trabalhos produzidos sobre a temática étnico-racial no Ensino de Ciências da Natureza, desde 2003 até o atual período (2020), dialogando com Munanga (2012; 2010), Gomes (2010; 2005), Candau (2008), Hall (2003; 2002) e a teoria do multiculturalismo crítico. As bases de dados utilizadas foram o Portal da Capes, Scielo, Scopus, Redalyc e Base Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), utilizando os descritores: “étnico-racial(is)”, “ensino”, “ciências” e suas variações. Foram encontrados doze trabalhos específicos na área pesquisada. Em sua maioria, são trabalhos recentes (2015-2019), categorizados pelo foco investigativo em: “Ações afirmativas”, “Diálogos teóricos”, “Ensino e Aprendizagem” e “Formação de Professores”. Os trabalhos expressam discussões críticas e diversas acerca da identidade negra, através das representações nos livros didáticos e dos conhecimentos de matriz africana e afrobrasileira. Os artigos relatam experiências em diferentes áreas do conhecimento como Astronomia, Química e Evolução, em uma perspectiva multicultural crítica, que reconhece e valoriza a cultura negra
"A CIDADE DOS RICOS E A CIDADE DOS POBRES”, DE BERNARDO SECCHI
Resenha de: SECCHI, Bernardo. A cidade dos ricos e a cidade dos pobres. BeloHorizonte: Editora Âyiné, 2020. 97 p. [recurso eletrônico
A TRADIÇÃO DE INVESTIGAÇAÕ EM EDUCAÇÃO NO BRASIL E OS ESTUDOS COMPARATIVOS
A partir da análise do desenvolvimento histórico da investigação em educação no Brasil, neste artigo demonstra-se como esta remete-se a um conjunto de situações, processos e políticas resultantes de uma prática social e, portanto, está intimamente associada a relações sociais historicamente determinadas. Por outra parte, assinala-se que este tipo de investigação requer diferentes abordagens disciplinares, teóricas e metodológicas, colocando-se ênfase nos estudos comparativos. A partir de uma consideração geral sobre a comparação, sua estrutura lógica e seu papel na ciência se sustenta que, ainda quando se rechace o significado restritivo da comparação como método, existe certo consenso em torno da especificidade dos estudos comparativos nas Ciências Sociais. E, em relação com eles, aborda-se dois tipos específicos de estudos comparativos que tiveram relevância para a investigação educativa no Brasil e América Latina: os estudos cross-national e os estudos sócio-históricos
O QUE É LUGAR DE FALA?
Djamila Taís Ribeiro dos Santos é graduada em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre em filosofia política pela Universidade Federal de São Paulo e autora dos livros: “Lugar de fala” (2017), “Quem tem medo do feminismo negro” (2018) e “Manual antirracista” (2019). Além disso, Djamila Ribeiro é fundadora da coleção feminismos plurais, cuja inauguração se deu com o lançamento do livro lugar de fala, ao qual dedicamos esta resenha
ENTRE A CONTINUIDADE E A RENOVAÇÃO: REELEIÇAO, REPRESENTAÇÃO E RENOVAÇÃO POLÍTICA ENTRE OS PARLAMENTARES DO MATO GROSSO DO SUL (1990-2018)
O presente trabalho discute os índices de reeleição e renovação política entre os senadores, deputados estaduais e federais de Mato Grosso do Sul, considerando os resultados eleitorais entre 1990 e 2018. Para isto, desenvolve uma análise bibliográfica do tema, discutindo os principais elementos relacionados a reeleição, reapresentação de candidaturas e renovação política, considerando como tal mecanismo se insere no sistema político, partidário e eleitoral brasileiro, relacionando-o ao sistema proporcional de lista aberta, a importância do poder executivo nas estratégias eleitorais e ao desenvolvimento das carreiras políticas. Em seguida, apresenta e analisa, a partir dos resultados eleitorais do estado, os índices de reeleição, reapresentação e renovação das bancadas mencionadas, demonstrando que é relativamente elevado o índice de reeleição no estado, indicando menor renovação política e seus efeitos no sistema político e partidário local
UNIVERSIDADE Á LA GAUCHE: ANÁLISE DAS POLÍTICAS DITATORIAIS PARA O ENSINO SUPERIOR NAS PÁGINAS DA REVISTA ENCONTROS COM A CIVILIZAÇÃO BRASILEIRA (1978-1982)
Este texto aborda as análises dos intelectuais de esquerda acerca das políticas da Ditadura empresarial-militar para o ensino superior brasileiro. Foram objeto de escrutínio textos publicados na revista Encontros com a Civilização Brasileira (ECB), entre os anos de 1978 e 1982. Esse trabalho nos permitiu reconhecer dois principais eixos temáticos: as perseguições a professores e estudantes identificados pelos agentes do regime ditatorial como ideologicamente alinhados ao comunismo; e as diretrizes da reforma universitária do final de 1968. O estudo desses eixos nos permite inferir que, para os autores de esquerda que publicavam na ECB, as políticas da Ditadura para as universidades criaram grandes obstáculos à prática intelectual, uma vez que esta era identificada como o livre exercício da crítica. É possível igualmente concluir que para alguns deles o contexto de reabertura gradual do regime impunha o desafio de se remover tais obstáculos em benefício da democracia
POR UMA LINGUÍSTICA APLICADA CRÍTICA: A COLONIALIDADE DO PODER, SER E SABER COMO EMPECILHOS NA FORMAÇÃO DOCENTE
Abstract
This theoretical-reflective study, developed from the perspective of Critical Applied Linguistics (CAL), analyzes how the colonialities of power, being, and knowledge are configured as structural obstacles in teacher training. Using qualitative methodology and bibliographic review, the research investigated: How can CAL impact the training of language teachers? How does decolonial pedagogy influence critical teacher training? To this end, it was theoretically grounded in Pennycook (2001), Moita Lopes (2006), and in the decolonial studies of the Latin American Modernity/Coloniality Group, from Quijano (2005), Mignolo (2004, 2008), Walsh (2005, 2009), and Maldonado-Torres (2007, 2018). As a result, it becomes evident that Critical Applied Linguistics (CAL) offers a critical-reflective perspective that transcends technical and linguistic analyses, while decolonial pedagogy presents itself as a political-philosophical project capable of unveiling colonial mechanisms in teacher training, allowing for the recognition of epistemic diversities and the re-signification of pedagogical practices.
Key words: Critical Applied Linguistics, Coloniality of power, being and knowing, Decolonial pedagogy, Teacher training. Resumo
Este estudo teórico-reflexivo, desenvolvido sob perspectiva da Linguística Aplicada Crítica (LAC), analisa como as colonialidades do poder, ser e saber se configuram como empecilhos estruturais na formação docente. Utilizando a metodologia qualitativa e revisão bibliográfica, a pesquisa investigou: Como a LAC pode impactar a formação de professores de línguas (gem)? De que modo a pedagogia decolonial influencia a formação crítica docente? Para tanto, fundamentou-se teoricamente em Pennycook (2001), Moita Lopes (2006) e nos estudos decoloniais do Grupo Latino-Americano Modernidade⁄ Colonialidade, desde Quijano (2005), Mignolo (2004, 2008), Walsh (2005, 2009), Maldonado-Torres (2007, 2018). Como resultado, evidencia-se que a LAC oferece uma perspectiva crítico-reflexiva que transcende análises técnicas e linguísticas, enquanto a pedagogia decolonial se apresenta como projeto político-filosófico capaz de desvelar mecanismos coloniais na formação docente, permitindo o reconhecimento de diversidades epistêmicas e a ressignificação das práticas pedagógicas.
Palavras-chave: Linguística Aplicada Crítica, Colonialidade do poder, ser e saber, Pedagogia decolonial, Formação de professores⁄as