Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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A OBSERVAÇÃO-PARTICIPANTE NA METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO DA POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL
O artigo aponta resultados da Política de Assistência Social da cidade de São Paulo. Contudo, chega-se à compreensão de que o serviço de atendimento socioassistencial não atende necessariamente as demandas de seu público-beneficiário, uma vez implementado “de cima para baixo”, isto é, decidido pela esfera política e a implementação é mero esforço administrativo. A análise acontece a partir da Tenda Bela Vista, equipamento localizado no centro de São Paulo, e que se destina ao atendimento da população em situação de rua. E um dos procedimentos metodológicos para se avaliar o serviço é através da observação-participante, um processo em que demonstra estabelecer um relacionamento multilateral diante dos problemas da política pública. Ademais, o artigo é amparado por bibliografias das ciências sociais e das políticas públicas, em especial à Política de Assistência Social do Brasil
CONSTRUINDO SENTIDOS EM UMA AULA DE LÍNGUA INGLESA A PARTIR DE UM MATERIAL DIDÁTICO AUTÊNTICO CRÍTICO-DECOLONIAL SOBRE A TEMÁTICA INDÍGENA
Trabalhar de uma forma crítico-decolonial em sala de aula consiste, dentre outros, em oportunizar condições aos estudantes para que construam, desconstruam e reconstruam o próprio conhecimento a partir de reflexões, trocas de ideias e experiências entre seus pares. Este artigo tem dois objetivos: 1) apresentar a utilização de um material didático autêntico crítico-decolonial com enfoque na questão indígena utilizado em uma aula de língua inglesa em uma turma de segundo ano do ensino médio; 2) analisar como os/as estudantes construíram sentidos ao longo das discussões propostas a partir do referido material didático. Para tanto, a pesquisa foi conduzida à luz das teorias do letramento crítico e da decolonialidade. Em relação ao primeiro objetivo, o artigo expõe como a aula proposta por meio do material didático autêntico cumpre com os requisitos apresentados por Leffa (2019) quanto à sua estrutura: A) análise, B) desenvolvimento, C) implementação e D) avaliação. Quanto ao segundo objetivo, uma vez aplicada a aula a partir do material didático autêntico, o artigo busca apontar como, em sua maioria, os/as estudantes demonstraram um conhecimento e uma postura que pode ser considerada decolonial, uma vez que eles/elas foram capazes de elaborar estratégias discursivas que atribuíram visibilidade aos invisibilizados e apresentaram uma construção discursiva decolonial sobre a relação dos povos originários com a natureza e com a terra
DESVELARES FEMINIS: DESAFIO, RESISTÊNCIA E RESIDUALIDADE EM METADE CARA, METADE MÁSCARA, DE ELIANE POTIGUARA
O presente estudo busca no livro Metade Cara, Metade Máscara (2019), de Eliane Potiguara - marco inaugural de publicações de obras literárias por mulheres indígenas no contexto brasileiro - o aprofundamento e abrangência na temática dos povos originários na literatura. Essa obra desvela um leque diversificado de abordagens acerca do eu coletivo indígena, que rememora, descreve e poetiza as experiências ancestrais e as lutas dos povos originários. O cerne da narrativa concentra-se na intrincada relação entre a mulher indígena, o meio ambiente e o domínio do sagrado. O escopo do presente estudo visa investigar essa intrincada relação, com o propósito de compreender outras dimensões subjetivas e formas de existência, ao mesmo tempo em que, por meio da ótica perspicaz de Eliane Potiguara, desvela-se as múltiplas facetas residuais da modernidade que obstaculizam a preservação da alteridade indígena. A realização deste estudo conta com a interação entre a obra de Eliane Potiguara e pensamentos de estudiosos e teóricos como Julie Dorrico (2019), Graça Graúna (2012), Franz Fanon (2008), Roberto Pontes (2006) e outros estudiosos visitados no percurso da produção
DAS CONFLUÊNCIAS ENTRE A ELEGIA ERÓTICA ROMANA E A CANTIGA DE AMOR TROVADORESCA
O presente trabalho, de perspectiva comparatista, tem como fundamento principal o cotejo e análise de dois gêneros lírico-amorosos de escopos temporais distintos: trata-se da elegia erótica latina, gênero poético produzido na Antiguidade clássica romana (século I a.C.), e da cantiga amorosa trovadoresca, gênero lírico produzido na Baixa Idade Média (entre os séculos XII e XIV). Assim, objetiva-se, no presente artigo, apontar e avaliar as similaridades tópicas (tanto temáticas quanto estilísticas) entre os referidos gêneros líricos, de modo a evidenciar as possíveis influências e contribuições exercidas pela literatura da Antiguidade latina na configuração do lirismo-amoroso medieval, notadamente a partir daquelas praticadas pela produção poética dos mais expressivos elegíacos latinos – Catulo, Propércio, Tibulo e Ovídio – na constituição do lirismo trovadoresco galego-português. Com isso, quer-se mostrar e analisar a possível existência de uma residualidade transformadora pela qual passou a elegia erótica latina na configuração do lirismo-amoroso trovadoresco, bem como explicar as prováveis causas para a existência desse viés residual no campo da lírica-amorosa entre a Antiguidade romana e a Baixa Idade Média Ocidental, quadrantes temporais considerados sempre como antagônicos e díspares
A LENDA DA IARA: UMA ANÁLISE RESIDUAL DA PRESENÇA DA NARRATIVA NA LITERATURA BRASILEIRA
Apresentada como um símbolo da identidade nacional pelos escritores românticos, a Iara é, de acordo com Basílio de Magalhães (1939), a escolha temática favorita de diversos autores, depois do Saci, a exemplo de Melo Morais Filho, José de Alencar, Olavo Bilac, Machado de Assis, Carlos Maul, Hildebrando Magalhães, G. Furtado Bandeira e entre outros. Essa ampla diversidade de adaptações da narrativa permitiu que, neste presente trabalho, fosse possível investigar os registros da Iara em suas diversas faces e compreender a sua natureza, as diversas abordagens da narrativa ao longo do tempo e, por fim, o papel da Iara na literatura brasileira. Dito isso, o problema deste trabalho é, de fato, investigar a presença da Iara na literatura, mas também abrir espaço para uma discussão acerca do conceito de hibridação cultural, tão presente na formação da cultura brasileira, e manifestado em especial na literatura. Para auxiliar esta análise e embasar as discussões aqui propostas, esta pesquisa fundamenta-se na teoria da Residualidade Literária e Cultural de Roberto Pontes (2006, 2017), e também busca associar algumas das principais referências nos estudos de folclore e literatura oral
O UNIENEM e a juventude negra no Amapá: Um estudo sobre experiências, expectativas e resistências no acesso à UNIFAP
Este artigo analisa as experiências, expectativas e resistências de jovens negros que estudaram no cursinho pré-vestibular social UNIENEM da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) entre 2016 e 2019. Através de uma abordagem qualitativa, com entrevistas semiestruturadas, investiga-se a importância do UNIENEM na trajetória desses jovens, em especial no que tange ao acesso ao ensino superior. O estudo contextualiza o surgimento dos pré-vestibulares sociais no Brasil, discute as desigualdades sociais e raciais no país e na educação, e aborda a implementação da Lei de Cotas e suas implicações na UNIFAP. Os resultados apontam que o UNIENEM é percebido como uma ferramenta crucial para a inclusão de jovens negros na universidade, atuando como um espaço de formação acadêmica, construção de identidade racial e fortalecimento de redes de solidariedade
CUIDADOS PALIATIVOS E PANDEMIA DA COVID-19 NA REALIDADE BRASILEIRA E INGLESA: CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO MÉDICA
A atual pandemia da COVID-19 ressaltou a fragilidade da estrutura emergencial vigente no mundo em relação aos cuidados em fim de vida. Esse novo cenário clínico deixou explícito a necessidade de se adotar formas não convencionais no manejo do paciente com doença incurável. Países que fomentaram marcos históricos relevantes na aplicação do cuidado integral tanto no processo saúde-doença quanto no luto, foram mais céleres no planejamento e discussão de normas para o enfrentamento do novo coronavírus. No entanto, o avanço em instituir os cuidados totais nos serviços de saúde nacional ainda encontra desafios incapacitantes como a desarticulação da formação médica com a prática clínica, a escassez de recursos e a falta de ações integradas entre os membros da equipe médica que vão prestar o apoio ao paciente acometido por doenças avançadas. Em vista disso, objetivou-se compreender o cenário dos Cuidados Paliativos na pandemia atual, levando em consideração a realidade brasileira em comparação com as medidas tomadas pelo Reino Unido e o que esses entendimentos podem contribuir para a formação médica futura. Para tanto, foi realizada uma revisão documental de publicações vinculadas ao Serviço Nacional de Saúde e Instituições parceiras do Reino Unido, bem como documentos divulgados pelo Ministério da Saúde, Academia Nacional de Cuidados Paliativos e Conselho Federal de Medicina, no Brasil. Nesse sentido, tendo o Reino Unido como um modelo pioneiro, as informações obtidas apontaram necessidades de melhorias no Brasil a respeito da qualidade dos Cuidados Paliativos, com enfoque na abordagem integral e ampliada. Portanto, revela apontamentos necessários para uma formação médica que considere o conhecimento técnico, humanístico e integral em Cuidados Paliativos. Palavras-chave: Morte; Educação Médica; Cuidados Paliativos
ARQUÉTIPO CIVILIZACIONAL: UMA DISCUSSÃO SOBRE RAÇA E HERANÇAS SOCIAIS NO MEIO RURAL POPULISTA
O presente artigo apresenta reflexões sobre raça e os caminhos da modernização econômica no meio rural paulista. Modelos e projetos civilizatórios foram oferecidos no sentido de chegar a um arquétipo de nação como proposta sobre o sentido do uso e costume da terra e o lugar reservado ao negro no imaginário paulista ao longo do século XX. Efetivou-se uma breve contextualização para compreender tais transformações, caminhando entre as leituras de obras literárias, como “Urupês” de Monteiro Lobato e trabalhos científicos para compreender as representações no diz respeito à naturalização, as heranças sociais e econômicas da condição rural, modernização, globalização econômica e atuação de cooperativas em bairros rurais atualmente
“ENTRELAÇADAS, JUNTAS E MISTURADAS!”: A UTILIZAÇÃO DO MAPA DA REDE SOCIAL EM PESQUISAS QUALITATIVAS COM DOMÉSTICAS MIGRANTES
As pesquisas sobre migração e gênero concentram-se, principalmente, nas modificações e nos desdobramentos nos modos de vida, das mulheres nos seus lugares de origem e destino. Já a metodologia, no caminho percorrido para chegar aos resultados, quase não é abordado em sua especificidade. Este artigo propôs uma abordagem construcionista para a compreensão do papel das redes sociaispré-estabelecidas, de caráter formal ou informal e de como estas redes operam nos processos da integração das domésticas migrantes. Apresentam-se aqui os resultados do estudo qualitativo junto a um grupo de domésticas, composto por mulheres do norte de Minas Gerais. O desenho metodológico segue uma combinação de instrumentos de pesquisa, com destaque, para o Mapa da Rede Social. O estudo das narrativas explora as dimensões da vida e do trabalho ancorada na Análise de Conteúdo. Os resultados dapesquisa permitem identificar as relações que se estabelecem em torno das redes sociais pessoais significativas das domésticas migrantes, a configuração familiar e a centralidade do trabalho doméstico, quando positivas contribuem para manter o capital migratório e obter sucesso almejado pela mulher que migra. O mapa da rede social revelou-se um desafio para a compreensão sociológica, sendo necessário cruzá-lo com entrevistas em profundidades e outras técnicas metodológicas utilizadas na oficina
Qual o espaço dos indígenas na escola brasileira? : Leis federativas 10.639/2003 e 11.645/2008
O resumo busca apresentar a relevância da escola do indígena por meio de um levantamento das escolas indígenas no Brasil, no período de 2007 a 2022, com base em dados do INEP — Censo Escolar da Educação Básica —, bem como os espaços conquistados pela população indígena na educação brasileira por meio de legislações que asseguram, nos currículos oficiais de ensino, a temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Isso ocorreu mesmo após cinco anos da promulgação da Lei 10.639, de 2003, que estabelecia apenas a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", deixando a temática indígena novamente fora do espaço escolar em um país pluriétnico e plurilíngue. Dessa forma, o caminho para chegar ao quantitativo de escolas indígenas – um lugar almejado e necessário - foi a seguinte categorização de dados: localidade da escola, total geral no país e por região (urbana e rural) e totalidade de cada dependência administrativa (federal, estadual, municipal e privada) no Estado por regiões federativas. Os dados apontam um crescente número de escolas indígena e matrículas, considerando um total geral (no que diz respeito a escolas localizadas em zona urbana e zona rural) de 2.550 escolas e 208.205 matrículas em 2007, alcançando em 2022 uma totalidade de 3.597 escolas e de 300.658 matrículas nas cinco (5) regiões brasileiras, nomeadas de Escolas Indígenas no âmbito da Educação Básica no Brasil pelo INEP