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ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NO CONTEXTO AMAZONENSE
O processo de Alfabetização e Letramento, por ser um momento de descoberta, de leitura do mundo, deve ser prazeroso e dinâmico, dando à criança a oportunidade de expressar seu contexto de vivência e fantasia. Nesse sentido é que a literatura infantil assume papel fundante no processo de aquisição da leitura e da escrita de crianças. Esta pesquisa objetiva investigar a prática docente no processo de Alfabetização e Letramento de crianças com a mediação da literatura infantil. Esta pesquisa caracteriza-se como qualitativa e foi realizada em uma escola pública de Parintins, Amazonas, Brasil, cujos participantes são estudantes em processo de Alfabetização e Letramento (1º e 2ºano) do Ensino Fundamental e sua respectiva professora. A produção de dados foi realizada por meio da observação participante, entrevista informal e oficinas realizadas com as crianças. Os dados revelam que a prática de Alfabetização e Letramento da professora está assentada somente no processo de Alfabetização, faceta linguística, ler e escrever. Embora utilize a literatura infantil nos momentos de leituras para as crianças, não lhe é atribuído sentido pedagógico. É fundamental que a literatura infantil se faça visível na escola e na vida dos alunos, pois é um mecanismo de grande valia para que a criança se reconheça como ser humano detentor da capacidade de aprender e repassar conhecimento, seja capaz de compreender o mundo com uma visão generalista e também adquira as habilidades de leitura e escrita no processo de Alfabetização e Letramento
ESTUDO DE CASO NA INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO
Como o título sugere, a obra O estudo de caso na investigação em educação é uma construção que se apresenta para que possamos analisar realidades educativas de forma mais circunscrita e mais holística, aprofundar a compreensão dos contextos e práticas daqueles que pensam e fazem educação, podendo-se constituir como caminho que se abre para a necessária reestruturação e desenvolvimento das escolas, contribuindo tanto para a melhoria da qualidade dos processos educativos, quanto para o asseguramento de melhores capacidades de resposta aos imperativos de qualidade que emanam dos desafios e incertezas dos tempos que pululam
ANÁLISE DO DISCURSO CRÍTICA DE KAREN BACHINI E REFLEXÕES SOBRE A FORMAÇÃO DE PROFESSORES A PARTIR DO MERCADO DE COSMÉTICOS
In this study, we aim to investigate practices of racial insurgency in the cosmetics market, using Karen Bachini’s discourse in her video “Open Letter to Mari Saad and Mascavo” as a reference point. In the current context, where discussions about structural racism and representation have become increasingly central, the exclusion of Black individuals—particularly those with darker skin tones—from beauty products reveals a significant social and cultural issue. By reflecting on this exclusion, we propose to expand the analysis to teacher education, considering how the invisibilization of racialized groups can be a recurring practice across various spheres, including education. For the theoretical framework, we draw on Moscovici’s (1979) discussions on social representations and Critical Discourse Studies, with an emphasis on the British tradition of Critical Discourse Analysis (Fairclough, 1989, 1995, 1997, 2003), particularly regarding the three types of meaning: actional, representational, and identificational. As a result, this study seeks to contribute to the debate on racial inclusion and offer reflections on how the educational field can adopt a critical and decolonial stance toward its practices, with the goal of preparing teachers committed to a truly pluralistic and inclusive education.
Neste estudo, buscamos investigar as práticas de insurgência racial no mercado de cosméticos, tomando como base o discurso de Karen Bachini em seu vídeo “Carta aberta para a Mari Saad e Mascavo". No contexto atual, onde discussões sobre racismo estrutural e representatividade são cada vez mais centrais, a exclusão de pessoas pretas, especialmente de pele retinta, em produtos de beleza revela uma problemática social e cultural significativa. Ao refletir sobre essa exclusão, propomos expandir a análise para a formação de professores, considerando como a invisibilização de grupos racializados pode ser uma prática recorrente em diversas esferas, inclusive na educação. Para a fundamentação teórica, recorremos às discussões sobre representações sociais de Moscovici (1979) e aos Estudos Críticos do Discurso, com ênfase na Análise do Discurso Crítica da vertente britânica (Fairclough, 1989, 1995, 1997, 2003), especialmente no que diz respeito aos três tipos de significados: acional, representacional e identificacional. Como resultado, o estudo visa contribuir para o debate sobre inclusão racial e propor reflexões sobre como o campo educacional pode adotar uma postura crítica e decolonial em relação às suas práticas, de modo a formar professores comprometidos com uma educação verdadeiramente plural e inclusiva.
 
NECROPOLÍTICA E PESSOAS EM SITUAÇÃO DE RUA
Este artigo aborda o acontecimento pessoas em situação de rua, necropolítica e produção de subjetividades, em um contexto das cidades, no capitalismo neoliberal. Interroga-se a visão que rotula pessoas desfiliadas socialmente como mendigas, moradoras de rua e pedintes. O estigma destes modos de submeter por nomeações e classificações determinados grupos sociais opera discriminações negativas e reproduz preconceitos que precisam ser analisados historicamente e socialmente de tal modo que exista rupturas com quadros de iniquidades imensas. O texto busca descrever aspectos constitutivos das cidades e dos espaços urbanos a partir da história política da verdade genealógica de Michel Foucault. A relação entre espaço e subjetividade é realizada como engrenagens de resistências e insurreições contra as capturas segregativas nas cidades atuais, no capitalismo empresarial de cunho neoliberal
"ECOFEMINISMO: FUNDAMENTOS TEÓRICOS E PRÁXIS INTERSECCIONAIS" (2019)
A obra “Ecofeminismo: fundamentos teóricos e práxis interseccionais”, publicada pela editora Ape’ku em 2019, apresenta as diversas vozes do Ecofeminismo, não como uma fonte uníssona, mas pautada na diversidade de perspectivas e na singularidade de cada comunidade e de cada ser vivo. O prólogo da obra foi escrito pela feminista e cozinheira vegana Sandra Guimarães, que detalha sua trajetória na defesa dos direitos dos seres humanos e não humanos. Isto é, conta inicialmente uma experiência pessoal que fala sobre a opressão humana e sua afetação na vida dos seres não humanos e como a colonização e exploração de terras afeta a todos, em suas palavras: “não há como separar o debate da emancipação humana do debate da emancipação animal e do meio-ambiente” (GUIMARÃES, 2019, p. 14). A divisão desta obra é feita em duas partes: fundamentos teóricos do ecofeminismo e práxis ecofeministas interseccionais. Na primeira parte, autores como: Marti Khell, Alicia H. Puleo, Angelica Velasco Sesma, Mayara Corrobrez e Patrícia Lessa e, em escrevendo em coautoria, Daniela Rosendo e Ilze Zirbel. Posteriormente, na segunda parte, temos: Daniel Kirjner, Janine Sattler, Maria Clara Dias, Suane Soares e Letícia Gonçalves e Maria da Graça Costa. Vale salientar, que são poucas as obras em português que pontuam as origens e os entrelaçamentos do ecofeminismo
TEATRO DO OPRIMIDO E CULTURA DE PAZ NA CIDADE DO POVO
Resumo: Este trabalho busca investigar como o racismo e outras opressões sociais se manifestam na comunidade Cidade do Povo, através dos jogos do Teatro do Oprimido, procurando quebrar ciclos de opressão e violência, que se reproduzem, apresentando a Cultura de Paz e o ativismo não violento como estratégia de enfrentamento. O objetivo deste trabalho é analisar a oficina de Teatro do Oprimido, realizada pelo GESTO da Floresta e saber se a temática do racismo aparece através dos jogos de Teatro do Oprimido, para os adolescentes da Cidade do Povo, ou qual opressão social se manifesta. A metodologia deste trabalho tem como base Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido. Tendo como referência teórica: Boal (2009), Hooks (2020), Orlick (1978), Conceição (2022), Boff (1998). Mediante a análise da oficina nota-se a relevância de projetos de extensão e pesquisas para a transformação social, por meio da arte e educação para as novas gerações.
Palavras-chave: Teatro do Oprimido, Racismo, GESTO da Floresta.
 
EXPEDIENTE
Expediente do dossiê "O Caminho quem faz é o caminhante ao Caminhar: Teatro do Oprimido Brasil adentro, mundo afora
Narrativas Indígenas: A Construção de Identidades na Escola Wajãpi
Este artigo analisa as cosmologias ameríndias e suas expressões nas narrativas Wajãpi, considerando currículo, animalidade, conhecimento e cultura escolar. A partir do perspectivismo (Viveiros de Castro, 2002) e da noção de identidade narrativa (Ricouer, 1991), examina-se como essas narrativas funcionam como espaços de resistência contracolonial e de afirmação cultural (Krenak; Werá; Kopenawa). A presença da animalidade, entendida como linguagem simbólica e cosmológica, evidencia a interconexão entre humanos, animais, espíritos e natureza, constituindo um imaginário que atravessa corpo, memória e território (Paes Loureiro, 2001; Fausto, 2018; Pereira, 2015, 2024 e 2025). Nesse contexto, a escola aparece como espaço em disputa, impondo modelos ocidentais, mas também possibilitando o fortalecimento de epistemologias indígenas. As narrativas Wajãpi, ao mesmo tempo que registram experiências, constroem mundos, preservam cosmovisões e reafirmam identidades coletivas. Assim, narrativas, perspectivismo e cosmovisão emergem como instrumentos teóricos essenciais para compreender a formação da identidade cultural Wajãpi no espaço escolar
ESCOLA RURAL E ESCOLA DO CAMPO NO BRASIL: antagonismo, desafios e práticas
A educação formal, genericamente, partiu das necessidades das relações capitalista de adequar os sujeitos/trabalhadores aos requisitos mínimos de empregabilidade e execução de funções, sem considerar as especificidades do contexto particular dos sujeitos. Nesses aspectos, sob o olhar histórico do desenvolvimento capitalista, este artigo objetiva analisar questões e tensões que incidiram na conceituação e concepção da Educação Rural e da Educação do Campo e as ações e desafios enfrentados com as tecnologias neste contexto. Conclui-se que a educação rural, por estratégias de aprendizagem e conteúdos conservadores, reverbera uma política de produção territorial voltada para a concentração da riqueza da classe dos latifundiários e da burguesia rural. Enquanto, a Educação do Campo amplia o horizonte social para a resistência e reprodução do campesinato e da pequena propriedade como forma de reproduzir a vida no campo e na cidade
OS AUTOS DO CAJUEIRO: A JUDICIALIZAÇÃO DE UM CONFLITO SOCIOAMBIENTAL SOB A PERSPECTIVA DA ANTROPOLOGIA DO ESTADO
O artigo analisa criticamente a judicialização de conflitos socioambientais sob a ótica da Antropologia do Estado, destacando o caso do Cajueiro, em disputa com o empreendimento privado TUP Porto São Luís S.A. O conflito, iniciado em 2014, está centrado na alegada vocação portuária da região e atualmente, se desdobrando para o poder judiciário maranhense. Historicamente, o Maranhão tem sido ponto estratégico para grandes empreendimentos nacionais e internacionais, com o Estado incentivando investimentos estrangeiros por meio de políticas desenvolvimentistas voltadas ao crescimento econômico. Essa articulação envolve a promoção de projetos portuários em colaboração com o capital privado e atores econômicos globais. A pesquisa utiliza a etnografia de documentos como referencial teórico e metodológico. A partir de uma abordagem interdisciplinar, o estudo explora a judicialização do conflito no Cajueiro, enfatizando a relação entre diversas agências estatais, interesses econômicos e a comunidade tradicional