Universidade Federal do Amapá: Portal de Periódicos da UNIFAP
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MOBILIDADE URBANA A PARTIR DO TRANSPORTE PÚBLICO COLETIVO NA CIDADE MÉDIA DE SOBRAL/CE
Este artigo analisa a mobilidade urbana e a acessibilidade às atividades de uma cidade média a partir dos deslocamentos de moradores de um bairro, na cidade de Sobral/CE. Os procedimentos metodológicos utilizados basearam-se em revisão bibliográfica, mapeamento, registro fotográfico, produção de dados e pesquisa de campo. O transporte coletivo público por ônibus já existia; porém, a pesquisa, revelou que era ineficiente e desorganizado. Com a implantação do Transporte Urbano de Sobral (TranSol), observa-se a adesão significativa de passageiros a esse modal em detrimento de outros meios de transporte
REFLEXÕES E ABERTURAS AO NEOCONSTITUCIONALISMO EM NUESTRA AMÉRICA
Este trabalho é um esforço epistemológico que busca analisar a categoria de "constitucionalismo" e sua relação com os novos paradigmas constitucionais emergentes nos séculos XX e XXI, especialmente na América Latina. Realiza-se uma análise histórico-teórica que percorre a reflexão social e filosófica de tal categoria, dando ênfase às experimentações criativas que fundamentam os novos paradigmas e apropriações do constitucionalismo, incluindo o neoconstitucionalismo, em especial de matriz latino-americana. O estudo realiza uma análise exegética dos conceitos, orientada pela teoria crítica, contextualizando historicamente os fatos e apontando caminhos de emancipação e resistência, tanto no campo epistêmico quanto nas oportunidades históricas que ele representa
A CONSTRUÇÃO DE RECURSO DIDÁTICO MULTIMODAL INTERATIVO PARA UNIDADE CURRICULAR CULTURA, COMUNICAÇÃO E MÍDIAS SOCIAIS
Este artigo tem a proposta de apresentar como se deu a construção do material didático interativo multimodal desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional, associada Fundação Joaquim Nabuco (Recife/PE). Em uma proposta inovadora para o ensino da Sociologia, foi construído como trabalho de conclusão de curso um site disponível gratuitamente na rede com o propósito de auxiliar a prática docente. Dedicado ao componente curricular Cultura, Comunicação e Mídias Sociais, a seleção de temas, conceitos e teorias teve como referência a ementa presente no Currículo de Pernambuco, sendo esta unidade curricular integrante de trilhas dos Itinerários Formativos, ora como unidade obrigatória ora como optativa diante da proposta de um novo currículo que de acordo com as mudanças determinadas pela Lei 13.415/2017, que promoveu a Reforma do Ensino Médio, vigorou em Pernambuco de 2022 a 2024
RELAÇÕES ESCRAVISTAS CONTEMPORÂNEAS COMO REGRESSÃO HISTÓRICA: UMA ANÁLISE SOCIOESPACIAL NO ESTADO DO MARANHÃO
O objetivo deste pequeno artigo é contribuir para a análise das relações escravistas contemporâneas a partir de um recorte socioespacial no estado do Maranhão. Examina-se as repercussões normativas e marcos regulatórios para o enfrentamento do trabalho escravo e o Maranhão na representação contemporânea desse fenômeno, dada as expressões ilícitas e precárias da neoescravidão como parte integrante de uma lógica perversa espacialmente reproduzida.
 
A EP´ISTEMOLOGIA À NU
Nosso objetivo é o de compreender como chegamos a nos tornar essas intelectuais que somos, consumidoras e reprodutoras de teorias importadas das universidades europeias e norte-americanas, e, porque o privilégio epistêmico resguardado a um grupo limitado de pensadores oriundos de países hegemônicos foi sendo construído ao longo do processo modernidade/colonialidade. Esses desajustes e incoerências estão ‘solidamente’ justificados em estruturas de conhecimento que são epistemicamente racistas e sexistas. Para entender, e, então, desnaturalizar, essa relação de ‘superioridade/ inferioridade’ epistêmica é fundamental que tenhamos em mente os processos históricos mundiais que produziram essas estruturas de conhecimento fundadas no racismo e no sexismo. Mesmo diante de um verdadeiro monopólio do conhecimento advindo do Norte Global, aceito por uma grande parcela da intelectualidade situada em um Sul Global, se concordamos que a teoria emerge da realidade, ou seja, é uma conceitualização de experiências sociais e históricas, portanto dependente das visões de mundo e sensibilidade de seus formuladores, então poderíamos concluir que currículos baseados em experiências localizadas nas experiências de autores de apenas cinco países (França, EUA, Alemanha, Inglaterra, Itália) são provincianos. Ocorre, porém, que nem todos pensam assim. Ao contrário, o conhecimento produzido pelos autores desses cinco países é investido de tal universalidade que não se reconhece que essa limitação geográfica seja um problema, seja um sinal de provincialismo. Como chegamos a essa situação? Por que nós, intelectuais de universidades do Sul-Global, aceitamos passivamente essa opressão epistêmica, esse colonialismo do conhecimento? Para entender, e, então, desnaturalizar, essa relação de ‘superioridade/ inferioridade’ epistêmica é fundamental que tenhamos em mente os processos históricos mundiais que produziram essas estruturas de conhecimento fundadas no racismo e no sexismo
HISTÓRIAS QUE NOSSO CINEMA (NÃO) CONTAVA: A QUESTÃO DA MEMÓRIA SOBRE A DITADURA MILITAR BRASILEIRA
Atualmente, no cenário sociopolítico do Brasil, novamente a questão da memória sobre a ditadura militar está em alta nas mídias, redes sociais e em debates acadêmicos e políticos. A onda conservadora que predominou no cenário político mundial nos últimos anos, também exerceu influência sobre a nova configuração da memória acerca da ditadura militar brasileira, na qual o Estado, expresso na figura daquele que exerce o Poder Executivo, passou a glorificá-la. O presente artigo se insere na discussão desta memória, por meio da análise do filme “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava” (2017), de Fernanda Pessoa, a partir da reflexão da teoria da partilha do sensível de Jacques Rancière. A primeira parte do artigo traz uma análise historiográfica sobre a conjuntura sociopolítica que levou ao golpe de 1964, destacando as tensões da época e as inserindo na interpretação de Rancière sobre política e partilha do sensível. Na segunda parte, discorrese sobre a memória da ditadura militar e seu viés conciliatório. Após, analisa-se a construção da narrativa e da memória política presente no filme “Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava”. À título de considerações finais, constata-se que a não aceitação da diferença, nos mais diversos níveis, é fator importante na ascensão de regimes autoritários. Faz-se necessário a confrontação e contestação de versões deturpadas a respeito da ditadura militar, bem como a responsabilização dos culpados pelos crimes perpetrados
DESESTRUTURAÇÃO DE DIREITOS E POLÍTICAS TRABALHISTAS NO BRASIL ENTRE 2015 E 2020: UM OLHAR SOBRE A PESCA ARTESANAL BRASILEIRA
Marcado pela pandemia de Covid-19, o ano de 2020 foi caracterizado também como o auge, nos anos recentes, dos ataques do governo federal à pesca artesanal brasileira. O objetivo desse trabalho é analisar o processo de desmonte das ações voltadas aos trabalhadores do setor e a consequente vulnerabilização da categoria, aprofundada ao longo da conjuntura pandêmica. A metodologia deste trabalho envolveu uma revisão sobre a relação entre Estado e pesca artesanal, e utilizou dados de programas públicos direcionadas à pesca artesanal, entre eles o PRONAF (2013-2020); e o Seguro-Defeso (2017- 2019). Além disso, foram utilizados dados da PNAD Contínua Trimestral e Anual (2015- 2020) e do Observatório Dos Impactos Do Coronavírus Nas Comunidades Pesqueiras (2020). As considerações finais indicam que ao mesmo tempo em que a pandemia aprofundou a necessidade de intervenção do Estado, intensificou ataques aos trabalhadores, tornando esse período o ápice desse processo para a pesca artesana
PARA DESCOLONIZAR O ESTUDO HISTORIOGRÁFICO DAS RELAÇÕES DE PODER
O presente texto consiste em ensaio teórico com base em pesquisa bibliográfica sobre a questão do político na perspectiva histórica. Para isso, iremos mobilizar as ferramentas de análise propostas no escopo das chamadas teorias decoloniais. Entendemos que as condições de revisão da herança colonial e desconstrução dos dispositivos coloniais na pós-modernidade fazem parte de um mesmo movimento. O itinerário das reflexões aqui elaboradas se inicia pela análise dos elementos que embasam o programa de pesquisa decolonial. A seguir, buscamos divisar aspectos metodológicos na área dos estudos historiográficos que permitam revisar a colonialidade como peça de enfrentamento ao discurso oficial. Por fim, abrimos diálogo com interpretações críticas da empresa colonial que permitam reposicionar a questão do político em novas bases
DIÁRIOS DE APRENDIZAGEM NAS AULAS DE SOCIOLOGIA: REFLEXÕES SOBRE O ENSINO DE SOCIOLOGIA, ESCOLA E AVALIAÇÃO
O trabalho apresenta um fragmento da pesquisa desenvolvida no Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional (PROFSOCIO). A pesquisa aborda o processo de avaliação na disciplina de sociologia no ensino médio. Para tanto, é analisada a proposta desenvolvida pelo educador/pesquisador denominada de “diários de aprendizagem”. Questiona-se se os objetivos propostos para o ensino de sociologia nos documentos curriculares e na produção acadêmica efetivam-se na sala de aula. As aulas de sociologia são capazes de produzir o estranhamento e a desnaturalização anunciados como objetivos em documentos do Ministério da Educação (MEC - 2006) e Secretaria da Educação e do Esporte do Paraná (SEED-PR 2008)? A avaliação dos conteúdos de sociologia integra-se coerentemente no movimento didático das aulas no ensino médio? A análise dos documentos legais e das pesquisas acadêmicas demonstrou que os textos priorizam as concepções, os princípios e os objetivos que devem orientar o ensino de sociologia, contudo, a avaliação é uma temática pouco abordada. Situa-se a questão da avaliação desde a relação entre a trajetória escolar dos jovens e o desempenho na disciplina de sociologia. A partir das teorias de Charlot (2005), Lahire (1997) e Dayrell e Reis (2007), reflete-se sobre os sentidos e os significados que os jovens estudantes atribuem aos conhecimentos das ciências sociais e quais disposições poderiam desenvolver desde as aulas de sociologia e dos diários de aprendizagem. Uma hipótese é que os diários de aprendizagem poderiam ter alterado e ativado as disposições dos estudantes para estudar sociologia, criando dedicação à leitura e à escrita a partir dessas aulas, as quais representam um momento de consolidação do processo de ensino e aprendizagem, deixando de ser apenas um momento de atribuição de notas. Organizou-se algumas técnicas de pesquisa na metodologia qualitativa que apreendesse traços da trajetória escolar de estudantes das turmas que escreveram os diários. Para chegar as amostras e a escolha dos depoimentos, foram mobilizados dados de uma pesquisa quantitativa realizada pelo Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão de Sociologia (LENPES), com questionários que auferiram algumas dimensões da vida dos estudantes de várias escolas de Londrina (PR) e região. Esses dados quantitativos foram cotejados com outros dados produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEPE; SEED-PR e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Como achados dessas análises, vimos que os jovens atribuem significados diversos aos conhecimentos sociológicos e que as trajetórias escolares são influenciadas por aspectos objetivos, tais como condições econômicas e organização familiar, e subjetivos, no que se refere ao modo como se apropriaram da experiência de escrever os diários ativando várias disposições para aprender e se dedicar aos estudos. Num cenário de crescimento do neoliberalismo e dos movimentos conservadores, a presença das ciências sociais na educação básica adquire dimensão política e as transformações no contexto econômico, social e político ocorridas principalmente a partir de 2016 geraram impacto na formulação das políticas educacionais e, consequentemente, no ensino de sociologia