Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP)
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CorposMídia: juventude, arte e política
O movimento Ocupa São Paulo de 2015, que em 2016 se reencenou em muitas capitais do país em diferentes espaçospúblicos, procurou responder através de um estado contínuo de pulsão e de enfrentamentos com a ordem pública e o“poder soberano” a que esta alude (aqui representado muitas vezes pelo aparelho repressor do estado), às muitasintervenções de cunho autoritário que se tem assistido nestes tempos de anomalia social e colapso das instituiçõespúblicas do país. A fúria dionisíaca que revolve o chão da escola e dinamiza novos espaços de ensino e de aprendizagem,ajuda a construir não somente os relatos acerca do que representa hoje pertencer/ser pertencido ao mundo dapólis/política, mas sugere igualmente uma nova episteme para aquilo que sustém ou sustenta os campos da ação social, daformação humana e da própria ideia de democracia ou comunidade. As ocupações estudantis contribuem para pensarmosquais políticas os sujeitos precários, tal como anuncia Rancière, são possíveis de arquitetar em contextos de deterioração eliquidação dos atuais modelos de representação política, fato que se estende a quase todas as democracias do planeta.Estaríamos acompanhando numa perspectiva muito otimista, uma abertura humana para o plano de uma nova política – adas micropolíticas? A crise política (mais que econômica a meu ver) que vivemos hoje no Brasil e que expõe sucessivasviolações ao estado de direito e de bem estar social, nos exige pensar ações e estratégias de resistência e resiliência para odevir nação, para o devir estado, para o devir comunidade que estão ainda por se desenhar emmeio ao caos e sob osescombros do que restará da própria ideia de república ou democracia. Será por essa razão que devemos explorar nesteartigo o protagonismo juvenil como um dos mais importantes episódios da história recente do país e face aostransbordamentos estéticos que emanam da escola, pensar as relações entre corpos, mídia, juventude, arte, política eperformance social
MUSEOLOGIA E ACERVOS PARTICULARES: O CASO DAS FAMÍLIAS DA CHACINA DE BELÉM
O presente texto visa investigar como famílias que perderam seus filhos lidam com os objetos que pertenciam aesses entes queridos. Sabendo que muitas dessas famílias optam por guardar, ou por manter expostos taisobjetos, a pesquisa se interessa pelas representações e sentidos a eles atribuídos, bem como pelas motivações,sentimentos e intuitos por trás do ato de transformá-los em objetos expositivos, dispostos em quartos e outroscômodos da casa, ou do ato de salvaguardá-los em armários e gavetas, como acervos de acesso restrito aosparentes. Interessa-se, por conseguinte, pelo movimento contínuo de seleção, manutenção, manuseio eressignificações desses objetos, numa perspectiva de musealização particular que tangencia enlutamento,privacidade e intimidade
UM CAPITÃO DE TUMBEIROS NA AMAZÔNIA SETECENTISTA: TRÁFICO NEGREIRO E SEUS AGENTES
A presente comunicação tem por objetivo analisar a participação e trajetória do capitão de embarcações Manoel da Silva Tomás e sua relação com o comércio de escravizados às praças da área setentrional da colônia. Destacar-se-ão como elementos principais deste artigo as carregações de produções e de escravos do mestre/capitão, durante o período de atividade exclusivista da Companhia de Comércio do Grão-Pará e Maranhão, não obstante o fato deste ter ainda permanecido nas funções de mar e terra, após o fim do monopólio da Companhia Geral, tendo atendido aos “homens de negócio” no “comércio livre” das praças envolvidas. Através do diálogo com este sujeito, será possível compreender as transformações no trato de escravizados, quem foram os partícipes deste “novo negócio”, bem como a ligação do tráfico de africanos com gêneros exportáveis durante a segunda metade do século XVIII. A metodologia utilizada baseia-se principalmente na análise de documentos político-administrativos enviados ou recebidos de Lisboa, durante o ministério pombalino e após o término do monopólio, o que não significou o fim das atividades da empresa no Norte. O resultado é uma teia de relações que, ao mesmo tempo que estabeleceram novas modalidades de comércio de escravizados, também favoreceram uma reorganização no comércio local com uma maior participação de indivíduos estabelecidos no Grão-Pará e no Maranhão
RICOS QUASE POBRES: TESTAMENTOS DO LITORAL DA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE SETECENTISTA
O objetivo deste trabalho, é apresentar as transcrições dos testamentos de Pedro Tavares Romeiro (1767), Francisco Fernandes da Silva (1771), José Ribeiro de Macedo (1780), Francisco Pinto de Araújo (1788), Teodósio Felipe da Rocha (1791) e do governador Caetano da Silva Sanchez (1799), buscando preservar os originais que estão sob a guarda do arquivo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN). Os documentos foram escritos, aprovados e abertos na Capitania do Rio Grande do Norte, especificamente na Vila de São José do Rio Grande e Cidade do Natal entre os anos de 1767 e 1799. As transcrições foram realizadas dentro das normas estabelecidas no Estado brasileiro, sendo produto de uma pesquisa de Pós-Doutorado em Educação realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, havendo financiamento da CAPES. A partir disso, demonstramos personagem que viveram na capitania supramencionada na segunda metade do século XVIII, homens ricos quase pobres, haja vista os minúsculos patrimônios declarados nas páginas dos testamentos. Por fim, expomos as transcrições dos documentos que poderão servir para formação de futuros historiadores em diversas instituições do Brasil, ou mesmo, como fonte para várias pesquisas nos múltiplos campos das Ciências Humanas e Sociais
DOUTORES POLIVALENTES: AS HISTÓRIAS DOS PRIMEIROS MÉDICOS FORMADOS PELA FACULDADE DE MEDICINA E CIRURGIA DO PARÁ
A Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará (FMCP), hoje, Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará, fundada em 1919, formou seus primeiros médicos em 1924. De um grupo inicial em torno de 50 alunos, somente quatro chegaram ao final dos seis anos de duração do curso. Quem foram esses personagens e um pouco da sua trajetória naqueles primeiros anos de funcionamento da 8ª escola médica fundada no Brasil é o que se relata neste artigo, contextualizando os fatos, aprofundando o assunto abordado em trabalho anterior sobre a história da Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará
A REBELDIA DO TRABALHO EM TEMPOS DE ESCRAVIDÃO: NUANCES DA EXPERIÊNCIA DO MARANHÃO
A escravidão moderna é um dos desdobramentos do processo de formação do capitalismo no mundo ocidental. A racialização do corpo do sujeito escravizado, isto é, indivíduos de diferentes povos do continente africano ainda ofusca ou impede que se compreenda o trabalho escravo como produtor de valor. Mas, a análise deste a partir da perspectiva do Materialismo Histórico demonstra que o mesmo produzia valor porque a um só tempo o escravo era mercadoria e trabalho vivo. Nesse sentido, vale argumentar que sem o trabalho escravo a riqueza de grandes proprietários de escravos não teria sido possível e, que, por isso mesmo, devido a essa violência estrutural – as relações escravistas de produção – os trabalhadores escravos se rebelaram contra a mesma de diferentes modos no contexto da dinâmica econômica do Estado do Grão-Pará e Maranhão e, por conseguinte, nas províncias do Pará e do Maranhão, no século XIX, até que, por fim o trabalho escravo fosse abolido no Império brasileiro em 1888. A reflexão a respeito da rebeldia do trabalho em tempos de escravidão tem por propósito contribuir com a reflexão crítica acerca da relação entre a escravatura, o trabalho escravo e o capitalismo no mundo ocidental
DAS PALAFITAS AOS CONDOMÍNIOS, DAS INFORMALIDADES AO SHOPPINGCENTER: A INSERÇÃO DO BAIRRO DA SACRAMENTA NA ESTRUTURAÇÃO URBANO-METROPOLITANA DE BELÉM
O presente texto busca elucidar as transformações que ocorrem no espaço urbano do bairro da Sacramenta, como parte de uma totalidade metropolitana e da urbanização estendida da metrópole de Belém, no Estado do Pará. O objetivo é revelar e analisar as transformações urbanas do bairro, onde há um processo de substituição do espaço periférico dominando por baixadas alagadiças, palafitas, galpões, fábricas e um terciário ligado às feiras livres, por equipamentos de consumo e de moradia para outros perfis de renda, como shopping center e condomínios fechados verticais. A metodologia de pesquisa segue-se pela observação empírica e das vivências, bem como o resgate da história desigual do processo de produção do espaço urbano. Processos que se confirmam ao se verificar a inserção da Sacramenta como espaço reestruturado pelo capital a partir do modelo midiatizado do shopping, da moradia elitizada, de serviços bancários, mas também pela intensificação da violência, da precariedade e das contrariedades que são imanentes ao capitalismo
HISTORIOGRAFIA DE HERNÁN CORTÉS: O CONQUISTADOR (?)
Este artigo acadêmico apresentará Hernán Cortés - o conquistador, em suas diversas faces, como, por exemplo, destruidor e criador. Uma vez que, destruiu o Império Asteca, contudo, ajudou a dar origem ao povo mestiço do México. Baseando-se em cartas, relatos, memórias, diários do período e obras do séc. XIX, além da historiografia contemporânea. O objetivo não será se posicionar de um lado (civilizador, genocida ou meio termo), mas sim, apresentar essa personalidade histórica. Até mesmo porque, não há verdade absoluta, ela é subjetiva e vai de encontro com a visão de mundo de cada um. Exporemos os fatos ligados a ele, sem a pretensão de julgar, apenas para problematizar suas ações
CIDADE FEBRIL: AS DOENÇAS QUE MATAVAM OS ESCRAVOS EM TERESINA (1877-1887)
O objetivo central é analisar as doenças que acometiam a população de Teresina e tentar saber qual a doença que mais matava os escravos, num lapso temporal entre 1877 e 1887. A partir dessa análise, pretendemos demonstrar também que a assistência à saúde pública, na província piauiense, era precária. E nesse contexto, indicar que havia uma imprecisão no diagnóstico obituário