Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP)
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RIOS DE LIBERDADE: OS ESCRAVOS E SUAS FUGAS FLUVIAIS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA (SÉCULO XIX)
Neste texto faço uma análise das fugas escravas pelos rios da região amazônica, observando como os escravos de origem africana se tornaram construtores, pilotos ou marinheiros das embarcações usadas no transporte de cargas e pessoas, interagindo com outros sujeitos sociais, fazendo então uso de seu conhecimento da navegação pelos rios da Amazônia para realização de suas fugas, integrando as paisagens naturais ou a natureza, em sua fluviosidade, às suas formas de viver e de resistência à escravidão. Sendo as fugas pelos rios, para além de uma condição quase imposta pelo meio ambiente, também uma escolha dos fugitivos porque fugiam com família ou crianças, ou em grupos maiores, ou ainda levando carga, mesmo que fugindo sozinhos fosse também opção realizar as fugas fluviais
AO SABOR DO CACAU E SOB A ELASTICIDADE DA BORRACHA: A CONTINUIDADE DA ESCRAVIDÃO NEGRA NO PARÁ, DURANTE A SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX
A estabilidade da população escrava do Pará do século XIX é um consenso historiográfico e representa a continuidade da instituição escravista na região do Vale do Amazonas. Essa população, que entre as décadas de 1820 e 1870 girou em torno dos 30 mil indivíduos escravizados, só reduziu significativamente nos primeiros anos da década de 1880. Partindo desse consenso, o presente artigo argumenta que essa continuidade esteve atrelada tanto à força da escravidão no Império do Brasil quanto à produção e exportação de duas commodities, o cacau e a borracha, dado o atrelamento da região à economia mundial capitalista do século XIX. O artigo se baseia na pesquisa em vários tipos de documentos, como relatórios da presidência provincial, mapas populacionais, inventários post-mortem, jornais e documentos cartoriais
MEDIO AMBIENTE, PATRONAZGO, Y NATIVISMO: LOS MOCAMBEIROS DE PACOVAL Y EL PRIMER GOBIERNO MAGALHÃES BARATA, 1921-1935
Este artículo analiza la protesta llevada a cabo por los mocambeiros (cimarrones) de Pacoval (Alenquer, Pará) en base a tres elementos. Primero, los vínculos entre su reivindicación de los derechos de ciudadanía y sus experiencias medioambientales. En segundo lugar, las redes de patronazgo económico y político edificadas en la época de la esclavitud, y que les proporcionaron un grado precario pero real de influencia institucional. Por último, en sus encuentros con las autoridades republicanas, los campesinosnegros también se postularon como "buenos brasileños", una afirmación nativista que les ponía en sintonía con los reclamos de otros sectores sociales en la época. Dicha ideología, que aunaba elementos tradicionales del campesinado negro amazónico con estrategias modernas de movilización política, anticipó la agenda de reformas sociales, económicas y políticas implementadas en Pará durante laprimera administración de Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, el interventor federal escogido por Getúlio Vargas para llevar a cabo su plan de reformas en la Amazonía (1930-1935). Eventualmente, su administración fue demasiado breve y demasiado débil como para implementar cambios sustanciales en las prioridades que guiaron la acción gubernamental en el Pará republican
JOANNA BAPTISTA E SUA BUSCA POR LIBERDADE NA ESCRAVIDÃO DE ORIGEM AFRICANA EM BELÉM
No ano de 1780, Joanna Baptista, mulher “cafuza”, nascida livre e moradora de Belém, na freguesia urbana da Campina, firmou um contrato de venda de si própria com um indivíduo de origem catalã chamado Pedro da Costa, morador na mesma freguesia. Para além do fato causar estranheza, na medida em que a movimentação comum era a de sujeitos escravizados em busca da liberdade, ainda mais em “um Século tão iluminado, de tantas humanidades, e em que a Real Grandeza dos Nossos Augustos Monarcas se tem empenhado tanto a favor da liberdade dos seus Povos”, o caso revela que esta ação utilizada por Joanna Baptista era, ainda que pareça contraditória, a garantia de tornar-se livre de sua condição de aldeada. Neste artigo defendo que esta estratégia se tornou possível pelas próprias características e dinâmica de funcionamento da escravidão de origem africana em Belém, capital do Grão-Pará colonial
ABRANDANDO OS BRANCOS: TAPANHUNOS, MULATOS E ÍNDIOS NO MARANHÃO COLONIAL (SÉCULO XVII)
Apresenta-se a transcrição de uma denúncia inquisitorial recolhida nos sertões do rio Itapecuru, capitania do Maranhão, em finais do século XVII. O documento revela a experiência compartilhada da escravidão por indivíduos de origem diversa, que interagem para mitigar os males do cativeiro
COWLING, CAMILLIA. CONCEBENDO A LIBERDADE: MULHERES DE COR, GÊNERO E ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO NAS CIDADES DE HAVANA E RIO DE JANEIRO. CAMPINAS, SÃO PAULO: EDITORA DA UNICAMP, 2018
Resenha da obra: COWLING, Camillia. Concebendo a liberdade: mulheres de cor, gênero e abolição da escravidão nas cidades de Havana e Rio de Janeiro. Campinas, São Paulo: Editora da Unicamp, 2018