Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará (IHGP)
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Um recorte do Inventário de Pedro Raiol
Recorte de trecho transcrito do inventário de Pedro Raiol, que descreve o Solar do Barão de Guajará, sede do IHGP, apresentado e comentado por José Maia Bezerra Neto. 
Por que Matilde Maria resolveu esperar? : Entre a promessa, uma longa espera e a conquista da liberdade no Graõ-Pará independente
Em maio de 1846, uma mulher escravizada denominada Matilde Maria deu entrada em uma ação cível de liberdade no Juízo do Cível da Capital. Ao analisar o documento, percebe-se que o recurso a essa agência escrava só foi possível depois da morte do senhor, que impôs essa condição a liberdade da cativa. No entanto, a luta dela em busca da liberdade teve início em 1823 e em 1846 ocorreu o seu desfecho. Mesmo vivendo em um Grão-Pará cujo contexto foi marcado pela disseminação de “ideias de independência”, pelas constantes fugas escravas, pela formação de mocambos e pelo movimento da Cabanagem, ela resolveu esperar pelo momento oportuno para alcançar a sua liberdade. O objetivo deste artigo, portanto, é responder à questão proposta no título: por que Matilde Maria resolveu esperar?
Palavras-chaves: Grão-Pará; independência; escravidão; mulheres escravizadas; ações de liberdade
Saudação a José Maria de Castro Abreu Júnior: proferido em sua posse na cadeira nº 16 (Patrono Euclides da Cunha)
O bispo/cidadão, Dom Romualdo: entre a mitra episcopal e os cargos políticos pelo Grão-Pará dos oitocentos.
As adesões feitas por Dom Romualdo de Souza Coelho aos regimes instituídos serpentearam as tramas dispostas pelo regalismo. Seguidor de seu antecessor no bispado, procura assegurar o melhor retorno do reconhecimento legítimo da causa do rei em favor da Igreja, retribuindo com juras de fidelidade à preservação da ordem política, somente afastando-se dessa postura quando percebe a impossibilidade da manutenção da condição de Reino Unido, criando as circunstâncias para operar uma nova adesão, dessa vez, ao Brasil independente. Sua representação nas Cortes Gerais e na Junta de governo provisório da província do Pará realça seu esforço de mediação entre os interesses civis na composição do poder, alertando para os riscos dos ocasos dos regimes por não considerarem os desejos dos governados. Lição essa tirada de escritos religiosos e da própria história mundial. Cartas pastorais, jornais e a correspondência do bispo com as autoridades civis foram problematizadas no contexto da chamada “Adesão do Pará à independência”. Esses escritos são fundamentais para compreendermos como o bispo/cidadão se manifestou e como foi interpretado pelos seus interlocutores e outros abertamente opositores as suas intervenções. Ao que respondia estar em acordo com sua consciência e obrigação para com a Igreja e sua diocese, secundando, embora não descuidando de denunciar os males do poder colonial e a necessária superação dessa condição
De 1975 a 2020: Percurso dos Egressos do Curso de Turismo da Universidade Federal do Pará
O estudo investigou o perfil dos egressos do curso de Turismo da Universidade Federal do Pará (UFPA), focando na inserção no mercado de trabalho e na relevância da formação acadêmica. A pesquisa utilizou uma abordagem quantitativa e descritiva, com questionários aplicados a ex-alunos formados entre 2010 e 2020, abordando idade, gênero, área de atuação, renda, local de trabalho e satisfação com o curso. A coleta foi realizada online, garantindo ampla participação dos egressos. Os resultados mostraram que 34,3% dos egressos têm entre 30 e 39 anos, enquanto 13% possuem entre 19 e 29 anos, destacando a presença de jovens no curso. A maioria dos formados é do gênero feminino (75,5%), e 2% identificam-se como não-binários. Em relação à atuação profissional, 14% dos egressos trabalham como docentes no ensino superior, e 8% atuam com gestão turística, especialmente no setor público. Outros 16% trabalham diretamente em atividades turísticas, como eventos, cultura, agências de viagens e guia de turismo. A faixa salarial mais comum está entre 1,5 e 3,5 salários mínimos, abrangendo 47% dos egressos. Conclui-se que o curso de Turismo da UFPA desempenha um papel significativo na formação e inserção dos egressos no mercado de trabalho, oferecendo uma base sólida para diferentes atuações no setor turístico
O Grão-Pará e a integração ao Imperio do Brasil: entre a expectativa e a realidade, uma conjuntura explosiva (1820-1835)
Neste artigo nos propomos a compreender como transcorreu o processo de integração da província do Grão-Pará ao Império do Brasil traçando uma análise da conformação social e política da sociedade paraense. Alinhando nossaanálise aos mais recentes estudos da historiografia sobre o tema, procuramos mostrar como que as divisões internasde uma sociedade caracterizada pela diversidade de classes e grupos, de interesses e anseios, e de pretensões políticas e projetos de futuro para o Grão-Pará, foram fatores determinantes para os rumos seguidos e as decisões tomadas na conturbada década de 1820, construindo assim, um cenário explosivo ao longo desta e da décadaseguinte. Baseamos nossa análise na documentação do período, destacando dois elementos fundamentais para tal compreensão, quais sejam o receio da elite paraense ao avanço dos grupos subalternizados em seu processo depolitização, e as cisões existentes na sociedade paraense que cresceram e se agudizaram nas primeiras décadas do século XIX. Desse modo, entendemos que a crescente politização das classes populares levou ao rompimento pelas vias institucionais para uma pretensa igualdade jurídica e o acesso aos espaços de decisões políticas, conduzindo suas lutas numa intensa guerra civil ao longo dos anos de 1830, denominada de Cabanagem
Geopolítica na Amazônia: : Greenwashing, o caso da COP 30 em Belém e seus desafios socioambientais
A Amazônia, maior floresta tropical do mundo, é um bioma de importância global, não apenas por sua biodiversidade, mas também por seu papel no equilíbrio climático do planeta. No entanto, sua relevância geopolítica a coloca no centro de disputas internacionais e nacionais, onde interesses econômicos e ambientais frequentemente entram em conflito. Em 2025, Belém, capital do Pará, sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP), conferência da ONU sobre mudanças climáticas que promete colocar a Amazônia no centro do debate global. Este artigo analisa os desafios e contradições desse evento, com foco no risco de greenwashing e nos impactos sociais e ambientais que persistem na região. A escolha de Belém como sede não é casual. Localizada na porta de entrada da Amazônia Oriental, a cidade simboliza a complexa relação entre desenvolvimento e preservação. No entanto, o Pará, estado que abriga Belém, é também um dos campeões de desmatamento no Brasil, o que levanta questionamentos sobre a coerência entre discurso e prática. Este artigo busca explorar essas contradições, propondo uma reflexão crítica sobre o papel da COP 30 e a responsabilidade do atual governo do Pará em promover um modelo de desenvolvimento verdadeiramente sustentável
Editorial: "Nova História da Amazônia Colonial": abordagens e perspectivas.
Editorial de apresentação ao Vol. 10, número 01 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Pará, com a apresentação do Dossiê "Nova História da Amazônia Colonial": abordagens e perspectivas
Fazendo justiça ao protagonismo indígena
Resenha de: FERREIRA, André Luís. Injustos cativeiros: Os índios no Tribunal da Junta das Missões do Maranhão. Belo Horizonte: Caravana, 2021. 271 p. (Coleção Pensar História