Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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The notion of contemplation in the book two of Spinoza’s Ethics
O trabalho investiga o conceito de contemplação no livro II da Ética de Espinosa, levantando os usos do termo, bem como seu sentido preciso, nos contextos de cada um dos gêneros de conhecimento propostos pelo filósofo. A análise destes casos indica que Espinosa utiliza o termo para indicar o conhecimento de singulares, seja no terreno da inadequação (primeiro gênero) ou da adequação (terceiro gênero). As aparições do termo nas proposições sobre o segundo gênero (conhecimento de propriedades gerais) não comprometem a hipótese, pois não visam ao objeto propriamente dito deste gênero de conhecimento, mas a uma etapa prévia deste.This paper investigates the concept of contemplation in the book two of Spinoza ´s Ethics, examining the uses of that term, as much as its precise sense, in the contexts of each one of the three kinds of knowledge proposed by the philosopher. The analysis of these passages indicates that Spinoza uses the term to signify the knowledge of singular things, either in the field of inadequacy (first kind of knowledge) or of adequacy (third kind). The appearances of the term in propositions on the second kind (knowledge of general properties) do not invalidate the hypothesis, because they don´t aim at the object itself of this kind of knowledge, but at a previous condition of it
O Conatus de Spinoza: auto-conservação ou liberdade?
Este trabalho pretende discutir uma aparente ambigüidade da ética spinozista, que ora é descrita como uma ética da auto-conservação, ora como uma ética da liberdade. Após mostrar por que fracassam as tentativas de diversos comentadores em conciliar estes dois aspectos, argumentaremos que a única maneira de resolver o problema é considerar que o que deve ser mantido na existência não é o indivíduo empírico do senso comum, mas sim a “individualidade”, que estaria ligada à proporção das relações de movimento e repouso, correspondendo à essência singular de cada ente. Para sustentar esta posição, faremos uma análise da noção de conatus em Spinoza, mostrando que este não se reduz a elementos físicos, sendo também um princípio metafísico, que relaciona os seres finitos à potência de Deus. Somente a partir desta dimensão formal seria possível compreender porque o esforço primordial de auto-preservação desemboca em uma ética da liberdade.The aim of this paper is to discuss an ambiguity of Spinoza’s conatus, that seems to sustain, at the same time, a “self-preservation” and a “liberty” ethics. We start by showing why the attempts of several authors to conciliate these two aspects fail, and then we argue that the only way to solve this problem is to consider that what must “stay in existence” isn’t the empirical individual of the common sense, but his “individuality”, related to a specific proportion of motion and rest that corresponds to his essence. To sustain this thesis, we’ll analyse Spinoza’s conatus, showing that it can’t consist only of physical elements, but it’s also a metaphysical principle, relating finite beings to the power of God. Only from this formal concept it would be possible to understand why the primordial striving for “self-preservation” leads to an ethics of liberty
Spinoza on soul’s flotation: a deleuzian interpretation
Como é possível a mente ser constituída por afetos contrários? Para entender em que circunstâncias acontece a “flutuação do ânimo”, sua ação no campo da imaginação, sua dependência do conatus e da consciência e seu peso ontológico, propusemo-nos à análise do conjunto de proposições que vai da P14 à P18 da parte III da Ética (EIII) de Espinosa. A flutuação do ânimo ocorre por obra da variação do conatus, ou seja, do esforço do indivíduo de perseverar na existência em seu duplo aspecto: mecânico (para manter a relação de movimento e de repouso que o caracteriza) e dinâmico (para aumentar sua potência de agir), cujo desempenho leva à transitividade dos afetos-paixão e da consciência, o que é evidenciado na leitura deleuzeana.How it is possible for the mind to be constituted by contrary affections? In order to understand in what circumstances happens “the flotation of the animus”, its action in the imagination field, its ontological meaning and ist dependence on the conatus and on the conscience, we intend to analyse the propositions 14 to 18 of the third part of Spinoza’s Ethics. The flotation of the animus occurs due to conatus variation, that is, due to individual’s effort to perservere in the existence in its double aspect: mechanic (to maintain the proportion of movement to rest that characterizes it) and dynamic (to increase its potency of acting), whose acting leads to a transitive character of the affection-passion and of the conscience, what is evidenced by Deleuze’s interpretation
Spinoza on soul’s flotation: a deleuzian interpretation
Como é possível a mente ser constituída por afetos contrários? Para entender em que circunstâncias acontece a “flutuação do ânimo”, sua ação no campo da imaginação, sua dependência do conatus e da consciência e seu peso ontológico, propusemo-nos à análise do conjunto de proposições que vai da P14 à P18 da parte III da Ética (EIII) de Espinosa. A flutuação do ânimo ocorre por obra da variação do conatus, ou seja, do esforço do indivíduo de perseverar na existência em seu duplo aspecto: mecânico (para manter a relação de movimento e de repouso que o caracteriza) e dinâmico (para aumentar sua potência de agir), cujo desempenho leva à transitividade dos afetos-paixão e da consciência, o que é evidenciado na leitura deleuzeana.How it is possible for the mind to be constituted by contrary affections? In order to understand in what circumstances happens “the flotation of the animus”, its action in the imagination field, its ontological meaning and ist dependence on the conatus and on the conscience, we intend to analyse the propositions 14 to 18 of the third part of Spinoza’s Ethics. The flotation of the animus occurs due to conatus variation, that is, due to individual’s effort to perservere in the existence in its double aspect: mechanic (to maintain the proportion of movement to rest that characterizes it) and dynamic (to increase its potency of acting), whose acting leads to a transitive character of the affection-passion and of the conscience, what is evidenced by Deleuze’s interpretation
A negatividade interrogada: Espinosa entre Bayle e Hegel
Qual o lugar da negação no interior de uma filosofia da afirmação ética, como a espinosana? Neste artigo, a dialética hegeliana é retomada para exercitar uma crítica às simplificações que acompanham certa leituras contemporâneas defensoras de um negativismo ou, contrariamente, de um positivismo filosófico. Mas também questionamos a interpretação hegeliana de Espinosana - assim como a atualização que dela faz Lebrun - valendo-nos do polémico comentário de Bayle sôbre a substância única espinosana. O recurso ao negativo nos serve, nesta primeira aproximação, para insistir sobre a necessidade de continuar abrindo os debates.Which is the place of negativity within the frame a philosophy of ethical affirmation, such as Spinoza´s? In this article, we return to Hegel´s dialectic in order to criticize the simplifications that usually accompany some contemporary readings that support a negativism or, on the contrary, a philosophical positivism. But we also question the Hegelian interpretation of Spinoza - and Lebrun´s actualization of it - using Bayle´s polemic comment on Spinozian unique substance. Our appeal to the negative is to insist upon the necessity to keep on opening the debate
Negação e objetividade na crítica da razão pura: uma leitura da dialética transcendental
O artigo analisa - a partir da leitura da Dialética Transcendental - a relação entre a teoria kantiana da objetividade e a demarcação de um uso válido da negação da determinação de objetos.The article analyzes - based on a reading of the Transcendental Dialectics - the relation between Kant´s theory of the objectivity and a delineation of valid use of the negativity in the determination of objects
Formação da razão na ética de Espinosa, segundo Deleuze
Este artigo é parte de um estudo mais amplo que tem como eixo a formação das noções comuns e a definição da razão na Ética de Espinosa. Neste artigo, examino a questão a partir da leitura de Gilles Deleuze em Espinoza e o problema daxpressão.This artilce is part of a larger study that has it´s central point in the formation of the common notions and the definition of reason present in Spinoza´s Ethics. In the article, I shall exam the subject regarding Deleuze´s Spinoza et le problème de l´expression
Three notes on the relationship between Philosophy and textual form in the Bacon’s Essays
Nosso propósito é tratar dos Ensaios de Francis Bacon e de sua significação filosófica a partir da consideração de alguns aspectos de sua forma textual: o inacabamento da obra, a variação de seus fins, suas construções classificatórias. Embora à primeira vista tais características possam sugerir uma fraqueza teórica, em verdade exprimem a formação de um novo ideal de filosofia.The aim of this article is to consider the philosophical relevance of the Francis Bacon’s Essays, taking into account some aspects of its textual form: the unfinishing of the work, the change of its objectives and its classicatory constructions. Although at the first glance these aspects could suggest a theoretical weakness, indeed they express the elaboration of a new ideal of Philosophy