Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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The spiritualautomaton in Spinoza’s philosophy: implications of an immanent ontology in the field of scientific knowledge
O presente texto tem como objetivo explicitar algumas das implicações da ontologia imanentista de Espinosa relativamente a sua concepção do conhecimento científico e em particular a sua noção de autômato espiritual. Nesse sentido revisam-se noções como sustância, causa imanente, definição genética; noções que lastram nossa reflexão em torno da concepção espinosana de ciência, na qual a ideia e a figura da verdade refletem uma identidade ou interioridade entre os planos do ser e do conhecer, entre o objeto e o sujeito mesmo de conhecimento.The aim of the present text is to make known certain implications of Spinoza’s immanentist ontology in relation to his conception of scientific knowledge, in particular his conception of the spiritual automaton. From this position, notions such as substance, immanent cause, genetic definition are revised, notions that document our reflection on Spinoza’s conception of science in which the ideia and the figure of truth reflects the identity or inwardness between the dimensions of being and knowing, between the object and subject of knowledge
The history of the discourses about passions in Cicero’s Tusculan disputation
Como as paixões apareciam na dialética de Platão? Como apareciam na escrita retórica? Como apareciam na lógica dos estoicos? Nas Tusculanas, Cícero examina formas diversas de discurso sobre as paixões e as virtudes em busca de fundamentos para a filosofia moral. Este exame, que se assemelha a uma história dos discursos antigos, também põe em confronto as grandes escolas materialistas da Antiguidade: a medicina hipocrática, o estoicismo, o cirenaísmo e o epicurismo. O estudo das Tusculanas de Cícero nos permite uma apreensão dos diferentes modos de discurso sobre as paixões que foram elaborados e utilizados durante a Antiguidade.How passion shows itself in Plato’s dialectics? How in the texts of rhetoric? How in the Stoic’s logic? Cicero makes a skeptical examination of many forms of speeches on passions and virtues, in the Tusculan Disputation, searching for grounds for moral philosophy. This examination, which seems to be a history of all ancient texts on the matter, puts in confrontation the great schools of the ancient materialism: Hippocratic medicine, Stoicism, Cyreaism and Epicureanism. The lecture of Cicero’s Tusculan can let us apprehend the different modes of discourse on passions and actions that were developed in Antiquity
L’éloge de la tolérance chez Pierre Bayle
A obra de Pierre Bayle colaborou decisivamente para a formação do discurso filosófico sobre o conceito de tolerância, noção central nas sociedades modernas. Os escritos de Bayle foram essenciais para a disseminação daquela idéia pelos philosophes no século XVIII. Uma das principais teses defendidas por Bayle é que a liberdade de consciência e de opinião deve ser garantida aos indivíduos. O Estado não deve perseguir por motivos religiosos e não deve haver violência quando se trate de opiniões que não geram perigo para a ordem pública. A liberdade de consciência tem por conseqüência uma tolerância irrestrita que deve se estender a todas as confissões religiosas e até mesmo aos ateus. O propósito deste texto é analisar alguns argumentos de Bayle na defesa da tolerância, sobretudo no Commentaire Philosophique, com a intenção de evidenciar a novidade do tratamento do autor, que por meio de metáforas e inversões, estabelece a tolerância como algo importante e benéfico para a sociedade política.L’œuvre de Pierre Bayle a collaboré à formation du discours philosophique sur le concept de tolérance, notion centrale dans les sociétés modernes. Les textes de Bayle ont été essentiels pour cette idée, répandue par les philosophes du XVIIIème siècle. Bayle soutient l’idée de la liberté de conscience et d’opinion qui doit être assuré aux hommes. L’état ne doit pas persécuter pour raisons religieuses et la violence doit être interdite quand ce sont en cause des opinions qui ne troublent pas l’ordre publique. La liberté de conscience a pour conséquence une tolérance étendue qui peut se répandre par toutes les confessions religieuses e même aux athées. Ce texte a pour but l’exposition d’arguments de Bayle dans son plaidoyer de la tolérance, concentrés au Commentaire philosophique, afin de faire une analyse de ce concept avec l’intention de mettre au premier plan la nouveauté de la pensée du philosophe, que parmi métaphores et inversions, établit la tolérance comme importante et bénéfique à la société politique
Breve Apresentação de “A transcendência do ego - esboço de uma descrição fenomenológica”, de Jean-Paul Sartre
O ensaio “Transcendência do ego – esboço de uma descrição fenomenológica” pode ser considerado o marco zero da identidade filosófica de Sartre. Tal afirmacão, como é de se imaginar, não se deve apenas às razões cronológicas – o primeiro texto propriamente filosófico e de larga visada escrito pelo autor
Nietzsche and Spinoza: fundaments for a therapeutics of affections
Neste artigo, partindo de uma análise dos conceitos de corpo e potência presentes nas filosofias de Nietzsche e Espinosa, objetivamos mostrar que ambos os filósofos, além de fazerem uma crítica aos valores transcendentes, afirmam a necessidade de criação de novos valores e mostram que para que uma ética afirmativa da vida seja possível há, antes de tudo, a necessidade do aumento de potência da totalidade corpo/ mente, obtido através de uma terapêutica fundada na dinâmica afetiva. Considerando que tanto Nietzsche quanto Espinosa recorrem ao mesmo afeto, o da alegria, para a cura da impotência e apresentam uma terapêutica de caráter estritamente pessoal, recusando a criação de uma ética normativa, concluímos que uma terapêutica que objetiva realmente promover saúde deve ser um processo essencialmente afetivo, pautado em escolhas e ações salutares próprias, e não uma moralização dos atos da vida cotidiana, operada pelos manuais de psicologia do comportamento e de higiene coletiva.In this article, from the analysis of the concepts of body and power present in Spinoza’s and Nietzsche’s philosophies, we aim to show that both philosophers criticize transcendent values, affirming the necessity of creating new values. They show that, in order to make possible an affirmative ethical life, one has, above all, to increase the potency of the whole body/mind, obtained through a therapeutics based on the affective dynamics. Considering that both, Nietzsche and Spinoza, had used the same affection, the joy, to cure powerlessness and that both offer a strictly personal therapy, refusing the creation of a normative ethics, we conclude that a therapy which truly proposes to bring health should be an essentially affective process, based on healthy choices and acts that people should take of their own, instead of a moralization of everyday acts, operated by behavioral psychology manuals and collective hygiene
The position of the agent of freedom in Ethics V
O primeiro axioma da parte V da Ética de Espinosa suscita a interpretação do sujeito como espectador neutro (Macherey) ou sujeito vazio (Bove). A análise do termo “sujeito” mostra que Descartes empregava a palavra como substância, diferente da subjetividade kantiana; mas como explicar seu uso por Espinosa? A comparação desse axioma com o uso da “contrariedade” nas partes III e IV da Ética mostram em que sentido Espinosa emprega “sujeito”The first axiom of the fifth part of Spinoza’s Ethics gives rise to the interpretation of the subject as a neutral spectator (Macherey) or as an empty subject (Bove). The analysis of the term “subject” shows that Descartes used to employ it as substance, in contrast to the Kantian subjectivity; but how can one explain its use by Spinoza? The comparison of this axiom with the use of “contrariety” in parts III and IV of the Ethics show us in which sense Spinoza employs the term “subject”
From the physics of the intensive to an aesthetics of intensive: Deleuze and the singular essence in Spinoza
A noção de intensidade é de extrema importância para o pensamento deleuziano, fazendo-se presente não apenas na elaboração de sua própria filosofia da diferença, como também nas leituras que faz dos outros filósofos que lhe são caros, especialmente na sua reconstrução do espinosismo. Deleuze concebe a essência singular espinosana em termos intensivos. Sendo assim, este artigo procura reunir elementos para mostrar a importância da noção de intensidade no projeto deleuziano de unificação dos dois sentidos de estética e o papel do uso de concepções de extração espinosista na empresa deleuziana. Estes apontamentos deixam implícito um outro tema: o da possibilidade de elaborar uma Estética a partir de Espinosa, vale dizer, uma Estética atenta a sua ancoragem corporalThe notion of intensity is extremely important for Deleuzian thought, being present not only on the elaboration of his philosophy of difference, but also on his readings of the philosophers which are dear to him, specially on his reconstruction of Spinozism. Deleuze conceives Spinoza’s singular essence in intensive terms. Considering these aspects, this paper seeks to gather elements to show the importance of the notion of intensity to the Deleuzian project of unifying the two senses of aesthetics and the role of Spinozist conceptions for the Deleuzian enterprise. These notes state indirectly another theme: the possibility of elaborating a spinozist Aesthetics, that is Aesthetics attentive to its bodily anchorage
Resenha: Como tornar-se livre e feliz
Resenha do livro Le devenir actif chez Spinoza, de Pascal Sévérac, publicado na França em 2005
Possibles and existents in Leibniz
Nesse artigo, pretendemos tratar da distinção entre um ser possível e um ser existente em Leibniz. Para tanto, vamos nos apoiar nas reflexões dos comentários de Martine de Gaudemar e de Robert Adams em seus livros. Pretendemos mostrar que um possível é algo que não possui uma força própria, apesar de todo possível exigir existir, essa força não passa da própria força da divindade, não existe alteridade antes da criação. Já um existente possui uma força e uma autonomia própria.In this article, we intend to discuss the distinction between a possible being and an existing being, in Leibniz. In order to this, we will use as support reflections on the comments of Gaudemar Martine and Robert Adams, in their books. We intend to show that a possible is something that doesn’t have its own force. Although every possible demands existing, this force is nothing but the divinity’s force itself; there is no otherness before creation. Differently, an existing has its own strength and autonomy