Cadernos Espinosanos (E-Journal)
Not a member yet
476 research outputs found
Sort by
Vie privative ou vie lacunaire?
A questão que vai guiar minha reflexão é da necessidade de se precisar o que seja uma vida filosófica e de que maneira a vida filosófica está relacionada à necessidade de se desenvolver uma filosofia da vida. A questão pode ser formulada do seguinte modo: são as expressões vida filosófica e filosofia da vida idênticas? De que modo uma filosofia da vida pode indicar o sentido de uma vida filosófica e viceversa? Trata-se na verdade de uma questão-guia do questionamento mais específico desse artigo que é aquele de discutir a possibilidade de uma fenomenologia da vida, trazendo Barbaras e Heidegger para uma conversa filosófica.La question qui guide ma réflexion est celle du souci de préciser ce qui serait une philosophie de la vie et de quelle manière la vie philosophique est en rapport avec la nécessité de développer une philosophie de la vie. La question peut donc être formulée de la façon suivante : les expressions « vie philosophique » et « philosophie de la vie » sont-elles identiques ? De quelle manière une philosophie de la vie peut-elle indiquer le sens d’une vie philosophique, et inversement ? Il s’agit en fait d’une question-guide du questionnement plus spécifique de cet article, à savoir la discussion de la possibilité d’une phénoménologie de la vie par le biais d’un dialogue philosophique avec Barbaras et Heidegger
Review: Art and Immanence: a good encounter between Spinozaand Vermeer
Resenha do livro Espinosa e Vermeer: imanência na filosofia e na pintura, de Sara Hornäk, publicado no Brasil, em 2010, pela editora PaulusReview of the book Vermeer and Spinoza: Immanence in philosophy and painting, Sarah Hornak, published in Brazil in 2010 by publisher Paulus
Renaud Barbaras and the vitality of the phenomenology
A fenomenologia de Renaud Barbaras é uma das poucas que continua hoje tentando aprofundar, de maneira original, o caminho aberto pela fenomenologia husserliana. Mas qual é, precisamente, o caminho escolhido por Barbaras para se inscrever na tradição fenomenológica? De que modo se insere no diálogo aberto por esta tradição? Neste texto, tentaremos repor os problemas e conceitos principais que nos permitem compreender a continuidade e a ruptura que apresenta a fenomenologia barbarasiana em relação a esta tradição, assim como alguns dos limites de sua própria proposta.The phenomenology of Renaud Barbaras is one of the few that continues today trying to deepen, in an original way, the path opened by Husserlian phenomenology. But which is, precisely, the way chosen by Barbaras to enter in the phenomenological tradition? How does he introduces himself in the dialogue opened by this tradition? In this paper, we will try to restore the key issues and concepts that allow us to understand the continuity and rupture of the barbarasian phenomenology in relation to this tradition, as well as some of the limits of its own proposal
Renaud Barbaras, reader of Husserl
Neste texto, tenta-se explicitar algumas das principais marcas da leitura crítica de Husserl proposta por Barbaras. Destaca-se o reconhecimento da importância de Husserl como o desbravador do campo fenomenológico, mas também como limitador da compreensão desse campo, o qual seria, segundo o filósofo alemão, coordenado por tipos eidéticos objetivos.: One tries to make explicit, in this text, some of the main marks of Barbaras’ critical Reading of Husserl. One highlights the acknowledgment of Husserl not only as founder of the phenomenological field but also as someone who limits the understanding of this field, which would be, according to the German philosopher, coordinated by objective eidetic types
The ancient Stoic ethics and the stoic stereotype in the modernity
Tendo em vista que o estoicismo é a corrente helenística que mais influenciou a Filosofia ocidental, a intenção deste artigo é apresentar e esclarecer alguns dos mais comuns estereótipos que a modernidade cunhou acerca da teoria estoica. Para tanto, fazemos uma apresentação dos principais aspectos da ética estoica e analisamos alguns conceitos que, mais tarde, serão os principais alvos de crítica à escola do pórtico. Acusada de ser uma corrente filosófica que prega o comodismo, a aniquilação dos sentimentos e o domínio absoluto da razão sobre as paixões, o estoicismo é muitas vezes mal interpretado por seus opositores. Comentamos também neste texto a crítica feita por Spinoza no prefácio do quinto livro da Ética, cuja ênfase em conceitos como “experiência” e “vontade” ajuda a esclarecer como o estoicismo é encarado na modernidadeConsidering that Stoicism is the most influent Hellenistic stream on Western philosophy, our intention is to present some of the most common stereotypes created by modern philosophy to convey Stoic ethical theory. With this in view, we make a presentation of the most famous aspects of Stoic ethics and analyze the concepts which later will be object of criticism to the school of Stoa. Charged with being a philosophical stream that defends self-indulgence, feeling- annihilation and the absolute domination of reason over passions, stoicism is often misinterpreted by its opponents. We also point here Spinoza’s criticism on fifth Ethics book’s preface, where the emphasis on concepts such as “experience” and “will” helps to clarify the way in which stoicism is seen in modern philosophy
Sonoza´s Conatus and Freud´s Todestrieb: an ontological antinomy, or a purely imaginative one?
Das muitas aproximações perpetradas nas últimas nove décadas entre Sigmund Freud e Espinosa, talvez nenhuma seja tão problemática quanto o cotejamento entre o conatus – esforço de perseveração no ser que, na Ética de Espinosa, constitui a essência atual das coisas – e aquela força autodestrutiva a que Freud, em Além do Princípio do Prazer, dá o nome de Todestrieb, ou pulsão de morte. De que forma, à luz de uma ontologia absolutamente positiva como a de Espinosa – uma na qual a destruição de uma coisa será sempre extrínseca à mesma –, devemos receber a asserção de Freud de que há algo na constituição do sujeito que o destrói? Partindo desta questão, o intento do presente trabalho é realizar uma apresentação detida dos conceitos, a fim de determinar em que registro se dá a contradição, e até que ponto a mesma nos constrange a suprimir nossa aquiescência a um ou outro dos mesmos.Of the many attempts perpetrated within the past nine decades at approximations between Sigmund Freud and Benedictus Spinoza, perhaps none elicits as many problems as a comparison of the concept of conatus – that striving towards self-preservation which, in Spinoza’s Ethics, constitutes the very essence of things – with that impulse towards self-destruction which Freud, in his essay Beyond the Pleasure Principle, calls Todestrieb, or “death drive”. Given an exhaustively positive ontology such as Spinoza’s, in which a thing’s destruction is invariably extrinsic to its constitution, what should one make of Freud’s assertion that a constitutive aspect of a being strives towards that being’s demise? With this question as its starting point, the present paper aims to articulate and contrast the rationale given for both concepts, the better to determine how deep the apparent contradiction runs, and to what extent coexistence between the two positions is untenable
Between servitude and freedom
Nosso propósito é delimitar um campo problemático que, na falta de melhor designação, pode-se dizer situado entre servidão e liberdade. É nesse terreno que tais categorias, que não devem ser tomadas como absolutas, podem assumir um sentido concreto, vinculado às variadas formas como os homens buscam a sua felicidade, umas vezes com êxito, outras com grande fracasso.Our purpose is to define a problematic field that, in absence of a better description, can be situated between servitude and freedom. In this field, these categories should not be taken as absolutes, and they may assume a concrete sense, linked to the varied ways in which men seek happiness, sometimes successfully, sometimes with great failure
The living body and the movement of the life in M. Merleau-Ponty and R. Barbaras
As análises aqui propostas enfocam, em primeira instância, a leitura do corpus merleau-pontiano, proposta por R. Barbaras em seu Introduction à une phénoménologie de la vie, segundo a qual os vaivens e ambivalências da reflexão de Merleau-Ponty acerca do corpo se explicam pela desconsideração de seu caráter primordialmente vivente. Em segundo lugar, abordamos a filosofia de Merleau-Ponty a partir do propósito de encontrar no corpo uma modalidade originária e absoluta de movimento como abertura de possibilidades, fundante em relação ao objeto que se move e ao espaço, aberto pelo próprio movimento. Em terceiro lugar, pondo em relevo a noção de nascimento, propomos que esta singular modalidade de movimento buscada por Merleau-Ponty encontra sua caracterização mais apropriada no movimento natural e vital, o que permite conciliar, ao menos parcialmente, as perspectivas de ambos os filósofos.Firstly, the analyses here proposed focus on the interpretation of the Merleaupontyan corpus proposed by R. Barbaras in his Introduction à une phénoménologie de la vie, according to which the oscillations and ambivalences of Merleau-Ponty’s reflection on the body could be explained by the neglect of its basic living character. Secondly, we approach Merleau-Ponty’s philosophy as the project of finding in the body an original and absolute modality of movement as an opening of possibilities, a movement in which both the object that moves and the space that is opened by the movement are founded. Thirdly, by focusing on the notion of birth we propose that this singular modality of movement searched by Merleau-Ponty find its proper characterization as natural and vital movement, conciliating at least partially the perspectives of both philosophers
The perception according to Barbaras
Este artigo pretende apresentar o conceito de percepção assim como o interpreta o filósofo francês Renaud Barbaras. Ele parte da recolocação do problema da percepção entre imanência e transcendência para indicar os traços fundamentais que caracterizam este fenômeno segundo seu próprio ponto de vista: o sujeito da percepção como sujeito vivo e a essência da vida como desejo. Não se trata, para ele, de aproximar-se da percepção através daquilo que ela não é. Para compreender verdadeiramente a percepção é preciso nos deixar formar junto à própria experiência perceptiva, ou antes, é preciso pensar segundo a própria percepção.This article presents the concept of perception as well as plays the French philosopher Renaud Barbaras. He starts with the replacement of the problem of perception between immanence and transcendence to indicate the fundamental features that characterize this phenomenon according to his own point of view: the subject of perception as a living subject and the essence of life as desire. It is not for him to approach the perception through what is not. To truly understand the perceived need to let us form with the perceptual experience itself, or rather, one must think according to their perception
The pascalian notion of Grace
A noção teológica de graça é um elemento fundamental da concepção pascaliana a respeito da natureza humana. Segundo o filósofo, o homem está submetido a uma tendência invencível à concupiscência e ao pecado, o que se explica pela doutrina do pecado original. Como este homem corrompido não tem força própria ou livre-arbítrio para sair sozinho desta condição de miséria, somente pela graça divina há perspectiva de salvação. Deste modo, a graça não deve ser entendida como um auxílio habitual, que todos podem utilizar segundo seu livre-arbítrio, mas como uma operação divina que quebra a tendência ao pecado e impõe outra tendência, igualmente invencível, à justiça.The theological notion of grace is a fundamental element of the pascalian conception of human nature. According to this philosopher, man is under an unbeatable tendency to cupidity and sin, what is explained by the doctrine of original sin. As this corrupted man doesn´t have enough strength neither free will to leave this condition of misery by himself, the only perspective of salvation is through divine grace. So, grace must not be understood as an usual help, that everyone can use according to his own free will, but as a divine operation which brakes the tendency to sin and imposes another tendency, equally unbeatable, to justice