Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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    A RELAÇÃO ENTRE POLÍTICA E RELIGIÃO EM MAQUIAVEL

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    Este artigo tem por objetivo destacar o papel da religião na perspectiva política de Maquiavel, a forma como a religião atende os interesses da política, bem como as nuanças constatadas na relação entre política e religião a partir dos interesses específicos de cada lado, esclarecendo assim a estreita relação histórica entre esses dois pilares essenciais à sociedade republicana. Veremos como se dá tal relação, tendo como pano de fundo a prática religiosa na política em diferentes situações, a partir d’O Príncipe e dos Discorsi

    Espinosa e Nietzsche: conhecimento como afeto ou paixão mais potente?

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    Nietzsche declara em uma carta de 1881 que sua filosofia e a de Espinosa partilham de uma “idêntica tendência geral”, resumida na fórmula: “fazer do conhecimento o afeto mais potente”. Contudo, em anotações do mesmo período da carta declara que se para Espinosa o conhecimento é um afeto para ele o conhecimento é uma paixão. O que significa, em Espinosa, definir o conhecimento como afeto e, em Nietzsche, o conhecimento como paixão? Para responder a esta questão delimitamos dois objetivos. Primeiro: compreender porque Espinosa define na Parte V da Ética o conhecimento de terceiro gênero como o afeto mais potente e não um paixão. Para tanto, precisamos verificar: 1. a distinção entre os termos paixão e afeto no contexto da teoria dos afetos (Parte III); 2. a relação entre a teoria dos três gêneros do conhecimento (Parte II) e a teoria dos afetos (Parte III). Segundo: examinar o que significa, para Nietzsche, o conhecimento como paixão. Delimitamos essa pesquisa aos textos do período da carta tendo por fio condutor as expressões: “paixão do conhecimento” (Erkenntniß der Leidenschaft) e “nova paixão” (neue Leidenschaft)

    Apresentação

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    LEO STRAUSS: UMA NOVA FIGURAÇÃO DO MAQUIAVELISMO

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    Analisaremos o comentário produzido por Leo Strauss a partir dos textos de Maquiavel no livro Thoughts on Machiavelli. Com base na crítica do método de leitura e escrita dos textos filosóficos de Strauss, podemos perceber que a operação interpretativa de Strauss consiste na construção de uma nova figuração do velho maquiavelismo que assaltou a obra de Maquiavel desde que passou a ser censurada pelos padres. A enunciação da tese de que o ensinamento de Maquiavel é diabólico consiste apenas no traço mais superficial e evidente da interpretação teológica de Strauss, pois sob a sua nova figuração do “maquiavelismo” podemos ver ao fundo o seu projeto de destruição da filosofia moderna para insinuar uma certa e determinada filosofia contemporânea como se fosse o reestabelecimento da filosofia política clássica.

    LE TRAVAIL DE L’ŒUVRE MACHIAVEL, DE CLAUDE LEFORT

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    NOTAS SOBRE A ATUALIDADE DO REPUBLICANISMO DE MAQUIAVEL ENTRE DUAS MATRIZES TEÓRICAS DA DEMOCRACIA

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    Trata-se, neste trabalho, de refletir acerca da recuperação do republicanismo de Nicolau Maquiavel para o debate democrático contemporâneo. Com esse intento, entre as muitas atualizações possíveis do pensamento do secretário florentino para os dias atuais, destaco duas matrizes conceituais, justamente aquelas mais concernidas com as noções de liberdade e ação política popular. Seguindo as sugestões de Helton Adverse, procuro então aprofundar e esclarecer a sua proposta de uma matriz “institucional” e uma matriz “conflitiva” quando da interpretação e recuperação das ideias de Maquiavel

    As astúcias da cumplicidade: sobre a suposta influência de Spinoza sobre Marx

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    No presente artigo, debatemos a hipótese relativa à suposta influência de Spinoza na obra de Marx. Partindo de uma frase escrita por Althusser – “[Spinoza] é o único ancestral direto de Marx” –, buscamos demonstrar que a relação entre Spinoza e Marx não tem fundamento no nível historiográfico, mas, sobretudo, no nível das afinidades teóricas. Este argumento é confirmado através da leitura que Marx fez de Spinoza em 1841 com a refutação de Spinoza elaborada por ele em A Sagrada Família. Contrariamente ao que poderíamos esperar, quando Marx abandona sua fase mais pronunciadamente idealista, denominada kantiana-fichteana por Althusser, ele se insurge, simultaneamente, contra Spinoza. Assim, contra o spinozismo, Marx mobiliza, contudo, um arsenal de reflexões teóricas que poderia ser atribuído a Spinoza. Por uma astúcia dos encontros, é negando Spinoza que Marx se torna seu cúmplice intelectual

    Notícias de 2013 e 2014

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    Espinosa Revolucionário

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    Maquiavel, Espinosa e Marx – sempre em contraposição a Hobbes, Rousseau e Hegel – são tomados por Antonio Negri, repetidas vezes, como filósofos ligados à revolução. Neste artigo será destacada a construção da imagem de Espinosa como um revolucionário, procurando atentar para as posições críticas de Negri em relação à ideia de mediação. O objetivo é explicar, a partir de certas passagens de A anomalia selvagem, como esta imagem pode ganhar alcance histórico e político como projeto presente, sobretudo na perspectiva apontada por Negri & Hardt em certa passagem de Multidão

    Por que a dialética se aventura? a história, a política, a liberdade e seus caminhos tortuosos

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    Ao propor uma dialética aberta a aventuras (ou seja, a contingências e acasos), trataremos nesse artigo de desvendar o porquê dessa noção de aventuras que Merleau-Ponty atribui ao termo dialética, tão caro em várias tradições e correntes filosóficas. Ao retomar a noção chave de preconceitos clássicos, Merleau-Ponty descobre duas formas análogas de política assentadas sobre o pensamento objetivo, as políticas de razão e as de entendimento, nas quais o papel do acaso e das contingências políticas é claramente excluído. Ora, é ao analisar Max Weber (no primeiro ensaio da obra supracitada), em suas considerações acerca da relação entre religião e economia (protestantismo e capitalismo) que Merleau-Ponty aponta os caminhos e as fissuras pelas quais a contingência se infiltra na dialética histórica e constrói, com o auxílio dos acasos e dos imprevistos, uma percepção da política e da liberdade

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