Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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Leibniz: o infinito no corpo orgânico
O corpo orgânico é concebido como uma unidade e pode ser pensado como substância corpórea. A relação entre alma e corpo não é apenas uma relação de harmonia preestabelecida entre uma mônada dominante e infinitas mônadas, mas também um vínculo substancial entre mônadas. A união substancial e a harmonia preestabelecida são duas explicações possíveis e compatíveis a respeito do mesmo. Embora a explicação do “vínculo” só compareça na correspondência entre Leibniz e Des Bosses, as grandes teses a respeito do corpo já estavam dadas na filosofia de Leibniz desde 1686
LIBERDADE COMO EXPRESSÃO DE PERFEIÇÃO EM SPINOZA
O artigo examina a concepção spinozista de liberdade. Ele mostra que ela é inseparável das noções de realidade e perfeição. Primeiro, o artigo examina a concepção de essência que a obra de Spinoza propõe. Em seguida, ele mostra o sentido que Spinoza atribui à noção de perfeição e seu vínculo interno com a noção de realidade. Na conclusão, mostra como a liberdade humana é expressão da plenitude da realidade e perfeição do indivíduo
REALISMO, CONFLITO E CONHECIMENTO: ACERCA DA RELAÇÃO ENTRE O GOVERNANTE E A FORTUNA EM MAQUIAVEL E ESPINOSA
O objetivo do presente texto é retomar a discussão sobre a presença do pensamento de Maquiavel nas obras de Espinosa, observando a figura do governante que se defronta com a Fortuna. Começamos nossa leitura mostrando como no realismo maquiaveliano acerca do poder, especialmente em O Príncipe, o governante assume a condição de alguém que se põe na situação de embate. Já no Tratado Teológico-Político a relação do governante com a Fortuna será daquele que deve decifrar os desígnios da potência infinita de Deus. Ao final, faremos uma leitura de trechos das obras políticas destes dois filósofos para mostrar que, em Maquiavel, a relação que se estabelece entre o homem de ação e a Fortuna é de enfrentamento e, no caso de Espinosa, ela se compreende no registro do conhecimento
OU DEUS OU NADA (A EXIGÊNCIA KANTIANA DE UM FUNDAMENTO INTERSUBJETIVO PARA DEUS CONTRA O HORROR ESPINOSISTA)
A partir da análise das críticas de Kant a um uso desmedido e acrítico da razão contidas em Que significa orientar-se no pensamento?, ensaio que marca a intervenção do autor na célebre Querela do panteísmo, pretendemos: 1) discernir a operação kantiana de assimilação entre pensamento e comunicação contra o denunciado subjetivismo de seus adversários; em seguida, 2) destacar que o criticismo em momento algum se propõe a inovar em assuntos morais, mas sim 3) exige uma fundamentação intersubjetiva da moralidade tal como tradicionalmente concebida
A vivência ético-política-afetiva na comunidade.
O presente artigo propõe refletir sobre a vivência ético-política-afetiva na comunidade. Discute-se três pontos principais: 1. Como se dá a ética, a política e os afetos em uma comunidade a partir da Filosofia de Espinosa. 2. Partindo-se da compreensão da dinâmica dos afetos como se pode compreender a liberdade e a servidão na vivência comunitária. Como a comunidade age ou não de tal forma que a liberdade ou a servidão, respectivamente, passam a ser vivenciadas no ambiente comunitário? O que poderá favorecer a liberdade ou a servidão? 3. Proposta de uma ação compartilhada dos profissionais. O objetivo dessa análise é revisitar a reflexão sobre ética, política e afetos na comunidade e, a partir de Baruch de Espinosa, proporcionar uma análise que reatualize o que seja comunidade na perspectiva essa revisitação. O conceito de comunidade que esse artigo se refere diz respeito ao conjunto de pessoas que convivem no mesmo território ou no mesmo bairro e que, no quotidiano, vivenciam diversas experiências. Tem-se como reflexões principais que, mediante a compreensão da dinâmica instável dos afetos, os profissionais que ‘atuam’ em comunidades, poderão ter uma visão mais ampla sobre suas práticas e se as mesmas fomentam ou aumentam estados de servidão ou se, ao contrário, contribuem para a liberdade da comunidade e dos indivíduos.