Cadernos Espinosanos (E-Journal)
Not a member yet
    476 research outputs found

    Cartas de Espinosa a Hudde

    Get PDF
    A correspondência entre Spinoza e Johannes Hudde (1628-1704) é, na verdade, um conjunto de três epístolas, todas de autoria de Spinoza. Os escritos originais em holandês se perderam e os únicos existentes são as versiones latinas (provavelmente, feitas pelo próprio Spinoza) que constam nas Opera Posthuma (OP), da qual foram retraduzidas para o holandês a fim de compor os Nagelate Schriften (NS). O texto latino oferecido e sobre o qual nos valemos foi o da edição crítica de Carl Gebhardt. Dentre as traduções usadas como instrumentos de cotejo destacam-se a espanhola de Atilano Domínguez e a inglesa de Samuel Shirley. A intenção é, pois, oferecer ao leitor um documento de primeira ordem, tentando-se, quanto possível, conciliar a fidelidade às construções latinas, a nomenclatura conceitual da filosofia de Spinoza e uma leitura mais próxima do português do Brasil contemporâneo

    RAZÃO E DESRAZÃO EM POLÍTICA: SOBRE A ALEGADA “CIÊNCIA POLÍTICA” DE MAQUIAVEL

    Get PDF
    Maquiavel é geralmente considerado um precursor, senão mesmo o criador, da ciência política. Tal interpretação vê na obra do Florentino uma sistematização da racionalidade intrínseca à ação humana. Com tonalidades distintas, podemos vê-la em autores tão diferentes como Hegel, Meinecke ou Leo Strauss, que atribuem a Maquiavel a intuição do estado como princípio subjacente à autonomia do político e ao realismo. Estará, no entanto, esse princípio realmente presente na obra de Maquiavel? O presente texto questiona semelhante hipótese, sustentando, ao invés, que o Florentino pertence a um universo de pensamento onde o moderno conceito de estado se encontra ausente. Pelo contrário, a mistura de razão e desrazão, que é inerente à ação política, mas que o postulado fundador da ciência política dos modernos – o mito do estado, como lhe chama Cassirer – virá ocultar, ainda se encontra a descoberto

    CONSIDERAÇÕES ACERCA DA NOÇÃO DE AFETO EM ESPINOSA

    Get PDF
    O presente artigo tem como objetivo apresentar algumas considerações acerca de uma das noções chave da ética espinosana, a saber, a noção de afeto. Com essas considerações destacamos dois momentos: no primeiro, apontamos que, ao fazer uso da noção de afeto Espinosa pode pensar a afetividade humana de maneira distinta daquela pela qual foi pensada pela tradição, isso é, pode pensa-la não apenas do ponto de vista da paixão senão também da ação, o que implica, em outras palavras que, ser afetivo não corresponde necessariamente a ser passivo. No outro momento discorremos acerca das duas definições de afeto presentes na Ética, procurando esclarecer uma e outra, e mostrar o porquê de Espinosa apresentar duas definições distintas para uma mesma coisa

    NOTAS PRELIMINARES PARA UMA COMPARAÇÃO ENTRE MAIMÔNIDES E ESPINOSA

    Get PDF
    As críticas feitas a Espinosa no século XVII são as mesmas dirigidas a Maimônides cinco séculos antes. A maior surpresa não está na permanência das mesmas críticas apesar do tempo – a crítica ao racionalismo e naturalismo dos autores ao se referirem a Deus – mas no uso do pensamento de Maimônides para fundamentar as críticas a Espinosa. A “controvérsia maimonideana” e a “polêmica espinosista” possuem origem sócio-política e assumem a forma teológica daí decorrente. Faremos de modo breve uma comparação entre Espinosa e Maimônides sobre alguns aspectos da profecia, considerando que o Tratado Teológico-político polemiza também com o Moreh. Embora muitos elementos da concepção maimonideana estejam presentes no TTP, a diferença entre os dois autores é espantosa

    ENTREVISTA COM LAURENT BOVE

    Get PDF

    O PARADOXO DA LIBERDADE POLÍTICA EM SPINOZA: UMA HERANÇA DE MAQUIAVEL

    Get PDF
    O “paradoxo da liberdade” consiste em esta só poder ser atingida através da obediência, a qual é vista frequentemente como o contrário da liberdade. Neste artigo, demonstrar-se-á que o paradoxo começa por nascer em Maquiavel, o qual, porém, deixa-o em aberto ao colocar a liberdade tão-só dentro de um contexto de governação. Spinoza, contudo, dará um passo em frente na sua abordagem à liberdade política. Ele aborda esta problemática diretamente nos seus dois tratados políticos (o TTP e o TP) e ambos expressam o mesmo entendimento da liberdade, embora através de diferentes instâncias terminológicas. A solução spinozana combina um conjunto de critérios variados para a determinação da liberdade política, tanto da perspectiva do indivíduo como da perspectiva do Estado. Todavia, a sua combinação não é simples cumulação, mas sim uma complexa escala permitindo medir a liberdade em graus. Dessa maneira, Spinoza consegue fazer com que diferentes tipos de liberdade se compatibilizem com diferentes tipos de obediência

    MAQUIAVEL E A VIRTÙ POPULAR

    Get PDF
    Nas primeiras linhas de seus Discorsi, ao comparar a fundação de Roma com a fundação de Esparta, Maquiavel afirma: "(...) se Roma não teve a primeira fortuna, teve a segunda". Nesse artigo, examinaremos no que consiste a segunda fortuna e sua possível relação com a virtù popular. Opondo-se à tradição, que associa perfeição à indivisão social e ausência do conflito, Maquiavel mostra que foi exatamente a desunião entre a plebe e os grandes o fator que operou decisivamente em favor da perfeição da República e da vida livre

    CORRUPÇÃO HUMANA E JUSTIÇA EM PASCAL

    Get PDF
    Para Blaise Pascal, a corrupção decorrente do pecado original colocou o home em uma situação de total incapacidade de apreender a lei natural. Por isso, a lei não poderá ser senão convencional, o que, por outro lado, não implica total arbitrariedade por parte dos governantes. A própria estrutura ontológica do real impõe limites à tirania, o que implica uma noção de justiça válida para além das particularidades de cada povo. Por isso, mesmo no interior de uma obra com fortes preocupações apologéticas, Pascal consegue desenvolver reflexões políticas que instituem um campo autônomo em relação à religião

    Identidade entre ideia e volição na Ética de Espinosa

    Get PDF
    O objetivo desse artigo é explicitar, na medida do possível, as críticas formuladas por Espinosa em relação a Descartes, notadamente em sua doutrina do livre-arbítrio. As críticas são fundamentadas nas proposições 48 e 49 da parte II da Ética, além das objeções que a complementam. Essa análise se deterá especialmente na identificação que Espinosa realiza entre ideia e volição, sendo a ideia concebida como um ato de afirmação ou negação, de modo que a volição é constitutiva da ideia. Com essa análise, tentaremos evidenciar que a identidade entre ideia e volição não elimina o caráter voluntário da ação cognitiva do homem na filosofia espinosana. A crítica de Espinosa em relação ao conceito de vontade, entendida como uma faculdade abstrata, isto é um universal abstrato, visa a romper com a ideia de que a vontade é absolutamente livre. A vontade deixa de ser a faculdade que afirma a liberdade entre contrários e torna-se a afirmação da livre necessidade. É essa concepção de uma faculdade universal e abstrata que acarretará ilusão do livre-arbítrio

    Contemplação e medida dos afetos na Ética IV

    Get PDF
    O objetivo do artigo é analisar as aparições do termo contemplação na parte IV da Ética de Espinosa, destacando a relação deste conceito com a questão da medida dos afetos. Mostrando que os afetos têm, ontologicamente, a mesma natureza da imaginação, veremos que a intensidade dos afetos dependerá do “grau de afirmação de presença” que a imaginação correspondente contém. A razão, que também é afetiva em Espinosa, difere dos outros afetos na medida em que não pode ter excesso

    0

    full texts

    0

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Cadernos Espinosanos (E-Journal)
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇