Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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FINALISMO E SUPERSTIÇÃO EM ESPINOSA: A FALSIDADE DA LIBERDADE CAUSAL DA MENTE
O presente trabalho pretende investigar como a noção de superstição apresentada por Espinosa no Apêndice da Ética I tem sua gênese no fato dos homens julgarem livre sua capacidade de imaginar e desejar e, deste modo, ignorarem que estas também possuem causas que independem da vontade de um Deus criador. Para tal, iniciaremos nossa análise apresentando, a partir do Apêndice da Ética I, como os preconceitos que impedem a compreensão de Deus podem ser resumidos a um só, a saber, o preconceito finalista. Em seguida, explanaremos a tese espinosana de como o preconceito finalista se transforma em superstição, que tem como causa o medo que se origina nos amores imoderados dos homens pelos bens da fortuna. Finalmente, a partir de algumas passagens da parte II da Ética evidenciaremos como essas ideias derivam do equívoco dos homens em julgar livre sua capacidade de imaginar, ignorantes das causas que naturalmente os determinam
Razão e apologética no argumento da Aposta de Pascal
O argumento da Aposta é talvez o fragmento que melhor sintetiza o sentido da apologia que Pascal pretendera realizar nos Pensamentos e a forma de que ele se utiliza da razão para guiar o incrédulo a buscar a fé cristã. A razão parece fornecer somente uma orientação prática ao homem. Impossibilitado de determinar com certeza a existência divina, Pascal pretende demonstrar por meio do cálculo de probabilidade como a aposta cristã é a mais razoável e rentável para o incrédulo. Assim, a argumentação de Pascal visa garantir que o incrédulo faça tudo o que for possível para adquirir a fé, caso estivesse entre os desígnios de Deus infundir-lhe essa graça
ESTADO COMÚN CONTRA LA DEVASTACIÓN: SPINOZA EN TRES RELATOS JUDÍOS
El presente texto trata sobre el vínculo entre spinoza y el judaísmo contemporáneo. Para ello, considera tres relatos de escritores judíos (Baschevis Singer, Bernard Malamud y Amos Oz) en los que spinoza aparece como figura central y una polémica reciente sobre spinoza y los judíos que tiene por referentes a Jean-Claude Milner e Iván Segré, no exenta de implicancias para la actual cuestión palestina
DETERMINAÇÃO E CETICISMO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES, A PARTIR DO PROBLEMA DO CETICISMO, SOBRE HEGEL, SUAS COMPREENSÕES DE DETERMINAÇÃO E SUA INTERPRETAÇÃO DA FILOSOFIA DE ESPINOSA
Resumo: Em nosso artigo, compararemos, a partir do problema do ceticismo, as diferentes compreensões que Hegel tem, em sua juventude e em sua maturidade, do que seja determinação e de como sua concepção de determinação se afastaria ou não da concepção de Espinosa. De fato, como pretendemos mostrar, uma dimensão pouco explorada e, contudo, fundamental para compreender como o Hegel de maturidade pretende distinguir a sua concepção de determinação daquela de Espinosa, é o esforço hegeliano de oferecer uma resposta satisfatória ao ceticismo, por meio da qual a filosofia possa adquirir o estatuto de um conhecimento verdadeiramente seguro e bem fundamentado. Nesse sentido, será fundamental mostrar como a própria concepção hegeliana de determinação passou por mudanças significativas desde seu período de juventude até a sua maturidade, e como isso foi central para a reavaliação que o Hegel de maturidade faz da filosofia de Espinosa e da compreensão que este teria determinação.
Verdade, expressão e contingência em Leibniz
O trabalho pretende abordar as relações entre a doutrina coerentista da verdade tal como concebida por Leibniz e os limites que esta aparentemente impõe à possibilidade de se dizerem contingentes os eventos que têm lugar no universo e o próprio mundo enquanto sistema geral de fenômenos. Nosso principal objetivo será analisar como é possível compatibilizar esses dois aspectos capitais da filosofia leibniziana a partir da teoria da expressão, uma vez que precisamente nesta teoria reside a principal condição de constituição das noções completas às quais inerem os acontecimentos, e, por conseguinte, o mundo. Com efeito, muito embora seja tributária da concepção de verdade como inclusão, a teoria dos conceitos individuais completos não se deixa explicar exaustivamente pela doutrina coerentista, uma vez que a própria completude de tais conceitos depende de sua pertença a um conjunto de compossíveis em relação aos quais mantém uma série de relações de expressão. E é precisamente dessas relações de entre-expressão que acreditamos derivar a infinidade de circunstâncias integrantes das noções individuais, as quais tornam esses seres inexplicáveis em termos estritamente lógicos, e as quais, portanto, são a raiz da natureza contingente da maior parte das predicações relativas a indivíduo
A POLÍTICA E O CAMPO DAS APARÊNCIAS EM MAQUIAVEL E VICO
A relação entre política e aparência desenvolvida por Maquiavel no Príncipe tem sido vista como uma chave de leitura fundamental da obra do pensador florentino. Maquiavel teria mostrado que é condição da política desdobrar-se na aparência, ou seja, na dimensão simbólica do imaginário coletivo. Esta mesma relação também é colocada de modo emblemático pelo filósofo napolitano Giambattista Vico, autor raramente citado quanto à recepção de Maquiavel, mas que explora ou retoma temas afins. A questão é saber até que ponto Vico segue pela via aberta por Maquiavel ou dela se afasta. Portanto, é o percurso e a direção desta retomada que gostaria de indicar neste trabalho, tendo em vista que, tanto Vico quanto Maquiavel, dialogam com a antiga tradição filosófica que, de Platão a Plutarco, já discutia o assunto
Notas sobre lógica e responsabilidade moral em Leibinz
Resumo:É pretendido, neste pequeno texto, mostrar como Leibniz se insere de modo bem peculiar na tradicional discussão filosófica acerca da liberdade do agente num mundo governado pelo princípio de razão suficiente. A questão posta por Arnauld, em carta de 13 de março de 1686, além de forçar Leibniz a dar esclarecimentos sobre a solução que adotou, também é importante por carregar certos resquícios do modo pelo qual Aristóteles abordou este tema. Também deve ser notado que, apesar da ruptura que a solução leibniziana faz com a tradição aristotélica, vários outros pontos da filosofia de Aristóteles são aceitos para a construção e resolução do problema
NECESSIDADE, DETERMINAÇÃO E LIBERDADE NA CRIAÇÃO DO MUNDO DE ACORDO COM A FILOSOFIA DE LEIBNIZ
Neste artigo, pretende-se fazer uma breve exposição dos conceitos de necessidade física e metafísica em relação à criação do mundo, conforme presentes na filosofia leibniziana. Esta exposição discorrerá sobre seu vínculo com o princípio de razão suficiente e com as perfeições física (ou metafísica) e moral do mundo criado. Para tal, será explicitado por que a necessidade física do mundo deve derivar da necessidade metafísica e quais as decorrências disto. A questão da liberdade divina também será problematizada, na medida em que tal questão surge da própria apresentação de uma certa determinação presente na vontade divina