Cadernos Espinosanos (E-Journal)
Not a member yet
    476 research outputs found

    CÉSAR SONHA COM UM MUNDO EM QUE NÃO ATRAVESSOU O RUBICÃO?

    Get PDF
    Em Androides sonham com ovelhas elétricas?, Philip Dick recria a visão divina dos infinitos mundo possíveis (dos quais o Deus leibniziano só levará à existência aquele que contenha a maior quantidade de essência possível) a partir da perspectiva das criaturas, isto é, a partir da visão dos mundos extintos que lhe aparecem no momento de hesitação garantido pelo livre arbítrio. Minha hipótese é que a passagem dos mundos possíveis no intelecto divino à forma que assumem na indiferença da vontade das criaturas tem uma dimensão geométrica. Pensar a curva do mundo atual a partir da série dos mundos menos perfeitos do Deus leibniziano é pensá-la a partir de suas infinitas retas tangentes, a partir, portanto, de suas distopias, que não são uma contradição em relação a esse mundo, mas tocam-no em algum ponto, são seu máximo desvio a partir de uma mínima diferença.

    LEIBNIZ: FROM THE CONTINGENT EXISTENCES TO THE NECESSARY EXISTENCE

    Get PDF
    Este artigo visa, primeiramente, reconstruir o modo através do qual Leibniz apresenta, em alguns de seus textos, uma prova a posteriori da existência de Deus. Para tanto, pretende-se demonstrar a centralidade do Princípio de Razão Suficiente aplicado à contingência da existência de um mundo em geral. Uma vez demonstrada a existência de Deus por essas vias, ainda nos apoiando no Princípio de Razão Suficiente – agora aplicado à existência deste mundo em específico –, discutiremos a teoria dos mundos possíveis e a consideração leibniziana segundo a qual o Mundo Atual é o mais perfeito possível (LEIBNIZ, 2004c, p. 159). This article aims to reconstruct the way by which Leibniz presents in some of his texts an a posteriori proof of God’s existence. To this end, we intend to demonstrate the centrality of the Principle of Sufficient Reason applied to the contingency of the passage to the existence of a given world. Once demonstrated the existence of God by these ways, and still taking into account the Principle of Sufficient Reason - now applied to the existence of this world in particular -, we will discuss the theory of possible worlds and Leibniz’s thesis according to which the Actual World is the most perfect possible

    A TEORIA CARTESIANA DAS VERDADES ETERNAS NA INTERPRETAÇÃO DE ESPINOSA

    Get PDF
    O artigo tem como objetivo investigar a recepção da teoria cartesiana das verdades eternas no pensamento de Espinosa. Como é demonstrado por várias ocorrências presentes nas suas obras, o filósofo holandês tinha um conhecimento profundo e articulado da doutrina de Descartes. Contrariamente à maioria dos filósofos mais importantes do período, Espinosa não se limitou a rejeitar a teoria, mas tentou incorporá-la e integrá-la na sua reflexão para mudá-la no interior: ao aceitar uma parte dos seus pressupostos – centralidade da causação eficiente de Deus, criação da essência e da existência das coisas –, Espinosa acabava assim por negar as suas consequências metafísicas.  This paper aims to investigate the reception of the Cartesian theory of eternal truths in Spinoza’s thought. As demonstrated by several occurrences in his works, he had a deep and articulated knowledge of Descartes’s doctrine. Unlike most of important philosophers of the period, Spinoza did not simply reject the theory, but he tried to incorporate and integrate it in his own reflection. For this reason, by accepting some of its premises – the centrality of God’s efficient causation, the creation of both the essence and the existence of things –, Spinoza ended up by refuting its metaphysical consequences

    DELEUZE E LEIBNIZ: UM ÚNICO LANCE DE DADOS OU A UNIVOCIDADE DO SER E A EQUIVOCIDADE DE SEUS SENTIDOS

    Get PDF
    Em diversos momentos de sua trajetória filosófica Deleuze recorre à Leibniz. Num primeiro momento para pensar a síntese ideal da diferença em Diferença e Repetição (1969), não sem antes ter tecido duras críticas ao infinito leibniziano. Neste artigo nos consagraremos a este momento. Buscaremos demonstrar a importância do conceito de causa imanente de Espinosa, assim como do princípio de razão suficiente e de suas funções no pensamento leibniziano. Apresentaremos a crítica deleuziana do conceito de identidade em Leibniz e a interpretação do cálculo diferencial que serve de base para a construção do processo de determinação conceitual, ou seja, para a síntese ideal da diferença, tema do capítulo IV de Diferença e repetição. A relevância deste artigo está na tentativa de demonstrar que a tese da univocidade do ser não pode ser compreendida sem sua contrapartida, a equivocidade dos sentidos através dos quais o ser se diz e em explorar consequências desta tese para a reconstrução deleuziana da relação empírico-transcendental. Procuraremos demonstrar que Deleuze precisa recorrer a Leibniz para pensar a diferença ilimitada.

    INTUITIVE SCIENCE, PHILOSOHPHY OF THE PRAXIS AND POIESIS IN THE POLITICAL TREATISE

    No full text
    Nosso propósito é investigar o sentido das afirmações de Espinosa no Tratado Político em torno da praxis e da política como ciência prática. Iniciaremos por indicar como Espinosa reformula a divisão clássica entre as ciências teóricas, práticas e poiéticas a partir de uma leitura crítica de Bacon no contexto mais amplo da gênese da filosofia moderna no século XVII. O foco inicial se encontra na dissolução da oposição abstrata entre teoria e prática. Em seguida, passamos à questão da poiesis para verificar de que maneira as artes da produção são repensadas por Espinosa a partir da nova maneira de pensar os vínculos entre teoria e prática. Dessa maneira esperamos contribuir para as investigações acerca da política de Espinosa como “ciência prática”.    The purpose of this article is to investigate the meaning of politics as a practical science in Spinoza’s Political Treatise. First, we shall indicate how Spinoza recasts classical division between theoretical sciences, practical sciences and poietical sciences. The focus is on modern dissolution of abstract oppositions between theory and practice. Then we come to the question of poiesis to check how the arts of production are reconsidered by Spinoza from the new concept that stands in the unity between theory and practices. Finally, we hope to contribute for further investigations about Spinoza’s politics as a “practical science”

    MÚLTIPLOS MODOS DE AFIRMAR E NEGAR: UMA REFUTAÇÃO DA LEITURA ELEATA DE ESPINOSA PELA VIA DOS MODOS DE PERCEBER

    Get PDF
    A estrutura argumentativa deste artigo pode ser resumida no seguinte raciocínio: 1) Espinosa foi recorrentemente acusado de eleatismo; 2) há ruptura com o eleatismo quando se admite a multivocidade dos operadores lógicos “é” e “não é”; como se vê, por exemplo, 2.1) na discussão que introduz os Grandes Gêneros no Sofista de Platão, e 2.2) em certo uso que Aristóteles faz da doutrina das categorias para flexibilizar a versão parmenídica do Princípio de Não-Contradição. 3) Espinosa admite a multivocidade do “é” e do “não-é”. Logo, Espinosa não deve ser colocado entre os eleatas mas sim na irmandade dos suspeitos do chamado parricídio contra Parmênides. Este raciocínio, quase um truísmo, permitirá, não obstante, duas apreciações interessantes: uma acerca de como certa tradição interpretativa da filosofia de Espinosa colocou mal o problema da relação da ontologia espinosana com os princípios lógicos; outra acerca do tipo de lógica subjacente à teoria dos modos de percepção ou gêneros de conhecimento. The argumentative structure of this article can be summarized as follows: 1) Spinoza was repeatedly accused of eleaticism; 2) there is a rupture with the eleaticism when one admits the ‘multivocity’ of the logical operators “is” and “is not”; as can be seen, for example, 2.1) in the discussion introducing the Great Genera in Plato’s Sophist, and 2.2) in a certain use made by Aristotle of the category’s doctrine in order to soften the Parmenidean version of the Principle of Non-Contradiction. 3) Spinoza admits the ‘multivocity’ of “is” and “is not”. Hence, Spinoza should not be placed among the Eleatics but inside the brotherhood of the suspects of the so-called parricide against Parmenides. This reasoning, which almost sounds as a truism, will, however, suggest two interesting further considerations: one on how an important tradition of interpretation of Spinoza has misplaced the problem of the relationship of Spinoza’s ontology with the logical principles; and another on the type of logic that is implied by the theory of modes of perception or kinds of knowledge

    PERCEPÇÃO, AUTOCONSCIÊNCIA E CONTINUIDADE EM LEIBNIZ

    Get PDF
    De acordo com o Princípio da Continuidade, adotado por Leibniz, toda mudança ocorre gradativamente, havendo sempre um grau intermediário entre dois estados quaisquer. Esse princípio parece ser, contudo, incompatível com a doutrina leibniziana acerca da natureza da autoconsciência, uma vez que Leibniz, ao menos prima facie, sustenta haver uma diferença de natureza – e não apenas de grau – entre percepções inconscientes e conscientes, fornecendo esta distinção a base para a diferenciação ontológica das mônadas entre puras enteléquias, almas e espíritos. O objetivo principal do presente texto é sugerir uma forma de compatibilização do Princípio da Continuidade com a doutrina leibniziana da autoconsciência

    A CRÍTICA DO JOVEM LEIBNIZ AO MATERIALISMO HOBBESIANO A PARTIR DO CONCEITO DE CONATUS

    Get PDF
    Neste artigo, pretende-se indicar como o jovem Leibniz, em textos do início da década de 1670, como no Theoria Motus Abstracti e nas correspondências a Johann Friedrich e a Hobbes, apropria-se do conceito de conatus e da teoria da sensação de Hobbes para defender a existência de mentes incorpóreas, seres verdadeiramente indivisíveis, em oposição à redução hobbesiana da realidade a corpos e seus movimentos. Ademais, uma vez que a essência do corpo reside no movimento e não na extensão — como o filósofo afirma influenciado pelas teorias de Hobbes — e que o corpo, de acordo com os princípios do mecanicismo, não é fonte de seu próprio movimento, Leibniz argumentará que a sua substância deve residir em algo incorpóreo. Essa apropriação por parte de Leibniz do conceito de conatus e da teoria do movimento hobbesianos desempenhará, assim, um papel importante não apenas na rejeição da substância extensa cartesiana, como também na posterior reabilitação das formas substanciais, rejeitadas pelo autor na sua primeira juventude.

    DUAS CARTAS DE LEIBNIZ A SPARVENFELD

    Get PDF

    SOBRE CONTINGÊNCIA E LIBERDADE EM LEIBNIZ

    Get PDF
    O percurso argumentativo do Discurso de Metafísica encontra um momento de tensão quando se atinge o artigo 13, pois, após abordar Deus e a substância individual com caracterizações que induzem ao fatalismo, Leibniz procura afirmar a contingência e a liberdade tanto divina quanto humana. O exame que se segue tem como objetivo a descrição dessa dificuldade, bem como a apresentação de tentativas de solucioná-la – articulando as noções e respostas dadas no Discurso de Metafísica e outros textos de Leibniz, e buscando sempre manter uma coerência em relação à sua filosofia

    0

    full texts

    0

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Cadernos Espinosanos (E-Journal)
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇