Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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    A PENÚRIA DAS PALAVRAS: SPINOZA E A LINGUAGEM

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    A radical crítica à linguagem efetuada por Spinoza, que insiste em seu necessário potencial falsificador, parece equipará-lo aos seus contemporâneos. Mais do que isso, parece introduzir um problema insolúvel para a possibilidade de comunicação unívoca da verdade – incluindo a expressão dA radical crítica à linguagem efetuada por Spinoza, que insiste em seu necessário potencial falsificador, parece equipará-lo aos seus contemporâneos. Mais do que isso, parece introduzir um problema insolúvel para a possibilidade de comunicação unívoca da verdade — incluindo a expressão de sua própria filosofia. Neste artigo, procuro refletir sobre esta crítica e propor uma alternativa ao caráter imaginativo das palavras, apostando na distinção entre linguagem e método. Esta proposta interpretativa permitirá reclassificar a posição spinozista e manter sua originalidade frente às demais concepções de seu período histórico.e sua própria filosofia. Neste artigo, procuro refletir sobre esta crítica e propor uma alternativa ao caráter imaginativo das palavras, apostando na distinção entre linguagem e método. Esta proposta interpretativa permitirá reclassificar a posição spinozista e manter sua originalidade frente às demais concepções de seu período histórico.The radical critique of language made by Spinoza, which insists in its necessary potential for forgery, seems to equate him to his contemporaries. More than that, it seems to put an insoluble problem to the possibility of the unambiguous communication of the truth – including the expression of his own philosophy. In this article, I try to acknowledge this critique and propose an alternative to the imaginative character of words, investing in the distinction between language and method. This interpretation will allow us to reconsider the spinozist position and maintain its originality in the face of other conceptions of his historical period

    NOTÍCIAS

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    Notícias do segundo semestre de 2020

    IS THIS A MAN? - A MEETING BETWEEN PRIMO LEVI AND SPINOZA

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    A fortuna crítica spinozana registra que a partir da proposição 27 da Parte iii da Ética1 surge algo completamente original no exame da vida afetiva: a imitação dos afetos. A novidade spinozana em comparação com os seus contemporâneos é descrever a produção dos afetos não mais a partir de um objeto externo, mas da conduta de “alguma coisa”, ou “alguém”, a respeito de um objeto – considerando que essa produção se enraíza no fato de imaginarmos que esse “alguém” ou essa “alguma coisa” é semelhante a nós. A proposição encadeia uma longa sequência dedutiva que atravessa o restante da Parte iii, sustenta as proposições cruciais da Parte iv sobre a política e o direito e alcança o Tratado Político [i, v]. The spinozian critical fortune records that, starting withproposition 27 of Ethics Part iii, something completely original appearsin the examination of affective life: the imitation of affections. Spinoza’snovelty, in comparison with his contemporaries, is to describe theproduction of affections no longer from an external object, but from theconduct of “something”, or “someone”, on an object - considering thatthis production is rooted in the fact that we imagine that this “someone”or that “something” is similar to us. The proposition links a longdeductive sequence that runs through the rest of Part iii, supports thecrucial Part iv propositions on politics and law and reaches the PoliticalTreaty [i, v]. Our intention is to evaluate the meanings of this propositionin Spinoza’s political thought, based on a review of this problemin critical fortune - taking into account some passages in the works ofPrimo Levi (1919-1987). In particular the “Chemistry Test”, chapter ofthis book If This Is a Man? [Se questo è un uomo?]

    Univocity vs. Duality in Spinoza: Story of a misunderstanding

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    O presente trabalho aborda o problema do dualismo na ontologia espinosana. Este pretende reconstruir brevemente a história da discussão em torno desta problemática, com o fim de analisar como a tradição interpretou essência-existência, eternidade-duração, infinito-finito, substância-modos. O objetivo será expor os erros que surgem tanto por entender essas distinções como ontológicas quanto por ignorá-las. A nossa aposta será, em troca, uma leitura que permita reivindicar a dualidade em Espinosa, mas que ao mesmo tempo deixe ver que se trata de uma dualidade gnosiológica e não ontológica. Quer dizer, mostrar de que maneira as dualidades que encontramos na obra de Espinosa se referem à uma questão de perspectivas ou  de modos de conhecer o real e não de extratos do ser. Acreditamos que deste modo a dualidade não só envolve uma compatibilidade com a unidade do ser, mas também permite uma compreensão mais acabada do autêntico espírito da filosofia de Espinosa.El presente trabajo aborda el problema dualista en la ontología spinoziana. Éste pretende reconstruir brevemente la historia de la discusión en torno a esta problemática, con el fin de analizar en qué términos interpretó la tradición las duplas esencia-existencia, eternidad-duración, infinito-finito, sustancia-modos. El objetivo será poner de manifiesto los errores que surgen tanto de entender estas distinciones como ontológicas, como de ignorarlas. La apuesta será, en cambio, la de una lectura que permita reivindicar la dualidad en Spinoza, pero que deje ver en qué sentido esta es una dualidad gnoseológica y no ontológica. Es decir, mostrar de qué manera las duplas que encontramos a lo largo de la obra de Spinoza refieren a perspectivas o modos de conocer lo real, y no a estratos del ser. Creemos que, de este modo, la tan denostada dualidad no sólo se vuelve compatible con la univocidad del ser, sino que permite una comprensión más acabada del auténtico espíritu spinozista.The following paper addresses the problem of dualism in Spinoza’sontology. It aims to briefly reconstruct the story of the discussion around this problem in orderto analyze howthe philosophical traditionhas interpreted the dualities of essence-existence, eternity-duration,infinite-finite, substance-modes. The goal is to shed light on the inaccuraciesthat arise from understanding these as ontological distinctionsas well as from ignoring them entirely. Our proposal is to expose aninterpretation that allows us to claim Spinoza’s duality, in a way thatpresents it as a gnoseological duality instead of an ontological one, thatis, to show how the duplicity refers to perspectives or ways in whichhumans conceive reality. We believe that, in this way, duality does notonly become compatible with the univocity of being but also provides adeeper comprehension of the authentic Spinozistic spirit

    THE STATUTE OF ALGEBRA AND GEOMETRY IN THE METHODOLOGICAL TEXTS OF DESCARTES

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    O caráter protocolar desempenhado pelas matemáticas na formulação do conceito cartesiano de ciência é amplamente difundido e frequentemente reinvocado na literatura especializada quando se trata de abordar a exigência apodítica inerente a este conceito. No entanto, pouco se explora o que a diversidade das disciplinas matemáticas (álgebra, geometria e aritmética) bem como a relação entretida por elas permite trazer de elucidação à noção cartesiana de ciência. Nosso propósito consiste, aqui, em tomar posição quanto a um debate acerca do estatuto da álgebra e da geometria como disciplinas que fixam os lineamentos da teoria cartesiana do conhecimento ao exibirem o que Descartes reputaria como a aplicação ideal do intelecto. Trata-se de insistir, por vias que assinalam uma decisão teórica em favor de uma concepção mais intelectualista e menos imaginativa da ciência, que não há hesitação quanto ao papel primitivo e fundacional da álgebra se comparada à geometria.    This article aims to show that algebra plays a more fundamental role than geometry in the cartesian theory of knowledge. For this purpose, we have tried to show that resources for imaginative constructions are used, in Geometry, for only to promote the engagement of the classic geometer and to persuade him that algebric operations can be employed in geometry.   &nbsp

    TO IMAGINE OR TO CONCEIVE THE INFINITE UNIVERSE: BRUNO, KEPLER AND SPINOZA

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    O Renascimento é, dentre muitas outras coisas, a redescoberta do Infinito. Nela, o filósofo e mago Giordano Bruno ocupa, no século XVI, o centro do debate. Mas já no século seguinte, o astrônomo Johannes Kepler irá refutar a noção renascentista de infinito, com base nos pressupostos da ciência empírica nascente. Este artigo busca estabelecer uma aproximação do primeiro e um distanciamento do segundo em relação à ideia de Infinito em ato de Espinosa. Aproximação e distância que marcam, aqui, a diferença entre conceber ou imaginar o Infinito. E sob essa diferença, são os pressupostos teológicos que assombram os pensamentos de Bruno e Kepler como um underlying ghost.  The Renaissance is, among many other things, the rediscovery of Infnity. At the center of this debate, in the 16th century, is the philosopher and wizard Giordano Bruno. But right after, in the following century, the astronomer Johannes Kepler will refute the Renaissance notion of infnity, based on the assumptions of the nascent empirical science. This article seeks to establish an approximation of Spinoza’s idea of Infnity in act to the frst and to distance Spinoza’s notion from the second. Approximation and distance here indicate the diference between conceiving or imagining the Infnite. Under this diference, it is the theological assumptions that haunt Bruno and Kepler’s thoughts as an underlying ghost

    FROM FLOW TO PRESENCE: NOTES ON TIME AND ETERNITY IN PASCAL

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    O artigo propõe, a partir do estudo de diversos escritos de Pascal, se voltar ao que o pensador seiscentista teria considerado acerca do tempo e da eternidade: o que seriam, se e como se relacionariam. Para tanto, será esboçado, primeiramente, um percurso que passará pelo estudo da condição humana, com a descrição de sua situação de desproporção e miséria, e da condição das coisas da vida mundana também, ademais ao homem, até se chegar à compreensão da existência de uma outra ordem; o que marcará, então, um percurso do tempo à eternidade, ou, como se verá, do escoamento à presença.The article aims to, from the study of several writings of Pascal,return to what the seventeenth century thinker would have consideredabout time and eternity: what they would be, if and how they wouldrelate. For this, it will be firstly outlined a course that will go through thestudy of the human condition, describing its situation of disproportion and misery, and the condition of the things of worldly life, in addition to man, until the understanding of the existence of another order is reached. This will then mark a course from time to eternity, or, as it will be seen, from flow to presence

    SPINOZA’S ETHICS AND PHILOSOPHY OF EDUCATION

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    O objetivo do texto é apresentar o interesse e algumas possibilidades do diálogo entre a ética espinosana e a filosofia da educação. Para tanto, propõe-se uma apresentação da filosofia espinosana com ênfase em certos aspectos que possam ser úteis ao estabelecimento desse diálogo, por exemplo o lugar privilegiado da figura da criança em algumas passagens da Ética. Por fim, trata-se de sugerir uma articulação entre o conceito espinosano de alegria e a prática pedagógica, discutindo o problema central do devir ativo.The objective of this text is to present the interest and somepossibilities of dialogue between Spinoza’s ethics and the philosophy ofeducation. To this end, we propose a presentation of Spinoza’s philosophywith emphasis on certain aspects that may be useful in establishing thisdialogue, for example the privileged place of the child in some passagesin Ethics. Finally, we suggest an articulation between Spinoza’s conceptof joy and the pedagogical practice, discussing the central problem ofbecoming active

    RESENHAS: ESTUDOS CARTESIANOS NO BRASIL: 2015-2020

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    Trazemos nesta presente edição seis resenhas de livros de e sobre Descartes, abarcando diversos temas de suas obras, publicados entre 2016 e 2019. Embora não se pretenda exaustiva, ela busca traçar um retrato do estado atual dos estudos cartesianos no Brasil. Dos livros resenhados, há duas traduções: a primeira tradução integral do Discurso do método & Ensaios para o português, em uma tradução organizada por Pablo Rúben Mariconda, e a tradução inédita do clássico livro de Martial Gueroult, Descartes e a ordem das razões. Os demais são de pesquisadores brasileiros, e abordam os mais diversos temas da filosofia de Descartes, como a metafísica (Indiferença de Deus e o mundo dos humanos segundo Descartes, de Ethel Rocha), a física e a moral (Sobre a generosidade e A ciência em Descartes, ambos de Érico Andrade) e a escrita (Descartes e o ódio à escrita, de Ulysses Pinheiro). Essa coletânea pretende ser a primeira de uma série de coletâneas temáticas, constituídas por resenhas breves, que ambicionam divulgar a produção recente sobre a filosofia seiscentista publicada nos últimos anos em língua portuguesa. Esperamos que elas contribuam para fomentar o debate e a circulação das obras entre as pesquisadoras e os pesquisadores do pensamento do século XVII e para apresentá-las ao público em geral

    SELF-LOVE AND IMAGINATION IN PASCAL

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    O objetivo deste artigo é examinar a concepção pascaliana de imaginação, na sua articulação necessária com a noção de amor próprio. Derivada da teologia agostiana, a noção de amor próprio se identifca com a noção de orgulho e é uma das três concupiscências fundamentais que regem o homem decaído quando este não tem o auxílio da graça. Pascal vai mais longe que Agostinho e faz desta paixão o traço defnidor do homem decaído, conduzindo-o na sua relação tirânica com os outros homens. O instrumento do amor próprio para alcançar seus objetivos é precisamente a imaginação, faculdade enganadora que, mesmo contra a razão, faz a estimativa de valor de todos os objetos e é o fator essencial de determinação da felicidade puramente humana.The purpose of this article is to examine Pascal’s conception of imagination in its necessary articulation with the notion of self-love. Derived from Augustinian theology, the notion of self-love is identifed with the notion of pride and is one of the three fundamental cupidities that rule the fallen man when he is not under the action of divine grace. Pascal goes further than Augustine and makes this passion the defning feature of the fallen man, leading him in his tyrannical relationship with other men. The instrument of self-love to achieve its goals is, precisely, imagination, a deceptive faculty that, even against reason, estimates the value of all objects and is the essential factor in determining purely human happiness

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