Cadernos Espinosanos (E-Journal)
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Leibniz\u27s expressive philosophy, by Tessa Lacerda
Resenha de: Lacerda, Tessa. A Filosofia Expressiva de Leibniz. São Paulo: Edusp, 2025.Book review: Lacerda, Tessa. A Filosofia Expressiva de Leibniz. São Paulo: Edusp, 2025
The waiting of Pascal and the waiting of Bergson: establishing a dialogue between Gilda de Mello e Souza, David Lapoujade e Franklin Leopoldo e Silva
Em seu artigo sobre Pascal e Bergson, Franklin Leopoldo e Silva procura dialogar ambos os pensadores chegando a alguns pontos de convergência que, em seu cerne, orbitariam em torno de uma noção, distinta a ambos porém presente nos dois, de intuição como contato com a Totalidade. Tendo esse artigo de Leopoldo e Silva como horizonte, procuraremos explorar o sentido próprio dessa Totalidade para Pascal e para Bergson, enfatizando a questão em seu sentido temporal: para Pascal, tratar-se-ia de uma Totalidade no seu sentido de eternidade como presença em Deus; ao passo que para Bergson, tratar-se-ia da duração. Nesse sentido, a própria experiência da temporalidade ganharia uma conotação distinta em cada filósofo, e qualificaria distintamente o movimento à dita Totalidade. Com vistas a essa descrição final, na qual esse movimento à Totalidade conotaria uma espera, buscaremos qualificar tais diferenças pleiteando as considerações de Gilda de Mello e Souza sobre a espera em Pascal, em um ensaio crítico sobre Esperando Godot de Samuel Beckett, e de David Lapoujade sobre a espera em Bergson, em sua obra Potências do tempo.In his article on Pascal and Bergson, Franklin Leopoldo e Silva seeks to compare the two thinkers, reaching some points of convergence that, at their core, would orbit around a notion - distinct to each, yet presente in both - of intuition as contact with the Totality. Having this article by Leopoldo e Silva as a framework, we will explore the proper meaning of this Totality for Pascal and for Bergson, emphasizing the issue in its temporal sense: for Pascal, it would be a Totality in its sense of eternity as a presence in God, whereas for Bergson, it would be in its sense of duration. Thus, the experience of temporality itself would gain a different connotation in each philosopher, and would distinctly qualify the movement towards the so-called Totality. Aiming at this final description, in which this movement towards Totality would connote a wait, we will seek to qualify such differences by invoking Gilda de Mello e Souza’s considerations on waiting in Pascal, in a critical essay on En attendant Godot by Samuel Beckett, and David Lapoujade on the waiting in Bergson, in his work Puissances du temps
O indivíduo e a comunidade: considerações sobre o conceito de natureza humana em Espinosa
Este artigo investiga o conceito de natureza humana em Espinosa, destacando as ambiguidades em sua articulação com noções como essência, singularidade e universalidade. O problema central reside na aparente contradição entre a essência como princípio singularizador e a possibilidade de uma natureza humana comum. Defende-se que Espinosa redefine a essência como propriedade recíproca à coisa singular (EII def. 2), excluindo abstrações universais (como no modelo aristotélico) e vinculando-a ao conatus (EIII P6) e às noções comuns. O percurso argumentativo divide-se em: (1) análise da redefinição da essência; (2) exame da totalização como estrutura que integra o singular ao todo; (3) discussão da individuação via conatus; e (4) reconciliação entre singularidade e comunidade na natureza humana. Conclui-se que a essência humana, em Espinosa, é dinâmica, fundada em leis naturais que unem o particular e o coletivo.This paper examines Spinoza’s concept of human nature, focusing on the ambiguities in its relationship with notions such as essence, singularity, and universality. The central problem lies in the apparent contradiction between essence as a singularizing principle and the possibility of a common human nature. The argument posits that Spinoza redefines essence as a property that is reciprocal to the singular thing (EII def. 2), rejecting universal abstractions (such as the Aristotelian model) and linking it to the conatus (EIII P6) and common notions. The analysis unfolds as follows: (1) redefinition of essence; (2) totalization as a structure integrating the singular into the whole; (3) individuation through conatus; and (4) reconciliation between singularity and community in human nature. The conclusion asserts that Spinoza’s human essence is dynamic, grounded in natural laws that unite the particular and the collective
Is Pascal a Pre-Kantian? Notes on the tragic thought and the problem of totality in Pascal and Kant through the paths of conversion
Neste artigo pretendemos explorar a interpretação de que os Pensamentos de Pascal e a filosofia crítica de Kant expressam uma visão trágica, descrita como uma cisão entre a finitude da condição humana e a totalidade da natureza e do mundo. Ademais, questionamos até que ponto é possível associar a consolidação de uma visão trágica a um processo de conversão vivenciado por Pascal e por Kant, o qual, a despeito de suas conotações religiosas, assume o sentido de uma mudança de orientação e de interesse do objeto de suas filosofias. Essa interpretação procede mediante a comparação entre o fragmento Br. 72/Laf. 199 dos Pensamentos e determinados trechos da Crítica da razão pura. Por fim, conduzimos a análise a uma apresentação das linhas gerais do papel desempenhado por uma antropologia no pensamento de ambos e apontamos alguns limites dessa comparação.In this article I intend to explore the interpretation that Pascal’s Thoughts and Kant’s critical philosophy express a tragic vision of the world, which is described in terms of a rupture between the finitude of the human condition and the totality of nature and the world. Besides, in the case of Pascal and Kant it is possible to associate the consolidation of a tragic vision with a process of conversion, which, despite its religious connotations, assumes the meaning of a change of orientation and interest in the object of their philosophies. This interpretation is developed by comparing fragment 72 of Thoughts with certain passages from Critique of Pure Reason. Finally, I present the general outlines of the role played by anthropology in the thinking of both authors and point out some limitations of this comparison
The essence of truth according to Spinoza
Este artigo se contrapõe às leituras usuais da teoria da verdade de Spinoza. Como é bem sabido, Spinoza afirma que as propriedades da ideia verdadeira têm ou bem um caráter intrínseco ou bem um caráter extrínseco ao próprio ser dessa ideia. Geralmente, os comentadores aceitam que a verdade, no sistema spinozano, deve ser definida ou bem a partir de uma dessas propriedades, ou bem da conjunção de ambas, divergindo apenas a respeito de qual é a função e o peso relativo de cada uma na definição da verdade. Contra esse pressuposto partilhado pelos intérpretes, segundo o qual a definição da verdade deve ser construída a partir das propriedades da ideia verdadeira, mostrarei que uma tal premissa falseia a compreensão spinozana da verdade. Esse falseamento ocorre porque não leva em conta que uma doutrina central do pensamento de Spinoza é a que afirma que uma coisa qualquer não se define nunca por suas propriedades, mas, ao contrário, são essas últimas que devem ser deduzidas da essência da coisa, estabelecida previamente a elas.This article challenges the usual interpretations of Spinoza’s theory of truth. As is well known, Spinoza asserts that the properties of a true idea are either intrinsic or extrinsic to the being of that idea. Commentators generally accept that truth, in Spinoza’s system, must be defined either on the basis of one of these properties or on their conjunction, differing only in the function and relative importance attributed to each in the definition of truth. Against this assumption shared by interpreters, according to which the definition of truth must be constructed out of the properties of the true idea, I will show that such a premise distorts Spinoza’s understanding of truth. This distortion occurs because it does not take into account that a central doctrine of Spinoza’s thought is that a thing is never defined by its properties, but rather that the latter must be deduced from the essence of the thing, which is established prior to them
To know that one imagines, to imagine that one knows: considerations on Book II of Spinoza’s Ethics
Imagination, as a form of knowledge, plays a crucial role in Spinoza’s philosophy, particularly as articulated in Book II of Ethics. This book explores the genesis of imagination and its intricate relationships with ideas, bodily affection, inadequate knowledge and adequacy. In this article, we delve into the implications of Spinoza’s formulation of imagination in Ethics, highlighting its nature as a necessary genre of knowledge. In analyzing Book II, we intend to outline how imagination becomes a crucial form of knowledge in view of its structuring relationships rooted in bodily experiences. Consequently, this knowledge is inherently directed toward the singular, especially with regard to one’s own body and imaginative ideas.A imaginação, como forma de conhecimento, desempenha um papel crucial na filosofia de Espinosa, particularmente articulada no Livro II da Ética. Este livro explora a gênese da imaginação e suas intrincadas relações com ideias, afecções corporais, conhecimento inadequado e adequação. Neste artigo, aprofundamos as implicações da formulação da imaginação de Espinosa na Ética, destacando sua natureza como um gênero de conhecimento necessário. Ao analisar o Livro II, pretendemos delinear como a imaginação se torna uma forma crucial de conhecimento tendo em vista suas relações estruturantes enraizadas nas experiências corporais. Consequentemente, esse conhecimento é inerentemente direcionado para o singular, especialmente no que diz respeito ao próprio corpo e às ideias imaginativas
Revisitando a Ordem Geométrica na Ética de Spinoza
Na Ética de Spinoza, a ordem geométrica funciona como uma estrutura metodológica abrangente destinada a conduzir os indivíduos a um estado de liberdade e beatitude. Tradicionalmente percebida como uma ferramenta pedagógica, a exposição geométrica de Spinoza apresenta uma abordagem sistemática e rigorosa para proporcionar o raciocínio lógico e a argumentação subjacentes ao seu pensamento filosófico. Ao investigar a interação variada entre geometria e intenção filosófica na Ética, examinamos como o raciocínio geométrico de Spinoza permite indivíduos alcançar a bem-aventurança e a libertação das paixões, independentemente da revelação e do controle institucional da religião organizada. A ordem geométrica que permeia as cinco partes da Ética oferece uma sequência hierárquica de desenvolvimento explicativo que reconcilia os modos a posteriori e a priori do pensamento geométrico e permite a progressiva adequação do pensamento, movendo-se do empírico ao mental, além de servir como pano de fundo fundamental para uma abordagem democratizante da auto-libertação espiritual. Examinamos o ordine geometrico na Ética como expressivo de uma “técnica demonstrativa”; como o more geometrico, o método geométrico, pode articular a “geometria como ontologia”; e exploramos como sua metafísica da substância única se torna “geometria é ontologia”. Avançamos além da afirmação de que a ordem geométrica de Spinoza é puramente euclidiana e propomos, de forma polêmica, que uma intuição imagética de sua metafísica da substância monádica pode ser encontrada na aplicação da geometria projetiva perspectival de Kepler ao estudo das cônicas.In Spinoza’s Ethics, the geometric order functions as a comprehensive methodological framework intended to lead individuals towards a state of freedom and beatitude. Traditionally perceived as a pedagogical tool, Spinoza’s geometric exposition exemplifies a systematic and rigorous approach to presenting the logical ratiocination and argumentation underlying his philosophical thought. By investigating the variegated interplay between geometry and philosophical intent in the Ethics, we examine how Spinoza’s geometric reasoning enables individuals to achieve blessedness and liberation from the passions, independently of revelation and the institutional control of organised religion.The geometrical order that spans the five parts of the Ethics offers a hierarchical sequence of development that reconciles a posteriori and a priori modes of geometric thought and allows the progressive adequation of thought from the empirical to the mental, and also serves as the foundational background for a democratising approach to spiritual self-liberation. We examine the ordine geometrico in the Ethics as expressive of “a demonstrative technique”; how the more geometrico, the geometric method, can articulate “geometry as ontology”; and delve into how his one-substance metaphysics becomes “geometry is ontology”. We move beyond the assertion that Spinoza’s geometrical order is purely Euclidean, and posit polemically that an imagistic intuition for his monadic substance metaphysics can be found in Kepler’s application of perspectival projective geometry to the study of the conics
Sobre a fonte espinosista do Iluminismo Radical e seus traços conflitantes latinoamericanos
This article develops a brief account of how Jonathan Israel\u27s historical-conceptual category ‘Radical Enlightenment’ has been received, exposing the shifts from the philosophical-political dimension to ideological rejection. Secondly, a relationship is established between the interpretative framework of the Radical Enlightenment and the materialist and immanentist foundations of Spinoza\u27s philosophy. It ends with the relationship between Dussel\u27s concept of ‘transmodernity’ and the reception of Spinoza\u27s philosophy in Latin America as an affirmative encounter, as well as the theoretical-political effects that his thought produces.Este artigo desenvolve um breve relato de como a categoria histórico-conceitual “Iluminismo Radical” de Jonathan Israel foi recebida, expondo as mudanças da dimensão político-filosófica para a rejeição ideológica. Em segundo lugar, é estabelecida uma relação entre a estrutura interpretativa do Iluminismo Radical e os fundamentos materialistas e imanentistas da filosofia de Spinoza. Conclui-se com a relação entre o conceito de “transmodernidade” de Dussel e a recepção da filosofia de Espinosa na América Latina como um encontro afirmativo e os efeitos teórico-políticos que seu pensamento produz.En este artículo se desarrolla una breve exposición sobre la forma como ha sido recepcionada la categoría histórico-conceptual “Ilustración Radical” de Jonathan Israel, exponiendo los desplazamientos desde la dimensión filosófico-política hacia el rechazo ideológico. En segundo lugar se establece una relación entre el marco interpretativo de la Ilustración Radical y los fundamentos materialistas e inmanentistas de la filosofía de Spinoza. Se finaliza con la puesta en relación del concepto de «transmodernidad»de Dussel y la recepción de la filosofía de Spinoza en Latinoamérica como un encuentro afirmativo, y los efectos teórico-políticos que su pensamiento produce