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Uma contribuição à gestão de bacias hidrográficas a partir da investigação histórica do ambiente: estudo de caso: bacia hidrográfica do Rio Canoas/SC
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental.Este trabalho propõe-se a contribuir no âmbito da Gestão Social da Água em nosso país, conforme a Lei 9.433 de 1997, a partir de uma metodologia de investigação histórica do ambiente como instrumento de Gestão da Bacia Hidrográfica do Rio Canoas. Utilizou-se a Metodologia Histórica junto à Metodologia Pedagógica e à Metodologia Estratégica que apresenta o Modelo PEDS # Planejamento Estratégico do Desenvolvimento Sustentável, para construir o Plano Estratégico do Comitê Canoas de forma participativa e qualificada. Ao ser aplicada a Metodologia Histórica, percebe-se que, pelo viés da História aliado a uma abordagem pedagógica, resgata-se a idéia de sacralidade da natureza e, a partir daí, abre-se uma possibilidade de restaurar a relação homem-natureza. Em decorrência disso, entende-se o papel e a força do Modelo PEDS na construção de uma nova realidade social
"É língua oficial de Timor-Leste, quer não quer nós temos que falar": reflexões sobre políticas e práticas linguísticas em Díli
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão, Programa de Pós-Graduação em Linguística, Florianópolis, 2015.Este estudo nasce do interesse da autora de problematizar as políticas linguísticas em contextos de antigas colônias portuguesas. Nesse caso, especificamente, é uma tentativa de compreender as dinâmicas do(s) discurso(s) que permeia(m) a oficialização da língua portuguesa em Timor-Leste e sua relação com as práticas linguísticas cotidianas adotadas pela população que vive e transita em Díli, capital do país e também por timorenses que escolheram estudar no Brasil. Um dos objetivos desse trabalho é tentar relatar a construção discursiva da política linguística timorense, por meio de documentos que definem as políticas linguísticas institucionais e, a partir daí, confrontar essa análise com outra, a das práticas linguísticas cotidianas. Timor-Leste é o único país asiático integrante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, bloco de Estados que se definem a partir do fato de partilharem a língua portuguesa como idioma oficial. Do ponto de vista teórico, a pesquisa busca inspiração na linguística aplicada crítica e nos estudos pós-coloniais (CANAGARAJAH, 2005; MAKONI, 2006, 2007, 2012; MOITA LOPES, 2013; PENNYCOOK, 2001, 2007, 2010; RAJAGOPALAN, 2003, 2004). Além disso, propõe um diálogo com os estudos culturais (HALL, 2005) para refletir sobre categorias como cultura e identidade, recorrentes nos documentos oficiais como justificativa da oficialização da língua portuguesa (TIMOR-LESTE, 2002, 2008, 2012). O trabalho seguiu duas etapas metodológicas interligadas. A partir da análise de documentos oficiais de políticas linguísticas daquele país ? a Constituição da República Democrática de Timor-Leste; a Lei de Bases da Educação; a Resolução do Parlamento Nacional sobre ?A Importância da Promoção e do Ensino nas Línguas Oficiais para a Unidade e Coesão Nacionais e para a Consolidação de uma Identidade Própria e Original no Mundo?; e o Plano do Ministério da Educação 2013-2017 ? procurou observar a relação do que institucionalmente está localizado em um plano ideal com o que é manifestado por duas comunidades de prática (ECKERT, 1992) específicas: a de estudantes timorenses que frequentam o ensino superior na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a de estudantes finalistas do curso de Formação de Professores de uma universidade em Díli. Além destas comunidades de prática, considerou-se, também, a paisagem linguística (LANDRY & BOURHIS, 1997) multilíngue da capital timorense, onde a autora viveu e trabalhou por um ano. A provocação contida nesse trabalho é que discursos institucionais monofônicos constroem a imagem de uma identidade nacional fixa. Por outro lado, as práticas cotidianas revelam um ambiente polifônico, híbrido e conflituoso. Por fim, a dissertação pretende contribuir para reflexões críticas sobre a relação política entre língua(s), cultura(s) e identidade(s) ao explorar o processo de construção política da ideia de língua.Abstract : This study starts from the interest of the author in discussing the linguistic policies in former portuguese colonies contexts. In this case, specifically, is an attempt to understand the dynamics of the discourse(s) that addresses the officialization of the portuguese language in Timor-Leste and its relation with the language practices adoptedby the population that lives and moves in Dili, the country capital. The aim of this study is to try to report the discursive construction of the timorese languistic policy, through documents that define the institutional languistic policies and compare this analysis with the language of everyday practices. Timor-Leste is the only Asian country member of the Community of Portuguese Speaking Countries, an institution that are defined from the fact that share portuguese as an official language. From a theoretical approach, the research seeks inspiration in critical applied linguistics and postcolonial studies (CANAGARAJAH, 2005; Makoni, [2006], [2007], [2012]; MOITA-LOPES, 2013; PENNYCOOK, [2001], [2007], [2010]; RAJAGOPALAN, [2003], [2004]). It also proposes a dialogue with cultural studies (HALL, 2005) to think on categories such as culture and identity, which are present in official documents to justify the officialization of the portuguese language (TIMOR-LESTE, [2002], [2008], [2012]). This study comprises two methodological steps. From the analysis of official documents of language policies of Timor-Leste - the Constituição da República Democrática de Timor-Leste; a Lei de Bases da Educação; a Resolução do Parlamento Nacional sobre ?A importância da Promoção e do Ensino nas Línguas Oficiais para a Unidade e Coesão Nacionais e para a Consolidação de uma Identidade Própria e Original no Mundo?; and the Plano do Ministério da Educação 2013-2017 - sought to look on the relation between what is institutionally located as an ideal and what is show up by two communities of practice (ECKERT, 1992): the timorese students at Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) and senior students from an university in Dili: and the linguistic landscape (LANDRY & BOURHIS, 1997) of the Timor-Leste?s, capital city, where the author lived and worked for one year. The set here is that monophonic institutional discourses construct a fixed national identity. On the other hand, the linguistic practices reveal a polyphonic, hybrid and conflicted environment. Finally, this study aims to contribute for the critical reflections on the political connection between language(s), culture(s) and identity(s), through scanning the process of political language construction
Uma abordagem cognitiva ao planejamento da inserção da educação sanitária ambiental no currículo do ensino fundamental
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Tecnológico. Programa de Pós-Graduação em Engenharia AmbientalEste é um estudo acerca de uma abordagem cognitiva ao planejamento da inserção da educação ambiental no currículo do ensino fundamental. Esta abordagem foi estruturada com base no Modelo PEDS (Planejamento Estratégico do Desenvolvimento Sustentável). Este estudo resultou da associação de uma abordagem cognitiva autopoiética a uma metodologia de planejamento estratégico adaptado para organizações públicas. A metodologia aplicada para o desenvolvimento da pesquisa realizada foi a pesquisa-ação e contou com a participação de professores de 5ªs séries de duas escolas, uma da Rede Municipal e outra da Rede Federal de Ensino Público, dos bairros da Trindade e do Pantanal, respectivamente. Os resultados da pesquisa que envolveu a organização autopoiética do Modelo são constituídos das etapas de sensibilização, capacitação e gerenciamento. O processo de aprendizagem dos participantes deu-se a partir de uma pedagogia construtivista, através de sua própria participação, isto é, aprendendo com o seu próprio fazer, na perspectiva de construir conceitos e propor estratégias pedagógicas de ações ambientais no currículo escolar do Ensino Fundamental
"Vem brincar na rua!": entre o quilombo e a educação infantil : capturando expressões, experiências e conflitos de crianças, quilombolas no entremeio desses contextos
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2014.Esta investigação teve como motivo central compreender as relações educativas desenvolvidas em dois quilombos e em duas salas de Educação Infantil da rede pública municipal da cidade de Garopaba - Santa Catarina, para o que foi selecionado um grupo de sete crianças quilombolas (três meninas e quatro meninos) com idades situadas entre quatro e seis anos de idade como sujeitos principais da pesquisa. Ainda tomaram parte na pesquisa um grupo de vinte crianças não moradoras das comunidades quilombolas, mas integrantes das salas de Educação Infantil pesquisadas. Compuseram o corpus de analise da pesquisa: o lugar ocupado pelas crianças quilombolas nos dois contextos sociais em que transitam (quilombo e Educação Infantil) e suas manifestações e expressões diante das relações educativas (interações, normas e regras de sociabilidade) que estabelecem entre si e com as outras crianças, bem como com os adultos; um conjunto de significações pelo qual as crianças produzem a cultura infantil, em especial as brincadeiras, a identidade (autoestima, formação identitária, confronto com constrangimentos), a autonomia, a independência; o pertencimento à terra (territorialidade) e as relações sociais que estabelecem com outros sujeitos. A fim de apreender os diferentes aspectos que ocorriam nos ambientes investigados e obter a máxima compreensão possível dos fenômenos, foi empreendida uma pesquisa de cunho qualitativo e etnográfico, por meio da observação participante e a estada prolongada nos campos de pesquisa. Como estratégia para alcançar os objetivos propostos, foram utilizados diferentes procedimentos: registro escrito com base nas observações realizadas, entrevistas com os adultos, registro fonográfico e em vídeo, registro fotográfico, oficinas, moradia (da pesquisadora) em um dos quilombos por 40 dias. A perspectiva teórica principal direcionou-se para a Sociologia da Infância, cujos estudos tomam crianças como sujeitos sociais e competentes para dizer de si mesmas, como também para a Antropologia que evidencia a necessidade de perceber a alteridade das crianças frente a outros sujeitos. A investigação reafirmou algumas das hipóteses iniciais: há especificidades nos discursos, nas expressões e nas práticas educativas (institucionalizadas ou não) presentes em diferentes realidades culturais que, a depender da raiz de origem, marcam o pertencimento cultural das crianças; a dificuldade de lidar com as diferenças culturais no espaço institucionalizado se deve ao fato de não reconhecermos como legítimo tudo aquilo que está além das fronteiras do projeto hegemônico da sociedade contemporânea; as crianças quilombolas sofremconstrangimentos na relação com as demais crianças no espaço educativo. Ao final, a pesquisa evidencia que as crianças moradoras dos quilombos revelam um alto grau de cumplicidade entre seu grupo de pertença étnica, na formulação de argumentos e estratégias quando em confronto com crianças não-quilombolas, não se deixando submeter passivamente, especialmente nos contextos institucionalizados de Educação Infantil. Reagindo crítica e criativamente às tentativas de exclusão, demonstram autoestima e pertencimento étnico, ao mesmo tempo em que reafirmam suas especificidades e promovem a construção de uma cultura infantil quilombola. Finalmente, procura-se ressaltar que há infâncias que se distinguem por influência de seus contextos culturais e geográficos de origem. Desse modo, práticas educativas institucionalizadas devem fundamentar-se em projetos pedagógicos que levem em conta a perspectiva da diferença e da diversidade .Abstract : This investigation have as its principal motive to comprehend the educational relations developed in two quilombos and two Childhood Education's classes from the municipal public system in the city of Garopaba - Santa Catarina, in order to do so, a group of seven quilombola children (three girls and four boys) with ages between four and six years old was selected as the main research's individuals. Besides, a group of twenty children that do not inhabit the quilombola communities, but study in the same researched classes, took part of the research. The research?s analysis corpus was composed by: the place occupied by the quilombola children in both social contexts where they transit (quilombo and Childhood Education) and their manifestations and expressions in front of the educational relations (interactions, principles and rules of sociability) which they establish between themselves and with the other children, as well as the adults; a whole complex of significations through which the children produce the infant culture, specially the children's play, the identity (self-steam, identity's formation, confront against constraint), the autonomy, the independence; the belonging towards the land (territoriality) and the social relations they establish with other individuals. In order to apprehend the different aspects that occurred in the investigated ambiences and obtain the maximal phenomenal comprehensions, a ethnographical and qualitative research was undertaken, through participant observation and a long stay on the research fields. As an strategy to achieve the proposed objectives, different procedures were employed: written register based on the observations, interviewing with adults, phonographic and video recordings, photographic recording, workshops, inhabitance (of the researcher) in one of the quilombos for 40 days. The main theoretical perspective was directed to the Childhood Sociology, whose studies take children as social and competent individuals to tell about themselves, likewise the Anthropology that evidences the need to perceive the children's alterity face to other individuals. The investigation reassured some of the initial hypothesis: there are specificities in the speechs, expressions and educative practices (institutionalized or not) that are present in different cultural realities that, depending on the origin, designate the children's cultural belonging; the difficulty to deal with the cultural differences on the institutionalized space is due to the fact that we do not recognize as legitimate anything beyond the frontiers of the contemporary society hegemonic project; the quilombola children suffer constraints in therelation with other children in the educational space. In the end, the research evidences that children who inhabit quilombos reveal a high level of complicity with their ethnical group, in the arguments' formulation and strategies when there is a confront with non-quilombola children, not letting themselves to passively submit, especially in institutionalized contexts of Childhood Education. Reacting critic and creatively to exclusion attempts, they demonstrate self-steam and ethnical belonging, but at the same time they reassure their specificities and promote the construction of a quilombola infant culture. Finally, we try to highlight that there are childhoods which distinguish themselves by the influence of their original geographic and cultural contexts. Thus, institutionalized educational practices must found themselves on pedagogical projects that take on account the diversity and difference perspective
Desastres socioambientais e memória no sul de Santa Catarina (1974-2004)
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Florianópolis, 2015.A presente tese tem o intuito de analisar as memórias dos desastres socioambientais no sul de Santa Catarina entre 1974 e 2004. Neste contexto, as intempéries mais marcantes para a memória coletiva foram: A enchente e os deslizamentos de 1974, que atingiram todo o sul de Santa Catarina; a enchente e os deslizamentos no extremo sul, que moldaram as memórias sobre o Natal de 1995; e, finalmente, o Furacão Catarina em 2004, que causou medo e destruição no extremo sul catarinense. Inicialmente é examinada a predisposição que a região possui a eventos extremos, destacando ainda a transformação da paisagem e o aumento da vulnerabilidade a desastres produzido pela introdução do cultivo do arroz pré-germinado irrigado e o aumento da densidade populacional nos últimos 40 anos. Em cada desastre os afetados são tratados e retratados de forma diferenciada pelos periódicos nacionais e estaduais, fruto de transformações nas formas das instituições governamentais lidarem com os flagelados. De forma semelhante às notícias dos periódicos, as memórias dos desastres socioambientais são permeadas pelas lembranças excepcionais, religiosidade e busca pelo entendimento do meio. Por outro lado, diferenças significativas estão presentes na maneira com que as memórias coletivas se articulam em cada cidade ou localidade, fruto das distintas condições locais para subsistência dessas formas de lembrar. A percepção de risco e das vulnerabilidades a novos desastres se mostrou mais acentuada em localidades rurais e nos centros urbanos mais próximos à Serra Geral. A partir de 1974 ocorre a sistemática institucionalização nas ações pós-desastre no Sul de Santa Catarina, no entanto a característica emergencial e assistencialista das ações não colabora para a redução do risco de novos desastres. Pelo contrário, na localidade da Barranca em Araranguá, por exemplo, o aumento da vulnerabilidade é usado pelos atingidos como estratégia para pleitear auxílios da Defesa Civil e da Prefeitura Municipal. No intuito de manter vivas as memórias para diminuir o risco de novas intempéries, os estudos sobre a memória dos desastres socioambientais precisam situar-se na difusa fronteira entre a vontade de lembrar e a necessidade esquecer.Abstract : This dissertation?s intention is to analyze the memories of socio-environmental disasters in southern Santa Catarina State between 1974 and 2004. The most remarkable climate hazards for the collective memory were: the floods and earthslides from 1974, that permeated the entirety of southern Santa Catarina; the floods and earthslides from the southern part of Santa Catarina, that shaped the memories of Christmas in 1995; and, lastly, Hurricane Catarina in 2004, which caused fear and destruction in southern Santa Catarina. Initially, the region?s predisposition to extreme events was analyzed, with emphasis on landscape transformation, increasing vulnerability to disasters produced by introduced irrigated pre-germinated rice crops, and increasing population density during the last 40 years. During each disaster the affected population was treated and portrayed differently by national or state newspapers, a result of government institutional changes in ways of dealing with the suffering population. Similarly to the newspapers, the memories of socio-environmental disasters are permeated by exceptional remembrances, religiosity and search for understanding of the environment. On the other hand, significant differences are present in the way the collective memories are articulated in each town or city, a consequence of different local conditions to maintain these forms of remembering. The perception of risk and vulnerability to new disasters was more acute in rural areas and urban centers closer to the Serra Geral. Beginning in 1974 the systematic institutionalization of post-disaster actions take place in southern Santa Catarina, however the welfare and emergency characteristics of those actions does not help in reducing the risk of further disasters. On the contrary, in Barranca located in the municipality of Araranguá, for example, increased vulnerability is used by the affected population as a strategy for seeking aid from Civil Defense and City Hall. In order to keep memories alive to further decrease the risk of climate hazards, the studies on memories of socio-environmental disasters need to be in the diffuse boundary between the will to remember and the need to forget
Falas do falo: o travesti e a metáfora da modernidade
Tese (doutorado) - Universidade federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-Graduação em Linguística.Esta tese propõe uma discussão sobre o sujeito travesti, concebendo-o como metáfora da modernidade. O objetivo é mostrar analiticamente o travesti como espelho refratário que absorve um pouco de todo homem contemporâneo. Ou seja, a sociedade ao olhar e ver algo estranho nessa outra forma sujeito enxerga a sua própria crise, constitutiva de um outro momento históric
Escalas sociolinguísticas horizontais e a escala da violência: uma perspectiva aplicada nos estudos da linguagem
PIBIC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. LLV. Letras Português.Esse relatório tem como objetivo descrever os resultados da pesquisa de iniciação científica “Escalas sociolinguísticas horizontais e a escalada da violência: Uma perspectiva aplicada nos estudos da linguagem” vinculada ao Departamento de Língua e Literatura Vernáculas – UFSC, com orientação do Prof. Dr. Daniel Silva Nascimento. O início da pesquisa se deu com a leitura de dois materiais: a tese “Pragmática da violência: o Nordeste na mídia brasileira” (SILVA, 2012) e o livro “Nó em Pingo d’água: Sobrevivência, cultura e linguagem” (LOPES; FACINA; SILVA; 2019). A partir deste conteúdo teórico, nos aprofundamos no conceito de pragmática da violência, através da análise da construção do estereótipo do nordestino pela mídia do sudeste e na questão da resistência através da esperança. Logo após, transcrevemos conteúdo de vídeos adquiridos no instituto “Raízes em movimento”, no complexo do alemão, além de uma entrevista com o funkeiro Calazans. Utilizando os exemplos dados na bibliografia, traçamos então um paralelo entre a cultura de sobrevivência e o território, passando pela questão da vivência e sobrevivência da vida na favela e a utilização da esperança como discurso de resistência
A passividade e o fantasma: o discurso monossexual no Brasil
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Comunicação e Expressão. Programa de Pós-Graduação em LinguísticaEsta tese parte de uma perspectiva arqueogenealógica e tem como objetivo traçar uma análise, das práticas homossexuais no Brasil, segundo uma axiologia que difere entre uma positividade masculina e um fantasma de efeminização constante. Para tanto, problematizam-se as práticas monossexuais que, segundo Foucault, eram inéditas na história do Ocidente até a segunda metade do século XX, questionando-as a partir dos discursos de negação e normatização da passividade e de produção de um modo de subjetivação específico, o do passivo afetivo sexual, investigando a estratégia genealógica de manutenção de uma discursividade que ratifica as homossexualidades como fora-da-norma, ainda que sob a égide de um fantasma. Pretende-se fazer notar uma tensão entre uma série de enunciados marcados pela igualdade mas que se constituem e são tangenciados por uma hierarquização das práticas homoafetivas e homossexuais, pautada na separação entre masculinidade e efeminização. O corpus de análise divide-se em dois blocos. No primeiro bloco, que estabelece os elementos para a definição de categorias como invertido e passivo, o corpus é composto por discursos da historiografia e da antropologia brasileira, responsáveis pela descrição das práticas de sodomia na Colônia, passando pelos discursos médicos dos séculos XVIII e XIX e pelo suposto estabelecimento de um marco de transformação positiva na década de setenta do século XX. A tentativa é de definir um arquivo inicial de hierarquização entre práticas de masculinização ativas e práticas de efeminização passivas. Já o segundo bloco, que trata da assunção da diferença e do discurso monossexual a partir da década de setenta do século XX até a contemporaneidade, é composto de das seguintes séries discursivas: os discursos do campo antropológico, que afirmam uma cisão em relação à hierarquia sexual a partir da década de setenta; os discursos midiáticos e seu papel na construção de um imaginário popular da identidade homoerótica; o discurso literário em sua vertente contestadora dos padrões de identificação e em sua politização sexual; os discursos produzidos pelos sujeitos same sex oriented em suas estratégias afetivas e sexuais em sites de relacionamento na internet na contemporaneidade. Fundamentalmente, os resultados apontam para uma permanência, no dispositivo sexual brasileiro, de uma discursividade que revela a manutenção dos estigmas ligados à efeminização e à passividade, tanto nos discursos da disciplina e da normalização quanto naqueles que se pautam pela resistência, ainda que estes últimos estejam marcados por enunciados de igualdade e da democratização.This thesis is based on an archaeogenealogical perspective, which aims to draw an analysis of the homosexual practices in Brazil, according to an axiology that differs between a male positivity and a constant feminization specter. As a consequence, it is problematized afterwards the monosexual practices, that, according to Foucault, they were unprecedented in the western history until the second half of the XX century. In addition, they have been questioned taking into consideration the discourses of denial and the standardization of passivity and the production of a specific mode of subjectivity, such as the passive sexual - affective, in order to investigate the genealogical strategy for maintenance of discursivity, that ratifies the homosexualities as out-of-the-standards, even under the aegis of a specter. It is intended to point out a tension among a series of statements marked by equality. However, they are constituted and related by a categorization of homo - affectives and homosexual practices, which is based on the separation between masculinity and feminization. The corpus of analysis is divided into two blocks. In the first block, which sets out the elements for the definition of inverted and passive categories, the corpus is constituted with the brazilian historiography and anthropology discourses,which are responsible for the description of the practices of sodomy in the Colony, through the medical discourses of the XVIII and XIX centuries, as well as the alleged establishment of a positive mark for the transformation in the seventies, in the XX century. The attempt is to define an initial file hierarchy between practices of active masculinization and passive feminization. The second block, which talks about the assumption of difference and the monosexual discourse from the seventies of the XX century, until the present time, it is composed of the following series of discourses: the discourses of anthropological field, claiming a split in relation to the sexual hierarchy from the seventies; the media discourse and its role in building a popular illusion of a homoerotic identity; the literary discourse in its defiant aspect of identifying patterns and its sexual politicization. Moreover, the discourses produced by the individuals same sex oriented in their emotional and sexual strategies found nowadays on social networking sites on the Internet. Fundamentally, the results point to a permanence, in the Brazilian sexual device, of a discourse that reveals the maintenance of the stigmas associated with the feminization and the passivity, both in the discourse of the discipline and standards as those which are governed by resistance, even though the latest ones are marked by statements of equality and democratization
Velhices masculinas: um estudo de experiências sobre o envelhecer
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Curso de Ciências Sociais.Este trabalho trata do envelhecimento humano, enquanto condição natural do ciclo de vida perpassado pela heterogeneidade e diversidade dos indivíduos em suas formas de viver. Trato especificamente da velhice masculina, não para sobrepô-las às velhices femininas, mas no intuito de inseri-la nos estudos de gênero e envelhecimento, carentes de pesquisas sobre o homem idoso. Como instrumento metodológico, utilizo entrevistas qualitativas e temáticas com 05 (cinco) participantes homens do Núcleo de Estudos da Terceira Idade da Universidade Federal de Santa Catarina – NETI/UFSC. O critério de escolha se deu por pertencerem ao gênero masculino, constituírem-se nas faixas etárias entre os 60 aos 79 anos – contribuindo na variabilidade dos discursos - e pela interação sócio-afetiva já existente entre pesquisadora e pesquisados. O objetivo foi identificar e analisar as concepções de envelhecimento e velhice dos entrevistados, atentando para as perspectivas de gênero e geração, no intuito de compreender como eles experienciam os processos sociais do envelhecimento. Considerando as discussões teóricas, esquematizadas em três blocos: “Do homem universal ao idoso universal”; “Discutindo geração” e “Discutindo gênero”, contando com o suporte dos (as) autores (as): Philippe Àries, Anthony Giddens, Immanuel M. Wallerstein, Guita Grin Debert, Stuart Hall, Karl Mannheim, Joan Scott, Judith Butler, Miriam Pillar Grossi, Myriam Lins de Barros, Flávia de M. Motta, Joel Birman, Ecléa Bosi, Mike Featherstone, Michel Foucault, Charles L. Briggs, entre outros (as) e das categorias criadas a partir das entrevistas, versando sobre: relações do trabalho; relações conjugais; maior participação feminina nos programas para a terceira idade; relação 7 de velhice, saúde e doença; itinerário de vida e sobre finitude, os resultados obtidos demonstram uma visão totalmente heterogênea da velhice e do processo de envelhecimento. Visão essa obtida através da compreensão de como os sujeitos envelhecentes, percebem sua existência e a partir disso direcionam suas ações e pensamentos, negociando espaços entre as várias gerações, contornando suas perdas, inscrevendo-se e reivindicando seu lugar no mundo ao lado daquelas que são indissociáveis às suas velhices: as mulheres em suas próprias velhices
A política da diferença: educadores-intelectuais surdos em perspectiva
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2009O objetivo deste trabalho é o de investigar, a partir das narrativas de educadores-intelectuais surdos, de que forma a política da diferença subverte as relações de poder na educação de surdos. O tema nasceu da insatisfação que tenho - e continuo tendo - quanto às representações colonialistas em relação aos surdos, em que as diferenças culturais, linguísticas e identitárias, dentre outras, têm sido, histórica e concretamente, produzidas a partir de oposições binárias - surdo/ouvinte, visualidade/sonoridade, língua de sinais/língua oral etc. -, negando a complexidade que transita entre elas. Para tanto, me aproximei da teoria pós-colonial e de suas articulações com o pós-estruturalismo por se inscreverem em narrativas cujas fronteiras espaciais, temporais e discursivas se entrecruzam, mesclam sujeitos de diversos cantos do mundo, sujeitos diaspóricos e que transitam entre o passado e o presente, construindo pontes entre espaços assimétricos, (re)articulando diferenças para alcançar outras margens, múltiplas e transitórias. Para realizar a análise das narrativas, recorri à estratégia de análise denominada por Hall (1996) e outros autores de articulação por desarticular e desestabilizar a fixidez das narrativas colonizadoras que foram apreendidas como naturais.This thesis aims to investigate, taking into consideration the narratives of deaf intellectual-educators, in which way the politics of difference subverts the power relations in the area of deaf education. This theme arose from the lack of satisfaction that I have - and still have - regarding the colonial representations of deaf people, in which differences of culture, linguistics and identity, among others, have been historically produced from binary oppositions- deaf/hearing, visibility/sonority, sign language/oral language etc -, denying the complexity that lies between them. I have become closer to post-colonial theory, as well as to its articulations with post-structuralism, since both deal with narratives of spatial, temporal and discursive boundaries that cross one another, mixing subjects of many places in the world, subjects in diaspora, who transit between the past and the present, building bridges between asymmetric spaces, (re)articulating differences to reach other multiple and transitory margins. To analyze those narratives, I turned to the strategic analysis denominated by Hall (1996) and other authors as the articulation, for it disarticulates and unstables the colonizing narratives that have been learned as natural
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