10 research outputs found
A psychosocial approach to health promotion: reviewing the process of a support group on weight and eating
Faz uma revisão da literatura sobre os modelos de promoção da saúde e as abordagens psicossociais da obesidade, discutindo as limitações desses modelos. Propondo a articulação da promoção da saúde com a abordagem psicossocial no quadro da vulnerabilidade e direitos humanos, desenvolveu-se um estudo de caso do processo de construção coletiva de um Grupo de Ajuda Mútua para a Discussão de Peso, Alimentação e Saúde (GAM-PAS), coordenado pela autora durante sua Iniciação Científica. O objetivo desse estudo foi descrever e analisar criticamente o processo de implementação dessa proposta, que surgiu entre participantes do grupo de reeducação alimentar acompanhado em estudo anterior no Centro de Promoção da Saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (CPS-HC). O estudo de caso utilizou gravações das sessões de grupo que completavam as observações registradas em diário de campo sobre o dia a dia do processo. Os participantes do grupo foram recrutados através de divulgação do grupo em faixa, pela pesquisadora e por uma pessoa atendida no CPS-HC que aceitou atuar com multiplicadora da proposta em seu bairro. A análise do processo foi informada pela noção de sucesso prático e êxito técnico e pela abordagem psicossocial da vulnerabilidade comprometida com a proteção e promoção de direitos, incentivando soluções coletivas para dificuldades compartilhadas na vida vivida. As reuniões do GAM-PAS eram semanais e duravam cerca de duas horas. Descreve-se: o que foi planejado e o que aconteceu de fato; como era vivida a questão da alimentação e saúde na vida cotidiana das participantes; qual era o sentido do GAM-PAS nos termos de suas participantes. As participantes e a multiplicadora do GAM-PAS pareciam esperar que a pesquisadora oferecesse todas as informações que julgavam precisar para cuidar de sua alimentação e saúde, estranhando a proposta de intervenção aberta à sua contribuição. Ao longo das reuniões, entretanto, a multiplicadora e as participantes passaram a contribuir, transformando o espaço do GAM-PAS. Não foi possível evocar respostas coletivas para problemas que, a partir da abordagem psicossocial da vulnerabilidade à obesidade e ao excesso de peso, demandariam mobilização coletiva; nem ampliar a consciência do grupo sobre a violação do direito à alimentação adequada e à atenção à saúde integral a que deveriam ter acesso. Conclui-se que a crença socialmente compartilhada de que o cuidado com o corpo e saúde dependeria apenas de força de vontade individual dificulta o enfrentamento coletivo de dificuldades programáticas relacionadas à obesidade e ao excesso de peso. A falta de conhecimento da pesquisadora e membros do grupo sobre o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) não favorecia o reconhecimento do seu direito ao acesso à integralidade do cuidado e da prevenção no campo da alimentação. Acredita-se que a intervenção teria se beneficiado de um manejo da abordagem psicossocial mais radicalmente comprometido com o quadro da vulnerabilidade e dos direitos humanos. Ressalta-se a importância de uma formação para o psicólogo social que compreenda o funcionamento do SUS e o trabalho em equipes multi-disciplinares, considerando contextos de desigualdade social e violação de direitosPresents a literature review on health promotion models and the psychosocial approaches on obesity, discussing these models limitations. Proposing an articulation between health promotion and the psychosocial approach of the vulnerability and human rights framework, a case study of the collective construction of a mutual aid group on weight, eating and health (GAM-PAS), coordinated by the author as part of her undergraduate research, is developed. The objective of this study was to describe and analyze the implementation process of this proposal, which was created from the suggestions of the participants of the nutrition education group of the Health Promotion Center of the General Clinic Service of the Medical College of the University of São Paulo (CPS-HC). The case study has utilized group session recordings in addition to the observations recorded on a field journal of the process. The groups participants were recruited through banner ads, made by the researcher and by one of the participants of the CPS-HC group, a woman who accepted being the multiplier of this proposal on her neighborhood. The process analysis was informed by the notion of practical success and technical efficacy and by the psychosocial approach on vulnerability committed to the protection and promotion of rights, stimulating collective solutions to the shared difficulties of the lived life. The GAM-PAS had two-hour weekly meetings. The following are described: what was planned and what really happened; how the eating and health issues were experienced in the participants daily lives; what was the meaning of the GAM-PAS in the terms of its participants. The participants and the multiplier of the GAM-PAS seemed to expect the researcher to supply them with all the information they deemed necessary to take care of their eating and health, not expecting an intervention proposal open to their contribution. However, throughout the meetings, the multiplier and the participants began to contribute, transforming the space of the GAM-PAS. It wasnt possible to generate collective responses to problems which, from a psychosocial approach on vulnerability to obesity and overweight, would require a collective movement; neither was it possible to broaden the groups consciousness on the violation of the rights to adequate food and to full health attention to which they were supposed to have access. The socially shared belief that the care to both body and health would depend only on the individual willpower is assumed to decrease the possibility of a collective approach to the programmatic difficulties related to obesity and overweight. The lack of knowledge of both the researcher and the groups participants of the operation of the Brazils National Health System (SUS) didnt help the acknowledgment of their rights of access to integral care and prevention on eating issues. It is believed that this intervention would have benefitted from a psychosocial approach handling more radically committed to the vulnerability and human rights framework. It is highlighted the importance of including the SUS framework and work in multidisciplinary teams into the education of the social psychologist, considering social inequality and violation of rights context
[HIV testing among men who have sex with men in São Paulo: client-initiated routine and episodic testing
Introdução No contexto da valorização crescente do teste anti-HIV como estratégia de prevenção programática, a promoção do teste anti-HIV como estratégia de prevenção entre homens que fazem sexo com homens (HSH) é fundamental. Objetivo - Analisar os fatores associados tanto ao uso rotineiro como episódico do teste anti-HIV. Métodos - Os participantes foram 946 HSH entrevistados pelo Projeto SampaCentro em locais de sociabilidade HSH da região central de São Paulo entre novembro de 2011 e janeiro de 2012, nunca testados ou que procuraram o teste espontaneamente. A metodologia de amostragem foi a time-space-sampling e foram utilizados protocolos do Stata 12.0 para análise de amostras complexas. Os homens que se testaram por rotina ou episodicamente foram comparados aos nunca testados. As variáveis analisadas nos dois modelos de regressão de Poisson foram divididas em três níveis: características sociodemográficas (primeiro nível); socialização na comunidade gay e exposição da orientação sexual, discriminação e opiniões e atitudes em relação ao HIV/Aids e ao teste (segundo nível); percepção de risco, estratégias de prevenção e práticas e parcerias sexuais (terceiro nível). Resultados Os homens que se testaram rotineiramente eram mais velhos e moradores no Centro de SP. Além disso, tinham exposto a orientação sexual para profissional de saúde, sido discriminados em serviços de saúde mas não por amigos e/ou vizinhos (em razão da sexualidade) e não mencionaram medo do resultado do teste como motivo para HSH não se testarem. Também tinham maior probabilidade de conhecer pessoa soropositiva e de ter parcerias estáveis sem sexo anal desprotegido nas casuais (comparado a ter apenas parcerias casuais protegidas). Os homens que se testaram episodicamente eram mais velhos, residentes do Centro de SP, não moravam com parentes, expuseram sua orientação sexual para profissional de saúde, não reportaram medo do resultado do teste como barreira, conheciam pessoa soropositiva e mencionaram parceria estável sem sexo desprotegido com parceiro casual ou então sexo desprotegido em parcerias casuais (comparado a ter apenas parcerias casuais protegidas). Conclusões Os mais jovens, os que moram fora do centro de São Paulo, e os que expões menos sua orientação sexual são os segmentos que menos se testam rotineira ou episodicamente. Assim, dependem de ações para que seu direito seja protegido e assegurado. A estigmatização e a discriminação da homossexualidade deve ser combatida para que não impeça o acesso ao teste e a outros serviços de saúde. Disseminar informações e socializar os mais jovens para o diálogo sobre as estratégias de prevenção biomédicas e estratégias comunitárias de prevenção é necessário. Para ampliar o acesso e qualidade da testagem como recurso fundamental de programas de prevenção permanece o desafio de sustentar o debate sobre sexualidade e prevenção a cada geração, assim como nos programas de formação de educadores e de profissionais de saúde de todas as áreas.Introduction The relevance of HIV testing is growing in programmatic policies. Promoting HIV testing among men who have sex with men (MSM) is of utter importance. Objective Analyze factors associated with routine and episodic use of HIV testing. Methods Our participants were selected from the database of Projeto SampaCentro, a time-location sampling serobehavioral surveillance survey of MSM in São Paulo, Brazil, that took place between November 2011 and January 2012. Our participants were 946 MSM not HIV positive who were never tested or whose last testing was client-initiated. All analysis were performed using complex samples protocols in Stata 12.0. Men were divided in routine testers, episodic testers and men who had never tested. Routine testers and episodic testers were compared to those who had never tested using two Poisson regression models. Variables were divided in three levels of analysis: sociodemographic (first level); socialization in gay community and disclosure of sexual orientation, discrimination, attitudes and opinions on HIV/AIDS and testing (second level); risk perception, prevention strategies and sexual practices and partnerships (third level). Results Routine testers were older and lived in Central São Paulo, had more frequently disclosed their sexual orientation to a health professional and been discriminated against in health service settings, were less likely to having suffered discrimination from friends and/or neighbors and to point fear as a barrier to testing, were more likely to know someone infected with HIV and to mention steady partners without unprotected anal intercourse (UAI) with casual partners (compared to having only casual partners with no UAI). Episodic testers were also older and more likely to live in Central São Paulo, less likely to live with relatives, more likely to have disclosed their sexual orientation to a health professional, less likely to point fear as a barrier to testing, more likely to know someone infected with HIV. This group more frequently mentioned steady partners without UAI with casual partners and UAI with casual partners, regardless of mentioning steady partners (compared to having only casual partners with no events of UAI). Conclusion Young MSM, those who live outside Central São Paulo and those less ready to disclose their sexual orientation are the MSM segments that are less likely to test, routinely or episodically. Therefore, programmatic actions are needed to ensure their rights are protected. Stigmatization and discrimination of homosexuality must be mitigated so that it wont be a barrier to information about prevention and testing services. Additionally, information on biomedical and communitarian prevention technologies must be shared and presented to those not yet familiar with these strategies. In order to improve access and quality of testing, the challenge of sustaining the debate about sex, sexuality and prevention remains, as new generations of MSM will need to be introduced to this debate. The same is true for the course curriculum of health professionals and educators
Teste anti-HIV entre homens que fazem sexo com homens em São Paulo: busca espontânea rotineira e episódica
La dimensión psico-social en la de promoción de prácticas alimentarias saludables
Este artigo analisa criticamente como é abordada a dimensão psicossocial na promoção de práticas alimentares saudáveis. Realizou-se busca no Lilacs e no modo multipurpose do Medline, de 2000 a 2011, utilizando os termos intervenção, promoção da saúde, psicossocial e todos aqueles correlatos à nutrição. Observou-se que nesta última década as abordagens sociocognitivas e modelos de crença racional ainda predominam nesse campo, prevalecendo trabalhos de intervenção focados no indivíduo e pouco críticos ao contexto social mais amplo que produz práticas alimentares. Conclui-se que para a promoção de práticas alimentares saudáveis no contexto de assistência integral, o debate sobre o que chamamos de psicossocial deve ser ampliado para incorporar as contribuições recentes das abordagens em saúde com base nos direitos humanos, atentas à multidimensionalidade do processo saúde-doença-cuidado
Alimentação escolar: o que o desenho infantil revela
Objetivo: Identificar as percepções das crianças do ensino fundamental de escola públicas do município de Guarulhos, São Paulo, sobre a alimentação escolar. Método: Trata-se de um estudo do tipo descritivo com abordagem qualitativa. Participaram 82 crianças de 4 escolas selecionadas por desenvolverem atividades educativas em alimentação e nutrição, dentre as 63 instituições. Para coleta dos dados optouse pela técnica do desenho e a entrevista com as crianças para sua interpretação do desenho. Foram apresentados 13 desenhos, aqueles representativos de conteúdos expressos por um dos grupos de crianças. As verbalizações das crianças descrevendo os desenhos foram gravadas e transcritas, e juntamente com o conteúdo resultante da análise do material gráfico, submetidos à análise de conteúdo. Resultados: De acordo com os desenhos das crianças e suas respectivas verbalizações, a alimentação escolar estava associada: aos alimentos, os que são ofertados, que estes saciam a fome e trata-se de um momento que proporciona prazer; ao ambiente, o destaque foi para a estrutura física em que eram realizadas as refeições e a organização da fila que se formavam para se servirem e nas relações, representando a alimentação como um momento de convivência, de conversar e socializar com os amigos. Considerações Finais: Para as crianças a alimentação escolar adquire uma representação que extrapola o ato da alimentação, é um momento que engloba a relação com os alimentos, o ambiente escolar e as relações com os pares. Desta forma, um dos desafios para os gestores e toda a comunidade envolvida, é incorporar essas dimensões que permeiam a alimentação e que foram apontados como fundamentais e parte integrante do cenário escolar.Objective: To identify the perceptions of elementary school children of public schools in Guarulhos, São Paulo, relating to school feeding. Method: a descriptive type study with a qualitative approach. Eighty-two children of 4 schools selected for engaging in educational activities related to eating and nutrition, drawn from the 63 institutions within the municipality were investigated. The drawing technique was the option selected for data collection. Thirteen drawings - those representing the content expressed by a group of children – were presented. The children’s verbalization describing the drawings was recorded and transcribed, along with the content resulting from the analysis of the graphic material, submitted to content analysis. Results: According to the children’s drawings and their respective verbalization, school feeding was associated: with the foods served and those that satisfied their hunger, providing moments of pleasure; within the setting the highlight was the physical structure in which the meals were served and the organization of the line of those waiting to be served and the personal relationships created, representing eating as a moment of companionship, for talking and socializing with friends. Final Considerations: For the children, school feeding acquires a representation that goes beyond the mere act of eating, it is a moment that includes the foodbut also the school setting and relationships with peers. Thus one of the challenges for the administrators and the entire community involved is how to incorporate these dimensions that permeate the meal-time experience and that were observed to be a fundamental and integrating aspect of the school scene
Uso rotineiro do teste anti-HIV entre homens que fazem sexo com homens: do risco à prevenção
Resumo: Desenvolvemos uma revisão crítica da literatura sobre o uso recorrente do teste anti-HIV entre homens que fazem sexo com homens (HSH). Procedemos a uma revisão narrativa da literatura, em que analisamos as diversas concepções sobre testagem frequente ao longo do tempo, suas implicações para os programas de saúde e os principais marcadores sociais que influenciam a incorporação do teste anti-HIV como rotina de cuidado. Embora exista desde os anos 1990, a testagem recorrente entre HSH era frequentemente interpretada como exposição aumentada ao HIV em razão da ausência de uso do preservativo e, consequentemente, uma testagem “desnecessária”. A partir dos anos 2000, a testagem periódica passou a ser uma recomendação programática e, sua realização, interpretada como meta a ser atingida. A percepção dos indivíduos sobre o uso que faziam do teste foi raramente considerada para caracterizar este uso como rotina de cuidado. No plano social e cultural, aspectos individuais associados ao teste recente ou de rotina estiveram inscritos em contextos de normas favoráveis ao teste e de menor estigma da AIDS. Diferenças geracionais, de escolarização e relacionadas ao tipo de parceria afetivo-sexual desempenham importantes papéis para o teste. Tais diferenças realçam que a categoria epidemiológica “homens que fazem sexo com homens” abrange diversas relações, identidades e práticas que resultam em usos específicos do teste como estratégia de prevenção. Assim, o diálogo entre programas, profissionais de saúde e as pessoas mais afetadas pela epidemia é central à construção de respostas com efetivo potencial de enfrentamento à epidemia de HIV, e pautadas no respeito aos direitos humanos
Uso rotineiro do teste anti-HIV entre homens que fazem sexo com homens: do risco à prevenção
Resumo: Desenvolvemos uma revisão crítica da literatura sobre o uso recorrente do teste anti-HIV entre homens que fazem sexo com homens (HSH). Procedemos a uma revisão narrativa da literatura, em que analisamos as diversas concepções sobre testagem frequente ao longo do tempo, suas implicações para os programas de saúde e os principais marcadores sociais que influenciam a incorporação do teste anti-HIV como rotina de cuidado. Embora exista desde os anos 1990, a testagem recorrente entre HSH era frequentemente interpretada como exposição aumentada ao HIV em razão da ausência de uso do preservativo e, consequentemente, uma testagem “desnecessária”. A partir dos anos 2000, a testagem periódica passou a ser uma recomendação programática e, sua realização, interpretada como meta a ser atingida. A percepção dos indivíduos sobre o uso que faziam do teste foi raramente considerada para caracterizar este uso como rotina de cuidado. No plano social e cultural, aspectos individuais associados ao teste recente ou de rotina estiveram inscritos em contextos de normas favoráveis ao teste e de menor estigma da AIDS. Diferenças geracionais, de escolarização e relacionadas ao tipo de parceria afetivo-sexual desempenham importantes papéis para o teste. Tais diferenças realçam que a categoria epidemiológica “homens que fazem sexo com homens” abrange diversas relações, identidades e práticas que resultam em usos específicos do teste como estratégia de prevenção. Assim, o diálogo entre programas, profissionais de saúde e as pessoas mais afetadas pela epidemia é central à construção de respostas com efetivo potencial de enfrentamento à epidemia de HIV, e pautadas no respeito aos direitos humanos.</jats:p
Psychological well-being among transvestites and trans women in the state of São Paulo, Brazil
Abstract: This article sought to estimate factors associated with the psychological well-being of transvestites and trans women. It is a cross-sectional study with 602 transvestites and trans individuals in seven cities in the state of São Paulo, Brazil from 2014 to 2015. We carried out a sample selection through a consecutive approach and using the snowball technique. The dependent variable was psychological well-being (WHOQOL-BREF) and the independent variables were: sociodemographic characteristics, body modifications, health conditions, violence and incarceration. We used a multiple variance analysis to identify associated factors. Most were black or brown and were aged between 25 and 39 years, had up to complete secondary education, individual income of up to two times the minimum wage and worked, and 42.3% were sex workers. Around one-quarter had been incarcerated. Around one-quarter were in treatment for HIV. Mean psychological well-being score was 63.2 (95%CI: 61.8-64.6). In the multiple analysis, the factors associated with lower psychological well-being were: not having a fixed address, having lower educational levels, being dissatisfied with personal relationships, friend support or the gender-affirming procedures they had undergone and having suffered verbal or sexual violence. While worse living conditions and exposure to violence harm the psychological well-being of transvestites and trans women, the possibility of undergoing desired body transformations and having their social name respected interfere positively in their evaluations of their lives.</p
Bem-estar psicológico entre travestis e mulheres transexuais no Estado de São Paulo, Brasil
Resumo: O objetivo do trabalho foi estimar fatores associados ao bem-estar psicológico de travestis e mulheres transexuais. Estudo transversal com 602 travestis e pessoas transexuais em sete municípios do Estado de São Paulo, Brasil entre 2014 e 2015. Foi realizada seleção amostral com abordagem consecutiva e técnica bola de neve. A variável dependente foi bem-estar psicológico (WHOQOL-BREF) e as independentes foram: características sociodemográficas, modificações corporais, condições de saúde, violência e encarceramento. A análise de variância múltipla foi usada para identificar os fatores associados. A maioria tinha cor da pele preta ou parda e entre 25 e 39 anos de idade, até o Ensino Médio completo, renda individual de até dois salários mínimos e trabalhava, sendo 42,3% profissionais do sexo. Cerca de um quarto já foi presa. Em torno de um quarto fazia tratamento para HIV. O escore médio observado foi de 63,2 (IC95%: 61,8-64,6). Na análise múltipla, estiveram associados ao menor bem-estar psicológico: não ter endereço fixo, ter menor escolaridade, estar insatisfeita com as relações pessoais, suporte de amigos ou procedimentos transexualizadores realizados e ter sofrido violência verbal ou sexual. Enquanto piores condições de vida e de exposição à violência prejudicam o bem-estar psicológico de travestis e mulheres transexuais, a possibilidade de realizar transformações corporais desejadas e o respeito ao nome social interferem positivamente na avaliação que fazem de suas vidas
