3 research outputs found
Ocorrências de Distiquíases em 9 Gatos
Background: Distichiasis is a disease that is rare in cats, but very common in dogs. The term distichiasis may be controversial when used in the feline species, given that they do not possess true cilia, but rudimentary hair along the superior palpebra. The patients may be asymptomatic, though some show signs of ocular discomfort and ulcerative keratitis. The diagnosis is reached through an ophthalmological exam, and the treatment consists of the removal of the cilium with or without its hair follicle. With this work, we aim to report a series of cases of distichiasis in cats, as it is an uncommon anomaly, and has the potential to cause ocular discomfort in cats.Cases: Two mobile services of veterinary ophthalmology, one in the federal district of Brasília (DF) and the other in the municipality of Valinhos (SP), attended to 9 cats over a period of 5 years (2018 to 2022). The cats (n = 9) attended are of an undefined breed with ages varying from 10 months to 9 years, with an average of 3.9-year-old. The number of distichiasis presented by the animals was classified according to their quantity, being categorized as a mild grade when there was a single cilium, moderate grade when there were 2 to 4 cilia, and severe grade when there were more than 5 cilia. The highest incidence of distichiasis in this study was in males (78%) while females accounted for (22%) of the cases. The clinical changes reported by the owners consisted of signs of ocular discomfort (photophobia, blepharospasm, and periocular itching), ocular discharge and ocular redness. In the ophthalmological evaluations, blepharospasm (22%), serous to mucosal secretion (56%), chemosis (22%), mild (44%) to moderate (11%) conjunctival hyperemia, and ulcerative keratitis (22%) were observed. Distichiasis was more frequent affecting both eyes (56%), while in only (44%) of cases it affected the left eye only. The highest occurrence of cilia was identified in the upper palpebra (78%). Distichiasis was found more often in the temporal palpebral portion (78%), and in 2 patients the identification was more challenging since these cilia lack pigmentation. Single cilium affected (44%) of patients, while 5 cats had multiple distichiasis (56%). A total of 29% of the cats had a mild grade, whereas 14% had a moderated grade, and 57% had a severe grade. The treatments performed consisted of manual epilation (ME) and electroepilation (EE). ME was carried out in 56% of the cats, with relapses occurring in 80% of the patients, while 44% of the cats submitted to EE had a relapse in 20% of the cases.Discussion: Distichiasis is an inherited disorder very frequent in dogs, but considered uncommon in cats. Its causative factor is still unknown, as is its mode of inheritance. In distichiasis therapy, epilation, electroepilation, electrolysis, diode laser, cryotherapy and surgical palpebral resection techniques are referred to as procedures. Among the treatments used in this study, we observed a lower incidence of relapse with the electroepilation technique, which proved to be a viable and successful therapeutic modality. This series of cases shows that perhaps this disorder is much more frequent than what has been reported in the literature, being sometimes underdiagnosed and consequently underreported. Therefore, distichiasis in cats should be considered as a differential diagnosis in patients with clinical signs of ocular discomfort and ulcerative keratitis.
Keywords: cat, ciliary disorders, distichiasis, meibomian gland, epilation, electrocautery.
Título: Distiquíases em Gatos
Descritores: gato, distúrbios ciliares, distiquíase, glândula meibômio, epilação, eletroepilação.Background: A distiquíase é uma doença rara em gatos, mas muito comum em cães. O termo distiquíase pode ser controverso quando utilizado na espécie felina, uma vez que não possuem cílios verdadeiros, mas sim pelos rudimentares ao longo da pálpebra superior. Os pacientes podem apresentar-se assintomáticos, entretanto alguns destes manifestam sinais de desconforto ocular e ceratite ulcerativa. O diagnóstico é realizado pelo exame oftalmológico e o tratamento consiste na remoção do cílio com ou sem o folículo piloso. Objetivamos com este trabalho relatar uma série de casos de distiquíases em gatos, visto ser uma anormalidade incomum e ser um potencial causador de desconforto ocular em gatos. Case: Foram atendidos por dois serviços volantes de oftalmologia veterinária, sendo um deles no distrito de Brasília (DF) e outro no município de Valinhos (SP), 9 animais da espécie felina em um período de 5 anos (2018 a 2022). Os gatos (n=9) avaliados eram Sem Raça Definida (SRD), idade variou entre 10 meses e 9 anos de vida, tendo uma idade média 3,9 anos. O número de distiquíases apresentada pelos animais foram classificadas de acordo com a sua quantidade, sendo categorizada em grau leve quando cílio único, grau moderado quando de dois a quatro cílios e grau grave mais que cinco cílios. A maior incidência de distiquíases neste estudo, foram nos machos (78%) enquanto as fêmeas que somaram (22%) dos casos. As alterações clínicas referidas pelos tutores, consistiam em sinais de desconforto ocular (fotofobia, blefarospasmo e prurido periocular), secreção ocular e vermelhidão ocular. Nas avaliações oftalmológicas foram observados a presença de blefarospasmo (22%), secreção serosa a mucosa (56%), quemose (22%), hiperemia conjuntival grau leve (44%) a moderado (11%), ceratite ulcerativa (22%). As distiquíases foram mais frequentes acometendo ambos os olhos (56%), enquanto (44%) casos encontrava-se apenas no olho esquerdo. A maior ocorrência dos cílios foi identificada nas pálpebras superiores (78%). As distiquíases foram mais localizadas na porção temporal palpebral (78%), sendo que em dois pacientes a identificação foi mais desafiadora, visto esses cílios não possuírem pigmentação. Os cílios únicos acometeram (44%) pacientes, enquanto cinco gatos tinham distiquíases múltiplas. O grau leve foi observado em 29% dos gatos, enquanto 14% apresentaram o grau moderado e 57% o grau grave. Os tratamentos realizados consistiram na epilação manual (EM) e eletroepilação (ET). A EM foi realizada em 56% dos gatos, ocorrendo recidivas em 80% dos pacientes. Enquanto que 44% dos gatos submetidos a ET, apresentaram uma recidiva de 20% dos casos. Discussion: Distiquíase é uma afecção hereditária muito frequente em cães, mas considerada incomum em gatos. Ainda é desconhecido o fator causador, assim como o seu modo de herança. Na terapia da distiquíase, são referidos como procedimentos a epilação, eletroepilação, eletrólise, laser de díodo, crioterapia e técnicas de ressecção cirúrgica palpebral. Dentre os tratamentos empregados neste trabalho, observarmos uma menor incidência de recidiva com a técnica eletroepilação que demonstrou-se uma modalidade terapêutica viável e bem sucedida. Esta série de casos demonstra que talvez essa afecção seja bem mais frequente do que a literatura informa, sendo às vezes subdiagnosticada e consequentemente pouco relatada. Portanto, a distiquíase em gatos deve ser considerada como um diagnóstico diferencial em pacientes com sinais clínicos de desconforto ocular e ceratite ulcerativa.
Ocorrências de Distiquíases em 9 Gatos
Background: Distichiasis is a disease that is rare in cats, but very common in dogs. The term distichiasis may be controversial when used in the feline species, given that they do not possess true cilia, but rudimentary hair along the superior palpebra. The patients may be asymptomatic, though some show signs of ocular discomfort and ulcerative keratitis. The diagnosis is reached through an ophthalmological exam, and the treatment consists of the removal of the cilium with or without its hair follicle. With this work, we aim to report a series of cases of distichiasis in cats, as it is an uncommon anomaly, and has the potential to cause ocular discomfort in cats.Cases: Two mobile services of veterinary ophthalmology, one in the federal district of Brasília (DF) and the other in the municipality of Valinhos (SP), attended to 9 cats over a period of 5 years (2018 to 2022). The cats (n = 9) attended are of an undefined breed with ages varying from 10 months to 9 years, with an average of 3.9-year-old. The number of distichiasis presented by the animals was classified according to their quantity, being categorized as a mild grade when there was a single cilium, moderate grade when there were 2 to 4 cilia, and severe grade when there were more than 5 cilia. The highest incidence of distichiasis in this study was in males (78%) while females accounted for (22%) of the cases. The clinical changes reported by the owners consisted of signs of ocular discomfort (photophobia, blepharospasm, and periocular itching), ocular discharge and ocular redness. In the ophthalmological evaluations, blepharospasm (22%), serous to mucosal secretion (56%), chemosis (22%), mild (44%) to moderate (11%) conjunctival hyperemia, and ulcerative keratitis (22%) were observed. Distichiasis was more frequent affecting both eyes (56%), while in only (44%) of cases it affected the left eye only. The highest occurrence of cilia was identified in the upper palpebra (78%). Distichiasis was found more often in the temporal palpebral portion (78%), and in 2 patients the identification was more challenging since these cilia lack pigmentation. Single cilium affected (44%) of patients, while 5 cats had multiple distichiasis (56%). A total of 29% of the cats had a mild grade, whereas 14% had a moderated grade, and 57% had a severe grade. The treatments performed consisted of manual epilation (ME) and electroepilation (EE). ME was carried out in 56% of the cats, with relapses occurring in 80% of the patients, while 44% of the cats submitted to EE had a relapse in 20% of the cases.Discussion: Distichiasis is an inherited disorder very frequent in dogs, but considered uncommon in cats. Its causative factor is still unknown, as is its mode of inheritance. In distichiasis therapy, epilation, electroepilation, electrolysis, diode laser, cryotherapy and surgical palpebral resection techniques are referred to as procedures. Among the treatments used in this study, we observed a lower incidence of relapse with the electroepilation technique, which proved to be a viable and successful therapeutic modality. This series of cases shows that perhaps this disorder is much more frequent than what has been reported in the literature, being sometimes underdiagnosed and consequently underreported. Therefore, distichiasis in cats should be considered as a differential diagnosis in patients with clinical signs of ocular discomfort and ulcerative keratitis.
Keywords: cat, ciliary disorders, distichiasis, meibomian gland, epilation, electrocautery.
Título: Distiquíases em Gatos
Descritores: gato, distúrbios ciliares, distiquíase, glândula meibômio, epilação, eletroepilação.Background: A distiquíase é uma doença rara em gatos, mas muito comum em cães. O termo distiquíase pode ser controverso quando utilizado na espécie felina, uma vez que não possuem cílios verdadeiros, mas sim pelos rudimentares ao longo da pálpebra superior. Os pacientes podem apresentar-se assintomáticos, entretanto alguns destes manifestam sinais de desconforto ocular e ceratite ulcerativa. O diagnóstico é realizado pelo exame oftalmológico e o tratamento consiste na remoção do cílio com ou sem o folículo piloso. Objetivamos com este trabalho relatar uma série de casos de distiquíases em gatos, visto ser uma anormalidade incomum e ser um potencial causador de desconforto ocular em gatos. Case: Foram atendidos por dois serviços volantes de oftalmologia veterinária, sendo um deles no distrito de Brasília (DF) e outro no município de Valinhos (SP), 9 animais da espécie felina em um período de 5 anos (2018 a 2022). Os gatos (n=9) avaliados eram Sem Raça Definida (SRD), idade variou entre 10 meses e 9 anos de vida, tendo uma idade média 3,9 anos. O número de distiquíases apresentada pelos animais foram classificadas de acordo com a sua quantidade, sendo categorizada em grau leve quando cílio único, grau moderado quando de dois a quatro cílios e grau grave mais que cinco cílios. A maior incidência de distiquíases neste estudo, foram nos machos (78%) enquanto as fêmeas que somaram (22%) dos casos. As alterações clínicas referidas pelos tutores, consistiam em sinais de desconforto ocular (fotofobia, blefarospasmo e prurido periocular), secreção ocular e vermelhidão ocular. Nas avaliações oftalmológicas foram observados a presença de blefarospasmo (22%), secreção serosa a mucosa (56%), quemose (22%), hiperemia conjuntival grau leve (44%) a moderado (11%), ceratite ulcerativa (22%). As distiquíases foram mais frequentes acometendo ambos os olhos (56%), enquanto (44%) casos encontrava-se apenas no olho esquerdo. A maior ocorrência dos cílios foi identificada nas pálpebras superiores (78%). As distiquíases foram mais localizadas na porção temporal palpebral (78%), sendo que em dois pacientes a identificação foi mais desafiadora, visto esses cílios não possuírem pigmentação. Os cílios únicos acometeram (44%) pacientes, enquanto cinco gatos tinham distiquíases múltiplas. O grau leve foi observado em 29% dos gatos, enquanto 14% apresentaram o grau moderado e 57% o grau grave. Os tratamentos realizados consistiram na epilação manual (EM) e eletroepilação (ET). A EM foi realizada em 56% dos gatos, ocorrendo recidivas em 80% dos pacientes. Enquanto que 44% dos gatos submetidos a ET, apresentaram uma recidiva de 20% dos casos. Discussion: Distiquíase é uma afecção hereditária muito frequente em cães, mas considerada incomum em gatos. Ainda é desconhecido o fator causador, assim como o seu modo de herança. Na terapia da distiquíase, são referidos como procedimentos a epilação, eletroepilação, eletrólise, laser de díodo, crioterapia e técnicas de ressecção cirúrgica palpebral. Dentre os tratamentos empregados neste trabalho, observarmos uma menor incidência de recidiva com a técnica eletroepilação que demonstrou-se uma modalidade terapêutica viável e bem sucedida. Esta série de casos demonstra que talvez essa afecção seja bem mais frequente do que a literatura informa, sendo às vezes subdiagnosticada e consequentemente pouco relatada. Portanto, a distiquíase em gatos deve ser considerada como um diagnóstico diferencial em pacientes com sinais clínicos de desconforto ocular e ceratite ulcerativa.
NÚMERO E TIPO DE CORDAS TENDÍNEAS COMISSURAIS NA VALVA ATRIOVENTRICULAR ESQUERDA DO CORAÇÃO DE BOVINOS
As cordas tendíneas são estruturas originadas da parede cardíaca a partir dos músculos papilares, os quais garantem que aquelas se insiram nas cúspides septal, parietal e acessórias, de modo a permitir o funcionamento adequado da valva atrioventricular esquerda. O exterior das cordas tendíneas é revestido por células endoteliais e uma camada de elastina com pouco colágeno. Seu interior contém colágeno denso, representando 60% do peso seco e proporcionando grande resistência à tração. As cordas que se fixam nas comissuras das cúspides são denominadas cordas tendíneas comissurais. Em nosso estudo, sugere-se uma nova classificação de acordo com as suas ramificações, que seguem: 1) Cordas tendíneas comissurais penadas; 2) Cordas tendíneas comissurais palmadas. Objetivou-se neste estudo classificar as cordas tendíneas comissurais da valva atrioventricular esquerda em penada e palmada, verificar sua frequência e possível significância estatística entre os achados. Foram utilizados 40 corações hígidos de bois Sem Raça Definida (SRD) de frigoríficos legalizados do município de Porto Velho, Rondônia. Esses foram fixados em formaldeído a 10%, de acordo com a técnica de Rodrigues (2010) e dissecados segundo Queiroz et al. (2009). Os dados foram compilados e analisados no programa Excel®, sendo utilizados Odds Ratio (OR), teste de Qui-quadrado e teste exato de Fisher para análise estatística, considerado significativo se p<0,05. Os resultados demonstraram um total de 228 cordas tendíneas comissurais (CTC). Destas, no músculo papilar subatrial, foram contabilizadas 88 CTC penadas (76%) e 28 CTC palmadas (24%), já no músculo papilar subauricular, foram 74 CTC penadas (66%) e 38 CTC palmadas (34%). Assim, foram registradas no total 162 CTC penadas (71,05%) e 66 CTC palmadas (28,95%). Apesar da diferença observada entre a frequência de cordas encontradas para cada músculo papilar, os resultados não apontaram uma associação significativa entre o tipo de corda tendínea e a localização do músculo papilar (p>0,05)
