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A Biblioteca Central de Seattle e a “arquitetura metropolitana” de Rem Koolhaas (parte 1)
A obra da Biblioteca Central de Seattle, inaugurada em 2004, se insere numapolítica pública daquele município do noroeste dos EUA consistente em renovar eampliar seu sistema de bibliotecas públicas apostando na permanência do livropúblico aliado a novas tecnologias de informação. O Office for a MetropolitanArchitecture, liderado por Rem Koolhaas buscou tirar partido desta aposta paracriar, através dos meios da arquitetura, uma nova imagem da instituição biblioteca atraente a um usuário flâneur, por assim dizer. O projeto organizou baterias funcionais distintas na volumetria e nos condicionamentos e as agrupouverticalmente sem a usual concordância de andares uns sobre os outros. Daíresultou algo como que uma pilha de caixas agrupadas casualmente, para asquais a curtain wall exterior provê uma “unidade” como que por empacotá-lasnuma película transparente. O volume resultante repousa sobre os andares dabase do edifício, uma construção cerrada de concreto, como uma escultura sobreum pedestal, mas uma escultura incomodada e rebelada, por assim dizer, comesse pedestal. A compreensão desta obra conduziu-nos ao conceito de obraalegórica e às raízes da proposta arquitetônica da “arquitetura metropolitana” deRem Koolhaas nas teses de Walter Benjamin sobre a modernidade em Baudelaire e a experiência da metrópole moderna
Da obra de arte total à síntese das artes
There had been througout the 20th century a persistent recurrence of the theme of the synthesis or integration of arts, in the field of architecture at least. It was present amongst the early twentieth century vanguards but had a bounce back in the early postwar period with Le Corbusier, Sigfried Giedion and Fernand Léger. In Brazil in the 1950s, art critic Mário Pedrosa under the mote Brasilia enthusiastically hailed the construction of Brasília the New City, Synthesis of Arts (1981b, p. 355-363). The corresponding literature points out to architect and historian Gottfried Semper, a nineteenth century theorist of style, who cooperated closely with composer and operist Richard Wagner as the authors who put forth the original conceptions of the Gesamtkunstwerk or total artwork. In this study, we examine the speculative guise with which Wagner held up the Gesamtkunstwerk, as a strategic step for the studies on the theme.
Recebido: 31/10/2018Aceito: 26/4/2019Houve, durante o século XX, uma persistente recorrência do tema da síntese ou integração das artes, em especial no campo da arquitetura: desde as vanguardas dos anos de 1920 até a ressurgência do tema, no imediato Pós-II Guerra, com Le Corbusier, Sigfried Giedion e Fernand Léger. No Brasil, nos anos de 1950, o entusiasmo de Mário Pedrosa com a construção da nova capital seguiu o lema Brasília, a cidade nova, síntese das artes (1981b, p. 355-363). A literatura correspondente menciona com frequência os nomes do arquiteto Gottfried Semper, um teórico oitocentista do estilo, e sua cooperação com o compositor Richard Wagner. O interesse contemporâneo pelo tema da síntese ou integração das artes e suas relações com arte e arquitetura aponta para os trabalhos desses dois autores como a proposição inicial, no âmbito da Gesamtkunstwerk ou a obra de arte total. Neste estudo, examina-se a feição especulativa com que Wagner sustentou a Gesamtkunstwerk, como passo estratégico para os estudos sobre o tema.
Recebido: 31/10/2018Aceito: 26/4/201
Poles Dance
Este ensaio visual se fez de fotos tiradas durante vários anos de observação de um loteamento clandestino na periferia de uma cidade do interior paulista, o qual permaneceu embargado por uma década ou mais por ordem das autoridades municipais. Em 2017 os proprietários conseguiram regularizar o empreendimento e as obras foram retomadas. A exceção foram os postes de energia e iluminação urbana que foram instalados mesmo durante o embargo, criando, assim, uma imagem fantasmagórica das ruas que relutavam em ser reais, enquanto o gado pastava por sob eles. A maioria das fotos aqui apresentadas mostram os trabalhos em andamento com o contraste de materiais da vegetação, do concreto e da terra revolvida cujo relevo é acompanhado pela cadência da fiação. Mas o que está em questão aqui é como algo feio e desonesto pode ser a matéria de imagens que pelo menos pretendem ser belas. Esta hipótese aponta para a imagem fotográfica ser uma transfiguração da natureza mais do que uma mera reprodução
As dimensões autônoma e utilitária da obra arquitetônica de Vilanova Artigas
O partido de projeto constante por toda a obra da maturidade profissional de Vilanova Artigas, singulariza essa obra como portadora de uma dimensão autônoma lado a lado com a utilitária. Esta dimensão autônoma e seu sentido nem mesmo podem ser representados nos limites do jargão profissional dos arquitetos e historiadores da arquitetura, sobre o qual pesa a interdição de uma suposta separação completa entre artes autônomas e artes úteis, uma interdição que, como apontou Theodor Adorno, é constitutiva do funcionalismo. Retomando a crítica desse autor, torna-se possível, então, propor uma compreensão da obra do arquiteto paulista cuja sustentação historiográfica se dá pelo confronto com a profunda e persistente associação operada na arquitetura moderna brasileira entre funcionalismo e nacional-desenvolvimentismo sob o influxo doutrinário de Lúcio Costa, Mário de Andrade e da contribuição de Mário Pedrosa que identificou a arquitetura moderna brasileira à Antropofagia de Oswald de Andrade. Palavras-chave: estética da arquitetura, arquitetura paulista, arquitetura brasileira, crítica de arte da arquitetura. Abstract The typical design solution that marks out all of Vilanova Artigas\u27 mature work singles it out as bearing an independent dimension side by side with its utilitarian one. As it turns this autonomous dimension can\u27t even be conceived of within the bounds of the professional jargon underpinning the discourse of both architects and architectural historians, over which an interdiction holds which, as Theodor Adorno puts it, should be viewed as constitutive of functionalism. In view of this author\u27s criticism of functionalism it becomes possible to at least sketch out a comprehension of Artigas\u27 work that can be historically grounded on the foundational association between modern Brazilian architecture and the policy of national development whose doctrine was set forth by Lúcio Costa, Mário de Andrade and by the later contribution of Mário Pedrosa that finally bound it up to Oswald de Andrade\u27s notorious discourse of Anthropofagy. Keywords: architectural aesthetics, "arquitetura paulista", brazilian architecture, architecture\u27s art criticism
CRÍTICA DE ARTE E ARQUITETURA
Ao contrário do ceticismo que acompanha a simples menção da crítica de Arte como contribuinte viável para a arquitetura, nos anos de 1950 o crítico de arte Mário Pedrosa desempenhou um importante papel no apoio político à construção de Brasília, e, através de seus escritos, deu acabamento e alcance novo à idéia de arquitetura brasileira de Lúcio Costa. Este teria sido mais um capítulo da bem conhecida cooperação da crítica com a arte moderna no interior das vanguardas agora a mostrar o elo entre estas últimas e o nacionalismo, ou seja, a concepção distintamente moderna do tempo histórico dotado de um télos imanente a realizar. Fosse algum modelo de sociedade futura, fosse o florescer da nacionalidade e das potencialidades do povo mestiço, o que se questiona nos dias de hoje é a própria validade de um projeto histórico a realizar, como se a história fosse um artefato humano. Nessa medida o alcance da ação de Pedrosa pode ser questionado e novas perspectivas podem ser abertas, como se pretende mostrar na segunda parte deste artigo através de crítica de arte de obras da arquitetura contemporânea. Palavras-Chave: Crítica de arte, Vanguardas artísticas, Arquitetura moderna brasileira, Estética arquitetônica. ART CRITICISM AND ARCHITECTURE Abstract Contrary to the prevailing skepticism that surrounds art criticism as a contributor of some relevance to architecture, during the 1950s the art-critic Mário Pedrosa not only stood out as the main voice to uphold the construction of Brasília in the field of high culture but also, through his writings, took the lead as architectural theoretician in what he widened the scope and provided a deeper foundation to the idea of Modern Brazilian Architecture that Lúcio Costa had set forth two decades earlier. This episode of concerted action carried out by criticism and art vanguard together, whose lasting influence one can hardly overlook, underscores the ideological framework of Brazilian nationalism as the goal that history was supposed to hold and foster and that architecture should carry through to fulfillment. This mode of ideological operation, which is distinctly modern in itself, is what now awaits critical scrutiny no matter whether it was some model of future society or the blooming of all hidden potentialities of a mixed race nationality that stood as historical project. It is then in pursuing this guise of questioning that the political action and the range of the writings by Pedrosa can reveal something about the role one might expect art-criticism to play in the field of architecture and what the ideological hindrances are that still get in its way. Keywords: Art criticism, Vangard art and architecture, Modern Brazilian architecture, Architectural aesthetics
PIERRE BOURDIEU E O PODER SIMBÓLICO PARTE I: OS PASSOS TEÓRICOS DA SOCIOLOGIA CRÍTICA
Pierre Bourdieu construiu sua sociologia ao pôr em questão o estatuto científico da ciência social, o qual oscila entre a aparência do que se põe como “dado”, como no positivismo, e a teoria marxista do “reflexo” que punha a ideologia, ou poder simbólico, sob a determinação dos interesses materiais das classes sem esclarecer como isto se dava na mecânica molecular dos operadores práticos, ou seja, por uma obscura ação à distância. Superar estes hiatos requereu que o autor empreendesse uma reforma do conceito sociológico, deixando o conceito substancialista, ou por abstração, e passando ao conceito funcional. Assim, a sociologia pode incorporar a posição científica propriamente da dúvida radical que põe fora de vigência o “dado”; doravante, problemas e conceitos sociológicos deveriam ser construídos. Surge, desse modo, o conceito de poder simbólico construído funcionalmente e os conceitos correlatos de campo, habitus e uma noção flexível, nuançada e derivada funcionalmente a partir da economia, de capital simbólico, pela qual a estrutura dos campos é homológa à hierarquia social econômica, mas se legitima de modo autônomo e se impõe por critérios de competência e credenciais com um mínimo dispêndio de energia ou de violência explícita, reproduzindo princípios de classificação ou operando a afirmação cognitiva de relações de força necessárias à reprodução social
Vilanova Artigas: a translated poetics
A partir do juízo estético sobre a obra do arquiteto Vilanova Artigas, formulamos hipóteses sobre seu sentido, a despeito da dúvida que paira sobre se as obras de arquitetura moderna prestam-se a uma contemplação desinteressada. Tais hipóteses conduziram à reconstituição historiográfica do percurso do arquiteto através de distintas fases, Formação, Ambições Manifestas e um Impasse, O Momento Brasília e A Poética Traduzida, os quatro capítulos deste trabalho, respectivamente. Desde o início de sua carreira, Artigas buscou uma arquitetura que resolvesse as exigências de seu senso de missão cívica, de excelência técnica e de um intenso empenho autoral. Após libertar-se da influência inicial de Wright, Artigas torna-se um dos mais brilhantes nomes da arquitetura moderna brasileira, bem como líder da luta por regulamentação profissional e por um sistema de ·planejamento urbano e territorial no Brasil. Sua participação em movimentos e polêmicas culturais na arquitetura e nas artes, sua militância no PCB, o puseram de frente a uma encruzilhada da arquitetura moderna brasileira, questionada criticamente tanto na perspectiva do nacional-popular como do funcionalismo estrito propugnado pela vanguarda concretista no Brasil, em sintonia com Max Bill e Walter Gropius. Tais críticas levaram Oscar Niemeyer à célebre auto-crítica e à adoção de novos procedimentos a partir de Braslília. A reorientação de Artigas conduziu à sua obra madura, a \"arquitetura paulista\", cujos procedimentos, métodos e formas típicos, nos propuséramos a esclarecer.The point of departure of this work has been the aesthetic judgement of Vilanova Artigas\'s architectural work and the inquiry as to its meaning, in spite of abiding doubts as to whether modern architectural works should be viewed that way. Research work set out by reconstituting Artiga\'s carreer through four periods, Formation, Self Assured Ambitions and a Halt, Brasília\'s Breakthrough and A Translated Poetics, each of which stands for one of the four chapters of this work. From the outset Artigas set about to develop an architectural expression able to comply with three demands, that it should serve civil causes, that it should be correct and creative in technology and also that it should give roam to authorship and aesthetic research. As soon as he got rid of the early influence of Frank L. Wright, he joined the main stream of modern brazilian architecture to become one of its most brilliant practitioners and a leader of the political pursuits for professional regulation and for town planning programs in Brazil, which we have not yet quite succeed in. By the early fities, unfulfilled promises and a tide of criticism prompted modern brazilian architecture into a crises from both national-popular viewpoint and that of the concretist avangard. The way Niemeyer devised out of the crises was to be known as his self criticism, with whose new methods he designed Brasília. Artigas was also to find his new way, whose peculiar modes of architectural composition and meaning are our proper task to enlighten
A Arte Fotográfica: Inversão e Reinversão de Valores
A questão sobre a natureza da fotografia, se gênero utilitário ou obra de arte autônoma, é pergunta recorrente, porque a fotografia não tem a história dos gêneros tradicionais e porque se dá como técnica mecânica de captação de imagens a serviço dos fins mais variados. Para que obtenhamos algum esclarecimento, é oportuno rever os termos de uma polêmica dos anos de 1980, em que a historiadora da arte Rosalind Krauss associou o modo mecânico da fotografia ao que considerava um colapso da autoria enquanto subjetividade diferenciada e fonte da originalidade das obras. Esta tendência iria muito além da fotografia e marcaria toda a modernidade tardia, algo que a autora formalizava através da noção de "simulacro" , tal como fora apropriada da tradição filosófica pelo pensador Gilles Deleuze de acordo com a "inversão" do platonismo proposta por Nietzsche
O QUE É PARTIDO DE PROJETO?
A expressão “partido de projeto” é de uso corrente entre arquitetos brasileiros e já ganhou lugar nos dicionários da língua. Contudo, não se encontra na bibliografia uma caracterização formal enquanto conceito. Neste estudo, investigamos o sentido da mesma enquanto designação do modo de operar que distingue a arquitetura das disciplinas universitárias com as quais coopera na construção do ambiente humano. Enquanto na tecnologia deve haver uma correspondência ponto a ponto entre as características do objeto e a performance esperada do mesmo, no projeto de arquitetura isto é pouco provável pois este não pode satisfazer no mesmo grau todos os critérios que sobre ele incidem, sendo o “partido do projeto” aquele ato de escolha de prioridades funcionais, tecnológicas ou estéticas de modo a obter um objeto possível e cuja significação supera qualquer tabela prévia de desempenhos. Palavras-chave : projeto arquitetônico, projeto tecnológico, arquitetura, engenharia, estética da arquitetura. Abstract “Partido de projeto” is a current expression amongst brazilian architects with no English equivalent. So usual it has become that dictionaries have already granted a place to it. However, nowhere in the professional literature a formal conceptualization thereof can be found. We here undertake to investigate its meaning as the operative way which is peculiar to architecture and sets it off all disciplines with which it shares the building of human environment. Whereas in technology one can always expect a one to one relationship between every characteristic of the object and its assigned performance, in the architectural design such mode of correspondence is not supposed to be matched up, for the latter can’t meet up all the requirements that bear on it to the same extent and with equal emphasis. The “Partido de projeto” stands out then as the act of choice by way of which some requirements are brought to the fore, be them of functional, constructive or of aesthetic nature, so as to lead up to a possible object, whereas other aspects are meant to play a secondary role and to stand in the background. The unity that turns out of the processes however bears a signification to itself that can’t be put forth in advance by any formal set of requirements. Keywords : architectural design, technological design, engineering, architecture, architectural aesthetics
Mário Pedrosa: as ideias
ABSTRACT This paper aims to trace out Mário Pedrosa’s path through concepts since his beginnings of authentic perplexity on to the position which would single him out, that in favor of constructivist abstract art. To the latter he attributed, by way of “Physiognomic primary form”, the mission of dissolving all antagonistic forms of human knowledge and to lead modernity back to original forms of sociability. This millenarian bent of his knew setbacks since the 1950s when informal art and abstract expressionism brock upon the scene. Nonetheless Pedrosa found productions that he thought to work in the real space of life, such as Brazilian architecture and neoconcretist artists Oiticica and Clarck. In his last writings in the 1970s, Pedrosa still upheld his millenarian view of art on the basis of the same authors he cherished from the outset.RESUMO Este estudo traça o percurso de Mário Pedrosa com os conceitos, desde seu começo de autêntica perplexidade até a posição crítica que iria caracterizá-lo, pela teleologia imanente da arte moderna a confluir na arte abstrata construtiva. A esta atribuía, pela “forma primeira fisionômica”, a missão de dissolver o antagonismo das várias formas do saber humano, num retorno às formas originárias de sociabilidade. Este foi seu milenarismo que conheceu abalos já na década de 1950 com o surgimento do informalismo e do expressionismo abstrato. Pedrosa encontrou, então, produções a que deu apoio por julgar que operavam no espaço real da vida: a arquitetura brasileira e o neoconcretismo de Oiticica e Clark. Em seus últimos escritos, já nos anos de 1970, Pedrosa ainda sustentava aquele milenarismo apoiado nos seus primeiros autores prediletos
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