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Federalismo e democracia
Inclui notas explicativas e bibliografia.Texto em português; resumo em português e inglês.Gabriel Barroso Fortes, Filomeno Morae
Malnutrition and enteric infections in children in Bengo province, Angola-a four-arm experimental study
Introdução: À semelhança de outros países de baixo-médio rendimento, em Angola, a malnutrição e a doença diarreica estão entre as principais causas de mortes em crianças menores de cinco anos, nomeadamente na província do Bengo.
Objectivos: i) identificar a etiologia da diarreia e fatores associados em crianças menores de cinco anos atendidas no Hospital Geral do Bengo (HGB); ii) fornecer informações sobre a caracterização molecular de rotavírus, antes da introdução da vacina; iii) fornecer uma caracterização molecular de Giardia lamblia; e iv) investigar se o tratamento de parasitas intestinais (com ou sem diagnóstico prévio) em dois níveis diferentes (individual ou a nível do agregado familiar) tem impacto sobre o estado nutricional de crianças de 2-5 anos, após seguimento de dois anos no Bengo.
Métodos: Um estudo transversal (ET) foi implementado para investigar a presença de vírus, bactérias e parasitas nas fezes diarreicas de 344 crianças atendidas no HGB (2012- 2013), recolhendo dados sociodemográficos, nutricionais e clínicos, explorados por modelos de regressão logística simples e múltipla. Posteriormente, realizaram-se métodos moleculares para identificação dos genótipos circulantes de rotavírus e genótipos e subgenótipos de G. lamblia. Entre 2013 e 2017, um estudo longitudinal e experimental (RCT) com quatro braços em paralelo foi realizado em crianças infetadas com pelo menos
um parasita intestinal patogénico (ISRCTN-72928001). As 121 crianças com critérios de inclusão foram distribuídas aleatoriamente (1:1:1:1) - Braço1: albendazol anual a nível individual; Braço2: albendazol anual ao agregado familiar; Braço3: diagnóstico e tratamento quadrimestral de parasitas intestinais a nível individual; Braço4: diagnóstico
e tratamento quadrimestral de parasitas intestinais ao nível do agregado familiar. No início do estudo, aos 4, 8, 12, 16, 20 e 24 meses de acompanhamento avaliou-se: a altura, o peso, estatura-para-idade, peso-para-altura e peso-para-idade em Z-score. A análise por
intenção-de-tratar foi realizada seguindo as diretrizes CONSORT, após a análise de valores omissos (IBM SPSS). Dada a falha dos pressupostos da análise paramétrica de medidas repetidas, uma abordagem não paramétrica (nparLD) e os modelos LMM e GEE
foram explorados no programa R. Resultados: Nos dois estudos, as crianças viviam principalmente em áreas urbanas (>90%) e mais de 20% não tinha latrina. A água mais usada para beber provinha do rio,
da torneira no quintal e de tanques. A desnutrição crónica ocorreu em 38% (ET) e 31% (RCT) das crianças. No ET, 67% das crianças estavam infetadas por um agente enteropatogénico, principalmente por Cryptosporidium spp. (30%), rotavírus (25%) e G. lamblia (22%). Cryptosporidium spp. e rotavírus foram mais frequentes em menores de
12 meses. Os principais genótipos circulantes de rotavírus foram: G1P [8] (47%), G1P [6] (29%) e G2P [4] (13%). O genótipo B de G. lamblia foi predominante em relação ao genótipo A. No RCT, no início do estudo, as crianças estavam infetadas principalmente com G. lamblia (57%) e Ascaris lumbricoides (26%). Diferentes modelos não forneceram nenhuma evidência ou fraca evidência do efeito das intervenções nas medições antropométricas, embora tenha ocorrido uma evolução temporal significativa. Contudo, nota-se uma redução da desnutrição ligeira ao longo do estudo, apesar de, em média, as
crianças permaneceram com valores padronizados (z-scores) negativos para os índices antropométricos.Conclusão: Várias infeções entéricas foram identificados nos dois estudos. No RCT, nenhuma das estratégias de tratamento de parasitoses intestinais se destacou com efeito significativo nos indicadores antropométricos estudados. A duração do RCT e o tamanho da amostra podem não ter sido suficientes para observar diferenças significativas. Por outro lado, realça-se a importância de uma abordagem multifatorial integrada com vista
à melhoria do estado nutricional (e.g., WASH, educação, alimentação adequada e acesso a cuidados de saúde).Background: Similar to other low- and middle-income countries, in Angola, malnutrition and diarrhoeal disease are among the major causes of deaths in children under-five, namely in Bengo province.
Aims: i) identify the aetiology of diarrhoea and associated factors in under-five children attending the Bengo General Hospital (HGB); ii) provide information on the molecular characterization of rotavirus, before the vaccine introduction; iii) provide a molecular characterization of Giardia lamblia; and iv) investigate if treatment of intestinal parasites
(with or without previous diagnosis) in two different levels (individual or household) impacts on nutritional status of children 2-5 years, after a two-year follow-up in Bengo.
Methods: A cross-sectional study (CSS) was conducted to investigate the presence of virus, bacteria and parasites in diarrhoeal stools of 344 children attending HGB (2012-2013), collecting sociodemographic, nutritional and clinical data, analysed by simple and multiple logistic regression models. Then, molecular methods were performed for the
identification of rotavirus circulating genotypes and G. lamblia assemblages and subassemblages.
Between 2013 and 2017, a four-arm randomised controlled trial (RCT,
registration ISRCTN-72928001) was conducted longitudinally in children infected with at least one pathogenic intestinal parasite. 121 children meeting inclusion criteria were randomly assigned (1:1:1:1) - Arm1: annual albendazole at individual level; Arm2:
annual albendazole at household level; Arm3: four-monthly screening and treatment of intestinal parasites at individual level; Arm4: four-monthly screening and treatment of intestinal parasites at household level. Height, weight, height-for-age, weight-for-height, and weight-for-age Z-score were assessed at baseline, 4, 8, 12, 16, 20, and 24 months of follow-up. Intention-to-treat analysis was performed following CONSORT guidelines, after a missing value analysis (IBM SPSS). Given the failure of assumptions for parametric repeated measurements, nonparametric rank-based method (nparLD), LMM and GEE models were performed in R program.
Results: In both studies, children lived mainly in urban areas (>90%) and more than 20% did not have a latrine. The most commonly drinking water sources were the river, the tap in the yard and tank. Near 38% (CSS) and 31% (RCT) of children were stunted. In the CSS, 67% of children were infected with an enteropathogen, mostly with Cryptosporidium spp. (30%), rotavirus (25%) and G. lamblia (22%). Cryptosporidium spp. and rotavirus were more frequent in children under 12 months. The main rotavirus circulating genotypes were: G1P[8] (47%), G1P[6] (29%) and G2P[4] (13%). G. lamblia
assemblage B was predominant compared with assemblage A. In the RCT, at baseline, children were mainly infected with G. lamblia (57%) and Ascaris lumbricoides (26%).
Different models provided no evidence or weak evidence of the effect of interventions on anthropometric measurements, although a significant temporal effect occurred. A reduction in mild malnutrition occurred throughout the study, although, on average, children remained with negative z-scores for anthropometric indices.
Conclusion: Several enteric infections were identified in both studies. In the RCT, none of the treatment strategies targeting intestinal parasites stood out with significant effect on the anthropometric indices studied. The duration of the RCT and the sample size may not have been sufficient to observe significant differences. On the other hand, it highlights the importance of an integrated multifactorial approach to improving nutritional status (eg, WASH, education, adequate food and access to health care)
Dengue e chikungunya: arboviroses emergentes em Angola
Nas últimas décadas tem-se assistido a uma redução do número de casos de malária em muitos países da África Subsariana. No entanto, o sobrediagnóstico de malária em zonas endémicas é frequente.
É desconhecida a relevância clínica das arboviroses no diagnóstico diferencial da malária em Angola. Historicamente a principal arbovirose descrita em Angola tem sido a febre amarela. No entanto, existiu evidência de circulação de outros arbovírus como o vírus
chikungunya durante o período colonial. Após a independência do país, que ocorreu em 1975, foram registados em vários países casos esporádicos de dengue importados de Angola. Deste modo, até 2012, o desconhecimento sobre a prevalência de arboviroses, como dengue e chikungunya era uma realidade.
Foi realizado um estudo observacional e transversal com o objectivo de identificar a presença do vírus dengue e do vírus chikungunya. Incluíram-se doentes com síndroma febril (temperatura corporal ≥37,5ºC à admissão e/ou história de febre) e com clínica
compatível com malária. Foram aplicados testes de diagnóstico rápido (TDR) [SD BIOLINE®], que são ensaios imunocromatográficos para detecção de: Ag NS1 e anticorpos IgG / IgM contra o vírus dengue; Ig M contra o vírus chikungunya; Ag HRPII- P.f e pLDH-P.v de Plasmodium spp. Foram ainda colhidas amostras para realização de técnicas de biologia molecular (PCR ou RT-PCR) para Plasmodium spp., dengue e
chikungunya.
O estudo decorreu em duas fases, a primeira, de Fevereiro a Abril de 2012, na província do Huambo e a segunda, de Maio a Junho de 2015, na província de Benguela, tendo sido incluídos um total de 542 doentes. Na primeira fase incluíram 242 doentes, maioritariamente do sexo feminino (59,9%). A média de idades foi de 16 anos. A clínica
mais frequente foi a respiratória, nomeadamente tosse (60,7%) e corrimento nasal (48,3%) seguida das queixas álgicas, cefaleias (40,1%), dores abdominais (36,4%), artralgias (33,9%) e mialgias (30,6%). As taxas de positividade do TDR foram as seguintes: malária (2,1%), chikungunya (1,7%) e dengue (0,8%). Verificou-se um caso
de positividade concomitante para dengue (Ag NS1+) e chikungunya. Na segunda fase foram incluídos 300 doentes, também maioritariamente do sexo feminino (61%). A média de idades foi de 19 anos. A clínica mais frequente foi a álgica, cefaleias (53%), mialgias
(45%), artralgias (43,3%), dores abdominais (38,3%) seguida da respiratória, tosse (26,3%) e corrimento nasal (16,3%). As taxas de positividade do TDR foram as seguintes: malária (36,7%), chikungunya (18,3%) e dengue (3,3%). Verificaram-se 28 casos de positividade concomitante para malária e chikungunya e 4 para malária e dengue (1 com Ag NS1+ e 3 com IgM+). Nesta segunda fase foi ainda identificada por RT-PCR uma sequência genómica do vírus chikungunya que revelou uma elevada identidade com uma estirpe circulante nos Camarões em 2006.
Este estudo foi pioneiro na investigação recente de arbovírus em Angola, documentando a sua circulação, assim como também possibilitou, pela primeira vez, a aplicação em larga escala de TDR para dengue e chikungunya neste país.In recent decades, there has been a reduction in the number of malaria cases in many sub- Saharan African countries. However, the overdiagnosis of malaria in endemic areas is frequent.
The clinical relevance of arboviruses in the differential diagnosis of malaria in Angola is unknown. Historically the main arbovirosis described in Angola has been Yellow Fever.
However, there was evidence of circulation of other arboviruses such as the Chikungunya virus during the colonial period. After the country's independence, which occurred in 1975, sporadic dengue cases imported from Angola were registered in several countries.
Thus, until 2012, the lack of knowledge about the prevalence of arboviruses, such as Dengue and Chikungunya, was a reality.
An observational and cross - sectional study was carried out to identify the presence of Dengue virus and Chikungunya virus. Patients with febrile syndrome (body temperature at admission ≥37.5 ° C and / or history of fever) and clinically compatible with malaria were included. Rapid diagnostic tests (TDR) [SD BIOLINE®], which are immunochromatographic assays for the detection of: Ag NS1 and IgG / IgM antibodies against Dengue virus have been applied; Ig M against the Chikungunya virus; Ag HRPII- P.f and pLDH-P.v from Plasmodium spp. Biological samples were also collected for molecular biology techniques (PCR or RT-PCR) for Plasmodium spp., Dengue and
Chikungunya.
The study was conducted in two phases, the first from February to April 2012 in Huambo province and the second from May to June 2015 in Benguela province, with a total of 542 patients. In the first phase 242 patients were included, mostly female (59.9%). The average age was 16 years. The most common symptoms were respiratory such as cough
(60.7%) and nasal discharge (48.3%) followed by painful complaints, headache (40.1%), abdominal pain (36.4%), arthralgia (33 , 9%) and myalgias (30.6%). The rates of positive TDR were as follows: malaria (2.1%), Chikungunya (1.7%) and Dengue (0.8%). There was a case of concomitant positivity for Dengue (Ag NS1 +) and Chikungunya. In the
second phase 300 patients were included, also mostly female (61%). The average age was 19 years. The most frequent clinic complaints were headaches (53%), myalgias (45%), arthralgia (43.3%), abdominal pains (38.3%) followed by cough (26.3%) and runny nose (16.3%). The rates of positive TDR were as follows: malaria (36.7%), Chikungunya
(18.3%) and Dengue fever (3.3%). There were 28 cases of concomitant positivity for malaria and Chikungunya and 4 cases for malaria and Dengue (1 with Ag NS1 + and 3 with IgM +). In this second phase a Chikungunya genomic sequence was also identified by RT-PCR which revealed a high identity with a circulating strain in Cameroon in 2006.
This study was relevant for the recent investigation of arbovirus in Angola, documenting its circulation, as well as for allowing for the first time the large-scale application of TDR to Dengue and Chikungunya in this country
Resistência a insecticidas em Anopheles gambiae s.l. na região de Luanda, Angola
Em Angola, a malária é a principal causa de morbilidade e de mortalidade infantil. O controlo de vectores com recurso aos insecticidas representa uma parte importante da estratégia actual para a prevenção da doença. Em Anopheles gambiae s.s., principal vector de malária em África, estão identificadas duas mutações pontuais no gene que codifica os canais de sódio das membranas das células do sistema nervoso, conferindo resistência knockdown (kdr) aos insecticidas piretróides e ao DDT. Também se encontra descrita para esta espécie uma mutação no gene acetilcolinesterase-1 (ace-1), associada à resistência a carbamatos e organofosfatos. Este trabalho teve como principal objectivo avaliar o nível de resistência aos insecticidas em An. gambiae da província de Luanda, Angola e determinar a frequência destas mutações.
Foram realizadas colheitas entomológicas em 2009 e 2010, através da prospeção de criadouros larvares. Os insectos capturados foram criados até a emergência do adulto e sujeitos a ensaios de susceptibilidade a insecticidas, através de testes da OMS. A identificação de espécies e formas moleculares do complexo An. gambiae, bem como a pesquisa de mutações no gene ace-1 foram feitas por PCR-RFLP. A pesquisa de mutações no gene kdr foi realizada por PIRA-PCR. Amostras selecionadas de mosquitos (incluindo uma amostra proveniente de uma colheita de adultos) foram ainda genotipadas para 11 loci microssatélites.
Os níveis de resistência para a permetrina, DDT e -cialotrina foram elevados, com taxas de mortalidade inferiores a 70% em ambos os anos. Em contraste, as taxas de mortalidade foram sempre acima de 98% para bendiocarb e fenitrotião, indicadoras de susceptibilidade a estes insecticidas. Todas as amostras processadas foram identificadas como An. gambiae s.s., forma molecular M e não se observou a mutação no gene ace-1 associada à resistência. Em ambos os anos, foi detectada apenas a mutação L1014F no locus kdr e a frequência do alelo mutante (TTT) foi bastante elevada. Em 2009, observou-se uma associação entre genótipos homozigóticos para o alelo 1014F e o fenótipo resistente, para os insecticidas piretróides e para o DDT.
O polimorfismo dos loci microssatélites analisados foi elevado, com a riqueza alélica a variar entre 5 (45C1) e 20 (H128) e a heterozigotia esperada entre 0,529 (H577) e 0,862 (H249). A análise genética não revelou um grau de parentesco entre os indivíduos que constituíram as amostras estudadas. Este resultado sugere que os elevados níveis de resistência observados não foram influenciados pelo método de colheita de mosquitos que, em certas condições, poderia contribuir para a amostragem de indivíduos aparentados.In Angola malaria is still one of the leading causes of child morbidity and mortality. Vector control depends mainly on insecticides which constitutes an important part of the national strategy to prevent and control malaria transmission. In Anopheles gambiae s.s., the main malaria vector in sub-saharan Africa, , two point mutations have been identified in the gene encoding the sodium channels in cells of the nervous system. These mutations confer a knockdown resistance (Kdr) to pyrethroids and DDT. A mutation in the acetylcholinesterase-1 gene (ace-1), associated with resistance to carbamate and organophosphate insecticides, was also described for this species. The aims of this study were to evaluate insecticide resistance levels in A. gambiae from Luanda, Angola and determine the frequency of these mutations.
Larval sampling was carried out in breeding sites between in 2009 and 2010. Immature mosquitoes were allowed to reach the adult stage and subsequently used in WHO standardized insecticide susceptibility assays. A. gambiae species identification and mutation detection in the ace-1 gene was carried out by PCR-RFLP. Mutations in the kdr gene were identified by PIRA-PCR. In addition, selected mosquito samples (including a sample of wild caught adults) were genotyped for 11 microsatellites.
The WHO insecticide susceptibility assays have shown high levels of resistance to permethrin, DDT and -cialothrin, with mortality rates below 70% in both years. In contrast, the rates of mortality were high for bendiocarb and fenitrothion, indicating susceptibility to these insecticides. All specimens were identified as A. gambiae s.s M-form. The resistance-associated mutation at ace-1 was not detected. In both years, only the L1014F mutation was found at the kdr locus and the frequency of the mutant allele (TTT) was very high. In 2009, an association between homozygotic genotypes for the mutant allele and the resistant phenotype for pyrethroids and DDT was observed.
Polymorphism at microsatellite loci was high, with allelic richness varying between 5 (45C1) and 20 (H128) and expected heterozygosity between 0,529 (H577) and 0,862 (H249). Genetic analysis did not reveal a degree of relatedness between the individuals that constituted the samples studied. Taken together, these results suggest that the high levels of resistance observed were not influenced by the sampling method used, which in certain conditions can contribute to the sampling of related individuals
Parasitoses intestinais e sua relação com a desnutrição moderada e severa em crianças dos 0 aos 59 meses internadas no hospital pediátrico de Lubango, Angola
Introdução: A desnutrição e as parasitoses intestinais nas crianças constituem um importante problema de saúde, principalmente nos países em desenvolvimento, como é o caso de Angola. Contudo, e não obstante a relevância, há escassez de estudos de base hospitalar sobre esta questão. A problemática em estudo é a associação entre as infecções por parasitas intestinais em crianças dos 0-59 meses e a desnutrição severa e moderada, internadas no Hospital Pediátrico do Lubango, Angola.
Material, População e Métodos: O estudo realizou-se durante o mês de Março de 2011 no Hospital Pediátrico do Lubango, onde se avaliou o estado nutricional de 92 crianças, com desnutrição moderada e severa (Z-score<-2) para pelo menos um dos indicadores antropométricos de desnutrição: aguda, baixo-peso e crónica. Efectuou-se a análise microscópica das fezes para a detecção de parasitas intestinais, bem como a realização do teste rápido de detecção de antigénio de Entamoeba spp., Giardia lamblia e Cryptosporidium spp. A exploração da associação entre a desnutrição moderada e severa e a infecção por parasitas intestinais foi efectuada recorrendo a métodos estatísticos.
Resultados obtidos: Em 92 crianças, 54 (58,7%) eram do sexo masculino e 38 (41,3%) do sexo feminino, tendo-se verificado que 43,5% (40/92) tinha até 12 meses, 41,3% (38/92) entre 12 e 24 meses e 15,2% (14/92) entre 24 e 59 meses de idade. Foram identificadas 65,2% (60/92) de crianças com desnutrição aguda moderada a severa, 68,6% (48/70) com baixo-peso moderado a severo e 68,5% (63/92) com desnutrição crónica moderada a severa. O exame parasitológico das fezes identificou que 20,7% das crianças (19/92) estavam parasitadas com infecções simples por: G. lamblia (14,13%), Entamoeba spp (1,09%) e Ascaris lumbricoides (2,17%); e com infecções mistas por G. lamblia e Entamoeba spp. (2,17%) e G.lamblia e Schistosoma haematobium (1,09%). Entre as crianças parasitadas por G.lamblia (simples e mistas) observou-se uma diferença considerável na sua distribuição pela desnutrição aguda moderada e severa: 6,25% (1/16) e 50% (8/16), respectivamente. Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre o grau de desnutrição severa e moderada e a infecção por parasitas intestinais patogénicos, a infecção simples e mista por G.lamblia (microscopia) e a presença de antigénio para G.lamblia
Discussão e Conclusões: Destaca-se a diferença observada entre as crianças com desnutrição aguda severa infectadas com parasitas intestinais em relação às crianças com desnutrição aguda moderada, apesar da associação não ter sido estatisticamente significativa. O número reduzido da amostra e o tempo limitado do estudo podem ter contribuído para o facto de não se ter encontrado nenhuma associação entre as infecções e outros tipos de desnutrição. Contudo, dada a escassez da informação sobre esta problemática, este estudo de investigação contribuiu com os seus dados, a partir do qual se podem desenhar outros estudos de base hospitalar.Introduction: Malnutrition and intestinal parasites in children are an important health problem, especially in developing countries, as is the case of Angola. However, despite the relevance, there is a lack of hospital-based studies on this issue. The problem under study is the association between intestinal parasitic infections in children with 0-59 months of age and the severe and moderate malnutrition, admitted to the Paediatric Hospital of Lubango, Angola.
Material, Population and Methods: The study was conducted in March 2011 at the Pediatric Hospital of Lubango and included 92 children with moderate and severe malnutrition (Z-score<-2) at least one of anthropometric indices: acute, underweight and chronic malnutrition. The microscopic analysis of stool for detecting intestinal parasites was performed, as well as the antigen rapid test for the detection of Entamoeba spp., Giardia lamblia and Cryptosporidium spp. The association between severe and moderate malnutrition and intestinal parasitic infection was performed using statistical methods.
Achievements: In 92 children, 54 (58,7%) were males and 38 (41,3%) females and found it had up to 43,5% (40/92) 12 months, 41,3% (38/92) between 12 and 24 months, and 15,2% (14/92) between 24 and 59 months of age. We identified 65.2% (60/92) of children with moderate to severe acute malnutrition, 68.6% (48/70) with moderate to severe underweight and 68.5% (63/92) with moderate to severe chronic malnutrition. The parasitological examination of feces has identified that 20,7% (19/92) were parasitized with simple infections by G.lamblia (14,13%), Entamoeba spp (1.09%) and Ascaris lumbricoides (2.17%); and with mixed infections by Giardia and Entamoeba spp. (2,17%) and Giardia and S.haematobium (1.09%). Among children that are parasitized by G.lamblia (simple and mixed infections) noted a significant difference in its distribution by the severe and moderate malnutrition:6,25% (1/16) and 50% (8/16), respectively. No statistically significant association was found between severe and moderate malnutrition and infection by pathogenic intestinal parasites, simple and mixed infection with G.lamblia (microscopy) and the presence of Antigen for G.lamblia.
Discussion and conclusions: the difference observed between children with severe acute malnutrition infected with intestinal parasites when compared with children with moderate acute malnutrition is one of the most important results, although the association was not statistically significant. The small sample size and limited time of the study may have contributed to have found no association between other types of infections and malnutrition. However, given the paucity of information on this issue, this research study contributed with relevant data, useful for future hospital-based studies
Malária : o problema
Recursos Educativos - CiênciasEste videograma apresenta a problemática da Malária no mundo, nomeadamente em termos de distribuição Mundial, tipos de parasitas, grupos de risco, impacto socioeconómico e perspetivas de controlo.
Depoimento de Filomeno Fortes, do Programa Nacional do Controlo da Malária. Produção no âmbito do projeto “Saúde Tropical” para formação de técnicos de saúde, de países africanos de língua portuguesa
Fostering the international debate through the experiences of Portuguese-speaking countries
Funding Information: The authors are grateful for the support of the National Director of Health of Angola, Dr. Helga Freitas, and the Director of the Institute of Hygiene and Tropical Medicine at Universidade Nova de Lisboa, Professor Filomeno Fortes. They are also grateful for the participation of the Minister of Health of Angola in the opening session of the seminar.publishersversionpublishe
Utilisation de règles -fortes pour caractériser des classes
@inproceedings{CN-CREMILLEUX-2002, author = {Crémilleux, B. and Boulicaut, J-F.}, title = {Utilisation de règles -fortes pour caractériser des classes}, booktitle = {Actes du 13ème Congrès Francophone AFRIF-AFIA de Reconnaissance des Formes et Intelligence Artificielle (RFIA'02)}, year = {2002}, month = {janvier}, address = {Angers, France}, pages = {685-694} }National audienc
Serpentes Venenosas de Angola. Guia de Identificação e Primeiros Socorros
International audienceOuvrage - Serpentes Venenosas de Angola. Guia de Identi icação e Primeiros Socorros. 2021. Luis M. P. Ceríaco et Mariana P. Marques. Arte e Ciência, Porto, 2021, 216 pages, broché, portugais. Première préface de António de Sousa Pereira (Recteur de l’Université de Porto) ; seconde préface de Filomeno Fortes (Directeur de l’Institut d’hygiène et médecine tropicale de Lisbonne)
Infecção pelo vírus da hepatite B prevalência, factores de risco, perfil serológico e genotípico viral. Análise e caracterização de uma amostra da população a nível dos cuidados de saúde primárias em Luanda contribuição para a prevenção e controlo da hepatite viral B
A OMS considera a infecção VHB um problema de saúde pública global, com estimativa actual
de 296 milhões de pessoas cronicamente infectadas e incidência 1.500.000/ano, dos quais
990.000 em África, onde com uma prevalência de 82.300.000, é causa de 50 - 70% das hepatites
agudas, principal causa de hepatite crónica, cirrose, 3/4 dos hepatocarcinomas e 230.000
mortes/ano. Das 6,300.000 crianças menores de 5 anos AgHBs+, 70% residem em África.
Segundo a OMS, o combate ao VHB exige políticas baseadas em evidências epidemiológicas
loco-regionais para acções ajustadas à realidade de cada país. Escassa ainda é a informação
sobre o VHB em Angola. O objectivo deste estudo foi analisar o perfil epidemiológico da
infecção VHB a nível dos cuidados de saúde primários, em Luanda. Realizou-se um estudo de
prevalência transversal descritivo. A dimensão da amostra foi determinada utilizando-se o
OpenEpi Versão 2 - SAPropor, assumindo-se uma estimativa de 5.000.000 de habitantes e
prevalência do VHB de 15%, semelhante aos países da mesma região. Foram seleccionados por
amostragem aleatória simples por sorteio em 6 centros de saúde em Luanda, de 5 de Junho a
21 de Julho de 2005, 1123 indivíduos angolanos de ambos sexos com idades entre 1-72 anos.
A recolha dos dados demográficos e factores de risco comummente associados ao VHB foi
feita por inquérito utilizando-se um questionário com perguntas fechadas. Salvaguardaram-se
os direitos dos participantes segundo os princípios normativos positivos da Declaração de
Helsínquia. Determinaram-se a serologia para o VHB, VHD e a ALT, pelo método de
Imunoensaio por quimioluminescência. A genotipagem foi feita por PCR e para a extração do
DNA viral, utilizou-se o kit QIAmp DNA Blood M, (Qiagen, GmBH - USA). Os nossos
resultados mostraram predomínio feminino (77,6%) com 82,3% da amostra com idade
compreendida entre 16-40 anos, 40 anos (8,3%). Todos negavam
vacinação prévia contra o VHB. A prevalência global de AgHBs foi alta (13%) sendo maior
nas mulheres grávidas (14,5%). Proporcionalmente, os mais jovens (1-5 e 6-10 anos)
apresentaram maior prevalência (AgHBs 27% e 22,7%), respectivamente. Havia evidência de
replicação viral (AgHBe+) em 20,4% dos infectados (todos menores de 40 anos). Tratou-se
sobretudo de uma população AntiHBe (75,1%). Em 75,9% dos casos havia evidência de
contacto passado com o VHB (AcHBc+); imunidade activa (AcHBs+/AcHBc+) 62,5%;
coexistência incongruente AgHBs/AcHBs - 8,4% e dupla-infecção VHB/Delta - 4,7%. A
análise (grávidas vs não grávida) mostrou nas grávidas maior prevalência AgHBs -14,5% vs
9,4% (p=0,001); menor replicação viral - AgHBe 13,8% vs 27,6% (p=0,026) e menor
imunidade activa - AcHBs 19,5% vs 62,5% (p=0,035). ALT foi normal em 88,2% dos
infectados. Os genótipos circulantes foram: E e A com predomínio E (95%). O sexo sem
protecção foi prevalente em ambos sexos ♂ 97,5% vs ♀ 98,8% (p=0,18). A multiparidade de
parceiros foi predominantemente masculina ♂98,4% vs ♀-11,14% (p=0,001). Ambos factores
de risco apresentaram associação com o VHB: p= 0,04 e 0,026, respectivamente. Este trabalho
constituiu a primeira evidência epidemiológica sobre o VHB, nos cuidados de saúde primários,
em Luanda.The WHO considers HBV infection a global public health problem, with a current estimate of
296 million people chronically infected and an incidence of 1,500,000/year, of which 990,000
in Africa, where with a prevalence of 82,300,000, it is the cause of 50 - 70% of acute hepatitis,
the main cause of chronic hepatitis, cirrhosis, 3/4 of hepatocarcinomas and 230,000 deaths/year.
Of the 6,300,000 children under 5 years HBsAg+, 70% live in Africa. According to the WHO,
the fight against HBV requires policies based on loco-regional epidemiological evidence for
actions adjusted to the reality of each country. There is still little information about HBV in
Angola. The objective of this study was to analyze the epidemiological profile of HBV infection
at the level of primary health care in Luanda. A descriptive cross-sectional prevalence study
was carried out. The sample size was determined using OpenEpi Version 2 - SAPropor,
assuming an estimate of 5,000,000 inhabitants and an HBV prevalence of 15%, similar to
countries in the same region. 1123 Angolan individuals of both sexes aged between 1-72 years
were selected by simple random sampling in 6 health centers in Luanda, from 5 June to 21 July
2005. Demographic data and risk factors commonly associated with HBV were collected via
survey using a questionnaire with closed questions. The rights of participants were safeguarded
according to the positive normative principles of the Helsinki Declaration. Serology for HBV,
HDV and ALT was determined using the chemiluminescence immunoassay method.
Genotyping was done by PCR and the QIAmp DNA Blood M kit (Qiagen, GmBH - USA) was
used to extract viral DNA. Our results showed a female predominance (77.6%) with 82.3% of
the sample aged between 16-40 years, 40 years (8.3%). All denied
prior vaccination against HBV. The global prevalence of HBsAg was high (13%) and was
higher in pregnant women (14.5%). Proportionally, younger people (1-5 and 6-10 years old)
had a higher prevalence (HBsAg 27% and 22.7%), respectively. There was evidence of viral
replication (HBeAg+) in 20.4% of those infected (all under 40 years). This was mainly an
HBeAb population (75.1%). In 75.9% of cases there was evidence of past contact with HBV
(HBcAb+); active immunity (HBsAb+/HBcAb+) 62.5%; incongruent coexistence
HBsAg/HBsAb - 8.4% and dual HBV/Delta infection - 4.7%. The analysis (pregnant vs nonpregnant)
showed a higher HBsAg prevalence in pregnant women -14.5% vs 9.4% (p=0.001);
lower viral replication - AgHBe 13.8% vs 27.6% (p=0.026) and lower active immunity - HBsAb
19.5% vs 62.5% (p=0.035). ALT was normal in 88.2% of those infected. The circulating
genotypes were: E and A with E predominance (95%). Unprotected sex was prevalent in both
sexes ♂ 97.5% vs ♀ 98.8% (p=0.18). Multiparity of sexual partners was predominantly male
♂ 98.4% vs ♀ -11.14% (p=0.001). Both risk factors were associated with HBV: p= 0.04 and
0.026, respectively. This work constituted the first epidemiological evidence on HBV in
primary health care in Luanda
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