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Avaliação do potencial efeito protetor do probucol em modelos experimentais da doença de Huntington
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação em BioquímicaA doença de Huntington (DH) é uma patologia neurodegenerativa, autossômica dominante caracterizada por sintomas atribuídos à morte de neurônios estriatais e corticais no cérebro. O mecanismo de neurodegeneração na DH parece estar relacionado com excitotoxicidade, disfunção mitocondrial e estresse oxidativo. O probucol (PB) é um composto fenólico antilipêmico, que apresenta propriedades anti-inflamatória e antioxidante em diferentes modelos experimentais de toxicidade/patologia. O objetivo deste estudo foi investigar o possível efeito protetor do PB sobre a neurotoxicidade e estresse oxidativo em modelos experimentais de DH in vitro e in vivo. Inicialmente, foi avaliada a relação entre prejuízo no metabolismo energético, excitotoxicidade e estresse oxidativo em fatias de estriado de ratos expostas ao ácido quinolínico (AQ), ácido 3-nitropropiônico (3-NP) e ao modelo combinado (AQ + 3-NP). Os dados sugerem que os modelos utilizados podem gerar um padrão complexo de dano, que envolve comprometimento metabólico, formação de espécies reativas de oxigênio (ERO) e estresse oxidativo. O PB preveniu o estresse oxidativo nas três condições experimentais e foi capaz de proteger contra disfunção mitocondrial induzida pelo AQ e AQ + 3-NP. Além disso, o potencial efeito protetor do probucol foi avaliado sobre a neurotoxicidade do 3-NP em ratos. O pré-tratamento com probucol (por 60 dias) aumentou a atividade da glutationa peroxidase (GPx) no estriado e no córtex e preveniu o prejuízo motor e o estresse oxidativo induzido pelo 3-NP em ratos. O efeito do PB sobre a GPx e suas propriedades antioxidantes estão provavelmente associados ao seu efeito benéfico neste modelo. Também foi verificado o possível efeito protetor do succinobucol, um análogo do PB, sobre a toxicidade induzida pelo 3-NP em preparações mitocondriais de cérebro de ratos in vitro. O probucol e o succinobucol preveniram o estresse oxidativo induzido pelo 3-NP, mas apenas o succinobucol foi capaz de prevenir a disfunção mitocondrial induzida pela toxina. Juntos este resultados sugerem um novo papel para o probucol e seu análogo succinobucol como potenciais agentes neuroprotetores em modelos de DH
Mecanismos de neurotoxicidade dopaminérgica tardia decorrentes da exposição pós-natal a pesticidas e lipopolissacarídeo : relação com a doença de Parkinson
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências Biológicas. Programa de Pós-Graduação em Bioquímica, Florianópolis, 2015.A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa de causa multifatorial, cujos sintomas manifestam-se normalmente na fase adulta tardia. Evidências recentes têm apontado para fatores ambientais do período perinatal (incluindo a exposição a pesticidas) e o processo inflamatório (causado por infecções virais ou bacterianas) como causadores de toxicidade direta aos neurônios dopaminérgicos. Ainda, estudos sugerem que exposições à toxicantes durante o período perinatal podem ser responsáveis por uma condição de toxicidade silenciosa com consequências tardias e duradouras no sistema dopaminérgico nigroestriatal, algumas das quais são evidenciadas apenas se este sistema sofrer um novo insulto na fase adulta. Embora tais evidências pareçam ser de grande importância para o entendimento da etiologia da doença de Parkinson idiopática, os mecanismos moleculares relacionados a tais fenômenos são desconhecidos. O objetivo do presente trabalho foi investigar os mecanismos relacionados à neurotoxicidade dopaminérgica tardia decorrente da exposição aos pesticidas paraquat (PQ) e maneb (MB) ou ao processo inflamatório induzido pela administração sistêmica de lipopolissacarídeo (LPS) no sistema nigroestriatal em desenvolvimento relacionando-os com o eventual aumento da susceptibilidade a insultos neurotóxicos decorrentes da exposição aos pesticidas na fase adulta. Além disso, objetivou-se investigar o efeito da exposição aos pesticidas PQ e MB em cultivos de células tronco neurais sobre parâmetros de proliferação e diferenciação celular. Camundongos Swiss machos e fêmeas foram expostos a uma combinação dos pesticidas PQ e MB (PQ + MB) diariamente entre o dia pós-natal (PN) 5 ao 19. A exposição PN ao PQ + MB não causou mortalidade, alterações no peso corporal e nem alterações comportamentais no sistema motor dos animais, indicando ausência de toxicidade evidente. Entretanto, houve redução na atividade dos complexos I e II da cadeia transportadora de elétrons mitocondrial, além de redução nos níveis dos marcadores dopaminérgicos tirosina hidroxilase (TH) e transportador de dopamina (DAT) no estriado. Ainda, houve uma diminuição significativa no número de neurônios TH e DAT positivos na substância negra pars compacta (SNpc), a qual pode estar relacionada ao mecanismo de toxicidade silenciosa. Essas alterações foram evidenciadas apenas nos camundongos machos. Quando esses animais foram reexpostos aos mesmos toxicantes na vida adulta foram observadas alterações motoras, bem como degeneração dos neurônios dopaminérgicos na SNpc, indicando um aumento na susceptibilidade dos animais machos à segunda exposição na vida adulta. Por outro lado, camundongos Swiss machos e fêmeas expostos ao LPS (dia PN 5 e 10) apresentaram comprometimento motor significativo e aumento nos níveis de interleucinas inflamatórias no estriado. Quando esses animais foram expostos aos pesticidas na vida adulta, apenas os camundongos machos apresentaram alterações comportamentais que podem indicar um possível aumento na susceptibilidade dos animais. Por fim, foi avaliado o efeito da exposição ao PQ e MB em cultivos primários de células tronco neurais de ratos. A exposição aos pesticidas, especialmente o PQ ou a associação PQ + MB induziu uma redução na proliferação celular e um aumento na geração de espécies reativas. A redução na proliferação celular foi relacionada a alterações na expressão gênica de proteínas importantes na regulação do ciclo celular. Os dados indicam que exposições a toxicantes ambientais e o processo inflamatório durante períodos críticos do desenvolvimento cerebral podem levar a uma progressiva neurotoxicidade na vida adulta.Abstract : Parkinson's disease (PD) is a multifactorial neurodegenerative disorder with late-life onset. It has been hypothesized that PD could arise from events that occur early in development that have long-term but delayed adverse consequences for the nigrostriatal dopamine system, which may become evident only if the system undergoes further adult-related insult. Possible developmental events could include exposures to environmental neurotoxicants (including pesticides) and inflammatory process (induced by bacterial or viral infections). A "silent toxic" status has been hypothesized to be responsible for the enhanced adult susceptibility to environmental factors known to be involved in the induction of neurodegenerative disorders. However, the molecular mechanisms related with this phenomenon are unknown. Therefore, the objective of the present study was to investigate the mechanisms of late dopaminergic toxicity induced by exposures to the pesticides paraquat (PQ) and maneb (MB), as well as the inflammatory process induced by systemic lipopolysaccharide (LPS) administration on the nigrostriatal dopaminergic system during the early-postnatal development. In addition, we aimed to evaluate whether pesticides or LPS exposure during critical periods of development could enhance the vulnerability of the dopaminergic system to the toxicity elicited by subsequent re-exposure to the pesticide in adult life. Moreover, we aimed to investigate the effects of PQ and MB exposure in primary embryonic neural stem cells (NSC) on parameters related to cell proliferation and differentiation. Male and female Swiss mice were treated daily with a combination of PQ and MB (PQ + MB) from post-natal (PN) day 5 to 19. Pesticide exposure did not induce mortally; neither modify body weight nor mice motor function. However, PQ + MB exposure decreased the activity of mitochondrial complex I and II and reduced the levels of tyrosine hydroxylase (TH) and dopamine transporter (DAT) in striatum. In addition, postnatal PQ+MB exposure decreased the number of TH and DAT positive neurons in the substantia nigra pars compacta (SNpc), which was related to the silent toxicity mechanism. These alterations were observed just in male mice. The findings indicate that the exposure to PQ + MB during PN period was able to produce permanent and progressive lesions of the nigrostriatal dopaminergic system and enhanced adult susceptibility of male mice to this pesticide. On the other hand, male and female mice exposed to LPS (at PN days 5 and 10) showed a significant motor deficits and an increase in striatal inflammatory interleukin levels. Male mice exposed developmentally to LPS and re-challenged as adults to PQ + MB showed alterations in motor function, indicating a possible increase in the adult susceptibility of male mice to the pesticides. The effect of PQ and MB exposure was also investigated in NSC. Pesticides exposure, especially to PQ or PQ+MB reduced cell proliferation and induced an increase in reactive species generation. The decrease in cell proliferation was elated to alterations in gene expression of important proteins modulating the cell cycle regulation. Taken together, these findings indicate that exposure to environmental toxicants and the inflammatory process during brain development might lead to a progressive neurotoxicity late in life
Estudo dos mecanismos de citotoxicidade da cisplatina em células HEK 293 e avaliação do efeito protetor do composto probucol e seus derivados
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Farmácia, Florianópolis, 2023.A cisplatina é um agente antineoplásico utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer. Apesar de seus efeitos positivos no tratamento do câncer, a nefrotoxicidade é um fator limitante na terapia com o fármaco. Uma das principais manifestações clínicas induzidas pela cisplatina é a lesão renal aguda (LRA). A LRA é uma condição caracterizada por um rápido declínio na função excretória dos rins, com consequente acúmulo de produtos nitrogenados no sangue. Diferentes mecanismos parecem contribuir para a patogenicidade renal do composto incluindo lesão vascular, inflamação, estresse oxidativo e morte celular. A ferroptose é um tipo de morte celular oxidativa dependente de ferro e vem sendo descrito em várias patologias que incluem doenças renais, cardiovasculares e neurodegenerativas. Em relação à cisplatina, o envolvimento da ferroptose no mecanismo de LRA induzido pelo fármaco ainda não está totalmente elucidado. O entendimento dos mecanismos de toxicidade da cisplatina é fundamental na busca por terapias de proteção. Atualmente não existe terapia efetiva capaz de prevenir ou mitigar o dano renal induzido pela cisplatina. Entretanto, diferentes estudos mostram que o uso de compostos antioxidantes pode representar uma importante opção na prevenção da lesão renal através da redução da produção de espécies reativas (ER). O probucol e seu derivado succinobucol são compostos fenólicos com atividade antioxidante principalmente relacionada a sua capacidade de modular defesas antioxidantes intracelulares e, recentemente, seus derivados RC363 e RC574 apresentaram efeitos protetores em diferentes modelos de ferroptose. Neste sentido, o objetivo geral do estudo é investigar o possível envolvimento da ferroptose no mecanismo de citotoxicidade da cisplatina, bem como, avaliar o efeito protetor do composto probucol e seus derivados em células de rim humano HEK 293. As células foram expostas a concentrações crescentes de cisplatina durante 3, 6, 12 e 24h e foram avaliados parâmetros de viabilidade celular, níveis de tióis não proteicos (NPSH), geração de ER e peroxidação lipídica. O tratamento com cisplatina causou redução na viabilidade celular em 24 horas, além de induzir redução nos níveis de NPSH e aumento na geração de ER após 6 horas de exposição. Para avaliação do efeito protetor do composto probucol e seus derivados, as células foram pré-tratadas durante 24 horas com os compostos e, em seguida, expostas à cisplatina. O tratamento com os compostos não foi capaz de proteger da diminuição da viabilidade celular induzida pela cisplatina. Para avaliar o envolvimento da ferroptose no mecanismo de toxicidade da cisplatina, as células foram pré-tratadas com compostos quelantes de ferro ou com o composto antiferroptótico clássico ferrostatina-1 (Fer-1), seguido pela exposição ao antineoplásico. Nenhum dos tratamentos realizados foi capaz de proteger a redução na viabilidade celular induzida pela cisplatina nas células HEK 293. Em conjunto, os resultados mostram que o estresse oxidativo está relacionado ao mecanismo de toxicidade da cisplatina em células HEK 293 e que o probucol e seus derivados, bem como os quelantes de ferro e a Fer-1 não foram efetivos na proteção da diminuição da viabilidade celular causada pela cisplatina. Por fim, foi identificado que a ferroptose não está envolvida no mecanismo de toxicidade da cisplatina em células HEK 293.Abstract: Cisplatin is an antineoplastic agent used in the treatment of several types of cancer. Despite its positive effects in cancer treatment, nephrotoxicity is a limiting is a limiting factor in therapy with the drug. One of the main clinical manifestations induced by cisplatin is acute kidney injury (AKI). AKI is a condition characterized by a rapid decline in the excretory function of the kidneys, with consequent accumulation of nitrogenous products in the blood. Different mechanisms appear to contribute to the renal pathogenicity of the compound including vascular injury, inflammation, oxidative stress, and cell death. Ferroptosis is a type of iron-dependent oxidative cell death. Its role has been described in various pathologies that include renal, cardiovascular, and neurodegenerative diseases. In relation to cisplatin, the involvement of ferroptosis in the mechanism of AKI induced by the drug is not yet fully elucidated. Understanding the mechanisms of cisplatin toxicity is fundamental in the search for protective therapies. Currently, there is no effective therapy capable of preventing or mitigating the renal damage induced by cisplatin. However, different studies show that the use of antioxidant compounds may represent an important option in the prevention of kidney injury by reducing the production of reactive species (RE). Probucol and its derivative succinobucol are phenolic compounds with antioxidant activity mainly related to their ability to modulate intracellular antioxidant defenses and, recently, their derivatives RC363 and RC574 showed protective effects in different models of ferroptosis. In this sense, the overall objective of the study is to investigate the possible involvement of ferroptosis in the mechanism of cytotoxicity of cisplatin, as well as, to evaluate the protective effect of the compound probucol and its derivatives in human kidney HEK 293 cells. Cells were exposed to increasing concentrations of cisplatin for 3, 6, 12 and 24h and parameters of cell viability, non-protein thiol levels (NPSH), ER generation and lipid peroxidation were evaluated. Cisplatin treatment caused a reduction in cell viability by 24 h, and induced a reduction in NPSH levels and an increase in ER generation after 6 h of exposure. To evaluate the protective effect of the compound probucol and its derivatives, cells were pretreated for 24 hours with the compounds and then exposed to cisplatin. Treatment with the compounds was not able to protect from the cisplatin-induced decrease in cell viability. To evaluate the involvement of ferroptosis in the mechanism of cisplatin toxicity, cells were pretreated with iron chelating compounds or the classical antiferroptotic compound ferrostatin-1 (Fer-1), followed by exposure to the antineoplastic. None of the treatments performed was able to protect the reduction in cell viability induced by cisplatin in HEK 293 cells. Taken together, the results show that oxidative stress is related to the mechanism of cisplatin toxicity in HEK 293 cells and that probucol and its derivatives as well as iron chelators and Fer-1 were not effective in protecting the reduction in cell viability caused by cisplatin. Finally, it was identified that ferroptosis seems not to be involved in the mechanism of cisplatin toxicity in HEK 293 cells
O exame de urina no diagnóstico das doenças glomerulares: o papel do dismorfismo eritrocitário
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Farmácia.As doenças renais são classificadas como doenças glomerulares, tubulares, intersticiais ou vasculares. Os principais sinais das doenças glomerulares são a proteinúria e a hematúria, e são identificados através do exame de urina. Desde 1979 diversos autores sugerem que quando a hematúria é de origem glomerular, algumas hemácias podem apresentar alterações morfológicas e estas são classificadas como hemácias dismórficas. A presença de hemácias dismórficas e de acantócitos (hemácias em formato de rosca com protrusões citoplasmáticas vesiculares) na urina é um indicativo de patologias glomerulares. Porém, não existe um consenso na literatura sobre o valor de referência para dismorfismo eritrocitário e acantócitos para determinar a origem da hematúria. Esta revisão narrativa da literatura teve como objetivo analisar o papel do dismorfismo eritrocitário no diagnóstico das doenças glomerulares. Foram incluídos doze artigos nas línguas inglesa e portuguesa publicados nos últimos vinte anos. A maioria dos artigos incluídos utilizaram a microscopia de contraste de fase como metodologia para identificar eritrócitos dismórficos no sedimento urinário. Entretanto, também foram empregadas a automação e a microscopia de campo claro, realizada em amostras de urina a fresco ou coradas. Os pontos de corte ideais, ou seja, a porcentagem de hemácias dismórficas para diagnóstico de hematúria glomerular, empregados pelos estudos variaram de >6,7% a >80%. Para esses valores, a sensibilidade e a especificidade variaram conforme a metodologia utilizada, de 20,4% a 100% e de 30% a 100%, respectivamente, indicando que a porcentagem de hemácias dismórficas costuma ser mais específica do que sensível. Para acantócitos o ponto de corte variou de ≥1% a ≥7%, cuja sensibilidade e especificidade variaram de 46% a 100% e de 82% a 100%, respectivamente. Nesta revisão, não foi encontrado um valor de referência específico para dismorfismo eritrocitário. Os trabalhos concluíram que o dismorfismo eritrocitário e a presença de acantócitos têm capacidade de diferenciar hematúria glomerular de não glomerular. Estes parâmetros devem ser correlacionados com outros resultados do exame de urina, visto que a presença de cilindros hemáticos e proteinúria também são relevantes nessas doenças. Os autores continuam recomendando a utilização do dismorfismo eritrocitário para auxílio no processo diagnóstico das glomerulopatias mesmo não havendo uma padronização dos valores de referência. Para implementar esta análise na rotina laboratorial, deve ser considerada a metodologia que será empregada (microscopia de campo claro, microscopia de contraste de fase ou automação), para então determinar o valor de referência a ser utilizado.Kidney diseases are classified as glomerular, tubular, interstitial or vascular diseases. The main signs of glomerular diseases are proteinuria and hematuria, and are identified through urine examination. Since 1979, several authors have suggested that when hematuria is of glomerular origin, some red blood cells may show morphological changes and these are classified as dysmorphic red blood cells. The presence of dysmorphic red blood cells and acanthocytes (donut-shaped red blood cells with vesicular cytoplasmic protrusions) in the urine is indicative of glomerular pathologies. However, there is no consensus in the literature on the reference value for erythrocyte dysmorphism and acanthocytes to determine the origin of hematuria. This narrative review of the literature aimed to analyze the role of erythrocyte dysmorphism in the diagnosis of glomerular diseases. Twelve articles in English and Portuguese published in the last twenty years were included. Most of the articles included used phase contrast microscopy as a methodology to identify dysmorphic erythrocytes in the urine sediment. However, automation and bright field microscopy, performed on fresh or stained urine samples, were also employed. The ideal cutoff points, that is, a percentage of dysmorphic red blood cells for the diagnosis of glomerular hematuria, used by studies are ranging from >6.7% to >80%. For these values, sensitivity and specificity varied according to the methodology used, from 20.4% to 100% and from 30% to 100%, respectively, indicating that the percentage of dysmorphic red blood cells is usually more specific than sensitive. For acanthocytes, the cutoff points varied from ≥1% to ≥7%, whose sensitivity and specificity varied from 46% to 100% and from 82% to 100%, respectively. In this review, no specific reference value for erythrocyte dysmorphism was found. The studies concluded that erythrocyte dysmorphism and the presence of acanthocytes are able to differentiate glomerular and non-glomerular hematuria. These parameters must be correlated with other results of the urinalysis, since the presence of erythrocyte casts and proteinuria are also relevant for these diseases. The authors continue to recommend the use of erythrocyte dysmorphism to assist the diagnostic process of glomerulopathies even though there is no standardization of reference values. To implement this analysis in the laboratory routine, the methodology that will be used (bright field microscopy, phase contrast microscopy or automation) must be considered, and then determine the reference value to be used
A qualidade de vida de pacientes renais crônicos em tratamento de hemodiálise no Brasil.
TCC (graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Farmácia.A doença renal crônica é considerada um problema de saúde global. No Brasil, uma parte
significativa da população é acometida por esta doença. A mesma necessita de tratamentos
com o objetivo de manter a homeostase do organismo, já que os rins estão comprometidos de
fazer esta função naturalmente. Um dos principais tratamentos, é a hemodiálise. A rotina
intensa desta terapia acaba impactando a qualidade de vida dos pacientes, muitas vezes de
maneira negativa. Por conta disso é importante analisar este impacto. Este trabalho teve como
objetivo avaliar o impacto do tratamento de hemodiálise na qualidade de vida de pacientes
renais crônicos no Brasil, através de uma revisão narrativa da literatura. Foi realizada uma
busca nas bases de dados Pubmed e Scielo e foram selecionados 12 estudos que analisaram a
qualidade de vida de pacientes renais crônicos no Brasil através do questionário KDQOL
SF-36 (Kidney Disease and Quality-of-Life Short Form Health Survey 36), segundo critérios
de inclusão. Os estudos foram realizados nas regiões Sul (5 estudos), Sudeste (6 estudos) e
Nordeste (1 estudo). O total de pacientes que participaram dos 12 estudos foi de 2.608, sendo
a maioria do sexo masculino e com 60 anos ou mais. Em relação à avaliação da qualidade de
vida baseada no questionário KDQOL SF-36, foram selecionadas as duas maiores (melhores)
e duas menores (piores) pontuações de cada estudo, sendo que quanto menor a pontuação
menor a qualidade de vida. As mais afetadas, ou seja, as menores pontuações, foram, a
Situação de Trabalho, a Sobrecarga da Doença Renal, Função Física, Função Emocional e
Função Sexual. Pode-se relacionar estes resultados com a demanda exaustiva do tratamento,
que afeta desde a capacidade laboral do paciente, até as áreas psicossociais e físicas. Quanto
às melhores pontuações, o Apoio Social, o Estímulo Por Parte da Equipe, a Função Sexual,
Função Cognitiva, Saúde Mental, Satisfação Com o Tratamento e a Qualidade de Interação
Social, estiveram como as mais evidentes. As duas primeiras mostrando como o contato e
apoio fazem a diferença na percepção da qualidade de vida dessas pessoas. Já o bom escore da
Função Sexual, pode estar relacionado a um viés destes estudos, deixando a dúvida da
veracidade destas respostas, podendo indicar a vergonha de afirmar que a vida sexual está
comprometida, uma vez que entra em divergência com os escores baixos relacionados à
questão física e emocional. Diante disto, fica evidenciado que a análise do impacto que a
hemodiálise traz é de extrema importância para que se conheçam as principais demandas
desses pacientes para que de alguma forma sejam criadas novas estratégias clínicas e
assistenciais para esta população. Podendo ser de responsabilidade dos profissionais da saúde,
a intervenção e planejamento dessas ações efetivas, promovendo uma melhor qualidade de
vida para estes pacientes
Mecanismos de citotoxicidade induzidos pelo fungicida Mancozeb em células de neuroblastoma humano
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Farmácia, Florianópolis, 2023.A doença de Parkinson (DP) é a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente do sistema nervoso central (SNC). É caracterizada pela morte de neurônios dopaminérgicos na substância negra compacta, culminando em depleção de dopamina no estriado e diminuição das funções motoras. Sua fisiopatologia envolve estresse oxidativo, disfunção mitocondrial e neuroinflamação. Apesar do envelhecimento ser o principal fator de risco para desenvolver a DP, diversos estudos vêm mostrando uma relação entre exposição ocupacional à agrotóxicos com o aumento no risco de desenvolvimento da DP idiopática. O Mancozeb (MZ) é um agrotóxico pertencente a classe dos etilenobisditiocarbamatos (EBDCs), amplamente utilizado no país devido ao seu grande potencial fungicida e sua baixa toxicidade aguda. Estudos sugerem que o uso de agrotóxicos EBDCs na agricultura poderia contribuir para o desenvolvimento da DP. Entretanto, ainda não existem evidências que suportem esta associação e, apesar da extensa utilização mundial de MZ, existe um número limitado de estudos investigando o efeito neurotóxico do fungicida. O objetivo desse estudo foi avaliar a citotoxicidade induzida pelo fungicida MZ, em culturas de células de neuroblastoma humano SH-SY5Y, que possuem características de neurônios dopaminérgicos, e avaliar alterações celulares relacionadas a DP. As células foram expostas ao MZ (1 ? 30 µM) e foram realizados ensaios de viabilidade e morte celular em diferentes tempos de exposição. Além disso, foram avaliados outros parâmetros como a geração de espécies reativas (ER), produção de radical ânion superóxido (O2?-), concentração de glutationa (GSH), peroxidação lipídica, potencial de membrana mitocondrial (PMM), níveis de citocinas inflamatórias (IL-1ß, IL-6 e TNF-a) e avaliação de dano ao DNA. A exposição ao MZ, durante 24 horas, induziu diminuição na viabilidade celular, a partir da concentração de 6 µM e induziu morte celular significativa a partir de 15 µM. Esses efeitos citotóxicos do fungicida foram dependentes tanto do tempo de exposição quanto da concentração. Além disso, o MZ (6 µM) induziu aumento significativo na geração de ER após 1 hora de exposição e aumentou a produção de O2?- após 1 e 3 horas de exposição. Foi também observado um aumento significativo na geração de hidroperóxidos lipídicos (marcador de peroxidação lipídica) e diminuição no conteúdo intracelular de GSH após 3 horas de exposição ao MZ. O tratamento com o antioxidante ácido ascórbico (50 µM) foi capaz de proteger as células do dano causado pelo MZ, sugerindo que um dos principais mecanismo de citotoxicidade envolvidos na perda de viabilidade das células parece ser o estresse oxidativo. A exposição ao MZ também causou diminuição do PMM após 3 horas de exposição, sugerindo um possível envolvimento da disfunção mitocondrial no mecanismo de toxicidade do agrotóxico. Em relação às citocinas, não houve detecção após a exposição ao MZ. Por fim, o MZ (6 µM) induziu dano ao DNA após 24 horas de exposição, sugerindo um efeito genotóxico do fungicida. Os resultados do estudo indicam que a exposição ao MZ induz distúrbios celulares compatíveis com eventos observados na DP, sugerindo uma possível relação entre a exposição ao agrotóxico e o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como o Parkinson. Entretanto, esses resultados in vitro são preliminares e mais estudos são necessários para melhor estabelecer essa relação, bem como, para elucidar outros mecanismos celulares envolvidos na citotoxicidade do fungicida.Abstract: Parkinson's disease (PD) is the second most prevalent neurodegenerative disorder of the central nervous system (CNS). It is characterized by the death of dopaminergic neurons in the substantia nigra compacta, culminating in dopamine depletion in the striatum and decreased motor function. Its pathophysiology involves oxidative stress, mitochondrial dysfunction and neuroinflammation. Despite aging being the main risk factor for developing PD, several studies have shown a relationship between occupational exposure to pesticides and an increased risk of developing idiopathic PD. Mancozeb (MZ) is a pesticide belonging to the class of ethylenebisdithiocarbamates (EBDCs), widely used in the country due to its great fungicidal potential and its low acute toxicity. Studies suggest that the use of EBDC pesticides in agriculture could contribute to the development of PD. However, there is still no evidence to support this association and, despite the extensive worldwide use of MZ, there is a limited number of studies investigating the neurotoxic effect of the fungicide. The aim of this study was to evaluate the citotoxicity induced by the fungicide MZ, in cultures of SH-SY5Y human neuroblastoma cells, which have characteristics of dopaminergic neurons, and to evaluate cellular alterations related to PD. Cells were exposed to MZ (1 ? 30 µM) and viability and cell death assays were performed at different exposure times. In addition, other parameters were evaluated, such as the generation of reactive species (RE), production of superoxide anion radical (O2?-), concentration of glutathione (GSH), lipid peroxidation, mitochondrial membrane potential (PMM), levels of inflammatory cytokines (IL-1ß, IL-6 and TNF-a) and evaluation of DNA damage. Exposure to MZ, for 24 hours, induced a decrease in cell viability, starting from a concentration of 6 µM and induced significant cell death from 15 µM. These cytotoxic effects of the fungicide were dependent on both exposure time and concentration. Furthermore, MZ (6 µM) induced a significant increase in ER generation after 1 hour of exposure and increased O2?- production after 1 and 3 hours of exposure. A significant increase in the generation of lipid hydroperoxides (a marker of lipid peroxidation) and a decrease in the intracellular GSH content after 3 hours of exposure to MZ was also observed. Treatment with the antioxidant ascorbic acid (50 µM) was able to protect cells from damage caused by MZ, suggesting that one of the main cytotoxicity mechanisms involved in the loss of cell viability seems to be oxidative stress. Exposure to MZ also caused a decrease in PMM after 3 hours of exposure, suggesting the possible involvement of mitochondrial dysfunction in the pesticide toxicity mechanism. Regarding cytokines, there was no detection after exposure to MZ. Finally, MZ (6 µM) induced DNA damage after 24 hours of exposure, suggesting a genotoxic effect of the fungicide. The results of the study indicate that exposure to MZ induces cellular disorders compatible with events observed in PD, suggesting a possible relationship between exposure to pesticides and the development of neurodegenerative diseases such as Parkinson's. However, these in vitro results are preliminary and further studies are needed to better establish this relationship, as well as to elucidate other cellular mechanisms involved in the cytotoxicity of the fungicide
Lesão renal aguda na infecção por SARS-CoV-2: revisão narrativa da literatura
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Farmácia.A lesão renal aguda (LRA) é caracterizada por uma redução da taxa de filtração glomerular, gerando um acúmulo de produtos do metabolismo do nitrogênio, como creatinina e ureia no sangue e uma diminuição no volume urinário. Após o surgimento de casos da COVID-19, diversos artigos da literatura vêm apontando para as manifestações renais em indivíduos infectados pelo SARS-CoV-2, com um destaque para o desenvolvimento de LRA. Este trabalho, uma revisão narrativa da literatura, revisou e discutiu os impactos da infecção por SARS-CoV-2 sobre a função renal, com particular ênfase na LRA. Foram realizadas buscas de artigos científicos nas bases de dados PubMed e SciELO e foram incluídos 49 artigos nessa revisão, sendo considerados estudos observacionais e de coorte prospectivos e retrospectivos; estudos realizados com pacientes acima de 18 anos com diagnóstico confirmado para COVID-19 e diagnosticados com LRA, segundo os critérios KDIGO, AKIN ou RIFLE. A partir da análise dos 49 artigos incluídos, a LRA foi identificada em 16344 (33,22%) dos 49185 pacientes com COVID-19. Foi constatado que entre os pacientes COVID-19 positivos internados em unidade de terapia intensiva (UTI), há uma maior incidência de LRA, em comparação com os pacientes hospitalizados. Além disso, há uma maior porcentagem de pacientes com LRA e com LRA estágio 3 internados em UTIs em relação à porcentagem de pacientes com lesão renal hospitalizados. A terapia renal substitutiva (TRS) foi necessária em 17,84% dos 15969 pacientes analisados, com uma maior necessidade de TRS em pacientes em UTI (35,62%) em comparação aos hospitalizados (14,45%). Em relação a mortalidade, 45,57% de 15656 pacientes foram a óbito, sendo prevalente entre os pacientes que se encontravam em UTIs (56,97%) em comparação aos pacientes hospitalizados (43,29%). Já em relação às alterações em exames laboratoriais, a proteinúria foi mais comum em pacientes com COVID-19 que desenvolveram LRA e a hematúria também foi prevalente em pacientes com COVID-19 e LRA em comparação aos pacientes COVID-19 sem LRA. A partir dessa revisão constata-se que, até o presente momento, a LRA é uma condição comum em pacientes com a infecção por SARS-CoV-2, a qual possivelmente aumenta a necessidade de TRS e a mortalidade entre os pacientes COVID-19. Considerando a importância da manutenção da integridade renal, mais pesquisas no tema são necessárias para melhorar a compreensão da LRA em casos de COVID-19 e seu impacto na saúde. O entendimento da relação entre a COVID-19 e o desenvolvimento de LRA é de fundamental importância para auxiliar tanto na busca por diagnósticos mais ágeis, quanto por tratamentos eficazes, minimizando ao máximo possíveis desfechos desfavoráveis
Avaliação do efeito protetor dos compostos probucol e succinobucol na toxicidade induzida por cisplatina e células HEK 293
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Farmácia.A cisplatina é um agente antineoplásico utilizado no tratamento de diversos tipos de câncer. Apesar de seus efeitos positivos no tratamento do câncer, ainda enfrentamos uma importante limitação quanto ao seu uso que se deve a potenciais efeitos colaterais. Dentre estes efeitos, a nefrotoxicidade é o principal fator limitante da terapia com cisplatina. A cisplatina pode causar desequilíbrio de eletrólitos no organismo e lesão renal aguda (LRA) devido à necrose tubular. Diferentes mecanismos parecem contribuir para a patogenicidade renal do composto incluindo lesão vascular, inflamação, isquemia, estresse oxidativo e morte celular. O estudo de potenciais estratégias de prevenção da lesão renal induzida pela cisplatina tem se tornado um desafio pois deve-se encontrar um meio de proteger os rins, porém sem reduzir a eficácia do fármaco no tratamento do câncer. Diferentes estudos mostram que o uso de compostos antioxidantes pode representar uma importante opção na prevenção da lesão renal através da redução da produção de espécies reativas. O probucol e o succinobucol (composto derivado do probucol) são compostos hipolipemiantes com propriedades antioxidante e anti-inflamatória, que vêm demonstrando efeitos benéficos em diferentes modelos experimentais de patologias. Neste sentido, o objetivo geral deste trabalho foi investigar, o possível efeito protetor do probucol e seu derivado succinobucol frente à nefrotoxicidade induzida pela cisplatina em células HEK 293. Inicialmente, as células foram tratadas com probucol ou succinobucol nas concentrações de 0,5, 1, 3 e 10 μM durante 48 h. O tratamento com probucol não causou nenhuma alteração na viabilidade celular, enquanto que o tratamento com succinobucol, na concentração de 10 μM, significativamente reduziu a viabilidade celular. A partir destes resultados, escolhemos as concentrações de 10 µM para o probucol e 3 µM para o succinobucol, as quais não demonstraram efeitos citotóxicos no ensaio de viabilidade celular, para serem utilizadas nos ensaios posteriores. Em experimentos paralelos, as células foram expostas à cisplatina (10, 20, 50, 75, 100 e 200 µM) durante 24 h. A exposição à cisplatina na concentração de 200 μM causou uma redução de 30% na viabilidade das células HEK 293, porém sem induzir morte celular através do ensaio de incorporação do iodeto de porpídio. Em seguida, investigou-se o possível efeito protetor do probucol e do succinobucol na toxicidade induzida por cisplatina. As células foram pré-tratadas com os compostos durante 24 h e, expostas à cisplatina por 24 h. O pré-tratamento com os compostos probucol e succinobucol não protegeu as células contra o efeito citotóxico induzido pela cisplatina. Tendo em vista que existe a necessidade de efetivos agentes protetores capazes de reduzir o efeito tóxico da cisplatina sobre o tecido renal, mais estudos são necessários, utilizando tempos maiores de pré-tratamento com os compostos. Além disso, estudos adicionais são também importantes para melhor entender o mecanismo de toxicidade da cisplatina em células HEK 293, além do potencial mecanismo de proteção dos compostos
Toxicidade reprodutiva do glifosato e herbicidas à base de glifosato: uma abordagem bibliográfica.
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Farmácia.O Glifosato (N-(fosfonometil)glicina), é um herbicida pós-emergente, sistêmico, não seletivo, hidrossolúvel e de amplo espectro. Pertencente à classe química dos organofosforados, não inibidor da colinesterase. Há anos que esse herbicida está na posição de agrotóxico mais consumido no mundo, sendo constituinte de mais de 750 formulações, produtos utilizados não só em aplicações agrícolas e florestais como em urbanas e residenciais. Embora o glifosato e o AMPA (principal metabólito do glifosato) sejam classificados na categoria de praticamente não tóxico e não irritante pela EPA (US Environmental Protection Agency), muitos estudos tem demonstrado efeitos tóxicos em testes realizados com Glifosato puro e herbicidas a base de glifosato (HBGs) sobre o sistema hepático e renal, sistema neurológico, sistema reprodutivo de machos e fêmeas e sistema endócrino, assim como potenciais efeitos teratogênicos e carcinogênicos. Levando em consideração os efeitos já relatados, o presente estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da exposição ao glifosato e HBGs sobre o sistema reprodutivo de mamíferos, utilizando como metodologia uma revisão bibliográfica do tipo narrativa. Para isso foi realizado um levantamento de publicações nacionais e internacionais abordando o tema da problemática através de busca nas bases de dados Medline, via Pubmed, Scientific Electronic Library (SciELO) e Web of Science, utilizando as seguintes palavras chave e suas associações: Glifosato, Herbicidas à base de Glifosato, toxicologia e toxicidade reprodutiva. A seleção dos artigos foi realizada segundo critérios de inclusão e exclusão previamente determinados. Foram selecionados um total de 17 artigos (14 artigos da base do PubMed e 3 artigos da Web of Science). De acordo com a literatura revisada neste estudo, tanto o glifosato quanto as suas formulações comerciais parecem atuar como tóxicos reprodutivos. Efeitos deletérios foram encontrados em fêmeas e machos tratados com doses variadas do herbicida, em diferentes modelos experimentais em mamíferos. Estudos realizados in vivo e in vitro encontraram efeitos como desregulação endócrina, dano ao DNA, alteração na morfologia de gametas femininos e masculinos, redução na motilidade e concentração dos espermatozoides, assim como estresse oxidativo e disfunção na gametogênese. Embora muitos efeitos já estejam bem elucidados, mais estudos são necessários para esclarecer os efeitos do glifosato na saúde reprodutiva humana.Glyphosate (N- (phosphonomethyl) glycine), is a post-emergent, systemic, non-selective, water-soluble and broad-spectrum herbicide. Belonging to the chemical class of organophosphates, not cholinesterase inhibitor. This herbicide has been in the position of the most consumed pesticide in the world for years, being a constituent of more than 750 formulations, products used not only in agricultural and forestry applications, but also in urban and residential ones. Although glyphosate and AMPA (the main glyphosate metabolite) are classified as practically non-toxic and non-irritating by the EPA (US Environmental Protection Agency), many studies have shown toxic effects in tests performed with pure glyphosate and glyphosate-based herbicides. (GBHs) on the liver and kidney system, neurological system, male and female reproductive system and endocrine system, as well as potential teratogenic and carcinogenic effects. Taking into consideration the effects already reported, the present study aims to evaluate the effects of exposure to glyphosate and GBHs on the reproductive system of mammals, using as methodology a bibliographic review of the narrative type. To this end, a survey of national and international publications addressing the issue of the problem was carried out by searching the databases Medline, by Pubmed, Scientific Electronic Library (SciELO) and Web of Science, using the following keywords and their associations: Glyphosate, Glyphosate-based herbicides, toxicology and reproductive toxicity. The selection of articles was carried out according to the inclusion and exclusion criteria. A total of 17 articles were selected (14 articles from the PubMed database and 3 articles from the Web of Science). According to the literature reviewed in this article, both glyphosate and its commercial formulations appear to act as reproductive toxicants. Studies carried out in vivo and in vitro found effects such as endocrine disruption, DNA damage, changes in the morphology of female and male gametes, reduced motility and concentration of sperm, as well as oxidative stress and dysfunction in gametogenesis. Although many effects are well understood, further studies are necessary to clarify the effects of glyphosate on human reproductive health
O papel dos biomarcadores TIMP-2, IGFBP7 e L-FABP no diagnóstico da lesão renal aguda
TCC(graduação) - Universidade Federal de Santa Catarina. Centro de Ciências da Saúde. Farmácia.A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida diminuição
da função excretora renal. É uma condição clínica muito comum e acontece principalmente no
âmbito hospitalar. A síndrome possui características clínicas variadas e pode ocorrer
concomitantemente ou em decorrência de outras doenças. Sepse, cirurgias cardíacas, uso de
medicamentos, uso de contraste e internação em unidade de terapia intensiva podem levar ao
desenvolvimento de LRA. Seu diagnóstico atualmente é feito com base nos valores da taxa de
filtração glomerular e da creatinina sérica, porém, devido às limitações da creatinina, ela
geralmente só aumenta consideravelmente quando o paciente já possui uma lesão grave. O
desenvolvimento de novos biomarcadores que possam diagnosticar a LRA de forma mais rápida
vem acontecendo ao longo dos últimos anos com o objetivo de auxiliar no tratamento correto e
precoce e na posterior redução de sequelas e mortalidade. A proteína ligadora de ácidos graxos
do tipo hepática (L-FABP), quando ocorre um processo de peroxidação lipídica decorrente de
algum estresse na célula renal, se liga aos lipoperóxidos e transporta essas estruturas para o
lúmen tubular, retirando-as de dentro das células e impedindo a peroxidação lipídica e a lesão
da célula renal. Já o inibidor tecidual de metaloproteinases 2 (TIMP-2) e o insulin growth factor
biding protein 7 (IGFBP7) são marcadores de parada do ciclo celular, e estão envolvidos no
controle de cinases e proteínas P que promovem uma parada de divisão celular na fase G1 para
que a célula tubular renal possa reparar seus defeitos de divisão. Este trabalho, uma revisão
integrativa da literatura, avaliou os biomarcadores L-FABP, TIMP-2 e IGFBP7 como
biomarcadores de diagnóstico, utilizando como parâmetro principal a análise da área sobre a
curva receiver operating characteristic (AUC-ROC). Foram utilizadas as bases de dados
Pubmed e Scielo, e foram incluídos nesta revisão 38 artigos - 15 da L-FABP e 23 de TIMP-2
e/ou IGFBP7 - publicados entre 2010 e 2020, em português ou inglês, com o objetivo de
verificar se estes biomarcadores são úteis para o diagnóstico de LRA. Para esta análise levouse
em consideração os valores de AUC-ROC publicados nos estudos. A L-FABP se mostrou,
em geral, um biomarcador ruim para diagnóstico de LRA, porém, em pacientes pós uso de
contraste e pós cirurgia de grande porte se mostrou como um ótimo biomarcador (AUC-ROC
de 0,92 E 0,85, respectivamente). Algumas limitações nos estudos podem ter dado origem ao
resultado ruim, como por exemplo, diferenças na metodologia de análise e expressão de
resultados e também um baixo número de pacientes incluídos em alguns estudos. Em relação
ao TIMP-2 e IGFBP7, a média das AUC-ROC foi igual a 0,77, o que nos faz considerar o
TIMP-2 e o IGFBP7 como biomarcadores razoáveis de LRA. Analisando individualmente em
relação à condição clínica, assim como na L-FABP, ambos se mostraram melhores em pacientes
com sepse e após cirurgias de grande porte (AUC-ROC de 0,84 e 0,85, respectivamente). Em
geral, os 3 biomarcadores aumentam mais precocemente que a creatinina sérica e aparentam
ser úteis para o diagnóstico, apresentando algumas limitações, porém, ainda são necessários
amplos estudos, que abranjam mais países e uma população mais heterogênea para elucidar seu
papel no diagnóstico da LRA.Acute kidney injury (AKI) is a syndrome characterized by a quick decrease in renal
excretory function. It is a very common clinical condition and occurs mainly in hospitals. The
syndrome has multiple clinical characteristics and can occur concomitantly or as a result of
other diseases. Sepsis, cardiac surgery, medications use, contrast use and intensive care unit
(ICU) admission can lead to the development of AKI. Its diagnosis is currently made based on
the values of glomerular filtration rate and serum creatinine, however, due to the limitations of
creatinine, it usually only increases considerably when the patient already has a serious injury.
The development of new biomarkers that can diagnose AKI more quickly has been happening
over the last few years with the aim of helping in the correct and early treatment and in the
subsequent reduction of sequelae and mortality. L-FABP is a liver type fatty acid binding
protein and, when a lipid peroxidation process occurs due to some stress in the renal cell, it
binds to lipoperoxides and transports these structures to the tubular lumen, removing them from
inside the cells and preventing lipid peroxidation and kidney cell damage. Tissue inhibitor of
metalloproteinases 2 (TIMP-2) and insulin growth factor binding protein 7 (IGFBP7), on the
other hand, are markers of cell cycle arrest, and are involved in the control of kinases and P
proteins that promote cell division arrest in the G1 phase so that the renal tubular cell can repair
its division defects. This study, an integrative literature review, evaluated the biomarkers LFABP,
TIMP-2 and IGFBP7 as diagnostic biomarkers, using the area under the receiver
operating characteristic curve (AUC-ROC) analysis as the main parameter. The Pubmed and
Scielo databases were used, and 38 articles were included in this review - 15 from L-FABP and
23 from TIMP-2 and/or IGFBP7 - published between 2010 and 2020, in Portuguese or English,
in order to verify whether these biomarkers are useful for the diagnosis of AKI. For this
analysis, the AUC-ROC values published in the studies were taken into account. The L-FABP
was, in general, a bad biomarker for the diagnosis of AKI, however, in patients after use of
contrast and after major surgery it was shown to be an excellent biomarker (AUC-ROC of 0.92
AND 0.85, respectively). Some limitations in the studies may have given rise to the poor result,
for example, differences in the methodology of analysis and expression of results and also a
low number of patients included in some studies. In relation to TIMP-2 and IGFBP7, the
average of AUC-ROC was equal to 0.77, which makes us consider TIMP-2 and IGFBP7 as
reasonable biomarkers of AKI. Analyzing individually in relation to the clinical condition, as
well as in the L-FABP, both were better in patients with sepsis and after major surgery (AUCROC
of 0.84 and 0.85, respectively). In general, the 3 biomarkers increase earlier than serum
creatinine and appear to be useful for diagnosis, with some limitations, however, extensive
studies are needed, covering more countries and a more heterogeneous population to elucidate
their role in the diagnosis of AKI
