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Política científica no Brasil: análise das políticas de fomento à pesquisa do CNPq
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.Hoje o domínio da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) tornou-se fundamental para a acumulação do capital e para a soberania dos blocos econômicos e países na chamada sociedade do conhecimento. Por isso, a definição e implementação de políticas de CT&I é fator primordial para a manutenção e conquista de poder econômico/político das nações e para a competitividade do setor produtivo. Em razão dessa materialidade, esta pesquisa objetiva analisar, em perspectiva histórica, a política de fomento à pesquisa e de formação de pesquisadores promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) - principal órgão de fomento à pesquisa do Brasil - e a interferência/repercussão desta política no processo de qualificação e de formação de pesquisadores. Como metodologia de pesquisa utilizei a análise documental de leis, decretos, relatórios, atas, revistas, jornais e os documentos de política científica da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) - Transformación Productiva com Equidad, da United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (UNESCO) - Relatório Delors, e o Livro Verde e o Livro Branco de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Destaco que historicamente houve contingenciamento de recursos impedindo a concretização e o aprofundamento do processo de busca do domínio da CT&I pelo país. No governo FHC, criaram-se os fundos setoriais, a lei de inovação e organizou-se o fomento à pesquisa por meio do Plano Plurianual de Governo (PPA) como forma de garantir estabilidade nos recursos, de induzir o fomento à pesquisa e a formação de pesquisadores e como meio de aumentar os investimentos do setor produtivo em CT&I. Porém, até agora com a implementação dessas políticas não se logrou melhores resultados, pois os recursos continuam sendo contigenciados e o setor produtivo não tem investido como o esperado na área. O CNPq, com a criação do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e dos Comitês Gestores dos fundos, passou a ser um órgão muito mais executor de políticas de caráter indutivo, embora a demanda espontânea continue sendo definida pelos Comitês Assessores (CAs) e Conselho Deliberativo (CD). Outra política deste órgão tem sido o aligeiramento do ciclo da formação de pesquisadores com a diminuição do prazo de concessão de bolsas, o privilegiamento do doutorado, da iniciação científica e a implementação do upgrade, bem como a diminuição do fomento ao mestrado. Essa política induz a mudanças nos programas de pós-graduação stricto sensu que necessitam adaptar o currículo, as dissertações e teses às condições em termos de prazo e muitas vezes às prioridades fomentadas
Trabalho, produção da existência e do conhecimento: o fetichismo da interdisciplinaridade
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.O intuito de nossa pesquisa é analisar o conceito fetichizado de interdisciplinaridade presente no mundo trabalho e suas implicações para produção da existência e do conhecimento. As manifestações da interdisciplinaridade no plano organizacional se verificam a partir da mudança de uma base produtiva fragmentada e individualizada por uma flexível e integrada, implicando diretamente na educação e na formação profissional do atual e futuro trabalhador. Como fonte teórica de possibilidades concretas acerca do estudo em questão, utilizaremos o livro A quinta disciplina de Peter Senge como sendo vetor disseminante da interdisciplinaridade no plano organizacional por meio do desenvolvimento do conceito de visão sistêmica. Tomando como marco inicial da discussão em torno da interdisciplinaridade o Congresso de Nice organizado pela OCDE em 1970, compreendemos que o objeto em questão foi cooptado pelo capital no sentido de legitimar a readaptação da base produtiva que, até então, era regida pelo paradigma taylorista-fordista para uma orientada pela flexibilização e integração
Do ensino médio à educação superior: caminhos e descaminhos de alunos egressos da escola de educação básica São João Batista, SC 2009 a 2012
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2014A democratização do acesso ao ensino superior desponta no cenário da educação como um tema candente nas pesquisas acadêmicas. O fenômeno social que procuramos descortinar, caracteriza-se como um estudo de caso, problematizando em sua análise, a trajetória de egressos do ensino médio público, os quais ampliaram, ou não, a escolaridade por meio da educação superior. Da mesma forma, buscamos compreender os elementos que possibilitaram ou impediram tal prolongamento. A empiria da pesquisa constituiu-se da análise dos questionários aplicados a 120 egressos (E1 e E2), divididos em dois grupos: 60 (E1) que deram continuidade à escolaridade no ensino superior; e 60 (E2) que até o momento da pesquisa não estavam matriculados em nenhum curso, embora isso não signifique o fim da trajetória escolar destes jovens. Além disso, compondo o quadro da empiria, recorremos aos Relatórios Finais emitidos pela secretaria da escola e realizamos um levantamento quantitativo e qualitativo dos alunos das três séries do ensino médio de 2004 - 2012, a partir das categorias: aprovados; reprovados; transferidos; e desistentes. As análises empreendidas têm, como ponto de partida teórico, a sociologia crítica da educação, nas obras de Pierre Bourdieu e de parceiros, dentre os quais, Jean Claude Passeron. Para tanto, alguns conceitos Bourdieusianos foram relevantes na análise dos dados, por exemplo, capital cultural e a noção de capital escolar. Transitando pelo tema da justiça, estabelecemos um profícuo diálogo com obras de John Rawls, Amartya Sen, Michael Walzer, Francois Dubet. A leitura destes autores remeteu-nos às questões da liberdade, igualdade e ao conceito de meritocracia que está presente em boa parte do texto, pois surge no discurso dos egressos (E1) que acessaram o ensino superior e acabaram elegendo o mérito como um dos fatores determinantes para o sucesso e/ou fracasso escolar. O tema em estudo remeteu-nos diretamente ao notório problema da qualidade do ensino médio público, apontado pelos próprios egressos, como um dos fatores que os coloca em uma relação de desvantagem no vestibular, em relação aos alunos oriundos das escolas privadas.Abstract: The democratization of access to higher education emerges in education scenario as a hot topic in academic research. The social phenomenon we seek to unveil characterized as a case study, problematizing in this analysis the egresses students of public high school trajectory, which have expanded or not their schooling through higher education. In the same way, we seek to understand the elements that allowed or prevented such extension. The empirical research consisted of analysis of questionnaires applied to 120 egresses students (E1 and E2) split into two groups: 60 (E1) who have continued to schooling in higher education and 60 (E2) that until the moment of research were not enrolled in any course, although this doesn't mean the end of school trajectory of these young. Furthermore, composing the empirical framework, we resort to the final reports issued by the school office and carried out a quantitative and qualitative survey of students from three high school classes during the period 2004-2012 divided into categories: approved, reproved, transferred, quitters. The analyzes taken have as the theoretical starting point the critical sociology of education, at Pierre Bourdieu works and partners, among them Jean Claude Passeron. To do so, some Bourdiesians concepts were relevant in data analysis, for example, cultural capital and the notion of school capital. Transiting for justice theme, we established a meaningful dialogue with John Rawls, Amartya Sen, Michael Walzer and Francois Dubet works. These authors reading sent us to questions like freedom, equality and meritocracy concept that are present in much of the text, it appears in egresses discourse that have accessed higher education and ended up electing merit as one of determining factors for school success and/or failure. The topic under study sent us directly to the notorious problem of public high education quality, appointed by the egresses themselves, as a factor that puts them at a disadvantage relation on vestibular compared to students from private schools
Entrevista: Lucídio Bianchetti
Lucídio Bianchetti, natural de David Canabarro, RS, possui graduação em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional pela Universidade de Passo Fundo (1978), Mestrado em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1982) e Doutorado em Educação: História, Política, Sociedade pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1998), Estágio pós-doutoral na Universidade do Porto, Portugal (2009). Pesquisador 1B do CNPq. Atualmente é professor Aposentado/Voluntário no Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante no PPGEDU UNISINOS (2016/CNPq). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Trabalho e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: Pós-graduação; Formação de Pesquisadores; Trabalho, Tecnologia e Qualificação Profissional. Além de inúmeros artigos, dentre suas publicações, em formato de livros/coletâneas, como autor, coautor e coorganizador, destacam-se: 1. A bússola do escrever. Desafios e estratégias na orientação e escrita de teses e dissertações (3ª ed., Cortez, 2012); 2. A Trama do Conhecimento: Teoria, método e escrita em ciência e pesquisa (2ª ed., Papirus, 2011); 3. Dilemas da pós-graduação. Gestão e avaliação (Autores Associados, 2009); 4. Interdiciplinaridade. Para além da filosofia do sujeito (9ª ed., Vozes, 2011); 5. Utopias e distopias na modernidade. Educadores em diálogo com T. Morus, F. Bacon, J. Bentham, A. Huxley e G. Orwell (Editora UNIJUÍ, 2014); 6. O fim dos intelectuais acadêmicos? Induções da CAPES e desafios às Associações Científicas (Autores Associados, 2015); 7. O Processo de Bolonha e a globalização da educação superior. Antecedentes, implementação e repercussões no quefazer dos trabalhadores da educação (Mercado de Letras, 2015); 8. Da universidade à commoditycidade. Ou de como e quando, se a educação/ formação é sacrificada no altar do mercado, o futuro da universidade se situaria em algum lugar do passado (Mercado de Letras, 2017); 9. Publique, apareça ou pereça. (Editora da UFBA, no prelo)
Formação e trabalho de pesquisadores em educação: um estudo dos processos de institucionalização da pesquisa em IES emergentes
Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.Nesta tese analisamos o processo de formação e as condições de trabalho de pesquisadores em educação que, após a obtenção do doutorado, se inseriram em IES 'emergentes'. Visamos apreender como se dá essa inserção e em que medida os neodoutores contribuem para a institucionalização da pesquisa nessa categoria de instituições e o quanto foram ou não preparados para assumir tal tarefa. Compõem a amostra dez doutores egressos do PPGE/UFSC, bem como os respectivos pró-reitores das IES nas quais aqueles atuavam após concluírem o doutorado. No eixo da formação fica patente o preparo qualificado que os titulados receberam para inserir-se em atividades de pesquisa. Há indicativos de que se faz muito e adequadamente nesse Programa de pós-graduação, sendo que muitos fatores são apontados como favoráveis à qualificada formação do pesquisador. Contudo, no eixo do trabalho, quando do exercício do ofício de pesquisador, nem sempre há relatos de experiência favoráveis à institucionalização da pesquisa nas IES estudadas, nas quais não há Programas de pós-graduação stricto sensu ou eles não estão ainda consolidados e a pesquisa ainda é incipiente. Embora a pós-graduação seja considerada lócus privilegiado da pesquisa, isso não se verifica nas universidades onde os doutores passam a atuar. Vários são os fatores que dificultam e/ou mesmo impedem a implementação da pesquisa em IES 'emergentes', tais como a ausência da cultura de pesquisa, as dificuldades para obtenção de financiamento interno e externo, o instável apoio dos dirigentes, dentre outros. Constata-se, portanto, a existência de grandes descompassos entre o tempo/espaço da formação e o tempo/espaço da inserção no trabalho dos neodoutores em relação ao exercício da pesquisa. A apreensão dessa dinâmica conduziu ao estudo das determinações históricas pelas quais passou e passa a universidade, especialmente no que diz respeito aos modelos adotados. Substituem-se os modelos clássicos para adotar os modelos de ocasião, isto é, a universidade abandonou sua característica de instituição e passou a ser uma organização social com tudo o que isto significa de descaracterização do seu papel historicamente preconizado e, mais do que nunca, necessário (Chauí, 2003; Sguissardi, 2006). O estudo permitiu observar, dessa forma, que esses modelos de universidade retomam características do taylorismo, em que o que conta é o produtivismo desenfreado, o que impede a ação dos pesquisadores como "intelectuais críticos" (Duarte, 2006). Constata-se que os intelectuais pesquisadores, que deveriam fazer frente a esse modelo, estão institucionalizados, portanto, sujeitados a engessamentos, muitas vezes paralizantes. Nesse sentido, fica demonstrado que há uma "servidão ambígua" (Pereira, 2001) por parte dos neodoutores que dificulta a criação, a implantação e o desenvolvimento da cultura acadêmica nas universidades onde estes atuam, embora não somente nestas. Assim, aponta-se para a urgência de ampliar e aprofundar a compreensão sobre esse contexto e de anunciar a necessidade do retorno dos intelectuais orgânicos, críticos, que têm a "coragem de denunciar a mentira e anunciar a verdade" (Chomsky, 2006). No contraponto do modelo de universidade preconizado pelo sistema vigente, faz-se necessário retomar a discussão esclarecida e recuperar os tempos e espaços de esperança, de utopia, tanto na formação como no trabalho dos pesquisadores
Da pós-graduação as escritas sobre orientações de dissertações e teses: uma entrevista com Lucídio Bianchetti
Entrevist
Processos colaborativos mediados pela rede eletrônica: um estudo com alunos do ensino fundamental
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.A colaboração é uma ação social, na qual pessoas compartilham objetivos e aprendem juntas visando superar desafios. Destacamos que este tipo de atividade pode ser realizada por meio do suporte da Internet. A partir disso, o objetivo do trabalho foi analisar as possibilidades e os limites da aprendizagem colaborativa apoiada por computador no processo escolar. Neste sentido para promover a colaboração utilizamos como estratégia pedagógica a "proposta de desafios", criados a partir da metodologia da problematização e do modelo descrito pela WebQuest. Esta atividade baseada em desafios foi aplicada em uma escola pública da cidade de Florianópolis em Santa Catarina, envolvendo duas turmas de oitava série, uma matutina e outra vespertina, na disciplina de História. O envolvimento de duas turmas tornou necessário o uso de um recurso tecnológico para viabilizar o desenvolvimento da atividade, pois os alunos estavam em tempos e espaço diferentes. O planejamento da atividade e a sua análise foi baseada, principalmente, nas idéias de Vygotsky e, também, nos elementos e princípios descritos na Teoria da Atividade. A partir disso, conseguimos identificar as contrições e limites deste tipo de atividade. E, ainda, discutimos a colaboração como divisão de tarefas. Por outro lado, vislumbramos a colaboração como modo de socialização do ser humano e estratégia para construção de conhecimentos a partir de uma postura ativa e solidária
Avaliação, pesquisa e trabalho docente na pós graduação: questões para pensar e compreender a situação atual e perspectivas
A Revista Educação em Perspectiva tem o prazer de apresentar aos leitores a entrevista realizada com o Professor Dr. Lucídio Bianchetti, do Programa de Pós-graduação em Educação/PPGE da Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC. Acadêmico de trajetória reconhecida no campo da Educação e atualmente lotado no Centro de Ciências da Educação da UFSC, tem experiência na área de Educação, com ênfase em Trabalho e Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: pós-graduação; formação de pesquisadores; trabalho, tecnologia e qualificação profissional. Nesta seção, tivemos a oportunidade de dialogar sobre questões atuais relativas ao trabalho docente na pós-graduação, considerando os processos atuais de avaliação, condições de produção acadêmico-científica, o lugar da educação no campo da pesquisa contemporânea e perspectivas. O entrevistado trouxe-nos, além de seu conhecimento acadêmico, sua experiência como docente, ex-coordenador de programa de pós-graduação (2000-2002) e membro de diversas instituições, dentre elas tendo ocupado a vice-presidência da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação/ANPEd (2003-2005), tendo vivenciado o desenvolvimento das temáticas sobre as quais se manifestou, nos seus aspectos teóricos e práticos. Em função de suas pesquisas sobre a Pós-graduação, passou a ser pesquisador do CNPq, estando hoje na condição de PQ 1C deste órgão
governamental
Uma nova fase na relação entre mundo da educação e mundo do trabalho: um estudo de caso da criação da Universidade Corporativa Grande Banco
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação.Verifica-se, na atualidade, o fenômeno educação corporativa (EC) e sua materialização por meio das universidades corporativas (UC's), tomando proporções significativas, embora no meio acadêmico, e em especial na área de educação, a discussão ainda se encontre em compasso lento. Apresento neste trabalho, um estudo de caso sobre a criação e desenvolvimento, no interior de uma grande instituição financeira nacional, da Universidade Corporativa Grande Banco (UC GB), que a partir do final dos anos de 1990, assumiu as prerrogativas de suprir as necessidades de qualificação de seu quadro de pessoal. Na pesquisa qualitativa realizada em 2006, foram ouvidos dirigentes e instrutores internos (ou mediadores de conhecimento) da UC GB. Foram também acessados documentos internos da organização, seu modelo pedagógico, sites da intranet e internet, quadros e tabelas com os valores de investimentos e evolução da área de educação corporativa da empresa, permitindo a reconstituição do percurso histórico dessa instância que se pretende educativa. Os dados referem-se ao período compreendido entre o surgimento da UC GB e os dias atuais. Neste estudo merece atenção o processo de forma(ta)ção dos instrutores internos da organização, na preparação para o exercício docente. Estes profissionais assumem mais esta atividade/responsabilidade, cumulativamente às já exercidas em seu cotidiano sem, no entanto, considerá-la trabalho. "Pagam o preço" para fazer parte do grupo de instrutores, como uma estratégia para sua realização profissional ou, principalmente, fuga em determinados períodos do ano, da rotina massacrante do trabalho bancário. Ao mesmo tempo em que, de maneira geral as UC's se baseiam no modelo das universidades acadêmicas, verifica-se que os objetivos seguem trajetórias opostas, visando outra teleologia. Em que pese a missão e visão da UC GB, seus dirigentes são claros e pragmáticos ao enunciar seus objetivos: todos os processos educativos têm, obrigatoriamente, de estar direcionados aos negócios da organização, e sua finalidade é manter os níveis de rentabilidade, competividade, bem como conquistar novos mercados. A apropriação do vocábulo "universidade", que traz consigo mais de mil anos de história, é realizado sem o menor constrangimento, como "uma jogada de marketing", ou ainda, "para reforçar a imagem interna e externa" da organização junto a seus clientes e funcionários. Da mesma maneira, os conceitos de formação humana e educação são subsumidos à noção utilitarista e de consumo imediato, e usados como sinônimos de treinamento e capacitação, tanto para as atividades tecnico-operacionais, quanto às de cunho comportamentais
A Interdisciplinaridade nos parâmetros curriculares nacionais para o ensino médio
Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, Florianópolis, 2010Por meio desta pesquisa, problematizamos o princípio da interdisciplinaridade em documentos oficiais de políticas educacionais brasileiras, nos últimos anos de 1990, considerando a vinculação desse conceito com as transformações em curso na esfera produtiva. Buscamos apreender o movimento de constituição do princípio da interdisciplinaridade nas políticas educacionais, tomando como referencial os Parâmetros Curriculares Nacionais. Consideramos como horizonte o processo histórico e teórico de construção desse princípio: as políticas neoliberais, amarradas às prescrições dos Organismos Multilaterais e à reforma do Estado, e os fundamentos do conceito de interdisciplinaridade, construídos com base em tendências teórico-metodológicas de análise e de interpretação do homem, da sociedade e do conhecimento. Em vista da centralidade do princípio nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, para fins do presente estudo, procuramos resgatar e analisar a partir de qual referencial teórico-metodológico foi introduzido o princípio da interdisciplinaridade nesse documento. Por meio desse recorte, buscamos caracterizar e analisar as concepções, as justificativas, os objetivos e as finalidades dessa proposta, estabelecendo uma relação entre teoria, discurso político e proposta de prática escolar. Percorremos o caminho metodológico da pesquisa bibliográfica e documental. O recurso metodológico utilizado para auxiliar na análise e na interpretação dos dados coletados foi a análise de conteúdo. Identificamos correspondência entre os fundamentos dos princípios presentes no documento e a tendência humanista, pela posição de sobrevalorização do papel do indivíduo na realização da interdisciplinaridade e na expectativa de que essa categoria do conhecimento possa subsidiar o indivíduo para resolver problemas sociais e educacionais mais abrangentes. A introdução do princípio da interdisciplinaridade nos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio está relacionada à formação de uma postura humana adequada e adaptada à sociabilidade atual. Afinado à perspectiva da sociedade do conhecimento, da formação de competências e da pedagogia do aprender a aprender, o princípio da interdisciplinaridade é o ingrediente estratégico da formação de um pretendido novo tipo de aluno, trabalhador e cidadão
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