CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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O espaço urbano no Egipto Greco-Romano : transformação e recriação de uma paisagem cultural milenar
Ao longo da Época Greco-Romana o Egipto tornou-se um território multicultural onde a tradição egípcia e a cultura helenística se fundiram, tanto no domínio das práticas funerárias, como do ponto de vista religioso. A introdução do elemento helenístico transformou decisivamente a paisagem cultural egípcia e o próprio território onde esta se implantava, criando novos padrões urbanísticos tanto nas novas cidades helenísticas, como nas milenares cidades autóctones. Esta mudança detecta-se nos programas desenvolvidos em larga escala de reconstrução e renovação dos templos, como no próprio urbanismo das necrópoles
Uma história de Dolia : uma primeira análise aos recipientes cerâmicos de armazenagem de Vale do Mouro (Coriscada, Meda)
O dolium ou a talha, como é vulgarmente designado nos nossos dias, é muito provavelmente um dos tipos cerâmicos com maior pervivência ao longo da História da cerâmica em Portugal. É também um dos tipos de cerâmica menos estudados no nosso território. A história da cerâmica romana em Portugal tem-se centrado, essencialmente, nas cerâmicas de luxo e de importação, como as sigillattae ou as ânforas, ou em produções locais representativas de uma determinada zona, como as cerâmicas finas cinzentas. Os dolia têm representado, frequentemente, um caso a parte. Muitas vezes, os vestígios descobertos não chegam a ser estudados, mesmo quando as escavações arqueológicas revelam uma predominância deste tipo de peças. O seguinte trabalho insere-se num estudo mais global, que temos vindo a desenvolver, das peças de tipo dolium presentes no Vale do Douro e na Beira Interior, em contextos arqueológicos datáveis dos séculos II a IV. Tomámos, aqui, como ponto de partida o trabalho realizado por Tony Silvino e Guillaume Mazza sobre a estrutura de produção de dolia em Rumansil (Mós do Douro, Vila Nova de Foz Côa). Neste artigo, apresentamos os resultados preliminares da análise dos vestígios de dolia provenientes da villa de Vale do Mouro (Coriscada, Mêda), escavado entre 2003 e 2010, onde nos foi possível realizar um levantamento e estudo sistemático dessas cerâmicas
O regresso à origem : o tema da viagem na iconografia funerária egípcia da XXI dinastia
O presente estudo procura caracterizar as representações egípcias da vida no Além como um caminho, uma viagem rumo ao renascimento. Embora esta viagem tenha sido evocada desde os textos funerários do Império Antigo, só no Império Novo é que as etapas desta viagem foram transpostas para a iconografia. É no entanto na decoração pictórica dos sarcófagos da XXI dinastia que encontramos o desenvolvimento pleno destes temas. O nosso estudo incide, portanto, sobre as vinhetas que ilustram a vida do defunto no Além, recorrendo à decoração pictórica dos sarcófagos antropomórficos da XXI dinastia, alguns dos quais só agora começam a ser estudados, como os sarcófagos conservados na Sociedade de Geografia de Lisboa. Procurámos neste estudo enfatizar o carácter narrativo destas representações e apresentamos algumas das vinhetas mais importantes da iconografia egípcia encadeadas de acordo com as etapas da viagem do defunto na Duat
Viagem, urbanidade e turismo no Rio de Janeiro com João Chagas, de Bond (1897)
Este artigo desenvolve uma nova leitura, baseada na interdisciplinaridade entre história, geografia e turismo, usando uma lógica de desconstrução do discurso, de uma obra editada em 1867 por João Chagas, De bond – Alguns aspectos da civilização brasileira. Trata-se de um livro de viagem, obra algo esquecida, que nos remete para os novos comportamentos de observação sobre a cidade e o seu universo social, fazendo uso do conceito de flâneur, em transição para o fenómeno do turismo então em emergência. A análise permite-nos revisitar o Rio de Janeiro dos finais do século XIX, na sua funcionalidade e reordenamento espacial
A natureza enquanto política : pensar a agricultura e a natureza na transformação rural do século XX português
A produção agrícola portuguesa é examinada de um ponto de vista estritamente alimentar e enquadrada por uma perspetiva histórica e por uma reflexão sobre natureza. Os anos 1957 e 2009 servem de pontos de apoio estatístico para um modelo comparativo e para uma discussão que pretende interrogar as potencialidades materiais e políticas de um território. Num segundo plano, a relação entre a agricultura e a natureza, título oitocentista de João Andrade Corvo, é desenvolvida enquanto problema histórico no qual se discute os modos e ideias que ao longo do século XX deram e dão corpo à relação
Farmácia e medicamentos em Portugal em meados do século XX : o papel da Comissão Reguladora dos Produtos Químicos e Farmacêuticos (1940)
A primeira metade do século XX caracteriza-se pelo processo intenso de industrialização do medicamento e pelo aparecimento de novos grupos terapêuticos medicamentosos. Neste trabalho os autores dão a conhecer resultados da investigação em curso sobre o processo histórico de regulamentação do medicamento em Portugal, sublinhando a criação da Comissão Reguladora dos Produtos Químicos e Farmacêuticos – CRPQF (1940) e as leis sustentadas na argumentação científica cujos objetivos eram beneficiar a saúde da população, melhorar a qualidade do medicamento e regular jurídica e economicamente o sector. As principais fontes utilizadas foram os diplomas legislativos, documentos do Arquivo do Infarmed, I.P., periódicos farmacêuticos e publicações do Infarmed, I.P
A consciência sanitária em Portugal nos séculos XVIII-XIX
Neste artigo pretende-se documentar como a consciência sanitária se manifestou ao longo dos séculos XVIII e XIX. Este conceito é deveras importante pois através dele conseguimos perceber como se lutou contra a mortalidade ao longo destes séculos já que a ação médica e medicamentosa apresentava uma eficácia muito baixa. Para o efeito, recorremos a obras literárias, obras médicas, legislação assim como programas de estudos das escolas superiores onde se estudava a medicina e a cirurgia
No 2.º centenário da morte do portuense Tomás António Gonzaga alguns problemas historiográficos suscitados pela sua obra : (e algumas questões na área da história da edição)
Associando-se ao 2.º centenário da morte do poeta Tomás António Gonzaga (nascido na cidade do Porto em 1744 e falecido na Ilha de Moçambique em 1810) o autor aborda, neste estudo, alguns dos trabalhos literários desse árcade. Evoca, de igual modo a sua obra Marília de Dirceu, o seu envolvimento, directo ou indirecto no movimento brasileiro da «Inconfidência Mineira», até à sua consequente deportação para a Ilha de Moçambique
«Luz e negrume». Para uma reflexão no sentido da vida em António Correia
Com o seguinte trabalho entende-se investigar o sentido religioso da vida e do mundo na obra poética Fragmentos de António Correia. Enquanto escritor e poeta português que reside há muito tempo em Macau, a sua religiosidade abrange tanto a cultura católica ocidental quanto a oriental. Por isso, os poemas analisados revelam um olhar aberto e sempre voltado à interrogação e à reflexão no que concerne eventos histórico-sociais, questões universais da vida humana e da Natureza, explicitando uma profunda sensibilidade religiosa. Neste sentido, o seu conceito de liberdade insere-se também numa óptica ocidental e oriental, pois representa metaforicamente o sentido de liberdade ainda vivo na cidade de Macau e explicitado na harmoniosa convivência entre diferentes crenças