CEM – Cultura, Espaço & Memória (E-Journal)
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Da falha como acerto — na vida e numa empresa farmacêutica
O autor reflete sobre o erro, a falha e o acerto a partir da sua experiência profissional como gestor de Bial e defende a importância do erro como impulsionador da investigação científica. Refere-se também à questão das experiências de quase morte, ao estudo de supostas vidas passadas e à transcomunicação instrumental, sublinhando a necessidade de se continuar a investigar o tema sob o rigor do método científico
Raul Brandão e o teatro: erro, sacrifício e redenção
Entre todas as peças de Raul Brandão (1867-1930), O Gebo e a Sombra (1923) é aquela em que o pensamento existencial do escritor mais se depura e complexifica. A nossa reflexão incidirá sobre esta peça admirável, em que a questão do erro se liga ao tema da duplicidade humana, transversal a toda a sua obra. Mas também ao problema da liberdade individual, perspetivada à luz do sacrifício e da redenção
A pior das infidelidades: Haroldo de Campos, Lotman e a tradução de «Haikoti»
As teorias da tradução, ou transferência, de obras poéticas entre culturas ou semiosferas diferentes, assinadas por Haroldo de Campos e Iuri M. Lotman, são poderosos centros nevrálgicos para, a partir deles, estudarmos as relações entre culturas, dentro delas as relações entre literaturas e as possibilidades de transdução poética. Fortemente personalizadas e rigorosamente formalizadas, ambas as teorias, ou visões, constituem universos próprios, mas entrelaçados por aproximações idênticas, ou complementares. Num primeiro momento, vou realizar aproximações possíveis entre os dois pensamentos até circunscrever orespetivo núcleo de interseção. Essas teorizações conduziram-nos aos limites das implicações trazidas pelo questionamento da tradução literária a partir da teoria da literatura e da semiótica da cultura, nos termos em que os dois ensaístas exploraram tais campos. Entretanto, como é natural, há limitações que não são superadas, nem diminuídas, nem neutralizadas numa prática orientada por esse mínimo núcleo teórico partilhado. Procuro identificar um foco de resistência à tradução que ponha em prova o alcance das teorias de Campos ede Lotman, ao mesmo tempo que as aproveite. Produzidas em tempos em que o desenvolvimento da cibernética e da cultura em redes digitais não se colocavacomo hoje, pergunto-me sobre que passo é possível dar, atualmente, para aproximar mais a tradução do original sem perda da intensidade poética da comunicação literária. Não se tratando, propriamente, de uma novaproposta de tradução literária, tenho como pressuposto teórico que os avanços atuais em neurobiologia e as facilidades trazidas pela comunicação em rede nos poderão indicar um caminho de maior aproximação entre o texto original e o traduzido. Sublinho que esta não é a proposta de um tradutor, mas a de um teórico. Não pretendo propriamente inscrever este ensaio no âmbito das escolas da tradução, mas antes experimentar em tradução uma teoria da literatura que fica implícita: a de que o suporte para a comunicação poética está no discursoimagístico pré-verbal que, por isso mesmo, é transversal
Das ambiguidades brilhantes aos erros dizíveis. algumas reflexões
Situando-se no campo da Filosofia, o autor reflete sobre o título do Colóquio em que este texto foi apresentado, evocando depois a sua experiência profissional de professor de Desenho e de Geometria Descritiva e propondo por fim algumas conclusões sobre o tema do erro, da falha e do acerto
True heroes don’t die, their hearts get eaten — again and again
Tradicionalmente, o «heroísmo» era uma virtude procurada e elogiada na guerra. Hoje essa qualidade é encontrada nas demandas da administração social comum. No entanto, há uma contradição entre o «heróico» e o «democrático». Esse clichê de heroísmo esconde um conflito fundamental na sociedade ocidental, enraizado nas noções positivas e negativas de liberdade e nas reações à Revolução Francesa
Honwana and Harper Lee: to kill and not to kill, from the Mockingbird to the Mangy Dog and The Snake
O artigo aborda o clássico moçambicano Nós Matámos o Cão Tinhoso!, de Luís Bernardo Honwana, discutindo as falhas das leituras, sobretudo políticas, de que tem sido objeto. Por outro lado, propõe a sua aproximação, sobretudo no primeiro conto, mas também no conjunto da obra, do romance de Harper Lee, To Killa Mockingbird, que Honwana pode ter conhecido na sua versão cinematográfica
Da falha à fala: sobre o conceito de minne como dinâmica amorosa falhada na lírica medieval alemã
A presente reflexão tem como objetivo pensar a ligação entre a falha e o conceito de «minne» patente na tradição lírica medieval alemã («Minnesang»). Nesta tradição, os textos desenvolvem-se à volta de uma dinâmica amorosa na qual as figuras expressam os seus sentimentos, sendo estes constantemente rejeitadosou não concretizados. Neste seguimento, partindo da reflexão crítico-expositiva através de três exemplos de Der von Kürenberg, Dietmar von Aist e Rudolf von Fenis, pretendemos entender, então, a forma que a falha da «minne» adquire nestes textos, assim como os limites do erro nesta lógica amorosa
Erro como virtude: destruição relativa na aquisição do conhecimento e o convívio com a incerteza no ensino formal
Este artigo tem como principal objetivo refletir sobre a importância do erro no âmbito do ensino formal na época contemporânea. Entende-se que errar é uma das componentes essenciais no processo de construção do conhecimento, capaz de impulsionar o aluno a procurar novos métodos para a resolução de problemas. O contexto regular de instituição escolar, de forma geral, está povoado de fronteiras normativas, o que aniquila o espaço canónico do erro. Como professores, sentimos uma necessidade quase primária de avaliar e corrigir o mais ínfimo detalhe do trabalho dos alunos, como se o sentido primário da nossa existência fosse apontar para os seus erros, proclamando que é a forma de ajudar a melhorar, a progredir, sem nos questionarmos sequer sobre a própria existência do mundo ou das palavras que prontamente usamos. Mas será essa a atitude correta e os conceitos «correto» e «errado» absolutos