Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional
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O mapa dos conflitos ambientais em Minas Gerais
Este artigo apresenta o processo da construção do “Mapa dos Conflitos Ambientais em Minas Gerais” e os seus pressupostos teórico-metodológicos. Serão apresentadas as diferenças entre o mapeamento de lutas sociais e a cartografia social, assim como o desenvolvimento da abordagem do “conflito ambiental” durante a elaboração do projeto, com base em exemplos práticos de conflitos sobre hidrelétricas, acesso à água no espaço urbano, a incineração de lixo hospitalar, monoculturas, entre diversos outros. O principal objetivo do projeto era criar um observatório interativo de conflitos ambientais para facilitar a troca de experiências entre grupos sociais que lutam por justiça ambiental e para introduzir os princípios da equidade ambiental nos diversos processos de planejamento
A construção de um território rural sustentável em Santa Catarina
O presente estudo objetivou analisar as principais estratégias adotadas para construção de um processo de desenvolvimento territorial sustentável em um território rural deprimido de Santa Catarina, conhecido como Encostas da Serra Geral. O território em questão é marcado pela presença de pequenos agricultores familiares que se dedicavam, nas décadas de 1980 e 1990, ao cultivo do fumo e à queima da Floresta Atlântica para fabricação de carvão vegetal. Em meados dos anos 1990, um grupo de lideranças passou a formular alternativas, conseguindo implementar atividades inovadoras que mudaram os rumos do território e de parte dos agricultores e agricultoras lá inseridos. O estudo de caso analisou, a partir de uma das organizações protagonistas do processo, empregando a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), as estratégias adotadas e os principais resultados obtidos, no quadro de reversão da situação de depressão territorial. O estudo concluiu que o processo de construção territorial foi permeado por relações de poder e mediações com políticas públicas, ora aproveitando políticas existentes, ora exercendo pressão para a construção de políticas adequadas à realidade local e de outros territórios, marcados pela presença da pequena agricultura familiar
Concentração econômica e desenvolvimento humano no Estado do Maranhão
A concentração econômica em um país, estado ou município tem como uma de suas principais consequências a redução ou quase inexistência de serviços de qualidade nas áreas sociais, o que reflete diretamente no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Maranhão, embora seja um estado com grande potencial econômico, vem, nos últimos anos, colocando-se nas últimas posições no ranking nacional do IDH. Entende-se que em grande medida isso é provocado pela forte concentração econômica no estado. O objetivo deste estudo é identificar e mapear os municípios maranhenses com os maiores e menores PIB (Produto Interno Bruto) e IDH. Para tanto, foram levantados dados sobre PIB e IDH junto a órgãos oficiais que, posteriormente, foram inseridos no Software de cartomática Philcarto, com a classificação Jenks, visando mapear os municípios maranhenses. Os resultados mostram que a economia estadual é altamente concentrada em São Luís, capital do estado, e o IDH do Maranhão é afetado sobremaneira devido, em grande medida, à elevada concentração econômica
Desenvolvimento sustentável e a produção de biocombustíveis: uma alternativa à produção de fumo?
Na perspectiva do desenvolvimento sustentável como processo que visa à melhoria de vida das pessoas e da adesão do Brasil à Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, o presente estudo buscou verificar se a produção de biocombustíveis de primeira geração pode ser uma alternativa aos municípios produtores de fumo no Vale do Rio Pardo, Rio Grande do Sul. Para compreender o vínculo dos agricultores com o cultivo de matérias-primas para bicombustíveis de primeira geração em relação à substituição da produção de fumo e/ou à diversificação da propriedade rural, realizou-se um estudo de caso múltiplo, com entrevistas direcionadas a quatro agricultores que possuíam relação com os Projetos Girassol e Etanol protocolados pela AFUBRA. Os resultados revelam que a produção de biocombustíveis é uma alternativa sustentável no que tange à diversificação da propriedade, mas com considerável redução de ganhos e dificuldades de cultivo em terrenos acidentados. Os incentivos para a produção de biocombustíveis são os benefícios à saúde dos agricultores, a redução de gastos com combustíveis fósseis, a geração de renda aos produtores e a preservação do meio ambiente
Migração de retorno no Estado do Rio Grande do Sul: o caso de Coqueiro Baixo
Este artigo é resultado de uma pesquisa exploratória sobre o fenômeno da migração que levou pessoas a retornarem de grandes centros ou municípios com características industriais para um município rural. A migração de retorno é a denominação que identifica os deslocamentos de volta aos municípios de origem. Assim, o objetivo foi identificar os motivos que levaram à migração de retorno ao município gaúcho de Coqueiro Baixo. Metodologicamente, esta é uma pesquisa exploratória, qualitativa, que se utilizou de fontes bibliográficas e entrevistas para, a partir das informações, efetivar a análise de conteúdo dos aspectos levantados e informações obtidas. Foram entrevistadas dez pessoas que fizeram a migração de retorno ao município de Coqueiro Baixo. A emigração dos entrevistados ocorreu entre os anos de 1995 a 2005, atraídos pelos grandes centros, principalmente, pela oferta de trabalho. Contudo, a partir de 2006 deu-se o movimento de retorno ao município de nascimento, destacando-se como os principais motivos a segurança, a tranquilidade e condições de trabalho (o que os entrevistados classificaram como sendo qualidade de vida). Além disso, havia a possibilidade de investimento em negócio próprio e de cuidar dos pais
Investimentos em infraestrutura econômico-produtiva no Estado de Pernambuco
O presente artigo apresenta a dinâmica do desenvolvimento regional no Estado de Pernambuco. Tem como objetivo mostrar as transformações econômicas nas diversas regiões de desenvolvimento em decorrência do aumento da oferta de infraestrutura econômico-produtiva alicerçada, sobretudo, em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do consequente poder de atração de investidores privados, principalmente, do capital industrial incentivado pelo Programa de Desenvolvimento de Pernambuco (PRODEPE). São abordados os valores desses investimentos em obras geradoras de infraestrutura no território Pernambucano, bem como os resultados em termos de implantação de empresas atraídas por incentivos fiscais ofertados pelo Estado sob uma perspectiva keynesiano-estruturalista. O estudo considera o recorte temporal de 2007 a 2014 e utiliza abordagem qualitativa na avaliação de seus resultados, trazendo como diferencial uma leitura dos riscos dos governos em apostar nesse tipo de investimentos em infraestrutura, o abandono das obras, os desvios de verbas, as quebras de contratos, os danos ambientais entre outras questões com foco na avaliação do risco político
Capital social e desenvolvimento econômico: um estudo bibliométrico
O capital social contribui com o desenvolvimento das comunidades, uma vez que aspectos da cultura interagem com o desenvolvimento econômico. Porém, essa relação entre capital social e desenvolvimento econômico é recente na literatura, sendo reconhecida apenas após a definição de capital social feita por Robert Putnam, em 1995. O desenvolvimento até então considerava apenas variáveis econômicas, não abordando o capital social. O objetivo deste estudo é analisar a produção acadêmica sobre a relação entre capital social e desenvolvimento econômico, os principais autores que tratam o assunto, como evoluíram no tempo e seus desafios. Para tanto, foi desenhada uma pesquisa bibliométrica de caráter exploratório, na base de dados Science Direct. A pesquisa revelou 76 artigos, 16 dos quais foram escolhidos a partir do critério de livre acesso (os demais tinham o acesso restrito ao pagamento monetário). A análise da produção acadêmica revelou que esses temas começaram a ser tratados conjuntamente no ano de 2011, tendo o seu ápice em 2016, o que revela ser um assunto recente. Além disso, evidenciou-se que a maioria dos artigos é constituída de obras estrangeiras, o que pode estar relacionado à restrição de estudos e obras nacionais sobre o tema
Determinantes do empreendedorismo no Rio Grande do Sul: uma análise espacial
O objetivo do presente trabalho foi testar a hipótese de que regiões, no Estado do Rio Grande do Sul, com elevado nível de urbanização, educação formal e renda per capita, tendem a ter um maior grau de empreendedorismo, buscando-se identificar o empreendedorismo espacialmente e diferenciá-lo em “de oportunidade” ou “de necessidade”. Para isto, foi realizada, como metodologia proposta para este trabalho, uma Análise Exploratória de Dados Espaciais (AEDE), utilizando-se o Índice de Moran e indicadores de associação espacial local. A partir da aplicação da metodologia proposta e dos resultados encontrados, teve-se confirmada a hipótese. Assim, pode-se concluir, primeiramente, que o empreendedor local tende a criar novos negócios em função de oportunidades e, depois, que a Serra Gaúcha se apresenta como a região com maior propensão para o empreendedorismo no Estado do Rio Grande do Sul