Análise Psicológica
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    Em torno do pensamento pós-formal

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    Passados 30 anos sobre as mais importantes teorizações do pensamento pós-formal ainda subsistem diversas questões quanto à natureza desse pensamento. O presente artigo tem por objectivos: (1) descrever sucintamente o que se entende por pensamento pós-formal e (2) analisar algumas questões que se colocam em torno da caracterização deste nível de pensamento

    O consumo de tabaco numa instituição universitária: Prevalência e características do fumador

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    O tabagismo tem-se revelado como um grande inimigo da saúde pública e concomitantemente como um dos comportamentos mais difíceis de mudar. Muitos fumadores adquirem uma dependência fisiológica da nicotina associada ao “hábito” o que pode provocar uma síndrome de abstinência difícil de ultrapassar. Os processos neurobiológicos da nicotina têm vindo a ser amplamente estudados e tornando-se parcialmente responsáveis pelas reduzidas taxas de cessação a longo prazo nos estudos publicados. Considerando o passado recente da restrição ao tabagismo em Portugal (2008) e dado que a FPCE-UP foi considerada livre de fumo dois anos antes, foram propostos os seguintes objectivos para este artigo: analisar a prevalência na referida instituição; caracterizar o fumador quanto ao número de cigarros fumados e anos de fumador através da UMA; comparar fumadores que já tiveram períodos de abstinência com outros fumadores que nunca tentaram deixar de fumar quanto ao número de cigarros e anos de fumador; e comparar ex-fumadores com fumadores que já estiveram abstinentes quanto ao tempo de abstinência conseguida e número de tentativas. Partindo da análise de conteúdo de questões abertas foram ainda delineados os seguintes objectivos de natureza qualitativa: identificar as razões que mantêm os ex-fumadores abstinentes; identificar sintomas de abstinência nos fumadores que já estiveram sem fumar; identificar os motivos que levaram os fumadores a tentar deixar de fumar em algum período das suas vidas e, por último, identificar os motivos da recaída. Os questionários foram enviados via Internet à população da instituição (alunos, docentes e funcionários), tendo-se obtido uma amostra total de 289 sujeitos respondentes. Foram encontradas taxas de prevalência de fumador mais elevadas que as referenciadas noutros estudos em Portugal (29,4%), sobretudo no que se reporta, ao género (Masculino: 44,4%; Feminino: 27,3%) e situação (docente: 30%; aluno: 28,6%). A caracterização do fumador revelou o índice da UMA de 6,9. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os fumadores que já deixaram de fumar e os sempre fumadores quanto ao padrão de fumo. Observámos diferenças estatisticamente significativas entre ex-fumadores e fumadores que já deixaram de fumar quanto ao tempo de abstinência conseguida, mas não quanto ao número de tentativas. Constatámos que 88,5% dos ex-fumadores referenciaram sentir-se melhor por ter deixado de fumar, apontando benefícios imediatos na saúde. Um outro dado interessante referido por 50% de respondentes do mesmo grupo foi a sensação de liberdade/auto-controlo sentida por terem deixado de fumar. Entre os fumadores que já tentaram deixar de fumar 74% relataram síndrome de abstinência em mais que uma categoria, sendo as perturbações de humor (81,2%) a principal queixa, seguida de sintomas psicossomáticos (37,5%). As razões apontadas pelos fumadores para terem tentado deixar de fumar foram informação sobre os malefícios do tabaco (60%), seguindo-se os motivos de doença (28%). Entre aos motivos apontados na base da recaída salientam-se os sintomas incómodos que não passaram com o tempo (52%) e, em menor escala, o prazer (24%) e a pressão social (24%). Os resultados foram discutidos à luz das teorias actuais de intervenção na dependência tabágica

    Implicação com o sindicato: O papel das percepções de suporte e de instrumentalidade

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    Este trabalho teve como objectivo estudar a implicação com o sindicato e os possíveis factores de influência nessa implicação. Gordon et al. (1980) definiram implicação com o sindicato como o desejo de continuar membro de um sindicato, de trabalhar para ele e como uma aceitação e crença nos objectivos desse sindicato. Com o presente estudo, foi possível verificar que, para que esta relação de troca entre um membro e um sindicato conduza ao desenvolvimento e à manutenção da implicação com o sindicato, é necessário que este mostre não só que valoriza o membro em questão mas também que está implicado com ele enquanto indivíduo (suporte do sindicato). Por outro lado, a instrumentalidade do sindicato também parece estar positivamente relacionada com a implicação com o sindicato, isto é, os membros percepcionam a capacidade do sindicato em obter os resultados desejados, e é essa percepção que parece levá-los a estarem mais ou menos implicados com o sindicato. Todavia, nem a antiguidade no sindicato, nem a ideologia de troca, parecem moderar estas duas relações: suporte-implicação e instrumentalidade-implicação

    Violência nas relações de namoro entre adolescentes: Avaliação do impacto de um programa de sensibilização e informação em contexto escolar

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    Este estudo pretende avaliar o impacto de uma acção de sensibilização e informação sobre violência nos relacionamentos de namoro, implementada em contexto escolar, e perceber o papel do género no impacto da intervenção. Esta foi uma acção composta por três sessões de 90 minutos, cada uma, conduzidas junto de 578 alunos de 15 escolas do norte de Portugal.Todos os alunos preencheram, antes e após a intervenção, questionários de auto-relato acerca das suas atitudes sobre a violência física, psicológica e sexual nos relacionamentos de namoro e acerca das estratégias de resolução de conflitos por si utilizadas nestes relacionamentos.Os resultados revelaram a eficácia da intervenção ao nível da diminuição das atitudes de legitimação da violência nos relacionamentos, mas não foi possível identificar um impacto significativo da acção nas estratégias de resolução de conflitos utilizadas pelos participantes. Estes dados podem estar associados ao facto de o programa ter uma duração breve e uma orientação mais informativa do que comportamental. A questão do impacto diferencial deste tipo de programas em função do género não apresentou neste estudo  resultados conclusivos

    Auto-conceito e aceitação pelos pares no final do período pré-escolar

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    A importância do estudo do auto-conceito advém do forte impacto que este parece ter no comportamento do indivíduo, regulando as suas acções e modos de interacção com os outros. Na definição deste constructo há que considerar as avaliações que o sujeito faz acerca das suas próprias competências em domínios restritos, como o cognitivo, o social, ou o físico (Harter, 1999). O presente estudo analisa a relação entre a auto-percepção de competências e aceitação no grupo de pares, numa amostra de 40 crianças de idade pré-escolar. Para avaliar a percepção das competências foram utilizadas as Escalas Pictóricas de Percepção da Competência e Aceitação Social (Harter & Pike, 1984; Mata, Monteiro, & Peixoto, 2008), para analisar o grau de aceitação no grupo de pares realizaram-se entrevistas sociométricas. Os resultados indicam que as crianças com valores mais elevados na auto-percepção da aceitação entre os pares são, de facto, as que apresentam valores mais elevados de aceitação sociométrica no seu grupo de pares. Verificou-se igualmente que a auto-percepção da aceitação materna está relacionada com a percepção da competência cognitiva, com a percepção da aceitação pelos pares e, ainda, com a aceitação sociométrica pelos pares. Assim, o contexto relacional importa, enquanto guia do comportamento social da criança, e na emergência do conceito e sentido do self. A família, pares, representações e percepções de si próprio influenciam a relação entre pares em diferentes aspectos, em particular na sua aceitação

    Bullying – A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português

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    O presente estudo pretende caracterizar e diferenciar os jovens provocadores e vítimas nas escolas portuguesas. Numa amostra representativa da população escolar nacional do 6.º, 8.º e 10.º ano de escolaridade (n=6903), analisaram-se os comportamentos de bullying/provocação em contexto escolar, através do questionário «Comportamento e Saúde em Jovens em Idade Escolar» – versão portuguesa do questionáriointer nacional de 1998, da rede Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), apoiada pela Organização Mundial de Saúde.Os resultados são consistentescom os de outros estudos sobre a diferença entre sexos, idades e anos de escolaridade – os rapazes, os mais novos e os de anos de escolaridade mais baixos estão mais envolvidos no bullying. Confirmam-se as características, referidas também na literatura existente, dos provocadores (afastamento em relação à família e à escola, bom relacionamento com os pares, consumo de substâncias e exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão), das vítimas (afastamento em relação à escola, problemas no relacionamento com os pares, exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão) e das vítimas provocativas (afastamento em relação à família e à escola, problemas no relacionamento com os pares e exibição de sintomas físicos e psicológicos e depressão).Apresentam-se os determinantes para os comportamentos de provocação (sexo, idade, violência fora da escola, atitude face à escola, sintomas físicos e psicológicos, consumo de tabaco e álcool e nível socio-económico) e de vitimação (sexo, idade, violência fora da escola, relação com os pares, depressão e sintomas físicos e psicológicos, relação com os pais, atitude face à escola e nível socio-económico)

    Interacções sociais e comunicativas entre uma criança com perturbação doespectro do autismo e os seus pares sem necessidades educativas especiais:Estudo de caso

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    Neste estudo observámos as interacções sociais e comunicativas, numa sala de jardim-de-infância, entre uma criança com PEA e os seus pares sem NEE, em dois momentos (actividade lúdica entre a criança com PEA e dois pares sem NEE, na presença de um adulto e depois sem a presença do adulto). O estudo tem como objectivos: analisar o papel do adulto e a forma como decorrem as interacções e identificar comportamentos sociais e comunicativos presentes. No final do estudo verificámos que a criança com PEA tomou um papel passivo e, os seus pares, raramente deram seguimento aos comentários que fez durante as interacções. As interacções foram básicas e pouco recíprocas. Na presença do adulto, a criança com PEA utilizou uma maior variedade de comportamentos sociais e comunicativos. Estes aspectos alertam para a necessidade e importância de treino específico dos pares sem NEE das crianças com PEA, de forma a maximizar as oportunidades sociais e comunicativas na sala de jardim-de-infância

    O ‘problema da droga’: Sua construção, desconstrução e reconstrução

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    Representações negativas sobre a utilização de substâncias psicoactivas predominam desde há muito, em grande medida, pelo facto de esta prática continuar a ser analisada a partir de uma perspectiva problemática. Manifestações alternativas persistem, portanto, votadas a uma relativa ignorância, continuando a evitar-se o debate acerca das suas dimensões hedonísticas e dos padrões de consumo que são eficazmente conciliados com a vida convencional. Nos últimos anos tem-se assistido, todavia, a um aumento dos trabalhos académicos (sobretudo antropológicos e sociológicos) centrados em experiências que não se enquadram em padrões ‘problemáticos’ e que promovem um entendimento mais adequado sobre esta prática e os seus protagonistas. Tais trabalhos têm mostrado que, tal como foi construído como um problema, este fenómeno pode ser desconstruído e reconstruído em moldes alternativos, desafiando, assim, os discursos dominantes. É a este exercício de construção e desconstrução do ‘problema da droga’, assim como de reconstrução do fenómeno em moldes alternativos, que dedicamos o presente artig

    Os motivos de sucesso, afiliação e poder – Desenvolvimento e validação de um instrumento de medida

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    Este artigo expõe o modo como foi desenvolvido e validado um instrumento de medida dos três motivos mais profusamente estudados por McClelland e seus colaboradores: sucesso, afiliação e poder. O estudo envolveu várias fases: a) foram recolhidos itens na literatura; b) elaborou-se um questionário contendo 58 escalas tipo Likert, de 7 pontos; c) este questionário foi aplicado a uma amostra composta por 243 indivíduos; d) por intermédio da análise factorial das componentes principais, procedeu-se a uma «depuração», donde resultou um questionário composto por 27 itens.Obteve-se uma estrutura factorial de três dimensões correspondentes aos três motivos mencionados. Os coeficientes Alfa de Cronbach cifram-se em valores superiores ao mínimo sugerido por Nunnally (1978). O instrumento emergente denota boas propriedades psicométricas, embora sejam necessários estudos adicionais de validação, designadamente recorrendo a análises factoriais confirmatórias, comparando perfis motivacionais de pessoas com diferentes opções profissionais, e estudando o poder explicativo dos motivos para o desempenho académico dos estudantes em diferentes níveis de dificuldade/desafio

    Percepção dos adolescentes acerca da influência dos pais e pares nos seus comportamentos sexuais

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    O presente estudo teve como objectivo compreender as percepções dos adolescentes acerca da influência parental e dos pares nos seus comportamentos sexuais. Neste estudo foi utilizada a metodologia “grupo focal” a uma amostra constituída por 72 adolescentes de escolas públicas do ensino regular de Portugal Continental. Os temas dos “grupos focais” foram discutidos em termos dos factores protectores e de risco para os comportamentos sexuais. Os discursos dos adolescentes identificaram vários factores familiares, como o estatuto socio-económico, a qualidade da relação familiar, a comunicação entre pais e filhos, os estilos parentais, a supervisão parental; e factores relacionados com os pares, como a comunicação, as normas e a pressão dos pares como influenciando as atitudes e comportamentos sexuais protectores ou de risco para a saúde dos jovens. Os resultados deste estudo são consistentes com a literatura que reconhece a influência dos pais e pares nos comportamentos sexuais dos adolescentes. Dão, assim, suporte ao desenvolvimento e implementação de programas eficazes de Promoção de Saúde Sexual nos adolescentes que incluam a abordagem à família de forma a robustecer as suas competências e diminuir o impacto dos factores de risco relacionados com os pares

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