Análise Psicológica
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Papel do auto-conceito de competência cognitiva e da auto-aprendizagem no contexto sócio-laboral
Este trabalho tem como objectivos investigar a competência de auto-aprendizagem no contexto sócio-laboral, questionando a sua relação com a Educação e Formação Profissional de Adultos e relacionando-a com variáveis afins, nomeadamente com o auto-conceito de competência cognitiva, enquanto suporte do desenvolvimento da autonomia e da responsabilidadede cada um face à aprendizagem. Para cumprir tais objectivos, desenvolveu-se um estudo empírico no contexto de uma Empresa do Norte de Portugal, com uma amostra de 503 trabalhadores, com características diversificadas.Os resultados de estudos correlacionais permitem afirmar que subjacente a uma melhor competência de auto-aprendizagem, está um auto-conceito de competência cognitiva mais positivo, facilitador da aprendizagem activa. Os resultados dos estudos diferenciais confirmam duas das hipóteses de trabalho, que previam manifestações diferenciadas no auto-conceito de competência cognitiva e na auto-aprendizagem, em função de variáveis individuais, organizacionais e sócio-organizacionais, sendo discutidas à luz de uma nova concepção da formação mais orientada para aaprendizagem e mais centrada na promoção da autonomia, responsabilidade e eficácia do adulto-aprendiz
Investigação em psicoterapia: Contexto, questões e controvérsias Possíveis contributos da perspectiva fenomenológico existencial
Realiza-se uma síntese dos dados mais recentes da investigação em psicoterapia incluindo do quadro existencial. São abordadas algumas controvérsias presentes na comunidade psicoterapêutica que conduz a um hiato entre terapeutas e investigadores. Sugere-se a importância do paradigma “change process research” para o desenvolvimento de investigação que permita melhor informar sobre os processos que promovem a mudança terapêutica e informar os diferentes agentes envolvidos: pacientes, terapeutas, supervisores, responsáveis de serviços de saúde mental. Salienta-se a necessidade e incrementar maior número de programas de investigação psicoterapêutica em Portugal
Sobre a avaliação: O comportamento subjacente à «norma de referência»
O presente trabalho teve como propósito o estudo do comportamento avaliativo subjacente às normas de referência. Rheinberg (1983), referiu que na actividade avaliativa existem duas normas de referência, uma social e outra individual, que teoricamente se opõem. Na sequência dos trabalhos empíricos de Rheinberg (1980, 1983) e Forzi (1994), analisou-se o método de categorização do comportamento de avaliação no «Little Evaluation Test», dos professores e futuros professores, procedendo-se à operacionalização da «norma de referência» e, em consequência, à definição de três categorias: norma social, individual e socio-individual
Reacções à injustiça no trabalho: Impacto da crença no mundo justo, da justiça procedimental e da justiça distributiva
As pesquisas anteriores apontam a crença pessoal no mundo justo (CMJ) como um recurso que ajuda as pessoas a assimilarem as injustiças da sua vida e portanto, a reagirem menos negativamente face a estas. O presente estudo examinou o impacto da crença pessoal no mundo justo na relação entre a (in) justiça procedimental e distributiva e as reacções a acontecimentos problemáticos no contexto de trabalho. Concretamente, pretendeu-se avaliar se a CMJ moderava essa relação. Foi aplicado um questionário a 84 professores de vários níveis de ensino, com idades entre os 24 e os 56 anos em que se lhes pedia que se imaginassem numa situação de (in)justiça procedimental e distributiva. No geral, os resultados mostraram que perante a injustiça procedimental os participantes que têm alta CMJ reagem mais positivamente (com mais paciência) comparativamente com os que têm baixa CMJ. Contudo, os participantes com CMJ alta reagiram à injustiça procedimental mais negativamente (negligência e voz agressiva) comparativamente com aqueles que tinham baixa CMJ. As implicações teóricas e práticas desta pesquisa são discutidas
O envolvimento paterno de crianças a frequentar o jardim-de-infância
A presente investigação teve como objectivo analisar se a participação do pai, relativamente à da mãe, varia consoante o tipo de actividade analisada, nomeadamente os Cuidados Directos e Indirectos; Ensino/Disciplina; Brincadeira; e Lazer no Exterior. 338 famílias bi-parentais, a viver na região de Lisboa, participaram no estudo. As características individuais dos pais (idade e habilitações literárias), da criança (idade, género, se é primogénito, existência de irmãos), e variáveis de contexto/suporte social (número de horas que os pais passam no emprego, número de horas que as crianças passam no Jardim de Infância e idade em que a criança começou a frequentar o estabelecimento de ensino), foram analisadas como possíveis factores explicativos do nível e tipo de envolvimento do pai. O estudo procurou ainda verificar a possibilidade de existência de diferentes grupos de envolvimento. Os resultados apontam no sentido de um envolvimento paterno que flutua de acordo com a actividade em causa, sendo que a participação paterna tende a diminuir nos domínios dos Cuidados, onde as mães assumem maior responsabilidade, e a aumentar nos restantes, onde se regista um envolvimento partilhado. Existem associações entre o envolvimento paterno e o número de horas que a mãe despende no emprego, as habilitações literárias maternas e a idade da criança. Dado que o aumento destas tende a potenciar a participação paterna. Com base em Análises de Clusters obtiveram-se 3 tipos de grupos consoante o tipo e nível de envolvimento: o Activo, o Intermédio e o Tradicional Analisou-se ainda a concordância parental tendo em conta os três grupos referidos ao nível do envolvimento, discutindo-se as possíveis consequências no funcionamento do sistema familiar
A análise factorial de correspondências na investigação em psicologia: Uma aplicação ao estudo das representações sociais do suicídio adolescente
Apresentamos a Análise Factorial de Correspondências (AFC), uma técnica de análise de dados qualitativos com grande adequabilidade e aplicação no estudo de diferentes objectos, situações e fenómenos, nos mais diversos domínios da psicologia, em particular, no vasto campo das representações sociais. A AFC é um método de estatística descritiva multivariada que evidencia as afinidades entre as linhas e colunas de uma matriz de dados, e baseia-se na hipótese da independência entre as linhas e as colunas dessa mesma tabela (e.g. Doise, Clémence & Lorenzi-Cioldi, 1992; Lorenzi-Cioldi, 1983). Definimos a AFC no âmbito das análises factoriais, em geral, caracterizamo-la nos seus aspectos essenciais, de utilização e interpretação, e comparamo-la com outros métodos de análise de dados qualitativos. Exemplificamos a aplicabilidade desta técnica de análise de dados recorrendo a alguns resultados parciais de um estudo, em que os dados foram tratados e interpretados a partir de AFCs, à luz da teoria das representações sociais. Este estudo integra uma vasta investigação empírica, desenvolvida no âmbito de um trabalho de doutoramento em psicologia social, centrado nas representações sociais da morte, do suicídio e da música na adolescência (cf. Oliveira, 2004, 2007)
Adaptação Portuguesa do Physical Self- Perception Profile for Children and Youth e do Perceived Importance Profile for Children and Youth
O estudo teve como objectivo principal adaptar para Portugal o Physical Self-Perception Profile for Children and Youth – PSPP-CY e o Perception Importance Profile for Children and Youth – PIP-CY (Whitehead, 1995). A versão portuguesa dos instrumentos (Perfil de Auto-Percepção Corporal para Crianças e Jovens PAPC-CJ) e Perfil de Importância Percebida para Crianças e Jovens – PIP-CJ) foi aplicada junto de uma amostra de 625 alunos (raparigas, n = 315; rapazes, n = 310), com idades compreendidas entre os 11 e os 19 anos (M = 14.38 e DP = 1.46), pertencentes a escolas do Algarve. A consistência interna e validade do PAPC-CJ foram testadas de forma satisfatória, replicando de forma consistente a estrutura original apresentada por Whitehead (1995). A análise efectuada reproduziu a estrutura hierárquica do modelo proposto por Fox (1990) e Fox e Corbin (1989). O instrumento indicia ser válido para medir as auto-percepções corporais dos jovens portugueses. No PIP-CJ, ao contrário do sexo feminino, os dados obtidos para o sexo masculino não mostraram uma estrutura factorial diferenciada, pelo que o instrumento permanece algo enigmático, tal como referido por Whitehead (1995). Futura investigação é necessária para confirmar os resultados aqui apresentados e mais trabalho deverá ser realizado com outros grupos no sentido de: estender- se a validade do PAPC-CJ a outras populações portuguesas; e clarificar-se o papel das percepções de importância percebida, sobretudo entre os rapazes adolescentes
Ser pai: Transformações intergeracionais na paternidade
O estudo psicológico da paternidade e dos seus impactos em pais e filhos ganhou uma incidência internacional crescente desde os anos setenta. A concepção de mudança associada à forma de concretizar a paternidade nas últimas gerações tem sido polémica, com estudos demonstrando mudanças nalgumas das dimensões da relação pai-filhos, e outros indiciando que os novos formatos de família, muito em particular a separação e divórcio, e o excesso de horas laborais, vieram afastar o pai – mais do que aproximar – da educação dos filhos.Perante a ausência, em Portugal, de investigações neste domínio, o estudo aqui apresentado, realizado com uma amostra de pais, avós e filhos, foi avaliar a eventual transformação das percepções subjectivas relativas ao papel do pai no decurso de três gerações. As conclusões vão no sentido de estarmos perante um conjunto de percepções que apontam para a concepção de um pai renovado, indiciando uma base estrutural cognitiva que venha a poder ser suporte de novas expectativas e práticas na relação do pai com a prole
A filosofia existencial de Karl Jaspers
O estatuto da filosofia é o de Filosofia da Existência (Existenzphilosophie). É, por isso, imprescindível manter numa abertura constante e em permanente tensão os seus dois extremos: a Razão e a sua universalidade, e a Existência e a sua singularidade incomunicável. Quanto ao espaço da filosofia, ele é o da verdade mais universal, do acolhimento mais amplo e da decisão mais ousada, no sentido de tudo compreender e transcender, ou tudo compreender transcendendo.Por último, o sentido da filosofia é o de servir de base à vida. Revela-se a todo e a cada homem que nasceu para o descobrir e para se decidir livremente a procurá-lo com um coração puro e consciente de que esta é a única forma de o poder encontrar, uma vez que ele não é constringente nem pode, ao contrário da verdade, seruniversal. Fiel à Existência e ao seu pensamento, Karl Jaspers nunca aceitou a denominação de «existencialista» porque nunca defendeu um «existencialismo», o que equivaleria a reduzir tudo à existência, transformando-a num valor absoluto e aniquilando desse modo o seu sentido.A Existência não é absoluta, é a Existência possível. Uma superação constante de si mesma feita de luta, fracasso e fé filosófica. A Existência não é um valor nem um conceito. É liberdade, comunicação, historicidade: o compromisso fundamental do eu-consigo-mesmo,-com-o(s)-outro(s)--e-com-o-mundo. O pensamento, por seu lado, só tem sentido na fidelidade autêntica a essa Existência que é, no seu âmago, cifra da Transcendência. O valor dessa fidelidade concentra-se na decisão constante pela escolha, apesar do fracasso e da culpa. Uma fidelidade que se prolonga até à morte, onde se esgotam as possibilidades do Dasein.No seu conjunto, a obra de Karl Jaspers dá-nos, pela sua autenticidade e pela sua humanidade, uma chave hermenêutica para as várias oscilações do ser-no--mundo enquanto projecto existencial. Dá-nos, acima de tudo, um caminho para a mudança de atitude capaz de converter a derrota em vitória e de transformar a insuficiência e a decepção em élan e em certeza existencial, de transformar a morte em vida
Raciocínio ecológico-moral: Um estudo desenvolvimentista numa amostra de sujeitos de Lisboa
Os problemas do ambiente não podem mais ser ignorados. Neste artigo, são apresentados alguns resultados de uma investigação realizada numa amostra de sujeitos de Lisboa (Kahn & Lourenço, 2000). Nessa pesquisa, foram explorados alguns aspectos da nossa compreensão da ontogénese da relação humana com a natureza. Cento e vinte participantes igualmente divididos por quatro níveis de escolaridade (5.º ano, 8.º ano, 11.º ano e 1.º ano da Universidade) foram confrontados primeiro com problemas ambientais apelando para os quatro elementos fundamentais da natureza (i.e., terra, água, ar e fogo) e indagados depois sobre a importância que eles concediam a tais problemas e a sua possível conceptualização em termos ecológico-morais.Os resultados sugerem que (1) os problemas do ambiente preocupam as pessoas desde bastante cedo, um dado consistente com a hipótese da biofilia defendida por E. Wilson (1984) de que existe uma propensão biológica para nos afiliarmos com a natureza; (2) esta hipótese sai enriquecida quando inserida numa perspectiva teórica mais global que tem em conta a biologia, a cultura e o desenvolvimento; (3) tais preocupações vêm alargar o domínio tradicional da moralidade, um domínio onde cada vez faz mais sentido integrar também a área do raciocínio ecológico-moral; (4) esta nova área de pesquisa pode ajudar a esclarecer questões importantes e controvertidas no domínio do desenvolvimento moral (e.g., o debate da justiça vs. cuidado); e (5) qualquer programa de educação ambiental só tem a ganhar se tomar em conta os dados que emergem da pesquisa sobre a nossa compreensão da ontogénese da relação humana com a natureza