Análise Psicológica
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    Ser adolescente e ser mãe: Investigação da gravidez adolescente em adolescentes brasileiras e portuguesas

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    O presente artigo teve como objectivo investigar qualitativamente as características associadas à gravidez durante a adolescência num grupo de adolescentes brasileiras (n=4) e portuguesas (n=4).Recorreu-se ao estudo de casos múltiplos (N=8) em que se utilizou uma entrevista semi-estruturada. A entrevista teve por objectivo investigar várias dimensões de vida da adolescente. No presente artigo foram seleccionadas as seguintes variáveis: contexto em que surgiu a gravidez, relação com o companheiro, vida actual, relação com a escola, perspectiva de planos futuros. As entrevistas foram submetidas a uma análise de conteúdo com acordo inter-juízes. A análise das respostas revelou que o aparecimento da gravidez, nas adolescentes entrevistadas, tende a associar-se ao contexto social de desenvolvimento, marcado pelo abandono escolar e falta de perspectivas para o futuro. Relativamente à gravidez verificou-se que ocorre, predominantemente, em relações consideradas estáveis. Foram relatadas tentativas de mudança de vida decorrentes da gravidez, como o desejo de voltar a estudar, por exemplo. Não foram registadas diferenças nas falas das participantes dos dois países investigados. A fragilidade do contexto de desenvolvimento, marcado pelo insucesso escolar e pela falta de perspectivas de futuro, foi identificada como um elemento transcultural. A identificação das características psicossociais das adolescentes que engravidam foi considerada importante, permitindo o aprimoramento de programas de prevenção junto ao grupo de adolescentes

    A força do pensamento deôntico: O vitimizador feliz na atribuição de emoções na criança

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    Este artigo tem dois objectivos centrais. Primeiro, analisar as emoções positivas e negativas que as crianças atribuem a transgressores de normas morais em duas condições distintas (i.e., factual e descritiva; deôntica e prescritiva). Segundo, relacionar estas emoções com uma medida de comportamento pró-socialdas crianças numa situação de altruísmo. Cinquenta e quatro crianças de dois níveis etários (i.e., 5-6 anos; 8-9 anos) foram (a) confrontadas com três exemplos de transgressões morais; (b) solicitadas a atribuir emoções positivas ou negativas ao transgressor em ambas as condições; e (c) colocadas depois numa situação onde podiam doar algumas das guloseimas recebidas pela sua participação na investigação.Os resultados mostram que (1) o número de vitimizadores felizes (i.e., crianças que pensam que o vitimizador se sentiubem depois de ter cometido a transgressão) foi muito menor na condição deôntica que na factual; (2) esta diferença foi mais acentuada nas crianças mais velhas que nas mais jovens; e (3) não houve qualquer relação significativa entre o tipo de emoções atribuídas pelas crianças e o seu comportamento altruísta na situação de dádiva anónima. São ainda discutidas as implicações destes resultados para uma melhor compreensão das emoções morais na criança, de dados contraditórios neste tema de pesquisa e de teses relativamente opostas de teorias actuais de desenvolvimento moral no que à competência moral da criança diz respeito

    A regulação da activação de diferentes modos de processamento da informação: O papel do «sentimento de familiaridade»

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    Uma análise descritiva e crítica dos modelos dualistas, que correntemente têm sido desenvolvidos nos campos de estudo da psicologia cognitiva e cognição social, sugere que a maioria destes modelos ignora a questão de regulação da activação/desactivação dos diferentes modos de processamento da informação. Após a discussão da necessidade deste pressuposto relativamente ao postular de um processo de selecção natural, com base no grau de motivação e capacidade do sistema cognitivo, sugerimos que o sentimento de familiaridade pode funcionar como mecanismo de regulação do processamento (FARM)

    Psicoterapia existencial: Esboço de uma problematização

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    O autor propõe um esboço de problematização das terapias existenciais, reflectindo sobre os seus fundamentos gnosiológicos e ontológicos

    Flutuações e diferenças de género no desenvolvimento da orientação sexual: Perspectivas teóricas

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    Neste trabalho pretendemos realizar uma revisão teórica das principais investigações sobre transições e flutuações na orientação sexual, dando especial relevo aos estudos de Lisa Diamond sobre as transições na identidade, comportamentos e atracções. Apresentamos ainda os resultados mais relevantes relativamente às diferenças de género na orientação sexual, que atribuem maior importância a estas diferenças do que propriamente às categorias de identidade sexual decorrentes da orientação sexual

    Funcionamento sexual e ciclo-de-vida em mulheres portuguesas

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    O objectivo da presente investigação foi a avaliação do funcionamento sexual, da satisfação sexual, dos comportamentos sexuais em mulheres portuguesas numa perspectiva de ciclo-de-vida recorrendo-se ao Índice de Funcionamento Sexual Feminino (FSFI; Rosen et al., 2000) e ao Índice de Satisfação Sexual (ISS; Hudson, Harrison, & Crosscup, 1981). Utilizou-se uma amostra de conveniência recrutada da população geral com N=152 (leque etário=26-70 anos; M=41 anos), subdividida em três grupos etários: o Grupo 1 ficou com n=66 (leque etário=26-35 anos; M=29 anos), o Grupo 2 ficou com n=44 (leque etário=40-49 anos; M=43 anos), e o Grupo 3 ficou com n=42 (leque etário=54-70 anos; M=58 anos). Os comportamentos sexuais na sua generalidade revelaram um declínio abrupto no grupo das mulheres mais velhas (grupo 3), enquanto que o declínio progressivo ao longo dos três grupos etários só se verificou para o Sexo vaginal; a Masturbação sozinha, por sua vez, aumentou na meia-idade (grupo 2). O funcionamento sexual revelou na sua generalidade um declínio abrupto no grupo das mulheres mais velhas (grupo 3), enquanto que um declínio progressivo só se verificou para a dimensão mista Desejo Excitação; a satisfação sexual evidenciou declinar progressivamente

    Discursos sociais sobre a violência de Estado: Um estudo qualitativo

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    Assistimos, na actualidade, a uma crescente preocupação com o papel das políticas de acção dos governos na perpetuação de ciclos de violência. No entanto, a violência de Estado (da guerra à tortura, ou à violência policial) foi, até recentemente, um tema negligenciado pela comunidade criminológica(Aas, 2007; Young, 2007). O presente estudo visa conhecer a real extensão da tolerância e legitimação da violência de Estado por parte dos cidadãos comuns. Apesar de este texto se focar apenas nos dados portugueses, este é um projecto que está a ser conduzido em quarenta e três países de todo o mundo através do Group on International Perspectives on Governmental Aggression and Peace (GIPGAP).Com o intuito de contribuir para o conhecimento dos processos de legitimação da violência de Estado por parte de cidadãos portugueses, procedeu-se a uma análise comparativa do posicionamento de 600participantes face a diferentes tipos de violência de Estado. Partindo da identificação dos argumentos utilizados pelos participantes para legitimar ou rejeitar cada tipo de violência, procurou-se depois perceber em que medida estes posicionamentos se diferenciam em função do grau de normatividade do acto (percebido como legal ou ilegal), da sua natureza (por exemplo: agressão ou morte) e do alvo do mesmo (por exemplo: civis ou prisioneiros de guerra)

    Modelo Multidimensional de Ajustamento de jovens ao contexto Universitário (MMAU): Estudo com estudantes de ciências e tecnologias versus ciências sociais e humanas

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    Apresenta-se um modelo para descrever o ajustamento dos estudantes portugueses à Universidade. Testámos o Modelo Multidimensional de Ajustamento de jovens ao contexto Universitário (MMAU) numa amostra de 560 estudantes a frequentar pela primeira vez o primeiro ano de cursos de ciências e tecnologias (C&T; n = 259) e de ciências sociais e humanas (CS&H; n = 301). Apesar das expectativas de envolvimento académico à entrada da Universidade constituírem um preditor efectivo dos comportamentos de envolvimento na vida universitária, e da qualidade do ambiente de aprendizagem afectar os níveis de envolvimento, bem-estar e satisfação, os resultados confirmaram a plausibilidade do modelo para ambos os grupos e revelaram que essas relações não foram suficientemente fortes para influenciar o rendimento académico e o desenvolvimento psicossocial dos estudantes. O rendimento foi predito pela nota de candidatura e o desenvolvimento psicossocial pelo nível de autonomia à entrada da Universidade. Contrastando os resultados nos grupos, a autonomia emocional e instrumental no início da vida universitária e o envolvimento na vida académica tiveram um impacto diferencial no bem-estar obtido, respectivamente para os estudantes de C&T e de CS&H. As características pré-universitárias dos estudantes revelaram-se importantes para a configuração dos seus processos de adaptação ao contexto universitário, mostrando algumas especificidades, nesse processo, quando se consideram as áreas de cursos frequentadas

    Vivências e percepções do estágio pedagógico: Contributos para a compreensão da vertente fenomenológica do “Tornar-se professor”

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    Correspondendo o estágio pedagógico ao último ano do curso de formação inicial de professores, e ao momento em que os candidatos a professores se estreiam na profissão, são múltiplos os desafios e tarefas desenvolvimentais associados a esta etapa. Deste, decorre um conjunto de cognições e afectos cuja diversidade, riqueza e intensidade, fazem do estágio um momento marcante do percurso destes jovens, com um significativo impacto no seu processo de capacitação e integração pessoal e profissional no mundo da docência e no mundo adulto. No presente trabalho é explorada a dimensão fenomenológica deste “Tornar-se professor”, dando-se a conhecer as vivências e percepções de um grupo de 229 professores-estagiários da Universidade do Minho relativamente a algumas das dimensões mais importantes da sua experiência de estágio. O estudo confronta, no início e no final do estágio, o repertório experiencial destes sujeitos, tomando as variáveis área do curso (Ciências vs. Letras e Humanidades) e sexo. As análises dão, também, particular destaque aos ganhos percebidos pelos sujeitos como decorrendo do seu primeiro ano de contacto com a docência. Verificou-se a influência destas duas variáveis sobre algumas das dimensões avaliadas, e a presença de percepções muito satisfatórias relativamente aos ganhos decorrentes da experiência de estágio, afectando várias esferas do desenvolvimento destes candidatos a professores

    O coming out de gays e lésbicas e as relações familiares

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    Escrever sobre gays e lésbicas no contexto da psicologia e da psiquiatria portuguesas parece ser ainda pouco frequente. Contudo, escrever sobre gays e lésbicas e família parece ser ainda mais raro, sobretudo se mergulharmos no campo da terapia familiar. Enquanto terapeutas familiares, preocupa-nos esta separação artificial entre o estudo da população gay e lésbica e o estudo da família, uma vez que a sua raiz parece assentar em estereótipos provenientes da cultura popular e académica de que os gays e lésbicas são pessoas desligadas das suas famílias de origem, pouco envolvidas na construção de um projecto conjugal ou familiar, ou mesmo anti-família. Assim, decidimos estudar o tema do coming out e das relações familiares, esperando que a reflexão sobre este tema traga algum contributo, aos níveis teórico e da prática clínica, para os terapeutas portugueses, em geral, e para os terapeutas familiares, em particular

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