Análise Psicológica
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Intervenção na formação geral de condução: Carro, para que te quero?
A intervenção da Prevenção Rodoviária Portuguesa na Formação Geral de Condução procura promover sessões de reflexão sobre o lugar dos factores de ordem psicológica e social na condução. Convida ao estabelecimento de uma dinâmica de grupo que permita a expressão das representações, atitudes e expectativas face ao risco e à segurança, sem carácter avaliativo. Apresenta como principais objectivos a descoberta e interiorização dos recursos e estratégias pessoais utilizados para lidar com as situações de perigo externo e interno, envolvido na circulação rodoviária
Contribuição para o estudo da versão portuguesa da Positive and Negative Affect Schedule (PANAS): I – Abordagem teórica ao conceito de afecto
O estudo do afecto e dos seus determinantes reveste-se de grande importância para os vários domínios da Psicologia. O estudo do afecto tem sido partilhado por vários campos da Psicologia e através de múltiplas perspectivas. Estas são algumas das razões pelas quais o conceito de afecto se tornou um constructo multifacetado, alvo de múltiplas definições e muitas vezes difícil de integrar. O presente artigo procura clarificar o conceito de afecto, baseando-se nos trabalhos que desenvolveram uma integração das várias facetas do conceito. Esta integração foi conseguida pela identificação e articulação dos vários níveis de análise do constructo: o afecto estado (emoções); o humor (ansiedade e depressão); e o afecto traço (personalidade). O artigo expõe os vários modelos do afecto e as discussões: bidimensionalidade versus multidimensionalidade do conceito afecto; e ortogonalidade (independência) versos bipolaridade (correlação inversa) entre o afecto negativo e o afecto positivo. A discussão sobre a estrutura e dimensionalidade do afecto mantém-se em aberto, no entanto, vários estudos recentes apontam algumas causas possíveis para a divergência nos resultados científicos
Arriscar morrer para sobreviver: Olhar sobre o suicídio adolescente
No quadro de uma investigação empírica sobre as representações sociais da música, da morte e do suicídio na adolescência, apresentamos neste artigo alguns resultados de perguntas comuns a dois estudos diferentes, com adolescentes da cidade de Lisboa. Destacamos, na análise de resultados, os efeitos das variáveis sexo e grupo etário na ideação de suicídio, ideação demorte, comportamentos de risco, comportamentos de auto-mutilação e nas tentativas de suicídio.Uma vez que se trata de uma análise fundamentalmente descritiva, abordamos nos nossos comentários finais possíveis implicações para estes dados no domínio da prevenção das condutas suicidas e apontamos para linhas de pesquisa que pretendemos desenvolver para uma mais ampla compreensão do complexo fenómeno do suicídio na adolescência
The great importance of the distinction between declarative and procedural knowledge
So far as we know, apparently the declarative knowledge interacts and combines with the procedura lknowledge. But seen from a cognitively psychological point of view, it seems important, as this paper claims, to make a distinction between these two aspects of knowledge. The implication of this distinction for teachers or educators lies in that it helps make clear what human beings are endowed with, how differently they function, and how to adapt human beings more adequately to what are offered with, in an attempt to help students optimize or maximize their learning results.According to the points suggested by this paper, being able to distinguish between the two types of knowledge can enhance teacher’s awareness of the teaching methods to be adopted, bring into full playmore positive factors of each of the two types of knowledge, and may reveal some more human potential resources to be tapped
Um viver feminino no interior rural português: Descrição analítica do tecer de uma história individual
No contexto de uma visão integradora da personalidade, a identidade surge como necessidade, procura e construção individual do sentido num tempo. É na cultura e na apropriação criativa dos guiões por ela transportados que o indivíduo se reconhece e unifica. Inerente a este esforço de coesão identitária, tapeçaria onde aspectos desavindos do self alcançam novas coerências, encontra-se a noção de história pessoal. É na permanente elaboração narrativa que o sujeito reconstrói o passado, percebe o presente e se projecta no futuro. As histórias de vida (HV) emergem assim como mostruário exemplar deste processo, método que, pelas suas qualidades, permite o acesso ao tecer subjectivo de um vivido que é também portador de uma cultura. A participante, habitante de um interior rural português empobrecido, envelhecido e desertificado, surge como uma das últimas testemunhas de um sistema cultural em que a força e preponderância dos guiões tradicionais assegura a priori a integração identitária. No presente estudo, a recolha e análise da sua HV permite-nos revelar a influência marcante do setting ideológico católico na maneira como teceu a sua narrativa da identidade
Aconselhamento psicológico a jovens do Ensino Superior: Uma abordagem psicodinâmica e desenvolvimentista
Neste artigo propomo-nos explanar um modelo teórico do desenvolvimento psicológico, que consideramos permitir compreender a maioria das dificuldades que os jovens do Ensino Superior trazem para o aconselhamento, e um modelo de intervenção no aconselhamento individual dele resultante. O modelo teórico surgiu ele próprio de um vaivém dialéctico entre a prática clínica e a reflexão sobre essa prática, à luz dos modelos do desenvolvimento de vários autores psicodinâmicos. Reflexão que nos permitiu encontrar comunalidades e complementaridades entre esses modelos, apesar da utilização de terminologias diferentes pelos seus autores. O modelo teórico elaborado serviu de quadro de leitura a uma investigação empírica que permitiu consubstanciar a sua pertinência. A partir deste modelo propõe-se um modelo de intervenção que se inscreve num quadro de terapia breve psicodinâmica, o qual será explanado resumidamente e ilustrado com um caso clínico. São discutidas as vantagens e os limites deste modelo de intervenção
Qualidade da experiência subjectiva no quotidiano escolar de adolescentes: Implicações desenvolvimentais e educacionais
Nos últimos anos tem existido um crescente interesse por parte da comunidade científica pelo estudo da qualidade da experiência subjectiva do adolescente nos seus contextos de vida diários. De entre estes, destaca-se o contexto escolar, pela relevância que assume na construção da trajectória de vida do adolescente. O presente artigo tem como objectivo fazer uma revisão da investigação que tem sido desenvolvida no âmbito do estudo da qualidade da experiência subjectiva no contexto escolar, tendo como referencial teórico o Experience Fluctuation Model. Centrando-se, em particular, no conceito de experiência óptima, é discutido o seu impacto na qualidade da experiência escolar assim como na criação de oportunidades de aprendizagem óptima e no desenvolvimento de trajectórias educacionais positivas e gratificantes. Por fim, salientam-se os contributos desta perspectiva para a investigação e intervenção no contexto educativo
Investigações interculturais de cariz piagetiano
No presente artigo apresentamos uma revisão crítica da literatura sobre as investigações interculturais inspiradas no modelo piagetiano do desenvolvimento cognitivo. Pretendemos sintetizar as respostas hoje tidas como mais consensuais acerca da forma como as variáveis culturais influem na construção das estruturas operatórias, ou (para outros) na sua «mobilização»
Aumentar a resiliência das crianças vítimas de violência
A violência é um fenómeno social cada vez mais generalizado num número cada vez maior de crianças, cada vez mais jovens. O impacto directo do traumatismo, a sua influência sobre o desenvolvimento psicoafectivo da criança e as estratégias de adaptação utilizadas são áreas nas quais se fazem sentir as consequências dos traumatismos. A resiliência é descrita como sendo um factor muito importante que determina a forma como a criança e a família reagem ao traumatismo. A autora analisa de uma forma mais sistemática os maus-tratos que se exercem sobre as crianças pequenas, no seio da família.Baseada na experiência clínica da Unidade da Primeira Infância, descreve alguns aspectos clínicos que vão desde as dificuldades do diagnóstico destas situações, até à sua transmissão transgeracional e finalmente as intervenções terapêuticas que protegem a criança e a ajudam a desenvolveros seus mecanismos de resiliência, face à violência
Condução de risco: Um estudo exploratório sobre os aspectos psicológicos do risco na tarefa de condução
O desenvolvimento do automóvel constituiu um dos factores mais marcantes do século XX, por implementar um aumento da facilidade de deslocação e como consequência da qualidade de vida. Por outro lado, o automóvel possui a nível individual e colectivo uma série de conotações simbólicas, que se encontram relacionadas com sentimentos de afirmação pessoal e social, e que são geridos e agidos por cada um de acordo com a sua personalidade. Esta, está presente em todas as actividades e relações que estabelece com o mundo que o rodeia, não sendo a condução uma excepção. É de salientar que, provavelmente o risco que se revela na condução, não é mais do que um espelho da situação em que o sujeito se encontra nas restantes áreas da sua vida, e do modo como gere e lida com os seus conflitos. Com o presente trabalho pretende-se perceber quais os factores que desencadeiam ou predispõem ao risco. Para tal, foi utilizada a Escala de Risco Suicidário de Stork, a Escala de Saúde Física de Barton e cols., e foram recolhidos vários dados socio-demográficos. Chegou-se à conclusão que a maioria dos indivíduos não apresenta valores muito elevados na escala de Stork. Por outro lado, os sujeitos com maior índice de risco, são normalmente homens novos, com um menor número de anos de carta e com um maior número de quilómetros percorridos por ano. No que concerne ao sentimento de saúde geral, parece existir uma relação com o risco, o que poderá indicar que os indivíduos que mais arriscam possuem um menor sentimento de saúde geral