Análise Psicológica
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Perfis de aprendizagem de estudantes do ensino superior: Abordagens ao estudo, concepções de aprendizagem e preferências por diferentes tipos de ensino
Tendo por base o trabalho de Entwistle e colaboradores sobre a forma como os estudantes do ensino superior percepcionam e vivem as experiências de aprendizagem, foram objectivos centrais do presente trabalho, por um lado, conhecer e analisar os significados atribuídos por estudantes à aprendizagem, ao estudo e às preferências por tipos de ensino e, neste sentido, perceber de que forma os estudantes conceptualizam o que lhes é exigido em termos de aprendizagem na universidade; e por outro, compreender se serão divergentes as abordagens ao estudo e as concepções de aprendizagem de estudantes de diferentes áreas científicas e anos. Foram consideradas as percepções dos estudantes em relação ao ambiente de ensino-aprendizagem, entendidas como indicadores que influenciam o que os estudantes pensam sobre o ensino, o estudo e a aprendizagem (preferências por tipos de aulas e de ensino). Considerando a proximidade dos constructos, quisemos ainda relacionar as abordagens à aprendizagem com as concepções de aprendizagem (reprodutivas e significativas) e com a preferência por formas de ensino e de instrução diversificadas. Foi também nossa intenção definir perfis em função das formas como os estudantes abordam o estudo e a aprendizagem.O estudo realizado assume uma natureza descritiva, correlacional e não experimental, tendo sido desenvolvido com 568 estudantes de uma instituição universitária do sul do país. Os resultados obtidos permitem-nos afirmar a existência de algumas diferenças significativas em função do ano e do domínio científico, bem como identificar perfis dissonantes em termos das formas como os estudantes abordam o estudo e a aprendizagem
Sobre a equitação terapêutica: Uma abordagem crítica
Propusemo-nos estudar o tema da Equitação Terapêutica, numa óptica longitudinal. O relato da nossa perspectiva histórica, com particular incidência na Idade Contemporânea, permite compreender a situação presente. Assim, destacamos alguns factores originários de uma cumplicidade histórica vivida entre o Homem e o cavalo, desde o período Pré-histórico até à actualidade. No século XX, distinguimos alguns momentos que contribuíram de forma decisiva para a moderna conceptualização da equitação terapêutica: o sucesso de Liz Hartel nos Jogos Olímpicos de 1952 e 1956; o surgimento do Modelo Alemão; e os congressos internacionais. A necessidade de credibilidade empírica dirigida à aplicação terapêutica do cavalo, e da sua divulgação, é posta em destaque assim como a sistematização desta área, principalmente centrada em torno de um modelo médico. A psicologia, sobretudo cognitivo-comportamental, surge, inicialmente, através de abordagens ecléticas integradas na Hipoterapia. Posteriormente, na última década, a psicologia tem vindo a ocupar um lugar de crescente notoriedade através da Equitação Psicoterapêutica, nas diferentes abordagens teóricas (psicanálise, musicoterapia, teoria dos arquétipos de Jung, teorias sistémicas, bioenergéticas, psicodrama, existencialista, etc.) que pode assumir. A análise subjectiva a que nos propusemos teve o seu enfoque em quatro aspectos complementares: a discordância entre uma procura obcecada pela “prova” e o rigor científico; a dificuldade na diferenciação das disciplinas relativas à Equitação Terapêutica que limita tanto a capacidade para intervir como as conclusões que podemos retirar dos estudos efectuados; a dificuldade observada na divulgação internacional da maioria dos trabalhos; e, por último, a falta de soberania da FRDI enquanto entidade internacional, representante da Equitação Terapêutica, em 46 países
Desenvolvimento e validação da Escala de Auto-Eficácia para Utilizadores de Cadeira de Rodas
A percepção de auto-eficácia enquadra-se no controlo pessoal das acções, refere-se às expectativas pessoais quanto à sua capacidade para realizar um comportamento específico desejado. Não é uma característica generalizada da personalidade, podendo variar, na mesma pessoa, de tarefa para tarefa, assim como do grau de conhecimento que este detém (Bandura, 1997). Uma revisão extensa da literatura teve como objectivo identificar escalas genéricas e específicas de auto-eficácia, tendo sido gerada uma lista de itens, posteriormente seleccionados e cotados, de acordo com as recomendações de Bandura (2001b). Num estudo preliminar que incluiu 73 pessoas utilizadoras de cadeira de rodas (46.6% mulheres; média de idades = 39 anos, DP = 14.5; médias de anos de utilização de cadeira de rodas = 12, DP = 7.5) foi testada a validade e a fidelidade do instrumento; o Alfa de Cronbach para a escala total é de 0.81 e para as três escalas – gestão dos sintomas, procura de estratégias e confiança nas capacidades – 0.80, 0.70 e 0.77, respectivamente. Após análise exploratória, com rotação varimax, foram replicados três factores, correspondentes às três sub-escalas, cuja variância total explicada é de 58,63%
(in)Consistências no processo ensino-aprendizagem relação entre a concepção e a prática (resultados comparativos numa amostra de professores de Português, Matemática e Inglês)
Pretende divulgar-se parte dos resultados obtidos numa investigação realizada com professores de três disciplinas de leccionação (Português, Matemática e Língua estrangeira, o Inglês), de dois ciclos de ensino (3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário), em diferentes fases de carreira, da Região Centro, cujo objectivo principal era a análise das suas epistemologias em torno de toda a actividade docente: das concepções à percepção dos resultados da sua acção. Iremos, neste contexto, dar conta, apenas, dos dados reveladores das (in)consistências das suas orientações metodológicas interdimensões, do processo ens -aprendizagem, isto é, das relações entre a orientação das concepções e a orientação das preparações, interacções, avaliações e remediações das aprendizagens dos alunos e auto-reflexão dos docentes. A partir de análise de conteúdo e correspondência múltipla (HOMALS) de entrevistas semiestruturadas, a 89 docentes, constatámos que, genericamente e globalmente, os professores são muito pouco coerentes, existindo pouca articulação, em termos ideológicos, entre a Concepção do processo ensino-aprendizagem e a orientação da Prática educativa, nas diferentes disciplinas e ciclos de leccionação, reflectida, igualmente, ao longo da carreira
As diferenças entre os sexos: Mito ou realidade?
Este trabalho procura retratar os desenvolvimentos sucessivos da produção científica sobre a questão da existência de diferenças entre os sexos e das suas origens, que tem uma história longa e fértil. Começamos por evocar as ideologias produzidas no Séc. XIX para explicar as posições desiguais dos dois grupos sexuais por disposições naturais, e os primeiros trabalhos académicos consagrados a identificar os traços, competências e comportamentos que, supostamente, deveriam diferenciar homens e mulheres.Propomos alguns apanhados dos trabalhos actuais sobre as diferenças entre os sexos e sobre a controvérsia, aparentemente suscitada pelas diferentes posições políticas dos autores, a propósito da verdadeira existência dessas diferenças. Apresentamos, por último, algumas teorias que são, actualmente, desenvolvidas pelos autores que defendem a existência de diferenças entre homens e mulheres, na procura de dar sentido a essas diferenças
Principles from history, community psychology and developmental psychology applied to community based programs for deinstitutionalized youth
This article analyses the issues of the deinstitutionalization of youth, and the development of community based services, using some historical data and some of the principles of community psychology. The basic premise is that there is no such thing as a social vacuum. All programs are implemented and function in an elaborate social context
Estados afectivos, percepção do risco e do suporte social: A familiaridade e a relevância como moderadores nas respostas de congruência com o estado de espírito
Dois estudos testam os efeitos da familiaridade e da relevância na infusão de afecto (Forgas, 1995), em dois tipos de cognição: a percepção do risco e a percepção do suporte social. No estudo do suporte social participantes em diferentes estados de espírito avaliaram quantas pessoas consideravam disponíveis para os apoiar em situações com diferentes graus de familiaridade e relevância. Os resultados mostram um efeitode infusão de afecto apenas nas situações menos familiares. No estudo da percepção do risco, participantes em diferentes estados de espírito avaliaram a probabilidade de acontecimentos negativos familiares e menos familiares, para alvos relevantes e menos relevantes. Os resultados mostram um enviesamento optimista qualificado por um efeito de interacção: riscos familiares só originam invulnerabilidade única quando o estado de espírito é negativo
A (in)justiça relativa da acção positiva – A influência do género na controvérsia sobre as quotas baseadas no sexo
Perante a sub-representação dos membros de alguns grupos minoritários e das mulheres, a nível mundial, em diversos órgãos de decisão, como é o caso da política, têm sido criadas medidas de acção positiva, com o objectivo de se promover a igualdade. Contudo, estas têm suscitado enorme controvérsia, dividindo opiniões. O presente artigo teórico pretende identificar, na literatura, as principais razões desta controvérsia, dando particular destaque à percepção de justiça. Propõe, como contributo para este debate, a articulação dos estudos de género com os da percepção da justiça (recorrendo às teorias da justiça distributiva, procedimental e da privação relativa), de modo a procurar elucidar alguns dos argumentos regularmente usados pelos detractores das medidas de acção positiva, como é o caso do argumento do mérito. Esta articulação revelou-se importante para uma melhor compreensão da controvérsia sobre as quotas baseadas no sexo e destinadas a promover a igualdade entre mulheres e homens
Comportamentos de consumo de haxixe e saúde mental em adolescentes: Estudo comparativo
O presente estudo teve como objectivos avaliar a situação acerca dos comportamentos de consumo de haxixe, em adolescentes inseridos em meio escolar, estudar a influência de variáveis como, a situação familiar, o grau de influência do grupo de pares nas decisões e as expectativas, no início e na manutenção do consumo daquela substância. Pretendeu-se ainda avaliar a existência ou não de relações entre este consumo e a saúde mental dos adolescentes. Os participantes foram 221 adolescentes de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 13 e os 17 anos e que frequentavam entre o 8.º ano e o 10.º ano de escolaridade, do ensino regular diurno, em escolas dos arredores de Lisboa. Como instrumentos de medida, construiu-se um questionário (Questionário sobre Comportamentos de Consumo de Haxixe), baseado num já existente para avaliar o consumo de álcool, que depois de ser sujeito a pré-teste, foi administrado juntamente com a adaptação para a população portuguesa do Mental Health Inventory, o Inventário de Saúde Mental. Os resultados mostraram que a maioria dos jovens não consome haxixe (n=181; 81,9%). Daqueles que o fazem (n=40; 18,1%), 42,5% são consumidores experimentais, 27,5% são ocasionais, 20% são habituais e 10% são abusivos. A maioria (27,5%) afirma ter tido a sua primeira experiência com o haxixe aos 13 anos, sendo os motivos principais do consumo a procura de relaxamento (31,3%) e de diversão (36,8%). Os amigos da mesma idade são os principais companheiros de consumo (62,0%), sendo a rua o local eleito pela maioria para o mesmo (51,0%). Quando comparados os dois grupos de participantes (consumidores versus não consumidores), verificou-se que, no grupo de consumidores existe uma tendência para a escolaridade se apresentar afectada (40% reprovaram), com as reprovações a surgirem em maior número a partir do 9.º ano de escolaridade (12,5%; 16,7% no 10.º ano). Quanto à situação familiar verificou-se a existência de uma maior percentagem de pais de consumidores que se encontram separados (15,0%) ou divorciados (25,0%). Expectativas de maior descontração com consequente aumento da diversão (p=.000), de menor nervosismo (p=.000) e de o haxixe ser menos prejudicial do que o tabaco (p=.005), foram altas nos consumidores. Este grupo classifica o haxixe como uma droga leve (72,5%) ou como não sendo uma droga (27,5%), sendo o principal motivo que apresentam para se consumir, a diversão (55.0%). As diferenças entre os dois grupos quanto à influência da idade e do grupo de pares nas decisões e/ou actos, foram estatisticamente significativas (p=.007 e p=.042, respectivamente). Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos quanto à saúde mental. De tudo isto se conclui que a frequência de utilização desta substância e o significado que ela tem, difere de jovem para jovem. Torna-se importante levar em consideração este facto e, nesta base, delinear programas de prevenção que promovam o diálogo entre os pais e o adolescente, a resiliência deste e as suas competências sociais, com direcção ao bem-estar e a um crescimento saudável