Análise Psicológica
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A vida sexual dos anúncios pessoais: Uma revisão da literatura
O presente artigo efectua uma revisão da investigação científica que recorre aos anúncios pessoais publicados na comunicação social, na Internet e noutros meios de comunicação como fonte de material de análise. Os estudos revistos podem ser divididos de forma não discreta em três categorias: (1) a análise dos padrões de corte entre homens e mulheres, (2) a análise dos padrões de género e sexualidade cruzados com a orientação sexual e (3) a análise de indicadores de risco e de comportamentos protectores em relação ao VIH, em particular na população homossexual masculina. São ainda discutidas as vantagens e desvantagens de utilizar anúncios pessoais em investigação científica e o impacto da popularidade da Internet sobre este fenómeno
Domínios de investigação, orientações metodológicas e autores nas revistas portuguesas de psicologia: Tendências de publicação nas últimas quatro décadas do século XX
Classificam-se os domínios de investigação, os métodos e os autores de 2070 artigos publicados durante as últimas quatro décadas do séc. XX em oito revistas portuguesas de psicologia (Análise Psicológica; Cadernos de Consulta Psicológica; Psicologia; Psicologia, Educação e Cultura; Psicologia: Teoria,Investigação e Prática; Psychologica; Revista de Psicologia e de Ciências da Educação e Revista Portuguesa de Psicologia) e confrontam-se os dados obtidos com as orientações temáticas e metodológicas dos artigos indexados na PsycINFO.Conclui-se que a investigação publicada negligenciou o estudo dos conteúdos nucleares (processos psicológicos básicos), centrando-se predominantemente na psicologia geral/psicometria e nas áreas de aplicação. De modo paralelo, foram privilegiados os trabalhos de revisão e síntese da literatura, em detrimento das investigações de natureza empírica. Estas tendências constituem as principais marcas distintivas em relação à produção internacional, tal como esta se encontra documentada nos registos da PsycINFO. Os 2070 artigos foram assinados por 3193 autores, sendo o contributo dos homens superior ao das mulheres, ainda que na década de 90 se tenha verificado uma quasi-paridade. Predominaram as estratégias de “publicação interna”, características de redes de comunicação científica de fraca intensidade,embora marcadas por sinais de uma progressiva cultura de colaboração, expressos no aumentosistemático de co-autorias
A identidade (homo)sexual e os seus determinantes: Implicações para a saúde
Este artigo tem como objectivo fornecer um enquadramento explicativo do modo como os indivíduos que se identificam como homossexuais constroem a sua identidade e como a construção de uma identidade positiva tem implicações para a saúde. É apresentado um modelo de construção da identidade homossexual baseado em sete fases: a (in)compatibilidade na compreensão dos papéis sexuais sociais, o reconhecimento da diferença, a confusão identitária, a tolerância identitária, a aceitação privada, a aceitação privada e integrada e a abertura total. São também exploradas as implicações de uma construção positiva da identidade para a saúde física e psicológica, bem como os determinantes a ela associadas. Procurando dar corpo metodológico a este objectivo, delineou-se uma investigação com a participação de 805 indivíduos que responderam ao questionário de identidade homossexual. Dos resultados obtidos, verificaram-se como determinantes correlacionados com uma boa construção da identidade, as seguintes variáveis: “apoio dos amigos”, “força do self”, “auto-estima”, “número de parceiros”, “qualidade de relacionamentos”, “gratificação sexual” e “discriminação indirecta”. Apresentaram-se negativamente correlacionadas as seguintes variáveis: “apoio familiar”, “discriminação directa”, “preocupações com a saúde” e “afiliação religiosa/ideológica”
Caracterização psicológica de uma amostra forense de abusadores sexuais
Na presente investigação procedeu-se à avaliação psicológica de 41 abusadores sexuais (leque etário=17-73 anos; M=43 anos) actualmente detidos em estabelecimentos prisionais recorrendo ao Millon Clinical Multiaxial Inventory II (Millon, 1987) e a algumas variáveis classificativas (e.g., idade das vítimas, comportamentos sexuais praticados). Os resultados demonstraram uma grande multiplicidade de perfis psicológicos possíveis, alguns dos quais mais frequentes do que outros, o que não corrobora a existência dum perfil típico e estereotipado para abusadores sexuais. Os resultados põem em causa o valor da avaliação psicológica enquanto prova jurídica no caso concreto da identificação de abusadores sexuais
A construção mediática do tráfico de seres humanos na imprensa escrita portuguesa
O crescente reconhecimento do tráfico de seres humanos ao longo da última década deveu-se, em grande parte, à acção dos órgãos de comunicação social, quer enquanto veículos transmissores de informação massificados, quer enquanto participantes activos no processo de construção da realidade. Este duplo papel justifica a necessidade de estudo dos seus produtos no sentido de melhor compreender os fenómenos sociais e, particularmente, aqueles que se associam ao desvio. Da análise das notícias publicadas por dois jornais diários de distribuição nacional emerge uma sobreposição frequente entre tráfico, prostituição e imigração ilegal, fruto de um predomínio de narrativas sobre exploração sexual de mulheres, contribuindo para a presença de estereótipos e mensagens de alarme social. No entanto, os actores principais das histórias são arredados da arena das narrativas, sendo os seus discursos subalternizados face à acção dos órgãos de polícia criminal, atribuindo-lhes o controlo do conhecimento difundido sobre o fenómeno. Sublinha-se, por fim, a necessidade da adopção de códigos de conduta por parte dos agentes dos meios de comunicação de massas que permitam evitar a emissão de mensagens que apelam ao estigma e ao pânico e que promovam a reconciliação das pressões comerciais com o interesse público, a responsabilidade ética e social
Satisfação profissional e auto-estima em professores dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico
A relevância e o interesse acerca da satisfação profissional dos professores surge pelo facto de a ela aparecerem associadas variáveis tão importantes como a auto-estima, o bem-estar físico e mental, a motivação, o empenho, o envolvimento, o stresse, absentismo/abandono, o sucesso, a realização profissional dos professores. De igual modo, sabemos também que sentimentos de insatisfação e mal-estar afectam não só professores mas também os alunos, pois o desinvestimento e a falta de motivação dos professores contribui directamente para o desinteresse dos alunos na sala de aula e consequentemente, para a menor qualidade do processo de ensino-aprendizagem. O objectivo deste trabalho é tentar perceber quais os níveis de satisfação profissional evidenciado pelo professores portugueses, bem como os factores que estão por detrás da verdadeira satisfação profissional, analisando também os efeitos que poderão ter variáveis como o grupo disciplinar a que pertencem os professores e os anos de docência que possuem. Visamos ainda perceber se a satisfação/insatisfação na dimensão profissional do sujeito se repercute na sua auto-estima. Para tal foram utilizados dois instrumentos, a Rosenberg self-esteem scale e o Questionário de Satisfação no Trabalho para Professores. Participaram no presente estudo 79 professores de cinco escolas dos 2.º e 3.º ciclos da região de Vale do Tejo. A partir dos resultados encontrados concluiu-se que os professores apresentavam baixos níveis de satisfação profissional, sendo essa insatisfação justificada predominantemente por factores socio-políticos. Encontraram-se igualmente diferenças significativas associadas às variáveis em estudo, os Anos de docência e o Grupo disciplinar dos docentes, sendo respectivamente os professores a meio da carreira (7 a 15 anos) e os professores de Educação Artística e Físico-motora, quem revelou níveis superiores de satisfação profissional. No mesmo sentido, foram encontradas fortes correlações entre a satisfação profissional e a auto-estima dos docentes. Concluiu-se igualmente que grande parte da variação registada na auto-estima se associava à dimensão “Alunos”
Toward an understanding of youth in community governance: Policy priorities and research directions
For more than a decade, many researchers and practitioners have endorsed a “positive youth development” approach, which views adolescents as active contributors to their own development and as assets to their communities. As part of this shift, youth are increasingly being invited to engage in community governance. In youth organizations, schools, community organizations, and public policy arenas, youth are making strong contributions to advisory boards and planning councils, and are integrally involved in key day-to-day functions such as program design, budgeting, outreach, public relations, training, and evaluation. State and local policy-makers are also beginning to endorse the engagement of youth in community governance. This policy endorsement, however, has largely occurred independent of scholarship on adolescent development. In this Social Policy Report, our aim is to help bridge this gap. We discuss the cultural context for youth engagement, theoretical rationales and innovative models, empirical evidence, and priorities for policy and research. Why involve youth in community governance? Three main theoretical rationales have been established: Ensuring social justice and youth representation, building civil society, and promoting youth development. Moreover, across the country, innovative models demonstrate that the theory can be effectively translated into policy. Finally, a strong research base supports the practice. When youth are engaged in meaningful decision-making – in families, schools, and youth organizations – research finds clear and consistent developmental benefits for the young people. An emerging body of research shows that organizations and communities also derive benefits when youth are engaged in governance. Several directions need to be pursued for youth engagement to exert a maximum positive impact on young people and their communities. We recommend three areas for policy development. First, public awareness of the practice needs to be better established. Societal expectations for youth remain low and negative stereotypes remain entrenched in the mass media. Second, more stable funding is needed for youth engagement. It will be especially critical to support community-based youth organizations because these places are likely to remain the primary catalysts for youth engagement in the civic life of communities. Third, it is necessary to build local capacity by supporting outreach and training through cross-sector community coalitions and independent, nonprofit intermediary organizations. These entities are best positioned to convince stakeholder groups to chart, implement, and sustain youth engagement. It is equally important to broaden the scientific context for youth engagement in community governance. Priorities for scholars are to focus research on understanding: the organizational and community outcomes that emanate from engaging youth in governance; the competencies that youth bring to governance; and how the practice of youth engagement can be sustained by communities
Os contributos do emprego apoiado para a integração das pessoas com doença mental
O objectivo deste artigo é possibilitar uma reflexão sobre os principais contributos do emprego apoiado para a integração das pessoas com doença mental grave. Recorreu-se a uma revisão da literatura com o intuito de explorar os contributos deste modelo. Neste âmbito, analisámos a evolução do modelo de emprego apoiado, as principais evidências científicas e dois conceitos adicionais. O primeiro, a educação apoiada que facilita o acesso e o sucesso do regresso à universidade, fortalecendo o emprego mais qualificado e a progressão na carreira. E o segundo, o desenvolvimento de suportes naturais que fortaleçam o papel social e o valor para o mercado de trabalho, diminuindo a dependência de suportes profissionais. Este artigo sublinha o potencial contributo da educação apoiada e dos suportes naturais para o futuro do emprego apoiado
Psicologia e orientação sexual: Realidades em transformação
Neste artigo pretende-se apresentar alguns dos vários mitos em redor da temática da orientação sexual e sublinhar como estes não são suportados pelos estudos realizados actualmente. Procede-se posteriormente a uma apresentação dos princípios éticos da APA relativamente às pessoas lésbicas, gays e bissexuais e como os profissionais de saúde mental devem procurar adoptar atitudes de compreensão relativamente às circunstâncias específicas desta população, procurando igualmente a formação contínua no âmbito da diversidade