Análise Psicológica
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Crianças institucionalizadas e crianças em meio familiar de vida: Representações de vinculação e problemas de comportamento associado
Esta investigação comparativa incide sobre a representação de vinculação e problemas de comportamento em crianças institucionalizadas. Foram avaliadas 35 crianças portuguesas em idade pré-escolar e escolar, em dois grupos: 19 crianças institucionalizadas e 16 crianças vivendo com as suas famílias de origem. Recorreu-se ao Attachment Story Completion Task (ASCT), avaliando-se, pela construção das narrativas, os valores de Segurança e Coerência das representações de vinculação. Para a avaliação dos problemas de comportamento recorreu-se ao instrumento I.C.C.P (Fonseca et al., 1994), que corresponde à versão portuguesa do “Child Behavior Checklist”, CBCL, de Achenbach (1991). Os resultados indicam que existem correlações negativas entre a qualidade das representações da vinculação e problemas de comportamento agressivo e de isolamento. Conclui-se que o meio de vida da criança foi determinante no tipo de vinculação demonstrada e indirectamente no comportamento de agressividade e isolamento manifestado
Psicologia Social da Justiça: Fundamentos e desenvolvimentos teóricos e empíricos
Pretende-se com este artigo oferecer ao leitor uma revisão de literatura do que consideramos serem os principais desenvolvimentos teóricos e empíricos da Psicologia Social da Justiça. Para esta sistematização partimos das correntes teóricas na investigação da justiça identificadas por Tyler, Boeckman, Smith, e Huo (1997): a privação relativa, a justiça distributiva, a justiça procedimental, a justiça retributiva, tendo nós acrescentado a justiça reparadora (Braithwaite, 1999)
Estudo das qualidades psicométricas do SCSI (Schoolagers’ Coping Strategies Inventory) numa população portuguesa
Neste artigo é descrita a adaptação e avaliação psicométricado Schoolagers’ Coping Strategies Inventory (Ryan-Wenger, 1990) numa amostra de crianças entre os 8 e os 12 a nos de idade. Procurou-se ainda caracterizar as estratégias de coping em crianças e pré- -adolescentes, examinar o seu desenvolvimento e diferenças de sexo. A versão portuguesa demonstrou possuir qualidades psicométricas satisfatórias e o instrumentou revelou possuir três sub escalas, correspondentes a três tipos de estratégias de coping que podem ser conceptualmente definidas como de distracção cognitiva-comportamental, de acting-out e activas. Os resultados obtidos sugerem que as crianças e pré-adolescentes utilizam grande variedade de estratégias de coping, sendo as mais salientes as do tipo distracção cognitivo-comportamental e as menos salientes, as do tipo acting out. Pudemos ainda constatar que à medida que, as crianças crescem, vão utilizando menos estratégias do tipo distracção cognitivo comportamental e, simultaneamente, vão-nas considerando como menos eficazes para lidar com os seus problemas. Foram também encontradas diferenças de sexo, no sentido em que as raparigas tendem a percepcionar as estratégias activas como sendo mais eficazes do que os rapazes. Já estes últimos recorrem mais às estratégias do tipo acting-out e percepcionam-nas também como mais eficazes
A dinâmica da consistência moral
O estudo inscreve-se na problemática da moralidade, centrando-se no problema da acção moral consistente. A mobilização de variáveis cognitivas e afectivas para a compreensão desta questão, e a operacionalização empírica da consistência no quadro das contribuições da abordagem desenvolvimental e estrutural da moralidade constituem traços centrais da pesquisa. Para a recolha da informação foi construído um questionário, o qual foi administrado a 156 participantes, dos 8º e 11º anos de escolaridade, rapazes e raparigas. Relativamente aos resultados confirmaram-se algumas das hipóteses colocadas, embora a sua interpretação não se apresente linear. Assim, a relação entre a cognição e a consistência apresentou-se positiva, mas fraca; já a relação entre a variável afectiva e a consistência apresentou-se igualmente positiva, mas mais confiável. Também o género parece contribuir para a variabilidade da consistência. Inteiramente não confirmadas foram as hipóteses sobre a contribuição da escolaridade na consistência, bem como o efeito mediador da satisfação perspectivada na relação entre a cognição e a consistência. Finalmente, a análise integrada da contribuição das variáveis preditoras na consistência mostrou que todas elas, com excepção da escolaridade, contribuem para explicar a variabilidade da consistência, aliás, mais do que qualquer uma delas isoladamente considerada
O Modelo de Falloon para intervenção familiar na esquizofrenia: Fundamentação e aspectos técnicos
Os autores fazem uma retrospectiva da utilização de psicoterapia comportamental em famílias de pessoas com doença mental grave, nomeadamente esquizofrenia, focando o modelo de Falloon e colaboradores (Terapia Familiar Comportamental). Trata-se de uma intervenção unifamiliar, psicoeducativa, de inspiração comportamental, que pretende melhorar a capacidade de resolução de problemas no seio da família. Os resultados estão bem documentados em termos clínicos (menores taxas de recaída), psicossociais (melhor funcionamento socio-ocupacional, menor sobrecarga familiar) e económicos. Estas intervenções estão amplamente difundidas na Europa e EUA, e as suas indicações têm sido alargadas a diversos campos da psicopatologia do adulto, bem como da infância e adolescência. Em Portugal, o treino neste tipo de intervenções tem vindo a ser feito desde 1996, ainda que, paradoxalmente, sem tradução significativa na prática clínica de rotina. As dificuldades de implementação são parcialmente comuns a outras intervenções com famílias, constituindo uma área merecedora de investigação específica
O Balanço Dinâmico e o papel da Orientação Profissional na elaboração de programas de inserção social de pessoas com deficiência
O autor começa por fazer uma breve apresentação do C.R.P. A/R, para de seguida se dedicar aos objectivos e modelos de Orientação Profissional propostos e desenvolvidos por aquele Centro de Reabilitação. Descreve o Balanço Dinâmico como um processo de Orientação para a Inserção, dando ênfase aos objectivos específicos, aos princípios orientadores, à metodologia e às diferentes etapas de aplicação deste instrumento de trabalho. Apresenta resultados decorrentes da aplicação experimental do Balanço Dinâmico e tira algumas conclusões, sobre a pertinência e a vantagem deste instrumento na facilitação de processos de inserção profissional e social de pessoas com deficiência
Relações entre o conhecimento das emoções, as competências académicas, as competências sociais e a aceitação entre pares
O presente estudo enquadra-se na perspectiva de que o conhecimento das emoções tem efeitos na prontidão e no ajustamento escolar, actuando como mediador entre os factores psicológicos (competências académicas; competências sociais) e os factores proximais (aceitação entre pares). Testaram-se duas hipóteses: (1) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências académicas e a aceitação entre pares; (2) o conhecimento das emoções é um factor de mediação na associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares. Participaram no estudo 40 crianças, 22 do sexo masculino e 18 do feminino, entre os 5 e os 6 anos. Com vista à análise do conhecimento das emoções utilizou-se a adaptação portuguesa do Teste de Conhecimento de Emoções (Denham, McKinley, Couchoud, & Holt, 1990), tendo sido, ainda, realizadas entrevistas sociométricas às crianças (Vaughn, Colvin, Azria, Caya, & Krysik, 2001). Mães e pais responderam separadamente à Escala de Avaliação do Comportamento e Competência Social de LaFreniere e Dumas (1996) e, à Escala de Competência Interpessoal (Cairns, Leung, Gest, & Cairns, 1995). Os resultados confirmaram a hipótese de que o conhecimento das emoções em crianças de cinco e seis anos é um factor de mediação nas associações entre as competências académicas e a aceitação entre pares. Porém, não se obteve resultados significativos desta mediação para a associação entre as competências sociais e a aceitação entre pares, infirmando a nossa segunda hipótese
Individualismo-colectivismo: Dos aspectos conceptuais às questões de avaliação
O presente estudo, com 200 sujeitos, desenvolve o estado da arte, teórico e metodológico, da debatida dimensão cultural e intercultural de individualismo-colectivismo (IND/COL). Este objectivo foi operacionalizado à luz do processo de validação de um questionário de avaliação do IND/COL para o contexto português, nomeadamente o Questionário de Individualismo-Colectivismo de Shulruf, Hattie, e Dixon (2003, Anonymous Questionnaire of Self-Attitudes – AQSA), construído no contexto neozelandês e constituído por 26 itens, 15 ilustrativos da dimensão de individualismo (IND) e 11 da dimensão de colectivismo (COL). Os resultados das análises factoriais confirmatórias (AFC) realizadas acerca do AQSA apontaram para uma nova estrutura factorial deste instrumento, a ser verificada em estudos futuros de AFC de segunda ordem, bem como para a necessidade de se clarificar o universo teórico e a operacionalização dos constructos de IND/COL
Contracepção em jovens universitários portugueses
A sexualidade nos seus múltiplos aspectos é considerada uma área de grande importância no desenvolvimento do ser humano. O impacto causado pela infecção do vírus da imunodeficiência Humana/síndrome da imunodeficiência adquirida (VIH/SIDA), juntando-se a outros riscos ligados à actividade sexual, como a gravidez não desejada, fez com que a sexualidade passasse a ser considerada como uma questão de urgência social e epidemiológica e como um factor que pode ter um forte impacto negativo ao nível da saúde, considerando-se, assim, os jovens, a nível mundial, como um grupo especialmente vulnerável em termos de saúde sexual. Esta investigação avaliou os comportamentos sexuais, nomeadamente a contracepção dos jovens universitários portugueses. Administraram-se 436 questionários a 113 rapazes e 323 raparigas, entre os 18 e os 24 anos. Os resultados obtidos demonstram que a maioria é sexualmente activa, teve a sua primeira relação sexual aos 16 anos ou mais e utilizou como primeira contracepção o preservativo. Actualmente os métodos contraceptivos escolhidos habitualmente por estes jovens são o preservativo e a pílula com intenção de prevenir, quer uma infecção sexualmente transmissível, quer uma gravidez indesejada (70.2%). Os rapazes tiveram a primeira relação sexual mais cedo que as raparigas e não utilizaram qualquer método contraceptivo ou utilizaram o coito interrompido, o que sugere um elevado risco para contrair uma gravidez não desejada ou uma IST. Eles referiram mais parceiras ocasionais, maior frequência de actividade sexual sob o efeito de álcool ou drogas; ao passo que elas destacaram-se pelo carácter duradouro do relacionamento amoroso
Recovery da doença mental: Uma visão para os sistemas e serviços de Saúde mental
Nos últimos anos, recovery emergiu como um novo paradigma na saúde mental. Com base nas narrativas das pessoas com experiência de doença mental e nos resultados de vários trabalhos de investigação, o recovery é uma experiência mais comum do que era tradicionalmente expectável e uma possibilidade real para as pessoas com doença mental. O conceito de recovery tem sido proposto como visão orientadora na concepção e implementação de serviços e na definição de políticas públicas de saúde mental. Tendo em conta a influência que os contextos podem ter na promoção das oportunidades e dos processos de recovery das pessoas com experiência de doença mental, este artigo enuncia algumas estratégias para que os serviços e sistemas de saúde mental desenvolvem e integrem práticas mais consistentes com uma visão de recovery. Os serviços orientados para o recovery inscrevem-se num referencial de direitos humanos, adoptam uma abordagem acológica na sua análise dos problemas e estratégias de intervenção, desenvolvem uma cultura de esperança e empowerment, estabelecem uma relação colaborativa e de partilha de poder entre os vários stakeholders e promovem efectivamente a participação e integração social das pessoas com experiência de doença mental