Análise Psicológica
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Motivação para a leitura ao longo da escolaridade
Este trabalho teve como principal objectivo a caracterização da motivação para a leitura em alunos dos diferentes ciclos da escolaridade obrigatória. Participaram no estudo 1405 alunos do 3º ao 9º ano de escolaridade, que responderam a uma escala de motivação para a leitura, na qual eram contemplados cinco domínios motivacionais distintos: Prazer, Importância e Curiosidade, Razões Sociais, Reconhecimento Social e Autopercepção de Competência. Os resultados evidenciaram um efeito significativo do ano de escolaridade que se traduziu em níveis motivacionais mais elevados, por parte dos alunos mais novos, em todos os domínios, com excepção da Autopercepção de Competência a qual sofre um acréscimo entre o 1º e o 2º Ciclo. Constatou-se, igualmente, a existência de um efeito devido ao género, traduzindo-se na existência de valores motivacionais mais elevados por parte das raparigas
Desenvolvimento social: Algumas considerações teóricas
O presente artigo tem como objectivo apresentar algumas perspectivas teóricas sobre o processo de desenvolvimento, especificamente ao nível dos múltiplos factores que contribuem para o desenvolvimento sócio-emocional da criança. Procura-se salientar a definição de desenvolvimento como produto de uma co-acção entre a biologia e as influências sociais. As interacções precoces assim como as interacções entre pares são abordadas como importantes contextos de desenvolvimento
Guarda paterna e representações sociais de paternidade e maternidade
Dentre as reflexões sobre a condição masculina observa-se a demanda por uma ‘nova paternidade’, baseada numa maior aproximação afectiva entre pai e filho, bem como no seu envolvimento nos cuidados diários com os filhos. Neste estudo objetivou-se investigar as representações sociais de paternidade e maternidade de homens separados, com a guarda dos filhos há pelo menos um ano e que constituíam famílias monoparentais. Foram entrevistados 11 homens com a utilização de um roteiro semiestruturado abordando: dados pessoais, RS de paternidade e maternidade, relacionamento conjugal, guarda, quotidiano e avaliações. Os dados foram analisados através do software Alceste e da Análise de Conteúdo. Os elementos das RS de paternidade encontrados foram: Responsabilidade e Acompanhamento, Afectividade e Companheirismo, Orientação e Correção, Responsável pela Manutenção da Família, Equilíbrio e Igual à Maternidade. Já a maternidade é constituída pelos elementos Aspectos Biológicos, Estar Presente, Afectividade e Companheirismo, Igual à Paternidade, Superior à Paternidade, Não Abandonar os Filhos e Equilíbrio. Os dados apresentam RS tradicionais de paternidade (autoridade moral e financeira) e maternidade (aspectos biológicos, afectivos e superioridade materna) e, ao mesmo tempo, indicam a emergência de elementos que remetem à ‘nova paternidade’, como o pai envolvido afectivamente e cuidador e a maternidade como igual à paternidade
Algumas medidas típicas univariadas da magnitude do efeito
As medidas de magnitude do efeito representam uma resposta eficaz às diversas críticas às metodologias de investigação tradicionalmente utilizadas nas ciências sociais. Tais medidas evitam algumas das dificuldades mais evidentes dos testes de hipótese; são de interpretação simples, sem o recurso a valores de p, que podem ser enganadores; e fornecem uma base para a síntese de grande número de estudos.Este artigo descreve o cálculo e interpretação das formas mais comuns desta abordagem alternativa, ou complementar, aos testes de hipótese. Pressupõe-se que o leitor dispõe de um conhecimento básico de estatística aplicada sem ter, necessariamente, uma forte formação em estatística matemática
Preocupações de mães e pais, na gravidez, parto e pós-parto
Este artigo apresenta uma investigação desenvolvida com o objectivo de estudar as preocupações dos pais com determinados acontecimentos adversos de vida, no período de transição para a parentalidade, em particular, a ocorrência de diferenças de género na presença, intensidade e variação das preocupações parentais ao longo do período em estudo. Para esse efeito o Questionário de Preocupações com Acontecimentos de Vida (QPAV) foi administrado a uma amostra de mulheres e homens (N=250) nos 1.º, 2.º e 3.º trimestres de gravidez, 15 dias e 3 meses após o parto. Os resultados mostram que tanto as mães como os pais apresentam um mesmo perfil de preocupações e que as áreas económico-financeira (rendimento familiar) e da actual gravidez dominam as preocupações parentais. Quer nas mulheres quer nos homens, as preocupações exibem igual estabilidade ao longo do tempo, à excepção das relativas a situações adversas no contexto familiar e interpessoal e à actual gravidez que sofrem um decréscimo ao longo da gravidez e puerpério. As diferentes preocupações que mães e pais exibem durante o período de transição para a parentalidade podem assumir um impacto diferencial no aumento da sintomatologia ansiosa característica deste período. Assim, enquanto que a manutenção das preocupações económico-sociais, ao longo do tempo, poderá estar a contribuir para uma forma de stress crónico, as preocupações relativas a aspectos familiares e interpessoais e à actual gravidez, em particular respeitantes à saúde e bem-estar do bebé, são mais pontuais, parecendo estar mais relacionadas com as tarefas desenvolvimentais que marcam esta fase. Por isso mesmo, tendem a diminuir à medida que as mães e os pais se vão adaptando ao novo papel parental. Acreditamos que intervenção dos técnicos e investigadores na área da saúde reprodutiva, com vista à promoção do ajustamento dos pais nesta fase exigente das suas vidas, sairá favorecida com a compreensão das vicissitudes que caracterizam a vivência psicológica da transição para a parentalidade. Tal intervenção deverá envolver todos os elementos do processo em causa e focalizar-se nas maiores áreas de preocupação parental. Deste modo, garantir-se-á uma prestação de cuidados adequados aos pais e a diminuição da morbilidade associada a este período de vida
A eficácia organizacional das Câmaras Municipais tal como percepcionada pelos respectivos presidentes e dirigentes dos serviços
O presente estudo insere-se num trabalho mais vasto que examina as variáveis que influenciam a eficácia organizacional na Administração local em Portugal. A câmara municipal foi usada como unidade de análise. Através de modelos de equações estruturais são analisadas as relações entre o estilo do presidente da câmara, os comportamentos dos dirigentes dos Serviços dele dependentes directamente, o clima de cooperação e o clima de confiança entre si e com a eficácia organizacional. Os resultados mostram vários efeitos de mediação entre as variáveis causais e a eficácia, mas apenas o clima de confiança provou ter uma relação directa significativa com a eficácia percepcionada. Oito estilos de presidente são propostos e, embora, não se tenham encontrado diferenças de eficácia entre esses estilos, existem indícios de que aqueles em que o factor estratégico está presente são os mais eficazes
Educadores de infância promotores de saúde e resiliência: Um estudo exploratório com crianças em situação de risco
Estima-se que em Portugal 11% das crianças com idades compreendidas entre os 0 e os 6 anos apresentam Necessidades Educativas Especiais (NEE) e 37% das crianças vítimas de maus-tratos e abandono, sujeitas a processo tutelar em 1996, tinham idade inferior a 6 anos. A presença de crianças consideradas em situação de risco e vulnerabilidade no que respeita à sua saúde psicosocial e à sua qualidade de vida implica, quer uma interrogação permanente sobre a natureza dos problemas que contribuem para definir essas situações, quer um notável desafio para aqueles que, nas escolas e jardins de infância, lidam com essas crianças e têm de desenvolver uma prática educativa que vá ao encontro das necessidades diagnosticadas. A Promoção da Saúde e Resiliência junto de crianças em risco tem demonstrado resultados positivos no que respeita à prevenção de comportamentos de risco na adolescência e idade adulta. No presente artigo assume-se a multidimensionalidade do conceito de promoção de saúde e resiliência e apresenta-se uma investigação empírica desenvolvida com o objectivo de identificar e especificar a importância dessas dimensões no desenvolvimento das práticas educativas dos educadores de infância. Trata-se de um estudo transversal e exploratório que abrangeu 274 sujeitos, 164 da região do Alentejo e 110 da região do Algarve. Através da análise de correspondências múltiplas seguida de uma classificação hierárquica identificaram-se duas classes de educadores – “mais” e “menos” promotores de saúde e resiliência. Os resultados sugerem que a integração de crianças em situação de risco não é condição imprescindível para que os educadores sejam considerados mais promotores de saúde e resiliência. Do mesmo modo, parece também não existir associação entre a disciplina de Educação para a Saúde (EpS) ou similar, presente na formação inicial, e uma prática mais promotora de saúde e resiliência. Contudo, exercerem funções na rede pública, trabalharem em Jardins de Infância pertencentes à Rede Nacional de Escolas Promotoras de Saúde (RNEPS), a EpS integrada no Projecto Educativo (PE) de escola e o apoio de equipa de saúde escolar são elementos impulsionadores para uma intervenção nesta área
A importância do exercício físico nos anos maduros da sexualidade
O presente estudo tem como objectivo estudar a influência que poderá ter o exercício físico de um idoso sobre a sua sexualidade. Incide sobre a população idosa, sendo a amostra constituída por 54 sujeitos casados, com idades compreendidas entre 65 e 75 anos. Esta divide-se em dois grupos, um dos quais constituído por 27 sujeitos que praticam exercício físico e o outro por 27 indivíduos que não praticam exercício físico. Utilizou-se como instrumento um questionário sobre a sexualidade após os 65 anos, adaptado por nós. Os sujeitos não praticantes de exercício físico foram entrevistados individualmente em centros de dia, tendo os questionários sido preenchidos pelo entrevistador. Quanto aos sujeitos praticantes de exercício físico, os questionários foram preenchidos pelo próprio e entregues nos seus ginásios, após lhes terem sido dadas as devidas instruções. Tratando-se de um estudo observacional-descritivo de comparação entre grupos, os resultados foram analisados utilizando os testes de Mann-Whitney (opções de resposta de nível ordinal) e do Qui-Quadrado (opções de resposta de nível nominal). Averiguámos que existem diferenças estatisticamente significativas entre as duas amostras no que diz respeito a algumas das dimensões da sexualidade, nomeadamente ao nível da iniciativa para ter relações sexuais, da frequência em média de relações sexuais, do interesse pela vida sexual, das modificações notadas sobre as actividades/divertimentos comuns com o/a companheiro/a, da sensação obtida através das relações sexuais e ainda ao nível dos factores que consideram influenciar a vida sexual. Constatámos que, a nível geral, e de acordo com a amostra em estudo, os sujeitos praticantes de exercício físico são sexualmente mais activos do que os sujeitos não praticantes de exercício físico, existindo uma relação entre a prática de exercício físico e algumas das dimensões da sexualidade do idoso
Determinantes do risco e implicações para a saúde nas práticas sexuais de homens que têm sexo com homens
O objectivo do presente trabalho é compreender que variáveis parecem estar implicadas na adopção de um comportamento sexual de risco entre homens que têm sexo (HSH) com homens. Para tal, delineou-se uma investigação com 338 HSH (independentemente de se identificaram ou não como gays, bissexuais ou heterossexuais), tendo sido utilizados o Questionário Socio-demográfico e o Questionário de Avaliação dos Comportamentos e Emoções Sexuais entre HSH, constituído por 39 itens de escolha múltipla. Os dados foram submetidos a uma análise inferencial, o que permitiu compreender que os homens que tiveram uma primeira relação sexual sem se protegeram foram também aqueles que tiveram exposição a práticas sexuais coactivas, aqueles que praticam sempre sexo oral, aqueles que têm a expectativa de continuar a ter uma relação sexual mesmo sem preservativo e os homens que adoptam papéis mais activos no acto sexual. As implicações dos resultados obtidos são discutidas
O conflito estético na adolescência
O presente artigo tem como objecto o Conflito Estético de Meltzer, percebido como paradigma do desenvolvimento nos processos transformacionais que surgem na puberdade e na adolescência. O instrumento utilizado é o método Processo-Resposta Rorschach, cuja forma de análise foi alargada por intermédio da criação de novos elementos de análise e procedimentos para aceder ao Conflito Estético através da análise dos elementos que lhe subjazem: os vínculos K, L e H, as posições esquizoparanoide e depressiva e o continente-conteúdo