Análise Psicológica
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Conhecimentos e atitudes dos pais, menores e professores em relação ao abuso sexual
O presente trabalho tem como objectivo estudar os conhecimentos e as atitudes dos pais, menores e professores em relação ao abuso sexual, como ponto de partida para a elaboração de programas de prevenção. Os sujeitos deste estudo foram 113 menores de idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos, 225 pais e 26 professores ensino básico. Os resultados da nossa investigação indicam que tanto os pais como os professores possuem muito pouca informação sobre a realidade do abuso sexual infantil e mantém inúmeras crenças erradas em torno deste tema. No que concerne aos menores, a maioria ouviu falar alguma vez do abuso sexual e, sem dúvida, têm uma visão do abuso unida à violência na qual os agressores são sempre desconhecidos
A teoria dos cinco factores: Uma proposta inovadora ou apenas uma boa arrumação do caleidoscópio personológico?
Neste artigo, apresenta-se, analisa-se e discute-se uma proposta recente de teorização do modelo dos cinco factores da personalidade na idade adulta. A teoria dos cinco factores da personalidade pretende fornecer um quadro de referência aos «Big Five», escudá-los contra algumas críticas mais severas, bem como inventariar, e dar resposta, a muitas das questões centrais levantadas pelas teorias clássicas da personalidade. A teoria dos cinco factores vem ajudar a preencher uma lacuna bem reconhecida, neste domínio. Porém, sendo embora uma proposta necessária e fecunda, espera, agora, pelas necessárias corroborações. É, assim, na nossa perspectiva, uma arrumação meritória do caleidoscópio personológico
A importância da afectividade na aprendizagem da matemática em contexto escolar: Um estudo de caso com alunos do 8.º ano
Este artigo foi escrito tendo como base uma investigação realizada na sala de aula, numa escola de Lisboa, a uma turma de 8.º ano, na disciplina de Matemática. A metodologia foi qualitativa de tipo naturalista com abordagem descritiva e interpretativa. Os métodos de recolha de dados foram: observação presencial e gravação vídeo de algumas aulas; análise das respostas dos alunos a três questionários e entrevistas semi-estruturadas. Estabeleceram-se as seguintes questões de investigação: (a) Qual a relação entre dimensão afectiva e Matemática?; (b) Que elementos sustentam essa relação?; (c) Que relação existe entre a atitude dos alunos nas aulas e as suas aprendizagens em Matemática? e (d) Como envolver os alunos, emocionalmente, na aprendizagem da Matemática? Os principais resultados obtidos foram os seguintes: a actividade matemática dos alunos é influenciada pelas experiências anteriores com os professores, os colegas, os pais e a Matemática. Os alunos valorizam os professores que procuram responder às suas necessidades, brincam com eles, são simpáticos, calmos e não têm o hábito de gritar nas aulas. A relação de confiança que os alunos estabelecem, com os professores de Matemática, reflecte-se na aprendizagem dos conhecimentos matemáticos
Se sinto como familiar sinto como positivo! Interferência da familiaridade no processo avaliativo
Neste artigo abordamos a ideia de que o processamento fluente da informação associado a uma experiência subjectiva de familiaridade, sendo sentido positivamente, interfere com um processo avaliativo simultâneo. A estreita associação entre familiaridade e afecto positivo é aqui estudada num paradigma experimental de primação afectiva. Os participantes do estudo apresentado avaliaram um conjunto de alvos, previamente testados para a sua valência, com instruções de rapidez de resposta. Estes alvos eram imediatamente precedidos por um estímulo familiar ou não familiar. Em consonância com a hipótese de que o sentimento de familiaridade tem valência positiva, os estímulos familiares facilitaram (tornaram mais rápidas) as respostas a estímulos com congruência afectiva (os estímulos positivos)
Factores de personalidade e comportamento alimentar em mulheres portuguesas com obesidade mórbida: Estudo exploratório
O objectivo deste estudo foi relacionar factores de personalidade e comportamento alimentar em mulheres diagnosticadas com obesidade mórbida, sendo esta amostra constituída por 48 sujeitos candidatos a cirurgia bariátrica, ou que a tenham efectuado num passado próximo. Foram utilizados nesta investigação os seguintes Instrumentos: Questionário de Caracterização da Amostra, Inventário de Personalidade NEO-PI-R na Forma S, e Questionário Holandês do Comportamento Alimentar (DEBQ). Os resultados obtidos mostram diferenças muito significativas, por comparação com a população normativa, nos domínios Neuroticismo e Abertura à Experiência, e nas facetas Impulsividade, Assertividade, Fantasia, Sentimentos, Ideias, Valores, Altruísmo, Competência e Deliberação; assim como nas dimensões Restrição Alimentar e Ingestão Emocional. Estão presentes sentimentos de inadequação com respostas de coping desadequadas e baixa tolerância à frustração; características de dominância nas relações sociais; criatividade com elaboração de fantasias e presença de respostas emocionais situacionais; comportamentos altruístas, de auto-disciplina e planificação; efectuando uma ingestão de ordem emocional associada a características de restrição alimentar
Vinculação à mãe e ligação aos pares na adolescência: O papel mediador da auto-estima
De acordo com a teoria da vinculação, a qualidade da relação com as figuras parentais desempenha um papel fundamental na forma como os jovens se percebem a si e aos outros, contribuindo a qualidade destes laços para o desenvolvimento da auto-estima e dos laços que se constroem posteriormente com os pares. O objectivo deste estudo é observar a contribuição da qualidade da vinculação à mãe na predição da ligação aos pares, tendo em conta a hipótese do papel mediador da auto-estima, numa amostra de 742adolescentes de ambos os géneros, entre os 13 e os 23 anos (M=17,09; DP=1,84), provenientes de famílias intactas e famílias com pais divorciados. O estudo recorreu ao Questionário de Vinculação ao Pai e à Mãe (Matos & Costa, 2004), ao Inventory of Parental and Peer Attachment (Armsden & Greenberg,1987), e ainda à Rosenberg’s Self-Esteem Scale (Rosenberg, 1965). Todos os questionários apresentam valores adequados, quer de consistência interna, quer de ajustamento às análises factoriais confirmatórias de 1ª ordem. Os resultados, obtidos através da metodologia das equações estruturais, são indiciadores da qualidade da vinculação à mãe enquanto preditora, directa e indirecta, da qualidade da ligação aos pares. No modelo testado, a auto-estima é predita positivamente pela qualidade do laço emocional e negativamente pela inibição da exploração e individualidade e ansiedade de separação na vinculação à mãe. Os resultados são ainda concordantes com o papel mediador da auto-estima na associação entre qualidade da vinculação à mãe e ligação aos pares
O papel da comunidade na prevenção dos Abusos Sexuais de Crianças (ASC)
Propomo-nos com este artigo contribuir para os objectivos da psicologia comunitária, ao abordarmos as questões dos abusos sexuais de crianças (ASC) numa perspectiva teórica e de sugestões para o desenvolvimento de práticas preventivas. Uma das formas mais comuns de chamarmos a atenção para um problema é apresentarmos a sua prevalência e/ou incidência. De seguida procuramos apresentar a realidade dos ASC com o objectivo de contribuir para a diminuição das concepções pouco reais que tendem a estar associadas a este tema e por fim apresentaremos um conjunto, exemplificativo, de programas e práticas preventivas bem como as suas sustentações empíricas. Esperamos assim dar um contributo importante para reforço das intervenções preventivas, de cunho comunitário, dos ASC em Portugal
Promoção do desenvolvimento psicossocial das crianças através dos Serviços de Cuidados de Saúde Primários
O presente trabalho resulta de um longo processo de investigação e elaboração no sentido de tentar organizar nos serviços existentes de cuidados de saúde primários um programa destinado a dar formação aos médicos de família, introduzindo a dimensão «saúdemental» nas consultas de rotina da gravidez e até ao fim do segundo ano de vida das crianças, com um mínimo de «perturbação» possível e uma eficácia demonstrável.Avalia-se a importância da formação para a modificação das práticas e atitudes dos médicos de família; em seguida avalia-se o impacto que esta formação em conjunto com a utilização na consulta de um instrumento (entrevistas semi-estruturadas), facilitador da abordagem dos aspectos afectivos e relacionais, tem nas mães e crianças pequenas; e finalmente avalia-se o impacto que a simples aplicação do instrumento teria.Os resultados apontam, de uma forma global, para a existência de efeitos relevantes da formação sobre as práticas dos médicos, mas sugerem igualmente que estes efeitos não se traduzem em grandes diferenças nas crianças e nas mães
Delinquência juvenil: Da disfunção social à psicopatologia
No presente artigo fazemos uma revisão de literatura acerca da Delinquência Juvenil, analisando o fenómeno à luz das interpretações sociológicas e psicológicas, nomeadamente no que concerne à sua etiologia, prevenção e tratamento. Consideram-se as várias dimensões do problema, contemplando as relações normativas entre a adolescência e os comportamentos de transgressão enquanto estratégias de resolução de conflitos no sentido da adaptação. Discriminamos os comportamentos delinquentes normativos dos patológicos, analisando-os segundo os modelos de controlo social, da identidade/subcultura e da teoria psicanalítica.
Reforça-se a necessidade de intervenção preventiva primária, partindo da identificação de factores de risco que tornam determinados grupos vulneráveis. Expõem- se algumas das principais estratégias de tratamento: institucional (ligado ao sistema de justiça) e não institucional (ligado aos serviços de saúde). Por fim, fazemos algumas propostas de investigação sobre a Delinquência Juvenil em Portugal
Ajustamento conjugal: Características psicométricas da versão portuguesa da Dyadic Adjustment Scale
A Dyadic Adjustment Scale (DAS; Spanier, 1976) é considerada uma das melhores medidas de avaliação da qualidade da relação conjugal. O objectivo deste estudo foi analisar o comportamento psicométrico da versão portuguesa da DAS. A amostra incluiu um total de 207 participantes (103 mulheres e 104 homens) casados ou a viver maritalmente com o companheiro/a há pelo menos seis meses. Os resultados de análises factoriais confirmatórias revelaram um bom ajustamento da estrutura multidimensional originalmente proposta. O alfa para a escala global de 32 itens foi .897, e variou entre .655 e .849 para as quatro sub-escalas. Os restantes dados (incluindo sobre a fidelidade teste-reteste e associação das notas com várias variáveis) indicaram também que a versão portuguesa da DAS apresenta características psicométricas equivalentes às da versão original. Adicionalmente, os resultados deste estudo sugerem que a sub-escala de Satisfação (10 itens) pode ser usada como uma versão curta da DAS quando o objectivo for avaliar o ajustamento conjugal em termos globais