Análise Psicológica
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Aprendizagem ao longo da vida: «Boas práticas e inserção social»
A aprendizagem ao longo da vida pode considerar-se como um dos pilares básicos da cidadania activa e da empregabilidade, tornando-se urgente aprofundar o conhecimento sobre novos contextos de aprendizageme proporcionar dispositivos adequados aos ritmos e disponibilidades dos cidadãos, reconhecendo que as competências também se adquirem em ambientes não formais. Neste trabalho discutem-se iniciativas que podem contribuir activamente para a identificação, transferência e apropriação de práticas bem sucedidas pelas equipas de trabalho e organizações, enquanto acções de renovação organizacional, com consequências na produtividade, na competitividade e na qualidade da inclusão de públicos vulneráveis.Por outro lado, analisam-se os Centros de Recursos em Conhecimento (CRC), dispositivos de apoio aos cidadãos e em particular às entidades formadoras e aos profissionais de formação, mobilizados e comprometidos com projectos de desenvolvimento de competênciase de aprendizagem ao longo da vida, importando realçar o valor destas abordagens junto dos cidadãos que apresentam vulnerabilidades específicas
Atitudes e comportamentos sexuais de mulheres universitárias: A hipótese do duplo padrão sexual
No presente artigo é apresentado um estudo exploratório sobre a percepção das jovens universitárias em relação às modificações registadas nos padrões de comportamento sexual pré-marital. O objectivo desta investigação centrava-se não só no pensamento individual realizado por cada inquirida em relação às atitudes e comportamentos sexuais desempenhados por cada um dos géneros, como também na percepção das inquiridas face aos julgamentos sociais efectuados em relação às atitudes e comportamentos sexuais praticados por ambos os géneros. Para tal efeito servimo-nos do Questionário de Avaliação do Duplo Padrão Sexual (Milhausen & Herold, 2001), que foi preenchido por 142 participantes do sexo feminino, solteiras, de orientação heterossexual e com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos. As conclusões obtidas na presente investigação mostram-nos que a maioria das jovens mulheres inquiridas aprovam um script sexual caracterizado por um padrão de comportamento sexual singular aplicado a ambos os géneros, apesar de percepcionarem a existência de julgamentos, efectuados pelos outros membros da sociedade, que valorizam o duplo padrão sexual
Dimensões socio-cognitivas na adesão das mulheres à contracepção
As autoras propõem um modelo compreensivo da adesão à contracepção considerando cinco dimensões sócio-cognitivas: a percepção de auto-eficácia, o locus de controlo para a saúde, a satisfação com o suporte social, o nível de informação de carácter contraceptivo e a atitude face à sexualidade, cuja pertinência explanam e discutem
Género e violência conjugal: Uma relação cultural
O presente artigo destaca a necessidade de atender às questões de género na análise do fenómeno da violência contra a mulher, considerando que a construção social do género é constitutiva da vivência cultural deste fenómeno. Partindo de uma breve revisão de como a diferença entre homens e mulheres tem sido abordada, da análise da forma como a noção de “género” tem sido conceptualizada e, com base na abordagem construcionista social, defende-se a sua natureza não só social mas também cultural. Seguidamente, procede-se a uma análise do modo como a relação violência conjugal e género tem sido equacionada na comunidade científica e nas diferentes abordagens teóricas. Face às controvérsias existentes, às limitações das várias abordagens e, partindo da conceptualização do género enquanto construção sócio-cultural, propomos uma abordagem cultural da relação violência/género. Sob esta abordagem, consideramos que a violência conjugal e o género não devem ser analisados isoladamente, mas que estão interligados, sendo o género uma parte integrante e constitutiva do enquadramento cultural do fenómeno da violência
Testemunhos Internacionais
Carla Machado: An AppreciationCarla Machado: A TestimonyCarla Machado: Testimoni
Os modelos de senso-comum das cefaleias crónicas nos casais: Relação com o ajustamento marital
Este estudo investigou qual é a representação cognitiva das cefaleias em casais nos quais as mulheres apresentam um quadro de cefaleias crónicas e o impacto desta representação no ajustamento marital de ambos os membros do casal. Trinta e um casais completaram separadamente um questionário sobre percepção individual da doença, e ajustamento marital, em termos de consenso diádico e satisfação sexual. Os resultados indicam que: (1) existem diferenças significativas nas percepções individuais entre os dois membros do casal, (2) que as representações cognitivas das cefaleias de cada um dos cônjuges influenciam o ajustamento marital dos mesmos.Embora os resultados sejam de carácter exploratório, parecem ter implicações importantes para a forma como pacientes e cônjuges percepcionam a experiência e a vivência da doença, respectivamente. Além disso, este tipo de abordagem do estudo das cefaleias crónicas pode contribuir para o delineamento de estratégias de adaptação à doença e melhoria da qualidade de vida em termos da relação do casal
O papel do funcionamento projectivo na alergia infantil
Para a autora não é possível basear o estudo da psicossomática em conceitos psicanalíticos clássicos dado estes permanecerem estreitamente associados à sua fonte: investigação dos traços de significação que formam os sintomas histéricos. A apreciação de protocolos de Rorschach de crianças alérgicas permite considerar a projecção corporal e os processos de redução das diferenças que aí têm lugar, como constituindo o aspecto principal do funcionamento destas crianças. Considera-se que para identificar esta espécie particular de funcionamento há que construir uma forma diferente de apreciar as produções Rorschach. Apresenta-se ainda uma possível contribuição para esta nova metodologia
Estratégias de coping em estudantes do Ensino Superior
O coping é o conjunto de estratégias cognitivas e comportamentais desenvolvidas pelo sujeito para lidar com as exigências internas e externas que são avaliadas como excessivas ou as reacções emocionais a essas exigências. O presente estudo exploratório teve como objectivo determinar quais estratégias de coping eram mais utilizadas pelos estudantes do ensino superior de Viseu, comparando as suas diferenças em função do sexo, opção do curso, estatuto de mobilidade e área de estudos. A Escala Toulousiana de Coping – ETC (Esparbès, Sordes-Ader & Tap, 1993) foi aplicada a uma amostra de 401 estudantes universitários das três instituições superiores da cidade – Instituto Piaget (n=175; 43.6%), Instituto Politécnico (n=193; 48.1%) e Universidade Católica (n=33; 8.2%), sendo 109 (27.2%) do sexo masculino e 292 (72.8%) do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 18 e os 37 anos, com média de 21.3 anos (dp=2.29). Os resultados demonstraram que as estratégias de coping mais utilizadas são o Controlo e o Suporte Social, com prevalência desta última no sexo feminino, mas os valores obtidos na estratégia de Retraimento apresentaram diferenças significativas quando se comparou a opção do curso e o estatuto de mobilidade
Que idade tem o trabalhador mais velho? Um contributo para a definição do conceito de trabalhador mais velho
Este estudo procura contribuir para a definição do conceito de trabalhador mais velho, através da identificação das idades que definem esta fase da vida. Explora ainda a possibilidade de este conceito ser definido com recurso a uma linha imaginária que recuará no tempo de modo a proteger a auto--estima e auto-imagem positiva. Participaram neste estudo 177 pessoas, com idades compreendidas entre os 17 e os 76 anos. A idade do trabalhador mais velho foi concebida como um intervalo, em que o limite inferior e superior foi aferido através de um questionário desenvolvido para o efeito. Os resultados apontam para que o trabalhador mais velho seja uma pessoa entre os 53 e os 65 anos deidade, sendo que essa categoria é atribuída a pessoas que se encontram numa fase transitória, perto do final da sua vida activa e da entrada na reforma. Os resultados mostram, por um lado uma correlação positiva baixa entre a idade dos participantes e o limite inferior da idade do “trabalhador mais velho”,e por outro, uma correlação negativa baixa entre a idade dos participantes e a amplitude do intervalo. Estes resultados sugerem que idade de entrada na categoria de trabalhador mais velho é definida por uma linha imaginária que vai recuando mediante o avanço da idade de quem a atribu
Em busca da distinção perdida: Acessibilidade versus disponibilidade mnésicas em cognição social
A compreensão da forma como se representa, organiza e recupera informação de memória acerca de pessoas e acontecimentos sociais constitui actualmente uma das áreas fundamentais de desenvolvimento teórico e metodológico da Cognição Social. A literatura produzida neste âmbito permite distinguir quatro grandes abordagens, duas delas subjacentes à maior parte da investigação: as redes associativas e as representações esquemáticas; e duas mais recentes: os exemplares e as representações distribuídas. As duas primeiras abordagens, que têm prevalecido em Cognição Social, privilegiam os processos de codificação em detrimento dos processos de recuperação mnésica, levando a que a investigação nesta área continue a concentrar-se nos processos de codificação e organizaçãode informação social em memória e a negligenciar os processos de recuperação que geralmente se assumem como invariantes. Procuraremos no presente artigo descrever e contrastar estas propostas, apresentando alguns argumentos teóricos e empíricos que reforçam a importância dos processos de recuperação, questionando ainda o pressuposto de invariância destesprocessos, explicita ou implicitamente presente na literatura