Análise Psicológica
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Festinger revisitado: Sacrifício e argumentação como fontes de conflito na tomada de decisão
É consensual na literatura que o nível de conflito sentido numa tomada de decisão influencia o modo como nós escolhemos e que este grau de conflito depende do tamanho de troca entre os atributos das opções do conjunto de escolha. Modelos tradicionais defendem que o conflito aumenta com o tamanho de troca, uma vez que são maiores as vantagens que temos de abdicar ao escolher uma opção em detrimento de outra (sacrifícios). No entanto, uma outra perspectiva é que o conflito depende dos argumentos à nossa disposição para escolher uma das opções: quanto menor for o tamanho de troca, mais fracos os argumentos e consequentemente maior o nível de conflito sentido na tomada da decisão. O presente artigo demonstra como um modelo unificado de formação do conflito na tomada de decisão, o modelo de dupla mediação, concilia as diferentes perspectivas de forma integradora. A relação entre tamanho de troca e conflito é mediada pelos sacrifícios e pelos argumentos (em direcções opostas) e moderada por diversos factores, entre os quais a importância relativa dos atributos e a necessidade de justificar a escolha a outros
A dissociação dos efeitos das expectativas nas impressões e memória de pessoas e grupos: O Modelo TRAP
O presente artigo apresenta um novo modelo de memória de pessoas e grupos – o Modelo TRAP (Twofold Retrieval by Associative Pathways). O Modelo TRAP foi primordialmente desenvolvimento para resolver a aparente discrepância entre efeitos de congruência tipicamente obtidos em medidas de julgamento e de incongruência tipicamente obtidos em medidas de recordação livre. O Modelo distingue entre dois modos de recuperação – o modo heurístico e exaustivo. Essa distinção permite resolver a discrepância frequentemente obtida entre medidas de julgamento e de recordação.
O desenvolvimento do Modelo TRAP permitiu quer encontrar novas variáveis capazes de dissociar os dois modos de recuperação quer construir novas hipóteses sobre o processo de formação de impressões. O presente artigo discute os pressupostos teóricos do modelo e apresenta os principais resultados empíricos até hoje obtidos
Interrupção Voluntária da Gravidez: Intervenção psicológica nas consultas prévia e de controlo
Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez é realizada desde 2007, após publicação da lei da Assembleia da Republica número 16/2007 de 17 de Abril. Não existem investigações portuguesas quanto à possível conduta psicopatológica da IVG, contudo, esta foi analisada em outros países. Apesar dos resultados serem pouco claros e não concordantes, é sabido que este é um momento delicado da vida de uma mulher podendo gerar nesta um variado leque de sentimentos. Na legislação em vigor, o processo de uma IVG inclui a possibilidade de apoio psicológico à mulher, tanto na consulta prévia, como na consulta de controlo. Neste processo de apoio é essencial que haja empatia, ausência de preconceito e flexibilidade por parte do psicólogo. Tendo em conta a especificidade deste momento, é necessário que o psicólogo dê a conhecer à mulher todo o processo, assim como as possíveis consequências envolvidas. É importante que o psicólogo acompanhe a mulher na sua tomada de decisão assim como em eventuais sentimentos que esta pode desenvolver ao longo de todo o processo como o medo, a dúvida, a ansiedade, a culpa, o luto. É também imprescindível que a temática de contracepção e de planeamento familiar seja discutida com a paciente. Esta consulta poderá ajudar a mulher a lidar com todo o processo de IVG, e com os seus sentimentos, assim como evitar consequências mais graves a nível psicológico
Sobreviver ao medo da violação: Constrangimentos enfrentados pelas mulheres
O presente estudo teve como objectivo contribuir para o desenvolvimento dos conhecimentos sobre os constrangimentos provocados pelo medo da violação na vida das mulheres, assim como dar a conhecer a sua realidade, e a forma como elas lidam com esse medo, e onde pensam que se encontra a origem desse medo. Os constrangimentos provocados pelo medo de violação têm toda a legitimidade de existir e devem ser encarados, em si mesmos, como um fenómeno e um problema social. O estudo teve como participantes, 18 estudantes universitárias do Instituto Superior de Psicologia Aplicada, com idades compreendidas entre os 19 e os 25 anos. Os dados foram recolhidos através da formação de Grupos de Debate (Focus Groups), no contexto de Investigação Participada Feminista. A análise dos resultados recolhidos na investigação, conduz-nos à conclusão que o crime de violação limita a liberdade das mulheres em geral, assim como a sua qualidade de vida, sendo necessária uma mudança no sentido de uma estrutura social liberta do crime de violação
LPDM Centro de Recursos Sociais: 45 anos de acção pela igualdade de oportunidades
Neste artigo, retrata-se o percurso histórico da LPDM Centro de Recursos Sociais, instituição fundada em 1956 com o objectivo de apoiar as pessoas com deficiência motora e suas famílias. Ao longo de mais de quatro décadas de actividade, a organização foi progressivamente ampliando o seu campo de acção, acompanhando a evolução dos conceitos, dos princípios e dos paradigmas de intervenção em reabilitação e inserção social. Hoje organiza-se como Centro de Recursos Sociais, disponibilizando um conjunto de respostas abrangente e multidimensional, na promoção da igualdade de oportunidades e na afirmação dos direitos de cidadania, para todas as Pessoas sem excepção
O efeito de ordem temporal no pensamento contrafactual das crianças
Quando os adultos pensam contrafactualmente, acerca do que poderia ter sido diferente numa sequência aleatória de acontecimentos, como por exemplo num jogo de moeda ao ar (cara ou coroa), são influenciadas pela ordem em que esses acontecimentos ocorrem, exibindo um efeito de ordem temporal, e consequentemente atribuem emoções como a culpa (no caso de perderem) ao último jogador (ver Byrne, 2005, para uma revisão). Neste âmbito, iremos apresentar duas experiências. Numa primeira experiência estudámos se o efeito de ordem temporal ocorria nas crianças, assim como os julgamentos emocionais de tristeza e culpa decorrentes deste efeito. E, por outro lado, também queríamos saber se este efeito pode ser eliminado, tal como se verifica em adultos quando o jogo é interrompido e depois recomeça do início. Verificámos que o efeito de ordem temporal se cumpre desde os 6 anos de idade, mas a sua redução/eliminação surge apenas aos 10 anos de idade, tal como se esperava, dada a maior capacidade representacional destas crianças face às mais novas. Ao nível dos julgamentos emocionais, estes diferem ao longo das idades. Numa segunda experiência, estudámos se o efeito de ordem temporal ocorreria nas crianças aquando de um resultado positivo, bem como os julgamentos emocionais de felicidade e orgulho. E encontrámos que desde cedo as crianças também exibem um efeito de ordem temporal para resultados benéficos. Ao nível dos julgamentos emocionais, estes aparecem congruentes com o efeito de ordem temporal. Estes resultados serão discutidos em termos das suas implicações para a compreensão do desenvolvimento das representações mentais
Firsthand learning through intent participation
This article examines how people learn by actively observing and “listening-in” on ongoing activities as they participate in shared endeavors. Keen observationand listening-in are especially valued and used in some cultural communities in which children are part of mature community activities. This intent participation also occurs in some settings (such as early language learning in the family) in communities that routinely segregate children from the full range of adult activities. However, in the past century some industrial societies have relied on a specialized form of instruction that seems to accompany segregation of children from adult settings, in which adults “transmit” information to children. We contrast these two traditions of organizing learning in terms of their participation structure, the roles of more-and less-experienced people, distinctions in motivation and purpose, sources of learning (observation in ongoing activity versus lessons), forms of communication, and the role of assessment
Aprender vivendo: As experiências de vida no desenvolvimento e na aprendizagem
As perspectivas actuais da Psicologia representam um progresso significativo nas relações entre factores sócio-culturais e cognição. Se está mais ou menos assente que estes factores são inseparáveis, a explicação das suas intersecções têm variado segundo diferentes autores. A maioria dos estudos tem oscilado entre o estudo das práticas sociais e a mente da criança. Preocupamo-nos em estudar a criança num mundo sócio-cultural, agindo e percebendo, tornando-se um participante competente em acontecimentos sócio-culturais, e as consequências cognitivas dessa participação. O foco é a criança com uma visão emergente da realidade e os meios que emprega para interpretar e (re)construir essa realidade.Defendemos a ideia de que os modos de representação esquemática de experiências de vida proporcionam uma estrutura que permite a comunicação e compreensão mútua (actividade social), mas também são instrumentos mediadores da actividade cognitiva. Neste processo, necessariamente associados aos progressos na linguagem, a narrativa assume um papel preponderante. Começando como organizador da comunicaçãoe da experiência vívida com a necessidade de anarrar para um outro, depressa se revela como organizador cognitivo. A reflexão teórica é apoiada em dados de investigações empíricas que temos vindo a desenvolver
Terapia comportamental e a sua aplicação em reabilitação
A Terapia comportamental tem sido aplicada a uma grande variedade de populações ao longo dos tempos. Neste artigo destacámos a forma como diferentes técnicas comportamentais podem ser úteis e utilizadas pelos técnicos de reabilitação no trabalho com pessoas com deficiência
Representações sociais do suicídio em estudantes do ensino secundário
Dada a importância que os comportamentos suicidários assumem nos adolescentes, torna-se pertinente a análise dos sentidos associados ao suicídio no campo particular da sua construção social. Várias investigações evidenciam que, o modo como as pessoas constróem explicações para os acontecimentos, não só se baseia nas crenças e experiências dos seus grupos de pertença, como determina comportamentos. Neste primeiro artigo, integrado numa investigação mais ampla sobre as representações sociais do suicídio em adolescentes, analisa-se o tipo de explicações queos jovens dão para este fenómeno, em função do sexo, idade, ano de escolaridade, região e ideação suicida.Participaram no estudo 822 adolescentes, entre os 15 e os 23 anos, estudantes dos 10.º, 11.º e 12.º anos de escolas secundárias de Évora, Guimarães, Lisboa e Santarém. Os resultados sugerem que estamos perante uma representação hegemónica das explicações do suicídio. Esta varia com o sexo, a idade e o ano de escolaridade, assim como com a região onde os jovens estudam e, também, com o facto de terem tido ou não ideação suicida. Tendo em conta a necessidade de responder adequadamente a tal diversidade, estes resultados assumem particular relevância no planeamento de estratégias preventivas