Análise Psicológica
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As potencialidades da Teoria de Resposta ao Item na validade dos testes: Aplicação a uma prova de dependência-independência de campo
No presente estudo realizou-se uma análise aos itens da prova “Padrões” – teste de escolha múltipla informatizado que avalia a dependência-independência do campo – à luz dos modelos de um, dois e três parâmetros da Teoria de Resposta ao Item (TRI). Utilizou-se uma amostra de 1.918 candidatos ao Curso de Pilotagem Aeronáutica da Academia da Força Aérea Portuguesa. Analisou-se o ajustamento aos modelos logísticos de um (ML1), dois (ML2) e três parâmetros (ML3), concluindo-se que o primeiro modelo se ajustou a todos os itens que compõem a prova, o segundo apenas a sensivelmente metade dos itens, e o terceiro não chegou a cumprir as pré-condições. A análise dos resultados sugere que a principal razão do desajuste dos ML2 e ML3 se tenha ficado a dever à não unidimensionalidade do teste, ilustrando deste modo as exigências fundamentais da aplicação da TRI na construção e validação de provas psicológicas
Prevalência e factores associados à Síndrome de Burnout nos professores de ensino especial
O presente estudo tem como objectivo identificar a prevalência da Síndrome de Burnout e a sua associação com os factores de risco psicossociais em 63 professores de escolas especiais da região central do Estado do Rio Grande do Sul/Brasil. Como instrumentos de pesquisa foram utilizados o Cuestionario para la Evaluación del Síndrome de Quemarse por el Trabajo – CESQT-PE, versão para professores, a Bateria de avaliação de riscos psicossociais e um questionário para as restantes variáveis. Os resultados obtidos evidenciam uma prevalência de 30,6% de professores que apresentam o Perfil1 de Burnout, considerado como um nível moderado da síndrome e 14,3 % do Perfil 2, definido como uma forma mais severa de Burnout. O Perfil 1 associou-se ao aumento do conflito de papel e iniquidade e o Perfil 2 ao conflito de papel, sobrecarga de trabalho, iniquidade, insatisfação laboral e aos problemas de saúde
Stresse ocupacional em forças de segurança: Um estudo comparativo
Este trabalho compara a experiência de stresse ocupacional em dois grupos de segurança portugueses, um a exercer em contexto público (n=95) e outro em contexto prisional (n=237). Para tal, utilizámos um protocolo de avaliação com medidas do stresse global, “burnout”, comprometimento organizacional, satisfação com a vida, satisfação profissional e desejo de abandonar a profissão. Os indicadores de fidelidade e validade dos instrumentos foram muito aceitáveis. Os resultados de “burnout” por dimensão apontaram níveis apreciáveis de exaustão emocional (valores a oscilar entre os 12% e os 26%), seguidos do cinismo (valores entre 8% e 21%) e do baixo sentimento de eficácia profissional (valores entre 3% e 8%) (apenas um participante registou valores de “burnout” nas três dimensões, em simultâneo). A análise comparativa entre os grupos demonstrou que os profissionais de segurança prisional evidenciaram experiências profissionais mais negativas (e.g., maiores níveis de “burnout” e desejo de abandonar a profissão e menores níveis de comprometimento organizacional, satisfação com a vida e satisfação profissional). No final, os autores discutem os factores que podem ajudar a perceber estas diferenças e possíveis implicações para a investigação futura
Congruência de humor em memórias autobiográficas de infância de indivíduos com depressão
O presente trabalho consiste de um estudo experimental confirmatório realizado com o objectivo de avaliar se existem efeitos de congruência de humor na evocação de memórias autobiográficas de infância, por parte dos sujeitos deprimidos. Procurámos igualmente comparar, a partir dos dados obtidos, indivíduos com diagnóstico de depressão e indivíduos sem história recente ou passada de alterações psicopatológicas, no que concerne os tempos de latência associados à evocação mnésica e o tipo de memórias preferencialmente evocadas. Para este efeito, recorremos a uma amostra constituída por um total de 30 indivíduos (n=15 indivíduos com diagnóstico de depressão e n=15 indivíduos sem história recente ou passada de alterações psicopatológicas), aos quais foi aplicada uma bateria de escalas clínicas e uma Tarefa de Memória Autobiográfica. Os resultados obtidos sugerem a inexistência de um efeito de congruência de humor nas memórias autobiográficas de infância, que pode ser devida a uma maior recapitulação destas ao longo da vida dos indivíduos, por comparação a memórias mais recentes, apesar de muitas dúvidas persistirem a este respeito. Constatou-se igualmente que os indivíduos deprimidos evidenciaram maiores dificuldades em evocar memórias específicas, sem que existissem diferenças significativas entre ambos os grupos de sujeitos quanto ao tipo de memórias preferencialmente evocadas
A avaliação das práticas como contributo para a promoção da qualidade dos programas de intervenção precoce
As práticas actuais em Intervenção Precoce na Infância (IPI) recomendam uma intervenção centrada na família e nos contextos naturais de aprendizagem e rotinas de vida. Neste artigo apresentamos dois estudos de caso cujos programas foram avaliados por observação, entrevistas e análise documental. No primeiro caso, com apoio domiciliário, a educadora especializada actuou de acordo com as práticas recomendadas, enfatizando a resposta às necessidades expressas pela mãe e capacitando-a para a promoção do desenvolvimento do bebé. No final do programa, a mãe mostrava-se mais confiante e autónoma na procura de respostas para a sua família. No segundo caso, com apoio no jardim-de--infância, avaliado em dois anos lectivos, nenhuma das educadoras implementou uma intervenção centrada na família. No primeiro ano a intervenção implementada foi dirigida à criança fora do seu contexto natural de aprendizagem. No segundo ano o apoio foi parcialmente prestado em contexto da sala de JI, podendo ter contribuído para uma maior participação da criança em situações de interacção com a educadora e os seus pares. Embora as percepções dos profissionais sobre as práticas implementadas refiram a partilha destes princípios, estes dois casos de observação de práticas mostram que os profissionais têm, ainda, dificuldades em implementar uma intervenção centrada na família e nos contextos naturais de aprendizage
Relações terapêuticas: Um estudo exploratório sobre Equitação Psico- -Educacional (EPE) e autismo
Este estudo exploratório, ao considerar a Equitação Terapêutica como uma área de intervenção tridimensional, pretendeu enfatizar alguns dos aspectos relacionais implícitos e averiguar se, após a aplicação da Equitação Psico-Educacional – EPE (uma sessão semanaldurante dezasseis semanas), em cinco crianças (entre os cinco e os dez anos) diagnosticadas com autismo,se registariam: melhorias ao nível do desenvolvimentoe do comportamento; dados que pudessem confirmar a eficácia do tratamento; progressos na adequação de cada participante às diferentes tarefas propostas no decurso das sessões. A metodologia utilizada centrou-se na redacção integral de todas as sessões; na utilização da Grelha de Observação (individual/sessão) para Equitação Psico-Educacional (EPE), com crianças autistas; na aplicação, aos participantes, do Psychoeducational Profile Revised (Schopler et al.,1994) antes (teste) e depois (reteste) da aplicação do tratamento; na aplicação quinzenal, aos pais, do Autism Treatment of Evaluation Checklist (Rimland &Edelson, 2000); e, por último, na utilização de técnicas de audiovisual, com uma periodicidade mensal.Os resultados mostraram-se concordantes com a totalidade das hipóteses colocadas. Estas evidências convidam a uma reflexão sobre a importância do papel catalizador do cavalo, no seio de uma “nova relação” técnico-criança, que deve ser investida como central e transformadora
Mudanças no comportamento sexual do adolescente decorrentes do surgimento da SIDA no contexto social
Atualmente existe um grande número de pessoas contaminadas com o vírus da SIDA, manifestando sintomas entre os 20 e 30 anos. Como o vírus pode ficar inativo no organismo por anos, existe a possibilidade da contaminação ter ocorrido na fase da adolescência. Com o objetivo de obter maior conhecimento sobre a relação entre adolescência e SIDA, foram realizadas entrevistas com uma amostra de 127 adolescentes na faixa etária dos 13 aos 20 anos.Foi utilizado um questionário contendo 22 perguntas. Resultados obtidos revelaram que 67% dos entrevistados apresentaram um nível bom de informação em relação ao conhecimento da SIDA. Em relação ao conhecimento sobre as formas de contaminação o sexo masculino apresentou um bom nível e o o sexo feminino apresentou um nível regular. Quanto às formas de prevenção, 51% dos entrevistados denotaram um nível regular. Sobre a procedência das informações, constatou-se que o maior percentual encontrou-se nos meios de comunicação, seguido da escola. Verificou-se que entre os adolescentes, 100% do sexo feminino relacionavam afetividade e sexo, enquanto que entre o sexo masculino, 67% não faziam essa relação. A maioria afirmou que houveram mudanças no comportamento relativas à prevenção. De um modo geral pode-se concluir que os adolescentes apresentaram um nível de conhecimento adequado e suficiente sobre a doença, apesar da existência de algumas concepções equivocadas e preconceituosas
Vitimação por stalking: Preditores do medo
Este artigo pretende reflectir sobre uma realidade ainda pouco conhecida no contexto nacional – o stalking – e analisar os factores que concorrem para o sentimento de medo face a esta experiência de vitimação. O estudo foi conduzido junto de uma amostra de 236 participantes que relataram ter sido alvo de stalking em algum momento das suas vidas. O sexo e a idade da vítima, assim como ser alvo de vigilância pelo stalker emergiram como preditores do medo face a este tipo de vitimação. Os resultados sugerem que os efeitos deste tipo de violência devem ser compreendidos e localizados no tecido sócio-cultural, sendo necessário um maior investimento ao nível da investigação e das práticas para fazer face a este fenómeno
O Rorschach e o agir na patologia borderline: A alucinação negativa e a simbolização
O nosso objectivo é aceder à natureza dos mecanismos psíquicos e dos processos mentais e relacionais subjacentes ao agir na patologia borderline, concebendo-os como uma procura de continente, sentido e simbolização que actua contra a ameaça do nada, que se encontra subjacente à insubstância do simbólico. Para pôr à prova esta concepção, concebemos o Rorschach como um “espaço virtual de alucinação negativa”, assimilando pressupostos metodológicos que estabelecem o instrumento como um “espaço de relação, interpretação, comunicação e simbolização”. Em termos conclusivos julgamos ter prestado um contributo teórico para a compreensão dos fenómenos do agir, na medida em que o concebemos de um modo distinto das concepções anteriores; assim como um contributo metodológico, na medida em que a Psicologia Clínica se tem mostrado destituída de métodos e técnicas aptos a abordar a dimensão do negativo, a presença de fundo do nada e a ocorrência da alucinação negativa
Comportamento de mães de crianças hospitalizadas devido a queimaduras
Estudámos o comportamento maternal perante a situação de crianças hospitalizadas devido a queimaduras. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas a quatro mães de crianças internadas na unidade de queimados do Hospital de Dona Estefânia. Os dados foram submetidos a análise e codificação de acordo com o método da Grounded Theory. Encontrámos uma preocupação maternal que parece assumir uma importância fundamental: a preocupação em conseguir minimizar o sofrimento emocional da criança durante todo o período de internamento hospitalar consequente às queimaduras. Dar apoio emocional e protecção parental são as formas de auxílio à criança que os pais conseguem pôr em prática.A fim de amenizar as ansiedades e receios da criança, e transmitir-lhe a sensação de protecção e segurança, é utilizada como estratégia comum uma atitude de apoio parental permanente (de dia e de noite), sendo esta estratégia partilhada por ambos os pais da criança ou apenas por um deles. Os sentimentos de impotência e de dependência dos técnicos de saúde, a ansiedade em obter informação, e a ideia de que esta é a fase em que a criança corre mais riscos, são outros aspectos importantes