Análise Psicológica
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Factores de risco relacionados com as várias fases da “carreira” de fumador: Implicações para a prevenção
O maior risco que os jovens correm quando começam a fumar é o de ficar dependentes do tabaco, muitas vezes para a vida inteira, expondo-se a um risco imediato e futuro de contrair doenças graves. Tem-se verificado, nos últimos anos, um aumento da prevalência do consumo de tabaco nos jovens dos dois sexos, particularmente nas raparigas. Determinar os factores de risco relacionados com o consumo experimental, ocasional e regular de cigarros. Aplicou-se um questionário a uma amostra de 330 alunos, dos quais 173 (52%) eram rapazes e 157 (48%) raparigas. A média de idades é de treze anos. A maioria dos alunos da amostra começou a fumar por volta dos onze anos de idade, sendo a escola o principal local de iniciação. Factores individuais (curiosidade, baixa assertividade, etc.), micro sociais (consumo de tabaco dos pais e dos amigos) e ambientais (facilidade em adquirir cigarros), entre outros, estão relacionados com as várias fases da “carreira de fumador”. Tratando-se de um comportamento multifactorial, é necessário desenvolver e implementar estratégias abrangentes, destinadas a contrariar o conjunto de factores de risco relacionados com o tabagismo, de forma contínua, para evitar que os/as jovens comecem uma prejudicial carreira de fumadores/as
Sonho e alucinações visuais: Propostas fenomenológicas para sua compreensão, interpretação e intervenção psicológica
O artigo propõe uma reflexão sobre fenômenos distintos da experiência humana: o sonho e a alucinação. Inicia com uma rápida apresentação da compreensão tradicional da alucinação para, então, passar a uma exposição sucinta da leitura que Martin Heidegger faz, tanto no que diz respeito à alucinação quanto ao sonho. Em seguida, traz o entendimento fenomenológico oferecido por alguns dos mais importantes psicopatólogos comprometidos com esse método. Por fim, apresenta as propostas de Sigmund Freud e de Medard Boss referentes às convergências e divergências encontradas entre os sonhos e as alucinações visuais
Sentimento Psicológico de Comunidade: Uma revisão
Hoje fala-se de Sentimento Psicológico de Comunidade (SPC) como algo que sempre esteve presente. Trata-se de um conceito que foi introduzido no corpo teórico da psicologia comunitária por Sarason (1974). Tem sido objecto de muita discussão, de algumas teorias e de numerosos estudos empíricos. SPC é compreendido intuitivamente mas difícil de definir. Supõe uma concepção de comunidade sobre a qual deve ser construído. Neste artigo apresentamos uma revisão de literatura do conceito e exploramos a sua diversidade
O legado de Harold H. Kelley: O estudo da interdependência e atribuição de causas
Este artigo pretende ser uma homenagem ao psicólogo social Harold Kelley falecido no início do ano de 2003. Nele apresentamos os trabalhos do autor no campo de estudo da Interdependência e da Atribuição Causal, defendendo que o seu brilhantismo deve-se não tanto à defesa de noções complexas ou transcendentesmas antes, à clarividência com que definiu as suas ideias em torno de dois princípios básicos: o de que comportamento é controlado pelas suas consequências, e o de que estas consequências têm um carácter subjectivo que é influenciado pelo modo como interpretamos as consequências passadas ou antecipamos as futuras
Selectividade atencional e predisposição emocional face a estímulos do comportamento alimentar: Dimensões transculturais
Aborda-se neste artigo o funcionamento dos componentes selectivos da atenção na sua relação com a vulnerabilidade face às perturbações do comportamento alimentar.
Centra-se especificamente em aspectos transculturais, comparando dois contextos diferentes no que respeita a características socioculturais e linguísticas. Os resultados obtidos com a prova Stroop emocional podem ajudar a operacionalizar programas de prevenção
Propriedades psicométricas da versão portuguesa do Intrinsic Motivation Inventory (IMIp) em contextos de actividade física e desportiva
Com esta investigação pretendeu-se analisar as propriedades psicométricas da versão portuguesa do Intrinsic Motivation Inventory (McAuley et al., 1989), em contextos de actividade física ou desportiva. No primeiro estudo (n=738; 16.00±3.66 anos), a Análise Factorial Exploratória (AFE) permitiu identificar um asolução constituída por quatro factores similares à da versão original, e o cálculo do alfa de Cronbach para cada uma das subescalas e para o instrumento na sua globalidade confirmou na generalidade a sua fiabilidade. No segundo estudo (n=1780; 15.80±3.85 anos) foram submetidos à Análise Factorial Confirmatória (AFC) quatro modelos de medida do IMIp distintos: i)18 itens, factor único; ii) 18 itens, quatro factores; iii)17 itens, factor único; e iv) 17 itens, quatro factores.A análise dos resultados revelou a superioridade dos modelos com 17 itens relativamente aos de 18 itens, e dos modelos com quatro factores face aos modelos com apenas um factor. Ainda assim, os valores dos diferentes indicadores da qualidade de ajustamento dos diferentes modelos investigados sugeriram que o IMIp pode ser utilizado com confiança tanto para avaliar globalmente a motivação intrínseca dos indivíduos para a prática de actividades físicas ou desportivas como para avaliar individualmente cada uma das quatro facetas nele representadas. Finalmente, de realçar que, sem prejuízo do anteriormente referido, uma análise ao conjunto de todos os resultados encontrados nos dois estudos realizados pareceu indicar a possibilidade de melhorar ainda mais as propriedades psicométricas do IMIp
(Re)pensar o climatério feminino
O artigo sintetiza alguns contributos teóricos no âmbito do climatério. Pretende-se explicitar alguns conceitos fundamentais relacionados com o processo climatérico. Serão também apresentados alguns modelos explicativos, mostrando-se como esta etapa do ciclo vital tem sido científica e socialmente construídos. Finalmente, são apresentadas algumas pistas para investigação sobre uma temática
A abstenção tabágica: Reflexões sobre a recaída
Nos últimos anos tem-se dado muita ênfase à dependência de drogas duras porque provocam uma diminuição da qualidade de vida dos seus utilizadores, interferem negativamente no funcionamento e ordem social e sobretudo devido à relação com a aquisição de doenças infecciosas como a SIDA e Hepatite C. Esta preocupação crescente, concentrou a maioria das investigações nos toxicodependentes que usam drogas ilícitas e nos fenómenos de segurança social a eles associados, deixando para um segundo plano outras dependências legalmente permissivas como o abuso de fármacos (tranquilizantes e antidepressivos), álcool e o tabaco.O uso de tabaco é no entanto reconhecido como um dos maiores problemas de saúde pública a nível mundial contribuindo segundo as estatísticas para mortes prematuras e deterioração da qualidade de vida dos fumadores, e que vem muitas vezes associado ao consumo de outras drogas. O estudo cuidadoso da influência da nicotina no ser humano a nível biológico, psicológico e social é de suma importância para a intervenção na cessação tabágica e ainda, porque a nicotina exerce a sua influência nomeadamente na absorção de outros produtos naturais ou tóxicos. O problema do tabagismo foi estudado até um passado bem recente, meramente como um hábito que era preciso “descondicionar” e que dependia quase inteiramente da vontade do próprio. Contudo as recentes descobertas da influência positiva da nicotina em determinadas doenças veio abrir caminho para outras investigações que reforçam o poder aditivo desta droga, sobretudo porque se constata, que a maioria dos ex-fumadores tem sucessivas recaídas, tornando a abstenção total a longo prazo muito difícil.Este artigo pretende assim esclarecer aspectos psicológicos, sociais e psicofisiológicos que estão na base do insucesso da manutenção da abstenção tabágica. Enfatizaremos assim os efeitos psicofarmacológicos que proporcionam uma explicação diferente para a futura intervenção no tabagismo e que fornece novas pistas de investigação
Processos de controlo nas organizagões: Do controlo da flexibilidade & flexibilidade do controlo
Este artigo apresenta uma visão geral do problema do controlo organizacional. O argumento central do trabalho é o de que as organizações têm procurado alterar o exercício do controlo, no sentido do aumento da flexibilidade. Para esse efeito, as formas tradicionais de controlo intrusivo têm vindo a ser substituídas por formas de controlo menos intrusivas. Para ilustrar esta mudança de foco na gestão do controlo, o texto começa por apresentar as diversas formas possíveis de controlo organizacional, após o que se centra na discussão de algumas tipologias importantes. Por fim, é discutida a questão do controlo nas organizações baseadasna confiança, sendo introduzido o conceito de rede mínima
Terapia cognitivo-comportamental: A preparação do paciente com transtorno de pânico para as exposições agorafóbicas interoceptivas e in vivo
Objetivo: O estudo com terapia cognitivo-comportamental (TCC) procurou demonstrar a preparaçãodo paciente com transtorno do pânico para exposições agorafóbicas. Foram usadas as técnicas dasexposições interoceptivas, às próprias sensações corporais, e in vivo, a locais ou situações temidas.Metodologia: 50 indivíduos, divididos em dois grupos de 25 participantes cada um. O grupo 1 realizou 10 sessões de TCC semanais e individuais com uma hora de duração e fez uso de medicamentos e o grupo 2, controle, usou apenas medicação sem TCC. A medicação prescrita consistiu em antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos de recaptação da serotonina. Foram aplicados instrumentos de avaliação no início e ao fim das intervenções médica e psicológica. Resultados: Observamos uma diferença significativa entre a avaliação inicial e final no grupo 1, como: redução nos ataques de pânico, ansiedade antecipatória, esquiva agorafobia e medo das sensações corporais. Na escala de avaliação global do funcionamento, um aumento do bem-estar global de 60.8% a 72.5% entre pacientes do grupo 1 com terapia, diferentemente do grupo 2 sem terapia. Conclusões: As técnicas de TCC para as exposições foram consideradas essenciais na preparação dos pacientes com transtorno de pânico, para enfrentarem os ataques de pânico e as situações agorafóbicas subsequentes